março 15, 2004

Zangados com a democracia

"Ao contrário daquilo que muitos julgam, o voto dos espanhois não foi de revolta: foi de cedência".
"A Espanha pagou o resgate com o seu voto".
"Também se tornou claro, no mesmo pressuposto, a quem é que aproveitou o massacre de Madrid. E a influência mediática de meia-dúzia de grotescos manifestantes ontem à noite".
Sara Muller, Basfémia

"Quando um atentado terrorista internacional muda o sentido de uma votação, quando manifestações ilegais na vésperas da eleição são consideradas normais, quando há quem fique contente pela ETA não ser a autora de mais um assassinato... não sei quem ganhou, mas não devem ser boas pessoas".
DBH, No Quinto dos Impérios

"Bombas de Madrid derrubam o Governo".
Blogue do Caldas (blogue oficial do CDS/PP)

Como se vê, há uma direita (eu sei que não é toda) que desconfia do discernimento popular. Defende a democracia às vezes e acha que o povo, quando a contraria, é porque é cobarde. Os espanhóis, que na sexta eram um exemplo de cidadania, no domingo são uns frouxos.

O PP espanhol perdeu porque mentiu e porque se tentou aproveitar de uma tragédia para somar votos. Porque somou à mentira da guerra, que já incomodara, e muito, os espanhóis, a mentira da autoria do atentado. Dizer que esta não é uma excelente razão para correr com um governo, é a demonstração última de que muitos dão à verdade o mesmo valor que dão ao voto democrático.

A direita perdeu porque tem, sobre o terrorismo, um discurso oportunista: condena-o, e bem, mas está sempre pronta a aproveitar-se dele. Seja para tomar conta do Iraque, seja para limitar os direitos cívicos, seja para ganhar eleições.

E a outra verdade é esta: a política dos conservadores contra o terrorismo revela-se, a cada dia que passa, cada vez mais, um fracasso monumental. Dela não se consegue extrair nenhum resultado palpável, a não ser um novelo de mentiras e contradições. Concluir daqui, como fazem algumas pessoas de esquerda, que a culpa do atentado de Madrid é de Aznar ou de Bush, é um disparate completo. Mas podemos concluir que o caminho para combater o terrorismo não é o da guerra sem quartel e da mentira sem limites. E a derrota do PP é mais do que justa. Porque a mentira é provavelmente a melhor razão para não votar num político.

Publicado por danieloliveira em | TrackBack
Comentários

Excelente post Daniel. Assim já não preciso de dizer a mesma coisa no meu blogue. Mas atenção: o kitsch também te espreita (de muito perto).

Afixado por: timshel em março 15, 2004 06:19 AM

Lembram-se do resultado das eleições espanholas à 8 anos?

O PP venceu à tangente... lembram-se do estado de Espanha na altura? O PSOE perdeu à tangente e no entanto tinha ministros na cadeia, sucessivas noticias de escândalos.
Perguntei a um espanhol como era possível, como é que os espanhóis olham para a política como um clube de futebol?
O espanhol disse-me, em Espanha temos muita gana, discute-se com muita garra e é dificil dar o braço a torcer.
Quando à 4 anos o PP ganhou com maioria absoluta ganhou, vê-se agora porque parte dos eleitores se abstiveram... presumo que não teriam suficiente confiança no PSOE de então, nas recusavam-se a votar PP.
Se calhar estes últimos dias foi a mola que tirou esta gente do conforto do lar e a vitória ao PP.

Afixado por: diogenes em março 15, 2004 08:06 AM

É de facto escandaloso o que já para aí vai de mau perder. A tropa do do liberalismo nos despedimentos faz, mais uma vez, prova de uma atitude muito pouco liberal ao ser arredada do poder. Achariam natural que as pessoas continuassem a eleger quem lhes mentiu do afundamento do Prestige às responsabilidades pela carnificina de Madrid. Se me permitem a propaganda, desenvolvo mais o assunto em osdiasdepois.blogspot.com

Afixado por: Os Dias Depois em março 15, 2004 08:38 AM

Às mentiras sobre o Iraque e sobre o autoria dos atentados, há que adicionar a mais despudorada das mentiras, que foi a sobre o Prestige. Foi uma mentira de todo o tamanho, e da responsabilidade direta do Mariano Rajoy.
De facto, este governo do PP mostrou-se useiro e vezeiro na mentira pura e dura.

Afixado por: Luís Lavoura em março 15, 2004 09:42 AM

O Daniel parece esquecer que o voto mudou a partir de 11 de Março. A vitória do PSOE não era esperada nem nunca foi querida.

Se a Espanha sair do Iraque. Porque não tentar o mesmo com a Itália? As alianças militares não se regem pelo medo da represália.

Afixado por: André em março 15, 2004 10:18 AM

O voto mudou não foi no dia 11, foi no dia 12 e 13, com a mentira.

Afixado por: Daniel Oliveira em março 15, 2004 10:36 AM

Se a Espanha sair do Iraque, sim, porque não a Itália ? A Espanha, como a Itália, como o Reino Unido, registaram manifestações imensas contra a intervenção militar no Iraque e contra o alinhamento dos seus países no delírio de Bush. Os dirigentes políticos foram em frente, à revelia da opinião pública que devem representar. Os atentados de Madrid vêm forçosamente reforçar a opinião anti-belicista daqueles que se manifestaram contra a intervenção no Iraque. As manifestações não conseguiram inflectir a decisão política. O voto, conseguiu.
Recusar uma política fundada na manipulação e no oportunismo mais rasteiro (ADM no Iraque, ETA apontada pelo dedo nos primeiros minutos após os atentados) não significa renunciar ao combate contra o terrorismo, não significa medo das represálias, não significa qualquer forma de cedência à irracionalidade do terror. Significa talvez a opção de procurar outras estratégias, outras políticas, mais consentâneas com o direito internacional, com a justiça, com princípios sociais e políticos mais humanos e racionais e menos musclados. E mais de acordo com o que há de melhor no que caracteriza a cultura ocidental. Nesse sentido, é Bush quem cede ao terrorismo de al-Qaeda: ao entrar pela mesma via irracional da violência e da repressão, passando por cima dos direitos, da cidadania, do respeito mais elementar dos princípios democráticos. Que essa estratégia falha redondamente, tornou-se tristemente óbvio. É tempo de procurar alternativas.

Afixado por: vv em março 15, 2004 11:18 AM

"Bush cede ao terrorismo da al-Qaeda", diz VV.
Mas... não é verdade que o bin Laden e a sua al-Qaeda foram uma criação da política externa americana, quando foram usados para atacar as pretensões soviéticas no Afeganistão?
Nessa altura eram uns queridos, uns "lutadores da liberdade".
Mas agora, que se autonomizaram e se voltaram contra o seu criador, já são "terroristas". Antes não eram, eram libertadores?
Ou os mesmos actos são "terroristas" ou "libertadores", conforme a nossa própria conveniência?

Afixado por: mafalda em março 15, 2004 12:25 PM

A mafalda refere uma coisa importante: o Bon Laden foi uma criação americana. Não no sentido de fazer recriminações agora (não é útil e não leva a lado nenhum), mas no sentido de evitar que tais erros se repitam. E eles estão a repetir-se. Com a Aliança do Norte no Afeganistão. Com alguns grupos curdos no norte do Iraque e até com alguns grupos xiitas no sul. A mim parece-me que estão, como sempre, a comprar aliados que depois se tornarão adversários.

Quanto ao voto espanhol, parece-me que o Daniel disse tudo quando referiu que o voto mudou no dia 12 e 13.

Afixado por: João André em março 15, 2004 12:44 PM

Concordo em pleno com o seu artigo Daniel, mas será que a política internacional espanhola irá mudar? Não prevejo grandes mudanças. Foi apenas uma mudança de partido e de pessoas. É a democracia que tanto nos fascina.

Afixado por: Vostro em março 15, 2004 12:44 PM

O editorial do JMF de hoje é uma vergonha. Para ele quem ganhou as eleições foram os terroristas. Passo a transcrever: "Por erros alheios, é certo, mas a verdade é que de certa forma e do ponto de vista dos terroristas, o crime compensou. O que é uma terrível mensagem de estímulo enviada a todos os que planeiam novos 11 de Março."
Lê-se e não se acredita. Para o JMF a mentira, a arrogância e a tentativa de manipulação da informação do governo do PP com objectivos eleitoralistas nunca existiram.
Para o JMF como para a maioria dos comentadores da direita a razão foi a "inabilidade" na comunicação. Traduzindo: não soubram mentir e manipular bem. Estamos esclarecidos

Afixado por: JTM em março 15, 2004 01:25 PM

esclarecendo João André sobre as minhas afirmações

Eu não estava a "fazer recriminações". Em política, ou história, é ridículo e inútil.
Mas o João André diz que "podemos aprender com os erros do passado, para que não se repitam".
Ora aí está qualquer coisa em que eu de todo NÃO acredito.
Até porque... os "erros" ou "acertos" do passado estão sempre a ser relidos e reinterpretados à luz das exigências do presente. Ou seja, em vez de se pensar nos "erros" do passado, talvez fosse mais útil e produtivo pensar na nossa LEITURA do passado e também do presente.
Isso iria relativizar algumas das posições crispadas em que as pessoas se encerram ou são encerradas pelos outros. E esse relativismo seria benéfico.
Outra coisa:
Diz que os E.U. estão de novo a cometer erros "bin-ládicos". Estão a comprar aliados hoje, que podem ser inimigos amanhã. Mas... isso é a lógica de qualquer potência, e ainda mais de uma potência com pretensões a estatuto imperial. É um risco calculado.
Quando de se tem poder suficiente, pode correr-se o risco de "comprar aliados". De resto, uma potência imperial NÃO tem aliados genuínos - pela simples razão de que não há outra ao seu nível. Tem apenas "clientes", ostensivamente comprados, e "aliados" que vai gerindo com o pau e a cenoura (nos casos de "aliados" de estatuto superior, o pau e a cenoura serão mais sofisticados).
E quando esses "clientes" ou "aliados" se tornarem rebeldes, dispõem de poder suficiente para os neutralizar ou controlar.
De modo que, sempre podem comprar hoje como amigos os inimigos de amanhã.

Afixado por: mafalda em março 15, 2004 01:27 PM

Cara mafalda,

concordo com a sua análise quando diz "sempre podem comprar hoje como amigos os inimigos de amanhã". Não tenho dúvida disso. Mas lá está, isso é o que sempre se viu ao longo da história. Desde os egípcios aos americanos passando por romanos e franceses (napoleónicos, por exemplo). Talvez o que se imponha, nesse caso, seja uma mudança radical de estratégia. Talvez uma aposta na colaboração real com os países/comunidades que nela estejam interessadas, colaboração essa não baseada (mas protegida) nas armas (como tem acontecido no passado) e que tenha como objectivo a melhoria das condições humanas.

Aliás, nem compreendo porque razão não o fazem os americanos. Está mais que comprovado que os extremismos (religiosos ou outros) crescem através da miséria. Está também mais que visto que os extremistas odeiam os EUA por representarem aquilo que não têm. Também bastante evidente é que os americanos querem, antes de tudo, boas relações comerciais com os outros povos.

Sendo assim, porque não ajudar os povos necessitados de maneira interessada. Ajudando-os a crescerem, dessa forma diminuindo o risco de extremismos e criando novos "clientes". Penso que até mesmo os ajudados beneficiariam disto.

O problema é a falta de visão a longo prazo. Falta um Jean Monnet para os EUA.

Afixado por: João André em março 15, 2004 03:01 PM

caro joão andré

Quer que lhe diga o que é que eu penso que falta?
Uma coisa apenas, mas que vai levar talvez séculos a construir: uma democracia REAL, a nível interno dos Estados e a nível das relações inter-estatais (no caso de ainda haver Estados no futuro e não se cumprir a profecia liberal anti-estatista).
Isto implica algo de MUITO SIMPLES, mas MUITO DIFÍCIL, que é: EDUCAÇÃO e CIDADANIA.
Só deste modo a manipulação da realidade pelos filtros mediáticos que hoje condicionam as mentes nas democracias, e a mesma manipulação pelas mesmas instâncias e outras (religiosas, políticas)
nas sociedades consideradas não democráticas, não terá razão de existir (a manipulação) porque será ineficaz.
É preciso que neste processo - caso venha a dar-se, o que não é seguro - a chamada "política externa" passe a ser um assunto de "política interna".
Este processo que, repito, nada me garante que venha a ocorrer nas gerações mais próximas, exige que AS PESSOAS QUEIRAM SER LIVRES DE PENSAR. Nada me garante que a maior parte das pessoas, em qualquer ponto do mundo (Ocidente incluído) QUEIRAM ter essa responsabilidade.
E a democracia, que exige AUTONOMIA, NÃO PODE IMPOR-SE DO EXTERIOR. Nem por um Estado sobre outros, nem, no interior dos Estados, por um grupo sobre os restantes cidadãos.
Talvez esta perspectiva lhe pareça pouco política,
mas eu acho que sim, que é radicalmente política,
porque assenta numa maneira de ver o homem - que é o SUJEITO e o OBJECTO da política - de uma forma REALISTA, sem ilusões nem boas intenções, que são o túmulo da política, sobretudo à esquerda
(Porque à direita não se cultivam muito as ilusões, e boas intenções é coisa que lá não há).

Afixado por: mafalda em março 15, 2004 04:34 PM

Pois... quem semeia ventos colhe tempestades. O sr. Aznar terá que arranjar emprego na protecção civil ou então casar outra filha para convidar meio mundo para carpir as mágoas junto dos amigos.

Afixado por: Werewolf em março 15, 2004 05:35 PM

A direita portuguesa está de cara à banda.
Pacheco Pereira, José Manuel Fernandes e outros ainda mais ridículos, como Luís Delgado e quase toda a blogosfera "neocon" estão desorientados.
"Não se cede ao terrorismo", é palavra de ordem, querendo com isso suscitar dúvidas sobre a existência de algum pacto da esquerda com a morte e com a ignomínia.
Mas, e isso foi o que construiu a actual conjuntura, foi a direita a primeira a aproveitar-se da morte e da ignomínia. Foi a direita que apontou logo o dedo à ETA. Foi a direita a primeira a ver que quando se soubesse que foi a AL-QAEDA a fonte de morte eles seriam trucidados pelo eleitorado, pelas razões conhecidas. Reacção?
Mentira e manipulação. Resultado? O conhecido, com a singularidade de toda a direita vir a terreiro dizer que a esquerda só ganhou por causa do terrorismo. Vejam bem, "só"!! incrível, ma vero!!
Então pergunto eu, se foi "só" por causa das bombas porque carga de água não divulgaram logo todas as informações que dispunham? Porque é que apontaram, logo o dedo à ETA? As bombas da ETA são diferentes? Admitem isso?
Quando me responderem a isto, faço como o José Magalhães e pinto a cara de preto. A sério!!

Afixado por: rodion em março 15, 2004 08:11 PM

Cara mafalda, quem fala assim não é gago (ou gaga, neste caso)! ;)

Subscrevo tudo isso. Agora falta encontrar uma forma de enfiar isso na cabeça dos políticos mundiais. Voltando ao Jean Monnet, ele encontrou a forma pragmática de convencer esse pessoal. Talvez devessemos aprender com ele.

Afixado por: João André em março 15, 2004 10:10 PM

É lamentável que se diga que a reacção do povo espanhol aos atentados foi cobarde...

Com a participação democrática inédita no último domingo, depois de mais de 25 anos a reagir democraticamente ao terrorismo nazi da ETA, acusar os espanhóis de cobardia parece-me um insulto infame.

O que se passou foi simplesmente que o "Partido Socialista Obrero Español" ganhou as eleições democraticamente. Os motivos para esta vitória histórica são os seguintes:

1) Os Espanhóis na sua grande maioria (90%, segundo todas as sondagens feitas muito antes do 11-M) estão contra a Guerra imperialista de ocupação e exploração do Iraque.

2) Estão fartos de um governo que durante os últimos 8 anos privatizou praticamente tudo - só falta privatizar o oxigénio que se respira em Espanha.

3) O PP desprezou o investimento na educação pública e nas políticas de I/D.

4) O PP promoveu para além de todos os limites razoáveis os "contractos basura" - os contractos de trabalho temporários que em Portugal tão bem conhecemos e que só servem para precarizar o trabalho e a vida dos trabalhadores.

5) O PP foi o campeão europeu do neo-liberalismo - a despesa social deste governo foi a menor da UE em termos relativos - e a coligação lusitana PP/PSD vai pelo mesmo caminho.

6)Para além disso houve responsabilidades enormes do governo do PP na crise do Prestige, que foi gerida de forma incompetente e irresponsável.

7) Os preços da habitação e a especulação imobiliária (problemas causados por poderosos lobbys protegidos pelo PP) atingiram níveis nunca vistos em Espanha. Mais uma vez, podemos fazer um paralelismo perfeito com a situação no nosso jardim à beira-mar plantado.

8) Os conflitos entre o estado central e as comunidades autónomas espanholas sucederam-se a um ritmo vertiginoso durante os últimos quatro anos. É claro que em Portugal isto não sucede porque num país neocon hipercentralizado, onde todos os politicos (com poder) vão beijar a mão ao par Durão/Portas e à oligarquia económica associada, não há qualquer conflito institucional, como é óbvio.

9) A manipulação por parte do governo da maior parte do circo mediático - televisões, rádios e imprensa, comentadores e analistas- era tão descarada que se os espanhóis queriam saber o que "não tinha acontecido" viam a TVE, liam o ABC ou ouviam a rádio COPE para além de muitos outros orgãos de informação e respectivo batalhão de comentadores/analistas neo-cons e neo-fachas. Mais uma vez, as semelhanças ibéricas entre Portugal e Espanha saltam à vista.

10) A manipulação e desinformação orquestradas pelo governo do PP na sequência do cruel atentado terrorista de dia 11 foi a gota de água que fez transbordar o copo.

Resultado: Os espanhóis deram a todos uma lição de democracia e resolveram votar à esquerda.

Quanto à retirada das tropas espanholas do Iraque, anunciada ontem por Zapatero, ela foi anunciada muito antes do atentado de 11 de Março, sendo uma promessa eleitoral que vai ao encontro do desejo da maioria do povo espanhol (cerca de 90 %, segundo muitas sondagens feitas antes do 11-M). Esta retirada não é portanto efeito do atentado mas já estava decidida pelo PSOE há muito tempo. O que se passa é que o PSOE parece querer cumprir as promessas eleitorais - que estranho... Aqui sim, as diferenças com os nossos queridos neo-con Durão e neo-facha Portas são enormes.

Espero que, em Portugal, aconteça brevemente o mesmo que aconteceu em Espanha mas com a nossa oposição, temo que será mais tarde que cedo. É preciso que os partidos PS/PCP/BE ataquem a direita sem dó nem piedade em todos os campos: politico, social e económico. E sem tréguas.

Saudações ibéricas

Afixado por: João Guerra em março 16, 2004 03:07 PM

Como observador mais ou menos atento, há em todos estes acontecimentos, que culminaram com a vitória do PSOE, um aspecto que se me afigura preocupante e que não tenho visto discutido: a radicalização da linguagem que se ouve e sente nos mais diversos comentários quer populares e expontâneos quer de comentadores e actores políticos, nomeadamente a utilização recorrente de epítetos como "fascista" e "extrema direita" e outros.É, na minha opinião, aconselhável um esforço de moderação geral. De facto é preciso dizer que a vitória foi da democracia não porque ganhou um e não o outro mas sim porque as eleições foram livres. Um voto do PSOE vale o mesmo e é tão democrático quanto um voto no PP ou CIU ou outro qualquer.Aí reside a vitória e a força do regime espanhol e, já agora, do nosso. Quanto às implicações futuras da vitória do PSOE, que é o que interessa discutir, o tempo dirá qual a margem de manobra de Zapatero para inverter a orientação da política externa.

Afixado por: JPM em março 16, 2004 06:07 PM

Ao ler a "lição de democracia" que o Daniel Oliveira pretendeu dar-nos, quase me apeteceu parafrasear o Dr. Soares.

Mas prefiro não o fazer.

Desejar que "democratas" destes "cresçam e apareçam" é a pior praga que se pode rogar a um país.

Afixado por: sic em março 17, 2004 12:42 AM
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