A Bombardier vai fechar as portas. São 400 a 500 trabalhadores da zona de Lisboa que ficarão desempregados. É um centro de engenharia de ponta que é encerrado. É a única empresa portuguesa de construção de material ferroviário que deixa de existir. Venha o TGV, para podermos emigrar mais depressa.
Publicado por danieloliveira em | TrackBack(Esta é rasteirinha)
Alguém falou em comboios da morte?!
Afixado por: rodion em março 17, 2004 05:01 PMOh, que horror, uma empresa a fechar. Estou chocadissimo. Preocupadissimo. Uma empresa a quem ninguém quer comprar nada, vai fechar... que atentado. Uma empresa que sobreviveu apenas porque o Estado português obrigou a que cá se fizessem certas partes de comboios que o proprio estado iria comprar posteriormente, e que assim ganhou concursos e encomendas.... realmente, que injustiça.
Os comboios que aqui se fizeram vão ser feitos noutros paises, com salários mais baixos e competencias semelhantes; é assim o capitalismo: rouba emprego aos mais ricos e coloca-os nos mais pobres. Uma injustiça, não é, Daniel?
Vai uma manifestaçãozinha?
Afixado por: maradona em março 17, 2004 05:36 PMSe vai fechar é porque não tem futuro. Mas se tem futuro no mercado e vai fechar, penso que haverá no BE quem pode tomar conta da empresa e levar à prática o seu discurso.
Afixado por: Fernando Martins em março 17, 2004 06:37 PMO Daniel esqueceu-se de referir que este encerramento é conjuntural, visto que a multinacional Bombardier vai encerrar sete fábricas em toda a Europa, em países como o Reino Unido, a Suécia e a Suiça...
Afixado por: Peixoto em março 17, 2004 06:41 PMquerias dizer Emigrar, I presume...
Afixado por: Animal em março 17, 2004 06:44 PMA ex-Sorefame integrava o ùnico grupo industrial nacional de construção metalomecânica pesada que incluia empresas como a Mague, a Sepsa,a Sermague,etc... e que se dedicava a projectar, construir, montar e pôr em exploração "coisas" como: Guindastes,Pórticos de contentores,Pórticos de construção naval, Pontes ferroviárias e rodoviárias metálicas, Centrais termoeléctricas de produção de energia eléctrica(Carregado, Setúbal, Sines), Turbinas de produção de energia hídrica (barragens), Material de Transporte ferroviário e tudo o mais que possam imaginar em estrutura metálica.
Este sector industrial nos anos oitenta empregava milhares de quadros e técnicos altamente qualificados.
Hoje toda esta actividade está extinta, mas não há que ter preocupações, vamos ao mercado estrangeiro e compramos o que precisarmos.Pelo menos enquanto não nos cancelarem o "cartão de crédito"
Oh Daniel eu não estou disposto a pagar mais impostos, ou a pagar bilhetes mais caros para manter uma empresa ineficiente ligada à máquina!
Entre 1980 e 1998
- os Estados Unidos destruiram 44 milhoes de postos de trabalho e criaram 73 milhões de postos de trabalho = saldo líquido de mais 29 milhões de postos de trabalho.
- a Europa no mesmo espaço de tempo destruiu zero postos de trabalho (zero estatístico líquido) e criou 4 milhões de postos de trabalho... (na administração pública, que se sabe não cria riqueza). É por estas e por outras que numa economia dinâmica o desemprego é o espaço de tempo entre dois empregos, na Europa o desemprego é um atoleiro de onde dificilmente se sai quando nele se cai.
E presumes bem. Já está corrigido, Animal.
Quanto aos restantes, a empresa não é ineficiente. É até excelente. Só que aqui pagam-se salários. Era uma empresa do Estado, que não dava prejuizo, mas que foi vendida para ser mais eficiente. Agora fechou e já não faz consorrência. O mercado funciona, para bem de todos. Não é?
Aliás, Daniel, a questäo é que ela foi comprada justamente porque fazia concorrência a quem a comprou.
Logo, a Bombardier alcançou os seus objectivos. E, eventualmente, continuará a vender combóios.
P.S.-Li algures que a Siemens quis comprar a "Sorefame", mas a Bombardier näo quis vender. Preferiu fechar.
Se a empresa não é ineficiente, então porque é que vai fechar? Masoquismo dos proprietários???
Os mastodontes não têm qualquer hipótese... vivemos na era do mais rápido, do mais ágil... na era do napster, do google...
Desde os anos 80 que vivemos num mundo onde há uma capacidade de produção superior à de consumo, o cliente é que decide... é a vida!
Se os clientes não vêem vantagem em comprar à ex-Sorefame que é que querem que se faça? O mundo está pejado de mastodontes, dinossauros que não souberam evoluir...
E quando uma fábrica fecha em Portugal para abrir em Marrocos... será que os marroquinos são párias, são menos do que nós? Então e quando a fábrica fechou na Alemanha há 20 anos e se veio instalar em Portugal?
As pessoas têm é de tomar consciência de que têm de apostar em si próprias e nunca, mas nunca confiar as rédeas da sua vida, do seu futuro a um qualquer patrão, têm é de meter na cabeça dos seus filhos que os brancos europeus não estão abençoados por Deus e têm direito a um bem estar garantido!
Daniel, mas se a empresa tem futuro porque é que ninguém fica com ela ou, caso não a queiram, não pegam no pessoal e nas máquinas e vão montar outra ao lado. Não te quero ofender, mas para ti bom mesmo era o condicionamento industrial. Todos pobretes mas alegretes com emprego garantido até ao fim da vida independentemente da competitividade. Aliás, se a malta que lá trabalhava é tão boa como dizes, e ainda que estaja a passar um mau bocado, certamente não tardará a encontrar outro posto de trabalho.
Afixado por: Fernando Martins em março 17, 2004 11:48 PMQuem disse que ninguém a queria comprar?
Já ouviste falar de concentração, de compras hostis e por aí adiante?
A destruição em empresas médias faz parte da dinâmica que destrói a economia e o tecindo empresarial de países que se recusam a regular a sua economia.
A Sorefame tinha tanto por onde vender como quando a Bombardier a comprou. Só que tinha uma posição dominante em Portugal. Pronto, já não tem.
A Sorefame tinha uma posição dominante em Portugal porque era controlada pelo estado e sendo assim era previligiada pelo Estado nos concursos públicos. Entretanto a Economia de Mercado (a mesma que trouxe a internet, os PC, os MAC e os blogues)instalou-se (parcialmente) em Portugal e este tipo de proteccionismos acabaram. Mas não é só esse o problema.
A Sorefame/Bombardier (é interessante analisar a utilização de um e outro nome nas diversas opiniões) é um centro de excelência em aço inox. O problema é que na Europa não há uma unica encomenda de aço inox (ver Publico). E isto nem o controlo do Estado conseguia resolver. A não ser que desatasse a fazer comboios para stock ( o que não seria muito viável porque não é qualquer pessoa que decide sair de manhã de casa para comprar um comboio).
E para finalizar, caro Daniel, a pressão para resolver o problema da Sorefame não defende os interesses dos trabalhadores, defende os interesses da Bombardier. Se tudo se passar com normalidade, os trabalhadores vão receber os seus direitos e vão ainda trabalhar para a Siemens ou para qualquer outra empresa que ganhe os próximos concursos. Quem mais estas empresas vão escolher que não os trabalhadores especializados?
Afixado por: dmarques em março 18, 2004 08:29 AMSocorrendo-me do vosso titulo dum outro post, "A clarividência e a cegueira", só digo que não se preocupem.
A Bombardier diz que vai fechar em Maio. Mas curiosamente há bastante interessados em comprar a fábrica, entre os quais a Siemens e até á própria CP. O parque ferroviário em Portugal por si só justifica a existência desta fábrica em Portugal.
Mas curiosamente a Bombardier diz que vai fechar, mas diz que não quer vender... Curioso !
Então o que se passa ?
Pressão ! Servirem-se dos trabalhadores para exercer pressão social de modo a ganhar encomendas. E hoje no parlamento já vimos que funciona.
Claro como água !