E é este o segundo texto publicado no "Expresso", na minha coluna de sábado.
Todos contra todos, com proveito, como sempre, para alguns. É esta a história do Líbano, marcada, nos últimos 30 anos, pela guerra civil, as ocupações militares estrangeiras e a proximidade explosiva de Israel.
Os sunitas, muçulmanos, foram sempre preteridos pelos colonos franceses em benefício dos maronitas, cristãos. Até aos acordos de Taif, em 1990, onde se fez a mais estúpida divisão de poderes por etnias que alguém alguma vez imaginou. A partir daí, os maronitas perderam influência. A pequena minoria drusa, defensora de um Estado laico, foi sempre relegada para um papel secundário. Os xiitas, que hoje devem ser uma maioria, continuam a ser tratados como minoria.
Franceses, americanos, israelitas e sírios foram apoiando uns e outros, dividindo para reinar. Ao apoio do presidente sírio Al-Assad à primeira Guerra do Golfo, os “aliados” ocidentais responderam com uma conveniente benevolência perante a progressiva ocupação do Líbano. Uma mão lava a outra, é esta a história do Médio Oriente.
O assassinato do ex-primeiro-ministro Rafiq Hariri, homem em nada diferente dos restantes líderes árabes, levantou uma justa onda de indignação nacional. A contestação à Síria que daí nasceu transformou-se num salutar movimento pela independência libanesa. Mas, mais uma vez, o Ocidente aproveita o momento. O Líbano, esquecido até há pouco, passou a comover consciências. Exactamente desde o dia em que George Bush escolheu a Síria como inimiga do Mundo Livre. Há muito que o terreno estava a ser preparado nos corredores de Washington. E quando Hariri é morto ninguém espera por certezas para apontar o dedo a Damasco.
A retirada das tropas sírias é um imperativo democrático. Mas atirar gasolina para a fogueira, acordando o fantasma da guerra civil, pode transformar um movimento democrático num simples instrumento de interesses que, mais uma vez, nada têm a ver com o Líbano. Como sempre, Beirute é apenas uma escala para viagens bem mais importantes. Destino: Damasco.
Publicado por danieloliveira emParece que um fator importante no movimento libanês pela "independência" em relação à Síria é a xenofobia em relação à enorme população imigrante síria no Líbano, cujo rastilho é o atual desemprego no Líbano. Ou seja, os libaneses, fartos do desemprego, atiram-se contra os imigrantes sírios.
Não sei se o Daniel sabe confirmar isto.
Um facto curioso é que o Líbano, embora muito populoso (4 milhões de pessoas), é muitíssimo pequeno: tem pouco mais do que a superfície do Algarve.
Afixado por: Luis Lavoura em março 9, 2005 03:30 PMa 'independência' libanesa não pode ser mero pretexto para defender os interesses sionistas e para atacar a síria e, mais remotamente, o irão. um atentado muito oportuno para bush e o líbano à beira de um ataque de nervos. ou pior. não esquecer o papel do hizballah e da comunidade xiita. viu-se ontem. o grande satã continua a brincar com as justas aspirações dos povos apoiado pela 'democrática' casa dos saud. pois...
Afixado por: pinto ribeiro em março 9, 2005 03:45 PMDaniel existem 300.000 trabalhadores sírios a trabalhar no Libano e são esses que no imediato estão a sofrer as consequências desta crise há já quem fale em mortos.
O problema do Libano e toda a geo-estratégia desta zona é demasiado complicada mas no imediato o que se começa a desenhar são possiveis regimes de maioria xiita no Irão no Iraque e começa a surgir uma hipotese muito provavel no Libano.
Regimes de fanáticos e nada aderentes a democracias ou direitos humanos.
Depois o papel daFrança nesta crise, o que se começa a mormurar nas chacelarias é um acordo de cavalheiros o Iraque para os americanos o Libano para os franceses, veremos o que tudo isto vai dar.
Afixado por: a.pacheco em março 9, 2005 09:11 PMfinalmente o pinto ribeiro trouxe o bom senso e relembrou quem são os verdadeiros aliados do povo de esquerda na regiao
o que é o hizballah?
Afixado por: ed em março 9, 2005 10:54 PMDe facto, a morte do ex primeiro ministro Hariri está envolta em suspeita. Surge num momento demasiado oportuno, principalmente para os E.U.A., que como podemos observar, buscam razões para fundamentar a inclusão da Síria no denominado "eixo do mal". Os E.U.A., para prosseguirem com a sua "política externa", de dominio do Médio Oriente, têm primeiro, de convencer a opinião pública mundial que a Síria é de facto um Estado pária, desrespeitador dos direitos humanos mais fundamentais e uma ameaça para o mundo. Sendo assim, e sem querer escandalizar ninguém, não ponha de parte a hipotese de que o E.U.A. tivessem de facto por detrás deste atentado misterioso.
Afixado por: Montezuma em março 10, 2005 07:30 PM Daniel, " Imperativo democrárico?"
só faltas falares nos pequenos e médios agricultores,nos pequenos e médios empresários ...