março 21, 2004

A Base

Anda tudo a discutir o diálogo com a Al Qaeda, a propósito das disparatadas declarações de Mário Soares. Mas trata-se do mesmo disparate em que se baseiam aqueles que julgam que a Al Qaeda poderá, um dia, render-se ou, enquanto organização, ser derrotada. Podemos reduzir o seu espaço de manobra ou até decapitar a sua cúpula. Seria desejável que tal acontecesse. Mas com isso continuaríamos longe da destruição do terrorismo islâmico fundamentalista, como se viu depois do desmantelamento das bases da rede no Afeganistão.

A Al Qaeda é uma rede, não é uma organização tradicional. Tem uma cúpula, dirigida por Osama bin Laden e apoiada por um conselho de dez membros. E tem quatro comités executivos para a actividade militar e treino, a educação religiosa, a actividade comercial e a divulgação e promoção.

Abaixo disto há uma estrutura fluida. Nuns casos, são células autónomas directamente ligadas à Al Qaeda, mas que se supõe não corresponderem a uma estrutura piramidal clássica. Em muitos outros casos, são organizações pré-existentes e que beneficiam do seu apoio. A Al Qaeda, formada originalmente por ex-mujahedines combatentes na guerra contra a ocupação soviética no Afeganistão de 1979 até 1989, fará hoje parte de uma outra organização, a Al-Jabhah al-Islamiyyah al-Alamiyyah li-Qital al-Yahud wal-Salibiyyin (World Front for the struggle against the Jews and the Crusaders). Esta frente reúne organizações como a Al-Gama'a al-Islamiyya e Al-Jihad, a Pakistan Scholars Society, o Movimento dos Guerrilheiros da Caxemira ou o Movimento Jihad do Bangladesh.

A Al Qaeda, que quer dizer “A Base”, em árabe, é uma organização multiterritorial com uma estrutura difusa. É muitas coisas ao mesmo tempo. Supõem-se que muitos dos atentados que são feitos em seu nome têm organizações regionais como seus executores e mentores. A Al Qaeda serve aqui como capa, dando, provavelmente, apoio logístico ou financeiro. Para dar um exemplo: os atentados a interesses britânicos em Istambul, no final do ano passado, foram reivindicados pela Frente de Combatentes Islâmicos do Grande Oriente e pela Al Qaeda, já que esta tinha ligações com aquela. A Al Qaeda tem, assim, uma estrutura hierárquica mínima e funciona sobretudo como uma rede de contactos e de apoio logístico e financeiro.

Tudo muito diferente de um país, de um partido ou de uma organização terrorista tradicional. Conectados através da Al Qaeda estão indivíduos, células locais e grupos com interesses diversos. Quem fez o atentado em Bali não queria exactamente o mesmo que os que fizeram o atentado em Nova Iorque ou Madrid. Limitam-se a ter alguns interesses convergentes, algumas fontes de financiamento comuns, alguma coordenação política e orgânica e, em alguns casos, treino “militar” coordenado.

Não têm, portanto, objectivos que possam ser negociados: o seu objectivo é a destabilização do Ocidente e, com ainda maior afinco, dos países árabes. Ninguém pode negociar por ela. Ninguém se pode render por ela. Mesmo que se pudesse negociar com a Al Qaeda, não consigo vislumbrar qual fosse o objecto da negociação.

Por isso, este debate é um não debate. E mostra como a ideia de que se está a travar uma “guerra” leva a completos absurdos argumentativos. No dia em que Al Qaeda negociasse ou se rendesse, a rede reformar-se-ia e nada de essencial se modificaria. A negociação é, neste caso, um logro tão grande como a guerra.

Mais eficaz seria atacar os instrumentos que a Al Qaeda usa para se financiar. A Al Qaeda usa, tal como o narcotráfico, muitos dos circuitos financeiros vulgares e legais. Beneficia, também como os narcotraficantes e os traficantes de armas, dos paraísos fiscais ou do segredo bancário. Mas, quando se fala disto, percebemos que há outros interesses a defender. A facilidade com que se quer restringir os direitos dos cidadãos ou se bombardeia um país é sempre maior do que a facilidade com que se põem em causa estes direitos intocáveis. E percebemos que o combate ao terrorismo pode parecer a principal prioridade dos governos ocidentais. Mas é só aparência.

Publicado por danieloliveira em | TrackBack
Comentários

Estou de acordo com tudo o que disseste. Só não percebo é porque é que nesse contexto as declarações do Mário Soares são disparatadas.

É que uma coisa é não ser possível dialogar outra coisa é não tentar dialogar.

Afixado por: timshel em março 21, 2004 05:11 AM

O que é realmente novo na Al-Qaeda, em termos de terrorismo, e que vai muito para além das questões do financiamento ou do franchising, são as "células adormecidas". Pessoas que se deslocam da sua terra natal para outro país, onde estudam, trabalham, aprendem a língua local, fazem amigos, até chegar o dia para que estão "programadas".

Isto ultrapassa o conceito de espionagem: enquanto um espião se limita a traficar segredos de estado ou empresariais, o terrorista tem o objectivo único de matar seres humanos.

Por exemplo, os terroristas do 11 de Setembro viveram, em média, 6 anos na Europa e 3 nos EUA. Isto representa quase 10 anos da vida deles. Imaginar que eles se deitavam todas as noites sabendo a tarefa que lhes era destinada, vai muito para além da nossa compreenção.

É uma situação muito complicada que a civilização Humana tem pela frente. O raíz do problema começou há 20/30 anos atrás, e não é por acaso que a idade média dos terroristas que foram presos até agora, cá na Europa, é de 31 anos. No início dos anos 90, um relatório dos serviços secretos Israelitas já deixava o alerta: uma geração inteira de crianças Egípcias, Paquistanesas, Palestinianas, Sauditas, etc., está a ser educada para odiar o Ocidente...

AP

Afixado por: AP em março 21, 2004 05:22 AM

Isso poderá ser novo, mas não é isso que é relevante para o debate sobre a natureza organizativa da Al Qaeda

Afixado por: Daniel Oliveira em março 21, 2004 11:09 AM


Os meus parabéns. É um excelente texto. Tem-se reflectido muito pouco sobre a Al-Qaeda, os seus objectivos e a maneira de a neutralizar, e este texto é uma importante contribuição nesse sentido.
Note-se que os objectivos da ETA, apesar dos métodos repugnantes que esta usa, são racionais e, no limite, negociáveis. Aliás, Tony Blair negociou com uma organização comparável ao Batasuna/ETA (o Sinn Fein/IRA) com resultados bastante razoáveis. A ETA quer "apenas" a independência do País Basco (incluindo uma pequena parte da França). A Al-Qaeda quer:
a) A retirada dos EUA da Arábia Saudita (um objectivo que originalmente até seria negociável);
b) O fim de Israel;
c) A transformação do Médio Oriente num conjunto de teocracias islâmicas.
Os objectivos b) e c) não são negociáveis.

Afixado por: Ricardo Alves em março 21, 2004 11:40 AM

Estou em grande parte de acordo com este post, sobretudo na convicção de que o terrorismo é absolutamente invencível pela via de qualquer acção militar. Quando deixarem de haver motivos para que se constituam mais grupos para desenvolverem este tipo de acções, elas diminuirão.

Afixado por: congeminações em março 21, 2004 12:04 PM

Este texto está excepcionalmente bem argumentado.
No entanto, não entendo como dele se pode inferir que as declarações do mário soares são "disparatadas". Não tem nada a ver com isto.
Mesmo que revele alguma "ingenuidade(?)" relativamente à natureza da Alqaeda, não exclui o combate à AlQaeda sob todas as outras formas, incluindo as que o post refere.
Apenas deixa a porta aberta à negociação sempre que possível.
Provavelmente serão "negociações" e quase de certeza não passará só por negociações o combate à galáxia AlQaeda. Mas é importante manter o princípio.
Não é por acaso que muita gente que normalmente acha que nunca se deve negociar seja em que circunstâncias for, vem agora admitir que com os outros terroristas se pode ou deve negociar, com estes é que não.
Hoje alguns recusam a negociação com base no 11 de setembro, do 11 de março e nos restantes atentados. Que farão amanhã perante uma ameaça nuclear directa?
O que o Soares propõe é uma mudança de atitude, uma atitude mais pragmática, não é um milagre nem uma capitulação.
Por muito que dele sejamos independentes e que ele seja uma figura controversa, parece-me que é precipitado criticá-lo sobretudo quando é atacado por toda a direita por dizer uma coisa apenas razoável e quando se assiste ao espectáculo triste do pleno da unidade dessa direita em torno das argumentações mais aberrantes.

Afixado por: tchernignobyl em março 21, 2004 12:41 PM

quanto`aos problemas descritos pelo AP, os israelitas sabem do que falam pois não são eles e a sua intransigência em negociar seja com quem for os principais "professores" da actual geração de terroristas?

Afixado por: tchernignobyl em março 21, 2004 12:44 PM

A minha primeira reacção é considerar as declarações disparatadas! Será que o senhor está bem de saúde?

Mas num segundo momento... realmente, os terrosristas de ontem são os heróis de hoje:

para os ingleses: IRA
para os portugueses: MPLA, FRELIMO, PAIGC, UNITA,...
para os franceses: FNL (?) na Argélia
para os ingleses: o Haganaah (?)
para os habitantes da San Theodoros: Alcazar (ou Tapioca) depende da alternância quem é que está no poder

E a ETA? e a Frente de Libertação da Córsega? E a Alcaida?

A história mostra-nos realmente que se calhar o sr. Soares tem razão!!!!

Isto é muito mais importante, profundo e labirintíco do que parece à primeira vista.

Afixado por: diogenes em março 21, 2004 12:47 PM

No limite, e eu cá tendo a defender isso, a AlQaeda é um mito, não existe como normalmente existe na cabeça das pessoas. É uma ingenuidade tão grande como a tera de teorias da conspiração judaico-americanas para dominar o mundo e chuparem-nos os miolos.

Afinaria no entanto a pontaria em relação ao seguinte:

"A negociação é, neste caso, um logro tão grande como a guerra."

Não. No caso de um país como o Afeganistão Taliban, a guerra era inevitável e desejabilíssima. Ainda bem que tivemos alguém com tomátes para a fazer. (a guerra no Iaraque é outra)

A guerra no iraque é outro assunto.

Afixado por: maradona em março 21, 2004 01:34 PM

Apesar de longo (porque detalhado, para que se perceba a natureza do que está em questão) o post é muito bom e coloca as questões essenciais.
É evidente que não podemos confundir este terrorismo com as acções de movimentos de libertação (ex-colónias), nem sequer com movimentos tipo ETA ou IRA. Os objectivos de todos esses movimentos são materialmente e até territorialmente circunscritos. Do ponto de vista dos seus objectivos podemos discutir e negociar, dialogando e como em todas as boas negociações distribuir os ganhos o mais razoavelmente pelas partes. Tendo em conta o bem comum, princípios de justiça relativa, etc.

Ora, nada disso se passa com a BASE. A sua acção e os seus objectivos não são negociáveis. São muito mais "abrangentes" do que aqueles que estão esquematizados no comentário acima:

a) Converter os infieis (que supostamente somos todos nós)
b)Aniquilar a civilização ocidental (a modernidade)
c)Destruir a economia globalizada e todos os seus fluxos a nível mundial (usados pela Base para os seus fins)
d) Aniquilar todas as civilizações que não tenham como "cultura" uma determinada leitura de um livro sagrado: o Corão. E que não reduzam toda a sua experiência de vida, valores, orientações, padrões de vida, a essa leitura desse livro.

Estes são os objectivos da Base.

Desde quando isto é negociável? ou sequer passível de ser interpretado como tendo alguma racionalidade? (questão essencial para encetar diálogo com alguém)

É evidente que as declarações de Soares são um disparate, como aliás os argumentos de destruição da AlQaeda, através de ataques como o que se efectuou no Iraque. Já o que se passou no Afeganistão (embora discutível sob vários pontos de vista) foi um razoável golpe na espinha da Base e sobretudo terá, no mínimo, aliviado uma parte do mundo de um regime inspirado naquela irracionalidade acima descrita.

Afixado por: Joseph Saint-Simon em março 21, 2004 02:42 PM

Este é o post mais lucido (na minha opinião) que o Daniel Oliveira escreveu sobre o tema. Muito bom. Concordo a 100%.

Afixado por: BP em março 21, 2004 03:09 PM

como diria o doninha, tirando um niquito aqui e um niquito ali, até diria mais: este é o post mais lúcido que o Daniel Oliveira escreveu na blogosfera (noutros locais também nunca li)
E até perdi a vergonha depois de o mandar a um sítio, para vir cá dize-lo.
Num outro nível, deixo aqui também um link de um texto que me pareceu curioso:
http://www.policyreview.org/AUG02/harris.html
E pronto, bye, bye que já estou de saída, esta foi mesmo só para o D.O.
";O)

Afixado por: Zazie em março 21, 2004 04:07 PM

Essa de que a Al Qaeda tem como objectivo destruir a cultura Ocidental é um daqueles mitos saidos das cabeças paranóicas da Administração Bush e comentadores associados. Os objectivos do núcleo duro da Al Qaeda estão bem identificados, e são os que Ricardo Alves em comentário anterior mencionou. Relembro que um deles, o mais importante e urgente para a Al Qaeda, já foi atingido: a retirada das tropas dos EUA da Arábia Saudita. Aliás um dos objectivos dos EUA com a invasão do Iraque era utilizar este país como nova placa rotativa do seu exército na região, substituindo a Arábia Saudita nesse papel. O segundo objectivo da Al Qaeda é o derrube dos regimes actuais na peninsula arábica, que eles consideram corruptos pelo materialismo ocidental, instaurando teocracias islamicamente mais "puras". As organizações associadas da Al Qaeda têm um objectivo semelhante para os seus próprios países. A destruição de Israel, mais apropriadamente a libertação de Jerusálem, é um objectivo a mais longo prazo, a que nos primeiros comunicados da Al Qaeda nem sequer era dado grande relevo.

A Al Qaeda sabe que o Ocidente não pode ser destruído, nem convertido à sua versão do Islão. Para que tal acontecesse a Al Qaeda teria que obter supremacia tecnológica sobre o Ocidente, algo que eles obviamente não possuem. Nem querem. Mesmo que obtivessem o poder em todo o mundo islâmico, o seu desprezo pela ciência (coisa suja) é de tal modo gritante que essas sociedades regrediriam vários séculos: vide Afeganistão. Portanto, essa de que a Al Qaeda pretende destruir o Ocidente é para preguiçosos mentais. O que a Al Qaeda quer é que o Ocidente não interfira nos países de maioria islâmica, de que maneira for, militarmente e culturalmente. Para a Al Qaeda o melhor que o Ocidente faria era acabar com o materialismo individualista, e voltar-se para a religião do Livro, que eles têm em excelente conta, logo abaixo do Islão. Um Ocidente crente é o que eles desejariam. Assim nas linhas do que Bush anda a tentar implementar nos EUA. Em quem acham que Oussama votava nas próximas eleições dos EUA se ele lá vivesse?... Viva o deboche ;)

Afixado por: viana em março 21, 2004 04:29 PM

Zazie

Esse teu texto curioso é, deixa-me que te diga (afinal já nos conhecemos há imenso tempo), uma boa merda intelectualóide. Deixando-me de brincadeiras provocatórias: o texto está muito bem feito, muito "lúcido", mas...é absolutamente nazi.

Afixado por: timshel em março 21, 2004 04:49 PM

Talvez uma leitura de alguns textos por Chalmers Johnson ponha algo senso em algumas cabeças. Quem é o sujeito? Um antigo analista da CIA e RAND Corporation, ferveroso apoiante da política externa dos EUA até aos anos 90, e que num livro "Blowback" publicado no início de 2001 previu que mais tarde ou mais cedo haveria um 9/11. Ora leiam esta entrevista que ele deu em Setembro de 2000:

http://www.alumni.berkeley.edu/Alumni/Cal_Monthly/September_2000/QA_-_A_Conversation_with_Chalmers_Johnson.asp

e este seu artigo logo após o 9/11

http://www.thenation.com/doc.mhtml?i=20011015&s=johnson

Chalmers Johnson acabou de publicar mais um livro: "The Sorrows of Empire". Nele chama a atenção para uma maior ameaça ao Ocidente, e aos EUA em particular, do que a Al Qaeda. A dominação completa do aparelho político-económico-industrial dos EUA pelos militares e a sua visão paranóica de um mundo onde tem sempre de haver inimigos. Leiam

http://www.alternet.org/story.html?StoryID=18119
http://www.commondreams.org/views04/0115-08.htm
http://www.buzzflash.com/interviews/04/03/int04013.html

e assustem-se. Atenção a leitura pode provocar pesadelos!



Afixado por: viana em março 21, 2004 05:05 PM

Interessante observar que colocaram um slogan da Al-qaeda e não só o nome da Al-Qaeda (ou isso ou, retirando a parte religiosa ao início - que só Deus é que é o Deus - , os gajos chamam-se mesmo: A Base d'Ele).

Mas o meu árabe não é lá muito bom...

Quanto ao texto, finalmente ouço alguém dizer correctamente o que é a Al-Qaeda! Já não era sem tempo...
Concordo com tudo excepto com o termo "células" (que é bastante utilizado neste contexto). Na verdade nem células se pode chamar, eles são "associados" ou, como nos EUA poderiam dizer: Patrocinados. A Al-Qaeda serve de centro de apoio financeiro, estratégico e militar para quem queira aderir à "cruzada" contra os "apóstatas" do Ocidente.
Na realidade, a Al-Qaeda não fez nenhum atentado, mas ajudou ou coordenou quase todos eles.

Por fim, Osama Bin Laden não é o líder do grupo, mas sim a figura mais proeminente. O seu papel é basicamente reduzido à parte do financiamento e distribuição de capitais. Acho que ele mal sabe pôr bombas...
Naturalmente que o nosso blog é contra o terrorismo e somente fazemos humor com o tema (vale sempre a pena resalvar).

Afixado por: Uxana Bino Lada em março 21, 2004 06:22 PM

Ex.mo AP,

Na verdade o fenómeno não começou somente nos anos 70, como indicou. O fenómeno surgiu com o Renascimento árabe e os texto de Ibn-Talbi, antes dos anos 30.
Seguiu-se a isto a Colonização do Médio oriente e a política Fullon, com a decisão de colocação dos Israelitas na Palestina através da mente "brilhante" desse Primeiro-Ministro Inglês.
Seguiu-se (anos 30) a política de destruição do Califado na Turquia e o desmembramento da Cúpula Turca-árabe.
O movimento Talibã (estudantes) nasceu no Egipto através de sociedades de Irmãos e outros grupos que muitos governos ocidentais até iam apoiando como elemento de cisão dos poderes tradicionais da região.

Afixado por: Uxana Bino Lada em março 21, 2004 06:31 PM

Concordo plenamente com o VIANA.

Afixado por: Uxana Bino Lada em março 21, 2004 06:34 PM

Finalmente alguém "viana" , relativamente à "base" acaba por dizer algo que foge à paranóia
total em que nos querem mergulhar.

Afixado por: zé escorpião em março 21, 2004 06:47 PM

Com algum diálogo pode ser que se arranje um cargo para a Maria Barroso no Crescente Vermelho
JQ

Afixado por: JOÃOQUADROS em março 21, 2004 11:42 PM

Dada a natureza em rede desta organização, e uma vez que as motivações diferem entre cada estrutura, a negociação, ou contacto, é útil, já que pode neutralizar vários dos franchisados/patrocinados. E salvar vidas.
A História tem vários, bons e maus, exemplos de nedociações assim.
Como está bem explicado, e como se disse logo após o 11-09-2001, a estrutura financeira é o elo mais fraco da Alqaeda, mas, como lembrou Donald Rumsfeldt logo a seguir, este «é o preço a pagar»; entenda-se, podemos viver com terrorismo, lá vamos conseguindo controlar a coisa, e, com um pouco de talento, acabamos por absorvê-lo, criando, até, mais uma área de negócio. Mas, de modo algum, podemos viver sem o actual modo de organização do mundo financeiro.

Afixado por: varrido em março 22, 2004 12:10 AM

Daniel, bom, muito bom.

Afixado por: Major Alvega em março 22, 2004 04:40 AM

nada de novo, meus caros, sabem o que quer dizer a palavra assassino e qual a sua origem?

Afixado por: haja pachorra em março 22, 2004 04:54 AM

já agora, sabem o que era um janízaro há uns 400-500 anos? convinha saber…

Afixado por: haja pachorra em março 22, 2004 04:56 AM

Haja pachorra para o haja pachorra

Afixado por: Daniel Oliveira em março 22, 2004 05:11 AM

Naturalmente,
Assassino vêm de As-shassin, uma seita (irmandade) muçulmana criada durante a terceira cruzada com o objectivo claro de auxiliar na luta contra os cruzados através do assassinato selectivo de altas figuras militares ocidentais.
O nome significa, mais ou menos, Os Haxixados, ou os comedores de Haxixe.
Não foi a única seita criada durante a cruzada, outras houve, tanto muçulmanas como Cristãs.

Afixado por: Uxana Bino Lada em março 22, 2004 10:55 AM

coincidencias ???
se calhar até não , são apenas paradoxos...

mas um dia destes ainda vamos perceber, que os instrumentos que necessitamos para combater com sucesso a 'Al-Qaeda', são precisamente os mesmos que iram garantir o combate aos flagelos da dita 'Sociedade Ocidental civilizada' ...

por exemplo:
Quebra dos Sigilos bancários para descobrir financiamentos da mesma (Al-Qaeda )... mas tb dos actuais monopolios ocidentais.

Quebra das rotas e traficos de droga e Armas que a subsidiam (Al-Qaeda)... mas tb das grandes industrias das grandes potencias ocidentais.

Implementar a igualdade e liberdade (Democracia??!!??) em todo o Mundo, retirando "campo de cultivo" aos odios "multi-nacionais" e "multi-etnicos" afim de esvaziar potenciais causas para militancias fundamentalistas (Al-Qaeda) ... mas tb retiram o dominio do mundo e economia mundial ás actuais Potencias ocidentais...


...se calhar estou a ser simplista, mas até parece que para combatermos a Al-Qaeda, temos de derrotar tb os males da nossa "Sociedade Ocidental Civilizada"...

... até parece que o rei vai Nu !!!

Afixado por: p D s em março 22, 2004 11:55 AM

Caro varrido: Mas, de modo algum, podemos viver sem o actual modo de organização do mundo financeiro.. Sim, foi o que disseram os doidos varridos do feudalismo e das monarquias. O quê, o povo ter dinheiro? Jasus, blasfémia, heresia! O no entanto o mundo mudou e o seu modelo de organização finaiceira também tem mudado. Porque não podemos viver sem este? Acaso É O MODO PERFEITO?? Você acredita nisso?

Estou com p D s: lutar contra a Qaeda é lutar contra alguna dos piores vícios e fraquezas do mundo dito civilizado. Paradoxos, ou talvez não.

Afixado por: Paulo em março 22, 2004 03:33 PM

Caro Daniel Oliveira,

Vim ler este texto recomendada por um leitor assíduo de blogs. Por uma vez não tive a sensação de estar a perder o meu tempo.
Pelo que muito agradeço a fluidez da escrita, a inteligência do "rationale", a consistência da informação reproduzida, e não forçosamente por esta ordem; claramente, antes de mais, pela inteligência argumentativa.
Um abraço, e até à próxima.
Maria João

Afixado por: Maria João em março 22, 2004 03:34 PM

Inteiramente de acordo, Paulo. Eu, como muitos outros, pelo que vemos todos os dias, não queremos pagar o preço proposto pelo sr. Rumsfeldt. Pelo contrário, eu gostaria de ver, de facto, políticas de combate ao terrorismo (seja lá isso o que for) e ao crime.

Afixado por: varrido em março 22, 2004 04:03 PM

No meio empresarial, é em tempo de crise que se deve pensar no modelo de negócio. Pergunto-me por isso se, na situação presente não deveríamos fazer um maior esforço de circunspecção. Quem sabe se não chegaríamos á conclusão que as Al-Qaedas, os Bin Laden e o raio que os parta, não são apenas a periferia do "mercado" que esta empresa de nome "ocidente L.da" já não domina. Quem sabe, se convidassemos o Hammer ou outro guru das organizações ele não nos convenceria a proceder a uma "reengenharia" de todo o nosso mundo ocidental. E para quem não sabe, aplicada às empresas ela diz-se "start from a blank sheet of paper".
Em resumo, e com todo o respeito para o artigo em causa e para a seriedade do tema ... e se aproveitassemos para pensar de forma imaginativa na "coisa" ? e se admitissemos como aqui já foi dito que se no quadro actual não se vê saída para a resolução deste embróglio é porque se calhar, apenas digo, se calhar, deveríamos mudar todo o modelo ?
Quem sabe se não está na altura de nos reinventarmos ? Ou haverá assim tanto que nos orgulho no nosso actual modelo de sociedade ? e Já agora, não costuma ser apelo ocidental que se procure tambem em nós o mal que os outros fizeram ? será que a culpa é só dessa cambada de fdp dos terroristas ? quem deitou o lixo no quintal do vizinho ???
Enfim, desafio a Daniel a divergir, e a supreender-nos com refelxões menos "politizadas" e mais "filosóficas". Quem sabe não encontraremos novas soluções ? ein ?

Afixado por: Pseudo-empresário precisa-se em março 22, 2004 08:00 PM

o sr. Daniel não quer entender ou, o que é mais provável, não sabe como entender. Mas não há pachora para lhe explicar, era preciso muito tempo para lhe falar da Sublime Porta, do Barbarroxa, de Fez e de Argel, do bei de Tunes, da tomada de Rodes e do cerco de Malta, de Otranto e de Lepanto, de Belgrado e de Viena, de Mohacs, da história de Maomé II e de Solimão o Magnífico. As cruzadas, disso tudo a gente julga saber alguma coisa, as cruzadas para a actualidade é que são irrelevantes.

Afixado por: haja pachorra em março 22, 2004 08:08 PM


Por essa lógica, Sr.Haja Pachorra, os judeus vão matar os alemães todos "que agora existem", só porque tiveram um nazista no poder durante oito anos!!!
E nós porque D.Afonso Henriques se lembrou de conquistar as terras aos mouros/ árabes!!

Concordo com Sr. Timshel e também com Sr.Daniel

Afixado por: Ariann em março 23, 2004 02:28 AM

Ao usar, no seu texto, a tradução inglesa de"a Al-Jabhah al-Islamiyyah al-Alamiyyah li-Qital al-Yahud wal-Salibiyyin (World Front for the struggle against the Jews and the Crusaders)" comete um erro de tradução/apreciação que lhe indicarei a seguir.
A palavra "Qital" traduzida por "struggle"(luta) significa em árabe mais que isso, significa aniquilar/exterminar. Ao menos não enaganam ninguém, apenas os que não percebem árabe ...

Afixado por: J. Pinto em março 23, 2004 10:34 PM

Obrigado, mas não me enganavam na mesma. O erro não era de apreciação, era mesmo de tadução. Ou acha que tenho ilusões sobre eles?

Afixado por: Daniel Oliveira em março 24, 2004 03:40 AM

VAi Tomar no Cú bando de filho da puta!

Afixado por: Lucas em junho 23, 2004 01:07 AM
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