março 21, 2004

A Primavera ainda é a Primavera

Foi por causa de textos como este que George Orwell transformou a escrita política numa arte. Nestes tempos tristes e acabrunhados em que vivemos, as suas reflexões sobre o acasalamento dos sapos parecem-me a melhor maneira de assinalar a mudança de estação. Mais atentados podem estar a ser preparados, o imbecil que governa a América será provavelmente reeleito, o nosso país afunda-se na crise económica, mas, como dizia Orwell, a Primavera ainda é a Primavera.

Publicado por pedrooliveira em | TrackBack
Comentários

Nada melhor para começar a Primavera do que com um Carnaval. Além dos tambores e batuques, das poses divertidas em frente ao tribunal da relacção, também tivemos direito a mascarados do Hamas. Que lindo. Que folclore. Meus senhores, haja respeito pela dor que as lágrimas, as verdadeiras, ainda caem em Madrid.

«... A actriz dedicou igualmente algumas palavras à situação do Médio Oriente, dizendo que Israel está a praticar "terrorismo de Estado" — referência que motivou o entusiástico apoio de uma jovem que, na fila da frente, estava vestida à árabe, com um cinto militar como os que são usados pelos mártires para transportar explosivos. »

in Público

Afixado por: Liberdade em março 21, 2004 12:30 PM

Coaxemos então.

Afixado por: Branco Velho em março 21, 2004 02:53 PM

liberdade, não vi essa idiota vestida com cintos para transportar explosivos na manifestação. mas já agora deixe-me dizer-lhe, para o caso de não saber, que a gente não pode controlar todos os idiotas que andam para aí na rua, não é? a manifestação era contra a guerra e contra o terrorismo, se a moça lá foi assim vestida foi porque estava na manifestação errada.

Afixado por: rui tavares em março 21, 2004 05:40 PM

Caro rui, quem estava na manifestação errada eras tu

Afixado por: Real em março 21, 2004 06:03 PM

caro real:

isso só eu o posso dizer, precisamente porque estive lá – tal como estiveram, aliás, representantes do secretariado nacional do PS. parece-me isto bem mais relevante do que saber se havia uma adolescente incosciente de kaffieh ou lá como é que se chama.

e já agora deixa-me dizer-te que a desconfiança de grande parte de sectores do PS em relação às mobilizações populares é um dos traços mais patéticos do nosso maior partido da oposição. digo-o com muita pena, até porque é o partido em que tenho votado maioritariamente nos últimos anos. existe para aí muito PS que, dada a sua contiguidade social com o PSD e o PP em grande parte da nossa estrutura social, se preocupa muito mais em mostrar-se responsavelzinho perante a base social de apoio do governo do que em assumir as suas convicções sem problemas. isso é péssimo para o PS (é uma das razões porque ninguém lhe tem respeito, mesmo que simpatize com ele) e é muito mau para a base social de esquerda neste país. se o PS fizesse como o PSOE, o PSF e outros que participaram nas manifestações anti-guerra desde 15fev2003, as figuras caricatas que lá aparecem seriam ainda mais minoritárias do que já são. aliás, as únicas pessoas que se preocupam com isso são os nossos vigilantes da direita.

e já agora, que fique para o registo: estou-me completamente nas tintas para se havia gente nas manifestações que não tomava banho, fumava charros, dizia disparates ou o que quer que seja. não pretendo vir a esquecer as causas que achar justas para agradar aos preconceitos de quem quer que seja. as intenções da manifestação, bem divulgadas pela comissão promotora, eram claras. concordo com elas quase em pleno. e esteve-se lá muito bem. além disso, eu sei lá se nos comícios do PP também não vão aparecendo uma vez por outras uns ex-pides?

Afixado por: rui tavares em março 21, 2004 06:42 PM

real:

e já agora para desanuviar, no porto, segundo o público, os mais animados foram os anarquistas:

«Os anarquistas acabaram por ser o grupo mais animado da tarde. "O povo unido funciona sem partido", gritaram a encerrar a manifestação, onde dava nas vistas uma enorme tarja com uma frase recheada de ironia: "A guerra é justa, o cherne é bom e a minha mãe é virgem".»

O que pessoalmente me reconforta.

Afixado por: rui tavares em março 21, 2004 07:00 PM

"o nosso país afunda-se na crise económica, mas a Primavera ainda é a Primavera."

De facto, talvez a Primavera seja tanto mais Primavera quanto mais afundado o país estiver na crise económica. Porque o progresso económico se faz à custa do ambiente e, portanto, da Primavera.

No primeiro trimestre do ano passado, derivado à crise económica, houve um substancial decréscimo nas vendas de carburantes em Portugal, o que sem dúvida terá sido bom para a Primavera. E fez também decrescer substancialmente o número de desastres rodoviários.

Já agora e em relação à manifestação, eu também não gosto de ver certa gente a manifestar-se perto de mim. Procurei manter-me o mais afastado possível do pessoal com bandeiras do PC, às quais tenho forte alergia. Se possível, nunca iria a nenhuma manifestação onde houvesse bandeiras dessas. Causam-me um profundíssimo mau-estar. Sinceramente.

Afixado por: Luís Lavoura em março 21, 2004 08:00 PM

Caro Rui, eu gosto de manifestações, comícios, jogos na catedral da Luz e tudo mais. A minha questão era, sobretudo, egoismo de leitor. Nestas manifestações, criteriosamente espontâneas, o que sobressai é sempre a imagem e nunca o conteúdo. Num flash back por elas todas, sejam quais forem as causas, lá aparece com o seu ar compunjido próprio para estas ocasiões, o dr Louçã e depois todos os cromos políticos que têm sobre as mais diversas causas os piores dos dogmatismos, as Ildas Figueiredo, os Mários Tomés, os Migueis Urbanos Rodrigues e toda a pleiade de funcionários e vigilantes que estas agremeações conseguem arregimentar. São estes os manifestantes de rua de causas de cidadania. Deus nos livre e guarde!
Antes preferia ter-te aqui a escrever. ;)

Afixado por: Real em março 21, 2004 11:56 PM
Comente esta entrada









Lembrar-me da sua informação pessoal?