março 21, 2004

A fome

Ler o dossier sobre a fome em Portugal que prepararam para o Público os jornalistas Andreia Sanches, António Marujo e Ana Cristina Pereira, entre outros, é um trabalho de resistência moral. Muitas vezes levantei os olhos do jornal para parar de ler, deixar o Sol bater-me na cara, e permitir-me esquecer que aquilo era tudo verdade.

De forma excepcionalmente bem sustentada, o dossier diz-nos o que todos sabemos: que voltou a haver muito mais miséria no nosso país. Tal como nos últimos anos de Cavaco, é fácil vê-lo, para cada um que ande de olhos abertos pela rua: mais sem-abrigo, mais velhos a pedir ao fim do mês, mais gente com uma vida normal a quem o desemprego não permitiu continuar a pagar as dívidas que quase todos temos para pagar as nossas casas. Com os defeitos que todos reconhecemos aos governos de Guterres, eles foram dos raros que não acharam que era natural existir gente a passar fome em Portugal. E agora voltamos ao mesmo: pelo menos 200 mil pessoas a passar fome, nas mais conservadoras das projecções. O que faz o governo? Diz Agostinho Jardim, o padre presidente da Rede Europeia Antipobreza: "Parece-me que este Governo, ainda mais o PP, ataca os pobres de um modo geral. Chama-lhes preguiçosos e isso é desonesto [...] O Governo aflige-se mais com as fraudes do Rendimento Mínimo do que com o dinheiro que não recebe do fisco."

Mas isto não faz mal nenhum, sr. Padre! A racionalidade económica vem aí. O país será competítivo. A produtividade aumentará. E depois disso, só serão pobres os que não souberem adaptar-se à sociedade globalizada. Nisso, o bolchevismo e o capitalismo prometem o mesmo: sacrifícios agora porque um dia tudo será fantástico.

Já agora, e enquanto tudo é um pouquinho menos do que fantástico, permitam-me citar Orwell pela segunda vez hoje neste blogue

«A fome reduz uma pessoa a um estado sem cérebro, e sem coluna vertebral, que se parece mais com os efeitos da influenza do que com qualquer outra coisa. É como se a pessoa se tivesse transformado num molusco qualquer, ou como se não tivesse sangue, e o sangue tivesse sido substituído por água morna. A inércia completa é a minha principal recordação da fome; isso e ser forçado a escarrar com frequência, à medida que o escarro ganha uma estranha cor branca de algodão, como se fosse saliva de cuco. Não sei a razão do fenómeno, mas todas as pessoas que conheci e que passam fome durante alguns dias falam da mesma coisa.»

Na Penúria em Paris e em Londres, ed. Antígona, trad. Miguel Serras Pereira.

Publicado por ruitavares em | TrackBack
Comentários

Como o cobertor é curto se se tapam os pés é porque optamos por ficar com o peito ao relento e vice versa!
O meu avô, nascido na última década do século IXX costumava dizer que "um homem não é um coitadinho, coitadinho é um corno" hoje em dia toda a gente é coitadinho, toda agente quer uma casa dada pelo estado, I'm sick and tired...
Porque é que se promove uma mentalidade assistencial? Porque é que se não incitam as pessoas a aprender a pescar, a ter iniciativa?

Esse padre também quer mais dinheiro?
As ONG's são obrigadas a apresentar publicamente as suas contas? è possivel saber que percentagem de um euro entregue ao padre Agostinho é transformado em bens entregues e que % é gasta em alimentar a estrutura burocrática?

Afixado por: diogenes em março 21, 2004 06:51 PM

diogenes:

não é por você estar sick and tired que a fome e a pobreza desaparecem. também eu estou sick and tired da forma como se pretende desprezar a pobreza real das pessoas com conversinha acerca dos preguiçosos e dos parasitas e nem por isso as pessoas que se acham muito seguras de si param por um minuto de papaguear esses refrões. nem se dão conta de como é fácil atravessar a fronteira que, em portugal, nos separa a cada um da indigência. voltar a atravessá-la para cima é que, com estes bacanos no poder, vai ser quase impossível.

vá lá ler os artigos do público: verá como bem mais de metade dos miseráveis no nosso país são velhos que têm uma vida de trabalho já detrás das costas, e alguns que ainda vão trabalhando como podem. e você quer ensiná-los a pescar! excelente ideia! já agora, porque não pôr a cerzideira ali da rua de baixo a fazer um MBA?

estou a ver que depois de diógenes o cínico calhou-nos diógenes o ingénuo.

Afixado por: rui tavares em março 21, 2004 07:17 PM

diogenes, o rendimento minimo tinha a sua razão de ser, uma vez que 'ensinava' a pescar. ninguém procura o seu caminho de barriga vazia. não podemos pensar em readaptar a nossa formação quando nem temos dinheiro para as necessidades mais básicas.

o rendimento minimo teve os seus casos de sucesso, e também as suas fraudes... o que falhou foi a fiscalização. aliás, como sempre em portugal....

estes governo optou pela via mais fácil: cortou com o rendimento minimo em vez de apostar numa fiscalização competente. já aquela negociata com o citybank segue a mesma lógica. é o fugir para a frente... :-[

Afixado por: J.Pateta em março 21, 2004 07:22 PM

Eu acho impressionante a forma como ALGUMAS PESSOAS falam da pobreza e dos pobres...
Espero muito sinceramente que o azar nunca vos bata a porta. Talvez, isso alterasse um pouco a vossa visão egoísta dos problemas das outras pessoas...

Afixado por: _achtung_ em março 21, 2004 07:23 PM

Desculpe mas eu já pago um imposto que são os meus descontos para a Segurança Social, quando eu for velho e pedir a minha reforma vão-me fazer um manguito, portanto os meus 10,5% e os 20 e tal porcento pagos pela minha empresa são um imposto.

Eu gostava de saber qual a solução que propõem para todos estes peditórios que aqui passam desde a Cultura, Segurança Social e sei lá que mais... os meus avós nunca fizeram descontos para a segurança social e no entanto recebem uma reforma, se não há dinheiro que é que querem? Que se aumentem os impostos individuais? Que se aumentem os impostos para as empresas? A minha empresa se estivesse sediada em Espanha não pagava IRC!!!

Mas qual é a sua solução? A caridade que o Mário Viegas tanto gozava? Um plano quinquenal?

Sinceramente gostava de saber qual a sua solução, pode ser tão boa e eu tão estúpido que ao vê-la darei a mão à palmatória e apoiá-la-ei!!!

Sinceramente gostava de saber qual a sua solução... o estado tem o dinheiro que os contribuintes entregarem, se não há criação suficiente de riqueza para ter um paraíso que propõe? O corte de salários da função pública? Algum imposto revolucionário?

Afixado por: diogenes em março 21, 2004 07:31 PM

A pobreza, em qualquer país, não é fácil de ser atacada. Mesmo os países mais desenvolvidos do mundo, com destaque para os do Norte da Europa, têm situações de pobreza, não tão graves como os existentes em Portugal, mas com dimensão considerável.
Contudo, interessa analisar a situação da pobreza em Portugal e, a verdade é que, apesar da melhoria geral das condições de vida dos portugueses, desde a entrada de Portugal na CEE, muito há ainda por fazer.
Ao contrário do que a esquerda pensa, acho que a pobreza não se combate com a subsídio-dependência, mas sim com uma política socio-económica, que permita o fortalecimento de uma classe média sustentável, que permita ao Estado tratar dos casos mais extremos. Ora, em relação à pobreza "escondida" dos meios rurais, na maior parte das vezes relacionada com a falta de instrução, esta pobreza tem de ser combatida através de uma aposta clara na educação e no fortalecimento das cidades de média dimensão, capazes de servir de "escape" à mão de obra disponível no meio rural.
Claro que a esquerda tem dificuldade em perceber este ponto de vista e prefere apontar culpas, em vez de estudar soluções...

Afixado por: Peixoto em março 21, 2004 07:41 PM

Logo, conclui-se que a culpa é dos pobres e dos desempregados e pró raio que parta com eles que o Estado não tem dinheiro pra sustentar xulos!

É bom ver que o espírito de solidariedade está bem vivo em algumas pessoas!

Peço-lhe mil desculpas por acreditar que o Estado tem como obrigação assegurar que os seus habitantes se possam sustentar e que se isso não acontece, alguma coisa está mal.

Afixado por: _achtung_ em março 21, 2004 07:43 PM

Ò diogenes tu provocas-me um vómito...
Essa da tua empresa, que se estivesse sediada em Espanha não pagava IRC, só tem uma solução.
Vai tu e a tua empresa para Espanha, mas o mais rápido possível....

Afixado por: zé escorpião em março 21, 2004 07:49 PM

dinheiro até há, depende onde é que é que se quer gastá-lo. soluções melhores também têm sido tentadas, e permitem melhorar a situação. o RMG não era perfeito, mas não chegou a existir durante o tempo suficiente para que se verificassem as situações de abuso que a nossa direita descreve e que foram retirar à cartilha do costume. só que a situação portuguesa não é a dos EUA nem de inglaterra.

eu votarei sempre por quem se empenhe em garantir que no meu país exista uma linha de água abaixo da qual se não desce. nomeadamente com as pessoas que trabalharam durante décadas em que não existia segurança social para grande parte da população mas que hoje têm de sobreviver num país muito diferente e com uma idade que já não lhes permite trabalhar. se isso quiser dizer transferir dinheiro dos impostos para as pensões, paciência.

Afixado por: rui tavares em março 21, 2004 07:51 PM

Sempre que se toca nesta tecla a resposta da direita é invariavelmente a mesma: o paraíso espera-nos lá longe, risonho, com a abundância resultante do ultra-liberalismo económico. Se agora e aqui houver gente com fome, que esperem!

Afixado por: timshel em março 21, 2004 07:58 PM

Caro timshel

Compreendeu-me mal:

"o paraíso espera-nos lá longe, risonho, com a abundância resultante do ultra-liberalismo económico"

Não acredito nas histórias da catequese, ou do Braga de Macedo? Não há paraíso, ninguém pode prometer isso! Só conheço um meio, trabalhar com o suor do rosto, um dia de cada vez, não há outra solução. E prepare-se porque o futuro vai ser cada vez mais exigente, mais competitivo,...

Caro Zé escorpião

Veja os limites de isenção para as empresas em Espanha, uma empresa que facture 30 mil contos~está isenta de IRC!

Afixado por: diogenes em março 21, 2004 08:08 PM

Para aprender a pescar é preciso primeiro ter força para pegar numa cana. E isso requer alimentação e saúde. E para alguém se manter minimamente saudável não pode dormir ao relento, ou no meio de ratos e baratas, precisa de habitação em condições. Ou não acha?... Vá, experimente, caro diogenes, dê uma cana ao velhote que dorme numa rua perto de si.

O Rendimento Minímo introduzido pelos governos do Guterres foi para mim a melhor e mais duradoura (esperemos) contribuição que deram a Portugal. E a Direita, em particular o PP, odiou a ideia. De tal maneira que tentaram acabar com ele. Obcecados com a ideia que ande alguém a roubar-lhes uns trocos (mas não se importam tanto com os milhões roubados pela evasão fiscal). Querem investigar até ao tutano quem pede o Rendimento Mínimo, mas quando se trata de pedir umas subvenções ao Estado, alto aí, que o segredo fiscal é sagrado, e não se pode andar por aí a investigar quem vota e dá apoio e dinheiro ao PSD e PP (e o PS cheio de medo, encolhe-se).

E a crónica do JMF no Público a propósito da reportagem? Que dizer? Até se engasga com as palavras Estado e solidariedade. Parece gostar mais de caridade. Como se os pobres merecessem pena. Não tiveram SUCESSO, só podem ter algum atraso, sabem... será que alguém lhe pode lembrar que os países nórdicos têm as mais baixas taxas de pobreza no mundo, devido ao seu welfare state, e não à caridade das pessoas!!


Afixado por: viana em março 21, 2004 08:13 PM

diogenes, é simples: muda a tua empresa para espanha.

em relação ao paraíso ele até seria possível, se todos pagassem o seu IRS, e as empresas não praticassem a fuga ao fisco (a tal "vantagem competitiva"). mas pelos vistos é mais fácil e popular puxar o tapete aos pobres do que combater a fraude fiscal.

Afixado por: J.Pateta em março 21, 2004 08:23 PM

ah, viana! o RMG acabou mesmo. agora é o «Rendimento Social de Inserção» uma treta pra inglês ver.

Afixado por: J.Pateta em março 21, 2004 08:28 PM

CAro Viana:

"Para aprender a pescar é preciso primeiro ter força para pegar numa cana. E isso requer alimentação e saúde. E para alguém se manter minimamente saudável não pode dormir ao relento, ou no meio de ratos e baratas, precisa de habitação em condições"

Olho e vejo bravos, valentes e corajosos emigrantes que tentam ganhar a vida recusando estender a mão à esmola, porque é que os portugueses não o podem fazer?

Olho e vejo idosos que além da sua reforma, recebem apoio da Sociedade São Vicente de Paula e religiosamente, e rigorosamente passam a manhã no café gastando cerca de 80 euros por mês no minimo...

Acho muito bem que se investigue os beneficiários do RMG e das baixas, a verdade é que sempre que se faz uma inspecção...as estatísticas são eloquentes, antes de se exigir a amostragem da cédula quantos portugueses diziam nas declarações de IRS ter 3 e 4 filhos a mais? Basta ver a facilidade com que um médico passa uma baixa médica!!!

Isto vai ser cada vez pior porque não há nascimentos que renovem a sociedade, e eu que tenho filhos já os preparo para emigrarem deste país de mamões! Quero que sejam livres e não escravos dos velhotes que todos nós vamos ser!!!

Os americanos da NASA gastaram milhões de dolares para desenvolver uma caneta capaz de escrever no espaço, nas missões APOLO... os soviéticos demonstrando um progmatismo saudável usaram um lápis e teve o mesmo efeito. Neste país ninguém faz nada porque estão todos à espera do grande plano, da grande estratégia, que esteja tudo limpo e arrumado!!!

Se vocês estão dispostos a pagar mais impostos OK, eu não estou e ponto final!

Afixado por: diogenes em março 21, 2004 08:37 PM

Pelos vistos só o servilismo imbecil do D. Pacheco é que não lhe permite ver uma realidade que entra pelos olhos dentro, basta andar na rua.

Afixado por: daniel de sousa em março 21, 2004 08:42 PM

Resolver o problema da pobreza ultrapassa as fronteiras nacionais.
Alguém acredita que alguma vez poderemos ter um país são sem ter uma economia competitiva a nível mundial?
Se retirarmos dinheiro aos nossos ricos para darmos aos nossos pobres provavelmente teremos um país mais igual. Mas por quanto tempo?
A resposta passa por ter a visão de abrir os olhos para além fronteiras e já dizia David Ricardo que a maneira de fazer dinheiro é o comércio internacional.
A pobreza é um flagelo que me atinge tanto ou mais que a qualquer outro, mas isso não pode ser razão para eu me precipitar a tentar remediar o problema de cada vez que choro.
Para gerarmos dinheiro temos de nos desenvolver, atrair os ricos dos outros, para depois os roubar, isto passa por políticas duras que como todas as grandes mudanças implicam sofrimento.
Vale a pena o sofrimento?
Eu acredito que se houver maneira de dar esperança a um pobre, passa mais rapidamente por dar-lhe a esperança de vir a ter um emprego e lutar pelo seu país, antes de contentá-lo com a caridade de uma refeição rápida.

Afixado por: Francisco A. em março 21, 2004 08:47 PM

"Acho muito bem que se investigue os beneficiários do RMG e das baixas, a verdade é que sempre que se faz uma inspecção...as estatísticas são eloquentes, antes de se exigir a amostragem da cédula quantos portugueses diziam nas declarações de IRS ter 3 e 4 filhos a mais? Basta ver a facilidade com que um médico passa uma baixa médica!!!"

também eu acho muito bem. melhor ainda seria se os governos tivessem tomates para fazer o mesmo com aqueles que patrocinam as suas campanhas. e isso não está a acontecer.

"Se retirarmos dinheiro aos nossos ricos para darmos aos nossos pobres provavelmente teremos um país mais igual. Mas por quanto tempo?"

ninguém falou em retirar dinheiro aos ricos, mas sim em fazer os ricos cumprirem os seus deveres fiscais. e isso bastaria a minimizar imenso a pobreza em Portugal.

Afixado por: J.Pateta em março 21, 2004 09:15 PM

Lá mais para cima, o senhor diogenes diz:
"Sinceramente gostava de saber qual a sua solução... (...) Algum imposto revolucionário?"

E porque não? A Taxa Tobin - defendida pela ATTAC - seria um belíssimo exemplo de "imposto revolucionário".

Aliás, o objectivo da ATTAC é mesmo a Taxação das Transacções Financeiras para a Ajuda aos Cidadãos, e entre esses cidadãos poder-se-iam incluir, certamente, aqueles que vivem na miséria e que passam fome em Portugal.

Porém, a pergunta de diogenes devia ser retórica, pois o senhor esclarece mais abaixo que: "Se vocês estão dispostos a pagar mais impostos OK, eu não estou e ponto final!"

Afixado por: Luís Humberto Teixeira em março 21, 2004 09:17 PM

Caro Francisco

O problema, insisto, é saber o que fazer AQUI e AGORA com os pobres. É que de nada serve dizerem-lhes para esperar se amanhã já cá não estiverem.

Afixado por: timshel em março 21, 2004 09:39 PM

Ia fazer uma longa dissertação sobre o assunto, mas parece-me que o essencial está dito, a saber: só adianta dar uma cana de pesca quando houver forças para pegar nela; e só poderá haver mais riqueza quando se combater de forma eficaz a evasão fiscal.
É que quer queiram quer não, os off-shores pululam por aí (ex: Madeira) e gente que anda de helicóptero apresenta rendimentos mínimos.
E já agora, como complemento, diga-se que uma justiça célere e proba seria uma arma perigosa contra qualquer tipo de fuga aos impostos.

Afixado por: João Pedro em março 21, 2004 11:49 PM

Rui Tavares

Duas observações:

1) se calhar não é propositado. Mas ao escrever o que escreve, da forma como escreve, parece que no tempo do Cavaco havia fome, no do Guterres não e agora voltou a haver. De repente, 200 mil pessoas passam de ter o que comer para não ter o que comer. Se calhar não é propositado, mas é isso que parece.

2) quando diz "nisso, o bolchevismo e o capitalismo prometem o mesmo", não quererá antes dizer "comunismo", em vez de bolchevismo. Ou mesmo "socialismo"? Depois, o bolchevismo (ou o comunismo, ou o socialismo) é uma ideologia política. O capitalismo não. É um sistema econónimo. Compará-los é falacioso, porque o que está a dizer é: "o comunismo matou muito, mas o capitalismo também". Isso não é verdade.

Afixado por: Francisco Fontes em março 22, 2004 12:29 AM

Sr. Peixoto a maior pobreza não está nos meios rurais , mas sim,nos meios urbanos e nem sempre são os que andam a pedir, e não é por falta de instrução literária,esses por vezes são os que têm mais dinheiro!!
E não é a esquerda/direita a dize-lo.
Palavras e sermões há muitos mas, não passam disso! É necessário acção e ter consciência real do que se passa.
Também pago impostos que não são poucos. Trabalho em Saúde Pública, o contacto com as pessoas é essencial para se saber o que se passa. Não é de um gabinete/cátedra que se fazem juizos de valor...

Afixado por: Ariann em março 22, 2004 01:50 AM

O que aconteceu na Inglaterra com a Revolução Capitalista?
É mentira o que a História diz? Na Flandres, etc?
Há uma nova leitura da História do Capitalismo sem mortes, sem crianças de 6 anos a trabalharem 12h ou mais, sem exploração? Bem Engels e Marx na altura não tinham razão nenhuma!!
Tenho que voltar a estudar a História. Obrigado pela informação Sr. Francisco Fontes!!

Afixado por: Ariann em março 22, 2004 02:08 AM

primeiro o ponto 2: o que é falacioso é afirmar-se que o que estou «a dizer é: "o comunismo matou muito, mas o capitalismo também"». Eu não escrevi isto em lado nenhum, não o escreveria porque não tinha sequer nada a ver com o assunto acerca de que escrevi, e em consequência chateia-me um bom bocado que me digam que eu estou a defender coisas que não defendo, principalmente se elas meterem mortes de pessoas e comparações entre enormes destas mortandades. O que é que eu hei-de fazer? Chateia-me.

Até porque o que eu escrevi foi «Nisso [o assunto em apreço], o bolchevismo e o capitalismo prometem o mesmo: sacrifícios agora porque um dia tudo será fantástico.» Não estou a dizer que o bolchevismo e o capitalismo são a mesma coisa, ou comparáveis em tudo, o que eu os considero equivalentes, mas somente que num determinado ponto eles prometem a mesma coisa: "pessoal, vamos ter que nos sacrificar para que um dia o nosso país possa (viver em igualdade)/(ser competitivo) e aí colheremos os frutos do nosso sacrifício". Eu em geral prefiro quem se esforce em fazer qualquer coisa para melhorar a vida dos que já existem no presente, de preferência sem dar cabo do futuro. Se quer que eu lhe diga, uma vez que esse assunto o preocupa, digo desde já que prefiro de longe viver no capitalismo do que no bolchevismo, mas preferiria mais ainda viver num sistema capitalista com alto nível de protecção social e, sabe que mais?, acho que em países como o nosso isso até nos tornaria 50 vezes mais competitivos do que a mera aplicação das receitas económicas vigentes. É só um palpite, olhando para países com menos população do que nós e as mesmas poucas riquezas naturais. Quem sabe.

agora o ponto 2) o que escrevi é propositado: estou convencido de que os últimos anos de Cavaco Silva foram muito maus para as nossas classes mais baixas, e que se via muito mais pobreza neste país. Estou convencido que com Guterres, no meio de muita coisa má que se faz, existiu uma verdadeira preocupação em diminuir a miséria neste país, e com resultados apreciáveis. Como disse, acho que Guterres e o seu governo não achavam normal que andasse gente a passar fome neste país, e deve-se reconhecer-lhes o esforço em fazer qualquer coisa para alterar a situação. E, finalmente, tenho a certeza absoluta que estes gajos que lá estão agora são ainda mais insensíveis do que o cavaquismo. É só mais uma das coisas em que este governo é escandalosamente mau.

Afixado por: rui tavares em março 22, 2004 04:18 AM

Como sempre quem está ao lado dos pobres e dos miseráveis não é quem enche a boca com grandiloquentes proclamações, não são os profissionais da política, nem os jornalistas, nem os funcionários da pobreza. É ler o Público e ver aquilo que toda a gente sabe, se não fosse a Igreja, os padres, as freiras, os milhares de leigos que aguentam com prejuízo da sua vida profissional e familiar os milhares de instituições que ajudam quem precisa, 'este país' era uma grandecíssima merda. Assiim é só uma grande trampa. Claro que a Igreja não faz mais do que a sua obrigação e devia ainda fazer mais. Mas os solidários de pantufas deviam ter vergonha na cara quando vêm com arrotos de requentado anticlericalismo.

Afixado por: haja pachorra em março 22, 2004 04:46 AM
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