março 22, 2004

E porque é que eles nos odeiam?

Dialogar com a Al-Qaeda, nos termos em que Mário Soares propôs, é um rematado disparate. Mas é preciso colocarmos as perguntas certas se queremos afinar uma estratégia consistente para conter esta ameaça. Ao contrário do que algumas luminárias pretendem, o Terrorismo não recruta apenas os seus adeptos entre príncipes sauditas ou entre engenheiros formados na Alemanha. Recruta-os também junto das massas alienadas da Palestina e entre os muçulmanos inadaptados dos países ocidentais. A propósito do atentado de hoje, leia-se este comentário de Richard A. Clarke, antigo conselheiro presidencial norte-americano, na Time da semana passada:
Unfortunately, the CIA and the FBI have found al-Qaeda a hard target to infiltrate. Worse, as Secretary of Defense Donald Rumsfeld mused in an internal Pentagon memo, radicals who hate America are being turned out faster than we can arrest or kill them. Whatever we do to the original members of al-Qaeda, a new generation of terrorists similar to them is growing. So, in addition to placing more cameras on our subway platforms, maybe we should be asking why the terrorists hate us. If we do not focus on the reasons for terrorism as well as the terrorists, the body searches we accept at airports may be only the beginning of life in the new fortress America.

Publicado por pedrooliveira em | TrackBack
Comentários

O problema é quando as razões para o terrorismo são derivadas de uma interpretação radical do Corão... Aí há pouco a fazer por parte dos Americanos. De qualquer maneira parece-me que a resolução do conflito israelo-árabe e das questões Iraquiana e Tchetchena, por exemplo, seria um passo importante para evitar o "choque de civilizações". Abraço

Afixado por: Francisco em março 22, 2004 04:04 PM

Tão bom que seria, para todos nós, acreditar que se trata de uma mera questão de desigualdade de oportunidades ou de distribuição de riqueza. Mas será que é assim?

E se eles nos odiarem apenas por sermos diferentes, por sermos infiéis e por constituirmos uma barreira (não muito sólida) contra o seu rematado proselitismo? Que restará então fazer? Talvez resistir, não?

Ou será que o mero crescimento do bem estar social entre as populações muçulmanas não acompanha a sua vertiginosa ascendência demográfica no mundo? O que iremos fazer então? Iremos travar a sua progressão numérica e territorial de forma fascisante ou iremos conceder na “redistribuição do bolo” subordinada à progressão geométrica do islão.

Que espaço sobrou nos exemplos históricos recentes para as populações não muçulmanas “vitimas” do domínio do islão, nas comunidades judaicas do médio oriente, nas comunidades cristãs do Líbano, de Alexandria, da Síria ou do Sudão? E no Kosovo ? Qual o futuro reservado à minoria Sérvia, que foi maioria à cinquenta anos? E daqui a cinquenta em França ou na Alemanha. Como será? Será que estaremos dispostos a cooperar na transferência civilisacional e pacifica no processo de islamização do mundo? Gostaria de acreditar que sim. Diz a historia que não é normalmente assim. Será que antes muçulmano que morto?

Afixado por: Águalusa em março 22, 2004 04:50 PM

mesmo não comentando o resto do comentário, adorei este "uma mera questão de desigualdade de oportunidades ou de distribuição de riqueza". uma mera questão... isto dito assim até parece fácil, não é?

Afixado por: rui tavares em março 22, 2004 05:27 PM

Só espero que ele não esteja a pensar dialogar em francês

Afixado por: JOAO QUADROS em março 22, 2004 05:46 PM

Só espero que ele não esteja a pensar dialogar em francês
JQ

Afixado por: JOAO QUADROS em março 22, 2004 05:47 PM

Só espero que ele não esteja a pensar dialogar em francês
JQ

Afixado por: JOAO QUADROS em março 22, 2004 05:47 PM

O "mero" foi para relativisar uma questão da outra. Não é fácil resolver pobreza e desigualdade. Mas, pelo menos, para as questões da desigualdade e de oportunidades, muitos de nós julgamos saber qual o caminho. Tratando-se de proselitismo, puro e duro, não sei quem terá. Especialmente quando esta aparentemente "ameaça" a sobrevivência daquilo que julgamos ser a nossa identidade.

Afixado por: Águalusa em março 22, 2004 05:48 PM

O problema do terrorismo islâmico resolve-se pondo mais câmeras no metropolitano e fazendo muitas discussões, escrevendo muitos livros e artigos sobre o tema, organizando muitos seminários sobre o raio do tema e visitas guiadas aos meios em que supostamente cidadãos islâmicos normais se tornam em seres alienados. Os desgraçados, pelos vistos, caso a estratégia seja adoptada, têm os dias contados. O que eu queria que me dissesem é se estamos em guerra com o radicalismo islâmico e se estamos se é possível ganhar essa guerra com recurso à polícia, aos serviços secretos e aos académicos. Achas que assim ganhamos ou estamos só a jogar para o empate? Ou não estamos em guerra e isto é tudo um mero exercício intelectual um bocado aborrecido.

Afixado por: Fernando Martins em março 22, 2004 07:08 PM

Quem somos "nós", que "estamos" em guerra? O que queres dizer com "estar em guerra"? Isto, claro, se conseguires traduzir os slogans que repetes.

Afixado por: Daniel Oliveira em março 22, 2004 07:42 PM

Sim, isso é algo que há muito se vem perguntando nas emissões de opinião de todo o mundo. Mas não foi colcoado verdadeiramente na mesa. E porquê? Por jogos de interesses. Isso equivaleria a mudar alguns dos nossos hábitos e corporações por detrás desses hábitos.
Enfim... tirar algumas piscinas de algumas mansões!

Afixado por: Rui em março 22, 2004 07:51 PM

Hoje os israelitas mostraram como se dialoga com a canalha

Afixado por: Luis em março 22, 2004 08:26 PM

As razões do terrorismo são imensas e difusas. No Euskadi, por exemplo, não se devem sem dúvida ás más condições económicas da região, mas a um ódio ancestral contra a hegemonia castelhana (se bem que muitos militantes da ETA venham dos meios mais proletários), além de outras e complicadas causas.
Na Tchétchénia, a guerra brutal que a Rússia realiza contra os autóctones também ajuda a fomentar o ódio, avivado pelo radicalismo islâmico que surgiu como inspiração nacionalista.
Em Israel, embora haja grandes comparações com a Al-Qaeda, as razões são igualmente do foro nacionalista, e, já se sabe, a religião acaba por ser arrastada para estes problemas, criando movimentos como o Hamas.
A Al-Qaeda e afins tâm pelo contrário uma visão supra-nacional e ultra-religiosa, a não ser que falemos na "Grande Nação Árabe". A sua interpretação homicida do Corão, o ódio aos "vícios ocidentais",a recusa total da Democracia e as investidas mais "imperialistas" de países como os EUA ou GB são as causas que seguem; por isso, tudo o que lhes pareça não-islâmico, moderno ou próprio das nações ocidentais é para eles uma blasfémia incrível, passível de ser destruída. Daí a violência irracional que os caracteriza.
As formas para combater o terrorismo são inúmeras. Há as tradicionais, as já referidas cãmaras e etc; a resolução dos conflitos enumerados pelo Francisco, com inevitáveis cedências das partes (Dois estados na Palestina, fim da guerra na Tchétchénia, desocupação aos poucos do Iraque). O indispensável fim das madrassas Wahaabitas e o congelamento dos fundos da Al-Qaeda & Cª (as vezes que eu já repeti isto, Deus meu!); a melhoria das condições de vida de inúmeros povos, através de uma globalização justa e equitativa, que não humilhe o 3º mundo (como o faz, p. ex., com condições salariais de semi-escravatura); e uma pouco atractiva mas indispensável componente militar, que é aquilo que se faz actualmente no Afeganistão. são estas, e evntualmente outras, as armas para acabar com este medonho flagelo. Porque isto não vai simplesmente aos tiros ou com inconsequentes "palmadinhas nas costas".

Afixado por: João Pedro em março 22, 2004 11:57 PM

O alfange árabe abater-se-á justiceiro sobre a cabeça dos judeo-nazis e libertará Jerusalém e os palestinianos dos novos cruzados...

Um estado fundamentalista judeu na Palestina, que ocupe lugares santos e terras roubadas, que pratique o apartheid em relação a não-judeus e os massacre roube, e humilhe em permanência, além de continuadamente atacar, anexar e ameaçar todos os vizinhos da grande região com raides e armas nucleares é INACEITÁVEL para o mundo islâmico.

Os muçulmanos têm o direito de viver em paz e devem extirpar de uma vez por todas esse cancro nazi. Judeus podem viver, como sempre fizeram, na Palestina, mas num estado laico e multicultural, não num estado sionista-fundamentalista e racista.


Afixado por: euroliberal em março 24, 2004 01:10 AM

CRISTO hoje é Yassin (e o POVO PALESTINIANO) !

Ontem era Cristo, hoje são os palestinianos ! Só os assassinos é que não mudaram. Apesar do pensamento P.C. continuar a molestar 2 biliões de cristãos, tentando-nos convencer que devemos dizer que os senhores que O crucificaram afinal não O crucificaram... Irra, que já não há pachorra ! É claro que se foram os romanos que a contragosto executaram Cristo, toda a intriga e processo foi urdido pela judiaria do Templo (saduceus).

O que não significa que os judeus de hoje sejam responsáveis pela Sua morte. Isso é que seria anti-judaísmo.

Mas já é legítimo afirmar-se que os judeo-nazis ssharonescos continuam hoje a crucificar Cristo ao martirizarem milhões de palestinianos, os Cristos de hoje (porque para Ele, Profeta do amor ao próximo, Deus é o Outro, está no Outro).

Vão ver o filme (A Paixão), e vejam no rosto martirizado de Cristo, o Outro, o POVO PALESTINIANO

Afixado por: euroliberal em março 24, 2004 01:11 AM
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