março 24, 2004

Esquerda e anti-sharonismo

Diz Pacheco Pereira que a questão israelo-palestiniana só a martelo caberia na "dança esquerda-direita". Para explicar o seu argumento JPP relembra o empenhamento da URSS na fundação de Israel e no apoio à nova nação nas primeiras décadas. Como quem diz que a actual posição da esquerda é inconsistente com a sua história, ou que se trata de um alinhamento espúrio com os islamistas, ou que não passa de embirração anti-americana. Não se percebe a qual destas ideias quer chegar. Mas tanto faz, porque nenhuma delas está certa.

Não sou de todo especialista neste assunto, mas acho que um debate bem ordenado sobre este tema não vai lá com os argumentos episódicos que JPP apresenta. Onde ele vê inconsistência entre a posição da esquerda no passado e o seu anti-Sharonismo hoje, eu vejo coerência. E uma coerência com um século.

Desde logo, é bem verdade que a esquerda ocidental tem maioritariamente uma tradição pró-judia e mesmo pró-sionista da qual, do meu ponto de vista, se deve orgulhar. Afinal o sionismo que se constituiu largamente à esquerda desde o século XIX era uma tradição venerável. Além do objectivo político de obter uma terra segura para os judeus ser inegavelmente justo, os valores por que lutava no mundo "cá fora" eram em grande parte coincidentes com os do socialismo "clássico" que vinha do século XIX (embora viesse a manter, como seria de esperar, uma relação tumultuosa com o bolchevismo, que surgiu depois e foi durante algum tempo uma mera excrescência ao socialismo em geral). Esta época – o final do século XIX e o início do XX – é o tempo em que Rudolf Rocker, um encadernador socialista gentio, se integra na comunidade judaica, aprende íidiche e funda o jornal Der Arbeter Fraint. Em que Kropotkine se move entre a comunidade judaica (e sionista) do East End londrino, um dos centros do socialismo na Europa. E em que Emma Goldmann propagandeia o feminismo e o socialismo, entre judeus e gentios, pelas ruas de Nova Iorque. É a época em que se funda o Forward, onde escreverão mais tarde Isaac Bashevis Singer e Elie Wiesel. Quando chegou a altura de apoiar a construção de uma pátria judaica, a esquerda (judaica ou não) não renegou o seu apoio.

Note-se que falo da esquerda não-soviética. [É que na verdade os apoios da URSS que JPP cita, como ele saberá melhor do que eu, foram muito mais erráticos, ao sabor dos humores de Estaline ou das conveniências estratégicas de Moscovo. Se formos por aí, o grande apoio internacional de Israel no seu início esteve até mais na França.] Muitos socialistas anti-soviéticos emigraram para Israel, mesmo sem se converterem ao judaísmo, para poderem participar num projecto que consideravam mais livre e intocado pelo pecado original do vanguardismo e da ditadura do proletariado. No imaginário destes sobreviventes a purgas e guerras dos anos 30-40, Israel era uma hipótese de socialismo sem a interferência da URSS que tudo triturava à sua passagem. Com mais ou menos lirismo, a ideia geral era esta.

A título de exemplo, veja-se o caso de Chomsky, mais citado do que conhecido. Criado num meio sionista de Filadélfia (o seu pai, William Chomsky, foi um dos refundadores do hebraico como língua viva), Noam Chomsky transitou por outra via familiar para o socialismo libertário na comunidade judaica de Nova Iorque. Por outro lado, participava numa das inúmeras organizações da juventude sionista de esquerda que eram das mais activas à altura, como a Avukah que propunha para a Terra Santa um estado bi-nacional que não fosse de confissão judaica (na verdade, a proposta bi-nacional vem desde os anos 20 - ver aqui), e a Hashomer Hatzair, que existe até aos dias de hoje. Até aqui, este é um percurso habitual à época. Emigrou para Israel nos anos 50 com intenções de se fixar. Após encontrar, no kibbutz para onde se mudou, um racismo anti-árabe que era, segundo ele, mais agressivo e chocante do que aquele que ele próprio havia sentido enquanto judeu num bairro católico com simpatias pela Alemanha (até 1942) regressou aos EUA e passou a ser critico em relação às opções militaristas de Israel. O racismo e o militarismo havias manchado a ilusão e o idealismo do sionismo socialista, o que aumenta compreensivelmente o trauma da esquerda em relação a Israel [encontrarão mais nesta biografia irritantemente hagiográfica, – mas está on-line e estes factos estão lá detalhados, de forma que dou aqui o linque].

É por estas e por outras que, embora compreenda que estas raízes estão muito esquecidas, não consigo declarar-me anti-sionista como faz muita gente de esquerda (e de direita, claro) hoje em dia. O anti-semitismo e o anti-sionismo são efectivamente diferentes, e o primeiro muito pior do que o segundo. Mas acho que os sionistas de antanho merecem mais respeito. Verdade seja dita que aquilo que se entende hoje por sionismo é mais confuso do que nunca: passou a ser comum ver a direita e mesmo a extrema-direita racista israelita reclamar-se do sionismo que antes abominavam. Isso baralha todos os canais semantico-políticos; ainda assim, não gosto de colaborar no abastardamento do termo.

Daí que onde JPP não vê razões para uma correspondência entre ser de esquerda e ser anti-Sharon, eu vejo-as todas. Tal como vejo todas as razões para se ser de esquerda e ser anti-fundamentalista islâmico. Ou ser de esquerda e combater os regimes árabes, mesmo as ditaduras esquecidas, como a do Egipto, essa sim obliterada nos media por um permanente afluxo de dólares que a "normaliza". Isto para não falar da Arábia Saudita, do Iraque antes e depois de 92, da Jordânia, do Afeganistão (até antes do 11/9, imagine-se!), etc. E, já agora, ser de esquerda e lamentar que as constituições patrocinadas pelos EUA no Iraque e no Afeganistão reconheçam o Islamismo como religião oficial do Estado (no caso do Iraque, então, trata-se de um retrocesso claro; sempre gostava de saber como é que os nossos liberais anti-relativistas apoiam este ataque ao secularismo).

JPP pode sempre dizer que esta esquerda não é a esquerda que interessa. Bem, é evidente que não é a esquerda que lhe interessa. Mas já agora convém esclarecer só isto: é que, em larga medida, a esquerda que JPP tão incansavelmente necessita de dissecar já não existe. Ele pretende ver a sua permanência nas instituições, nos partidos. Mas a esquerda pós-1989 é felizmente muito mais livre e personalizada. Na sua constelação de causas, assemelha-se muito mais à sua congénere da viragem do século XIX para o XX do que à esquerda dos anos 50 e 60 em que JPP militou militarizadamente e na qual se projecta em permanência. Ao contrário do que julgam, JPP e a direita portuguesa conhecem pessimamente a esquerda actual. Ao passo que a direita se reconforta com um regresso mental à Guerra Fria, a esquerda pós-Queda do Muro aprendeu muito mais do que aquilo que a direita proclama – e os próximos anos confirmarão isto.

De volta ao nosso tema. Apesar de o preconceito e a ignorância campearem de parte a parte, é da honestidade mais elementar admitir que ninguém mais do que a esquerda sente o aviltamento de um projecto justo e de ideais nobres pelo racismo e o militarismo mais mesquinhos e patifes. E ninguém, mais do que a esquerda, respiraria de alívio no momento em que as posições dialogantes em Israel e na Palestina se tornassem dominantes. Posições decentes que eu, não sendo profundo conhecedor, identifico com as do falecido Edward Said, do Peace Now israelita e do partido Meretz. Serão minoritários, irrealistas? São justos e inteligentes.

Ou seja: a esquerda mais articulada não é anti-sharonista "porque sim", ou porque lhe deu para ser pró-árabe, ou para chatear os EUA – é-o antes da mesma forma como nos anos 40 o socialista Orwell não podia deixar de ser violentamente anti-estalinista.

Publicado por ruitavares em | TrackBack
Comentários

este post vai para uma coisa que eu cá sei.

Afixado por: celsomartins em março 24, 2004 02:47 AM

Grande post, Rui. Parabéns. Se não servem para mais nada, as postas do JPP sempre têm a virtude de estimular respostas destas. É também dessa esquerda que eu me reclamo, a esquerda que aprendeu e que percebe que havia esquerda antes de haver URSS. E que está do lado certo da história. Um abraço!

Afixado por: Martelo em março 24, 2004 03:33 AM

Convem fazer uma precisão: Rudolf Rocker, Emma Goldman e George Orwell, aqui descritos como "socialistas", eram de facto anarquistas. Rocker escreveu mesmo um livro intitulado "Porque sou anarquista", que está traduzido em português. A grande autobiografia de Goldman, "Living my life", também se encontra disponível em qualquer centro anarquista português.

Convem também esclarecer que, já desde o século 19, alguns sionistas mais clarividentes previram claramente que o sionismo não podia deixar de descambar num racismo anti-árabe e numa expulsão violenta dos árabes da sua terra. E disseram-no na Europa, embora Chomsky e muitos outros possam não ter ouvido e possam ter chegado a 1950 ainda com ilusões. Aliás, os judeus da Palestina (havia-os muitos, já antes do sionismo) eram fortemente anti-sionistas, pelo mesmo óbvio motivo. Portanto, se a esquerda foi pró-sionista, isso foi em grande parte um engano seu.

Aliás, um engano compreensível numa época em que o mundo "ocidental" se guiava, com toda a naturalidade, por paradigmas racistas e colonialistas.

Afixado por: Luís Lavoura em março 24, 2004 09:22 AM

Se Israel se quer suicidar, que o faça só ! Comnosco, europeus, É QUE NÃO ! Foi isso que disse o Filipe, E COM TODA A RAZÃO !

É obvio que Israel, para consolidar definitivamente os seus roubos de terras árabes (o sonho judeo-nazi do Eretz Israel, ou Grande Israel, corresponde ao sonho hitleriano da Grosses Deutchland...), está a arrastar os EEUU (através da maior Máfia do mundo: o lóbi judaico americano, que tal como McCarty nos idos 50, põe na lista negra qualquer político que ouse criticar Israel) PARA UMA GUERRA MUNDIAL APOCALÍPTICA COM 1.500 MILHÕES DE MUÇULMANOS, que nunca tolerarão a ocupação da Palestina ! E os EEUU querem à viva força arrastar a Europa para esse conflito ! Devemos fazer-lhes um grande manguito, e dizer-lhes (TAL COMO O FILIPE FEZ): se os israelitas querem provocar todo o Islão ocupando Jerusalém e massacrando todas as noites no telejornal da Al Jazira os mártires palestinianos, caminhamdo PARA A SUA ANIQUILAÇÃO CERTA por um novo Saladino, ENTÃO QUE OS JUDEO-NAZIS se suicidem sós. ESSA NÃO É A GUERRA DA EUROPA ! Nós não martirizamos povos, não roubamos terras nem praticamos a bantustização apartheidesca dos que não têm a nossa religião !

Mais uma vez Filipe, Bravo, e cacetada sem dó nem piedade nessa escumalha judeo-nazi !

Quanto a este lamentável ponto de ordem: vocês, meus caros, "abaixam-se" demais às provocações da escória bussho-sharonesca que squata os comentários deste blogue (de esquerda ?)e caiem numa lamentável COBARDIA MORAL ao absterem-se de se solidarizarem com o Filipe, cujo post só peca por excessivamente tímido na denúncia da MAFIA MAIS MANIPULADORA, MAIS PODEROSA E MAIS PERIGOSA PARA A PAZ MUNDIAL: O LÓBI JUDAICO AMERICANO ! FACE AO TERRORISMO BUSSHO-SSHARONESCO NÃO DEVE HAVER CAPITULAÇÕES !

Afixado por: euroliberal em março 24, 2004 10:18 AM

Uma resposta demasiado boa face à provocação boçal e infantil de JPP. Mas ele já merecia uma resposta assim pelo acumular de 'dissecações da esquerda que já não existe' (como diz o Rui e muito bem).
Não é só nisto.
JPP gosta de 'arrumar' o Mundo à sua maneira. Isto em si não tem mal, mas JPP por vezes é desonesto na forma como faz essas arrumações. Lembrem-se das crónicas dele a propósito da inexistência das ADM ou recentemente das suas análises sobre as eleições espanholas que escamotearam completamente o facto de Aznar e o seu governo terem tentado manipular os media e forçar a tese da ETA até às eleições. Isso é desonestidade e nem interessa debater com gente assim.

Afixado por: O Bom Selvagem em março 24, 2004 10:19 AM

Excelente post, Rui. Muito boa a comparação da situação actual na Esquerda com a situação fluida na transição do séc. XIX para o séc. XX. 100 anos depois uma nova dinâmica está em curso na Esquerda, mais sábia, depois de 1 século de ilusões, em que uma parte significativa da Esquerda julgou que os meios justificam os fins, e que a ditadura (mesmo que transitória) é necessária para se atingir a sociedade ideal. Descobriu duramente que as ditaduras nunca largam mão do poder voluntariamente, e que nunca se justifica restringir a liberdade, em particular a de opinião. A Direita recusa-se a acreditar na existiencia desta Esquerda renascida, porque não tem flexiblidade mental para tal, e porque sabe que esta Esquerda é muito mais ameaçadora para os seus interesses.

Afixado por: viana em março 24, 2004 11:19 AM

Bom post. Aposto que o JPP, como é democrático e tudo, te vai responder na SIC!!

Afixado por: rodion em março 24, 2004 01:39 PM

Parabéns, Rui, pelo post. Disseste, com muito mais informação e arte,o que eu sinto em relação à ideia de Israel. Entristece-me bastante quando, por criticar o Israel de Sharon & Cia., me chamam anti-semita (logo eu, que até ainda sei onde está o meu sangue semita...); e irrita-me a forma como se confundem os termos anti-judaísmo, anti-semitismo, anti-sionismo, anti-sharonismo.

Só mais uma coisinha. Grandes anti-sionistas (e portanto anti Estado de Isreal tal como ele existe desde 1948) são os judeus ultra-ortodoxos no próprio Israel. Para eles, o Estado só será legítimo quando o messias vier. Mas o engraçado é que nos entrementes o Estado de Israel, que não reconhecem, paga-lhes para nada fazerem, para apenas existirem... Acho que há, realmente, uma grande ignorância em relação à história e actualidade israelitas, que são bem complexas e muitíssimo interessantes.

Beijo.

Afixado por: marta em março 24, 2004 02:42 PM

Ao Afixe (e outros berloqueiros da mesma igualha):

Você está com sorte. Hoje estou com muita paciência para aturar ignorantes e ajudá-los a superar as suas insuficiências. Não precisa de agradecer. É gratis. Além de que, comigo, todas as insolências levam troco, quer o queiram, quer não (era só o que faltava que pudessem dispensar resposta !).

O "direito sagrado" que referi resulta do direito internacional. Se toda a ocupação é agressão, cabe ao ocupado exercer a legítima defesa (armada, é claro) retaliando sobre o ocupante. E se há civis mortos de um lado, é legítimo que o haja do outro. Logo, choca-me que muita gente, mesmo anti-Sharon (é o seu caso), cometa (inconscientemente ?) a suprema ignomínia de qualificar de "terroristas" Arafat, Yassin e todos os bravos e mártires da Palestina, apenas porque não têm honestidade intelectual nem força de carácter para contestarem integralmente o políticamente correcto imposto pelos bussho-ssharonescos. Mas não ousariam qualificar De Gaulle, Churchill (e os seus bombardeamentos de Dresden, Hamburgo, etc.), Truman (idem, Hiroxima)Cabral ou Xanana de "terroristas"... Embora todos matassem, segundo as leis da guerra, ocupantes.

O rigor semântico é sintoma de solidez moral. E as flutuações nesse domínio, ao sabor das pressões e das relações, denota o contrário... Se você fosse palestiniano de Gaza, só poderia ser herói ou mártir da resistência. Não teria outra alternativa. A liberdade tem um preço de sangue que alguns têm o destino histórico de suportar com panache. Mesmo que os free riders do Berloque o desconheçam.

Sem os 20 milhões de russos que se sacrificaram (estupidamente, para si, presumo...) em 40/45, o que seria da nossa Europa de hoje ? Desdenhar do culto do heroísmo, do martírio, das virtudes militares e do patriotismo é próprio de sociedades decadentes e de partidos como o Berloque, cujas máximas preocupações parecem ser os casamentos e adopções gay e a legalização da "passa"...

Na Palestina o que está em causa é a sobrevivência ou não de uma comunidade nacional, é morrer ou não, hoje ou amanhã, o que um esquerdalho imbecil como você e muitos barnabés irresponsavelmente diletantes nunca conseguirão perceber...

Vocês servem-se do martírio e da epopeia palestiniana para afivelar uma boa consciência hipócrita, mas no fundo estão-se "cagando" para um povo "atrasado e obscurantista" que "nem sequer tem casamentos gay e não gosta da passa" ... Não há no Barnabé nem no BdE, berloqueiros e objectores de consciência compulsivos, qualquer solidariedade concreta com os heróicos palestinianos. Vocês praticam o relativismo moral dos cínicos (sim, Sharon é criminoso, mas ou outros são "terroristas fanáticos"...). E o direito e a moral que mandam distinguir entre ocupados (e o seu direito sagrado à resistência) e ocupantes (necessariamente criminosos de guerra) ? Claro, isso não interessa a berloqueiros "desconstrutores das grandes narrativas morais e normativas"...

Afixado por: euroliberal em março 24, 2004 05:41 PM

sim, euroliberal, berloqueiro e objector de consciência assumido. muito gosto terei de o ver levar a sério a sua pulsão heróica e oferecer-se como herói e mártir. eu, se não leva a mal, vou ali buscar uma água das pedras e ver uns blogues.

Afixado por: rui tavares em março 24, 2004 09:42 PM

Apetece-me gritar:"ponto de ordem à mesa!"
Muitas vezes a forma como dizemos as coisas faz com que não se tenha vontade de prestar atenção ao que é dito.
Euro liberal
Se deixasses de ser histérico e de distribuir insultos a torto e a direito até podias ter lançado uma discussão interessante que nos levasse a reflectir nas nossas posições sobre o assunto, mas como vens aos gritos de megafone em punho e na potência máxima já começas a chatear.
Como pareces estar passado, mesmo sem precisar de uma "passa", (que te aconselho vivamente a experimentar uma de boa qualidade que talvez fiques mais calmo)gostaria de colocar duas questões à discussão que tu próprio levantaste:
1) até que ponto não é por termos receio que nos chamem nazis ou anti judeus que, sempre que nos referimos à limpeza étnica levada a cabo por israel, temos que referir pelo manos 10 vezes que os "mártires bombistas" são terroristas?
2) Este nosso receio pode estar ou não estar a fazer o jogo de israel porque impede que se desenvolva um movimento mais activo e mais audível na defesa do povo palestino? há diferenças significativas entre o que israel está a fazer na palestina e o que a indinésia estava a fazer em timor?

GIN

Afixado por: GIN em março 24, 2004 10:59 PM

Ainda a falhada "linchagem" de Filipe Moura

Eu, por mim, prefiro que fique o Filipe e que os outros (aqueles que neste momento sentem a cabeça pesada, e não é dos cornos que falo...) tirem uma merecidas férias. O mesmo para certos clientes da casa que recomendam férias a outros. Se isto às vezes já parece um blogue neo-parvo (neocon), sem o Filipe então...

O que se passou foi uma campanha de linchamento tipicamente judaica (digo judaica, como digo negro e não africano ou de cor, porque verdadeiramente quero que os politicamente correctos se f****) que desta vez abortou. Os judeo-nazis são mestres nestas linchagens. É assim em todo o lado, e não apenas nos EEUU, onde são mais que conhecidos e variados os exemplos.

Em França, por exemplo, estão a destruir a carreira profissional de um humorista negro, Dieudonné (cancelaram-lhe através de ameaças mafiosas dezenas de espectáculos em salas e teatros de França e Europa), só porque este fez um sketch de um rabi ultra-ortodoxo e nazi...

A Edgar Morin, que publicou no Le Monde um notável artigo traduzido em todo o mundo (Portugal incluido)sobre a distinção a fazer entre anti-semitismo, anti-judaísmo e anti-israelismo, puseram-lhe (os judeus franceses) um processo crime em tribunal por "anti-semitismo" e incitação ao ódio racial !!! Enfim, um "processo Filipe" em ponto maior...

Grotesco ! Julgam-se os donos do mundo e pretendem contornar acusações de crimes de guerra, apartheid e genocídio (dirigidas a SSharon e às SS Tsahal) com processos de intenção de "antisemitismo" (como se semitas não fossem os palestinianos que martirizam, e pró-semitas os que se solidarizam com as vítimas dos judeo-nazis !).

POR ISSO, A QUESTÃO NÃO PODE FICAR POR AQUI:

1) É PRECISO QUE SEJAM TIRADAS TODAS AS CONSEQUÊNCIAS DESTA GROTESCA TENTATIVA DE LINCHAGEM DO FILIPE MOURA PELA CANALHA JUDEO-NAZI QUE INFESTA ESTE E OUTROS BLOGUES, QUANTO MAIS NÃO SEJA PARA QUE PERCAM O HABITO DE MANIPULAR E INTIMIDAR AS CONSCIÊNCIAS

2) É PRECISO QUE AQUELES QUE OMITIRAM A SOLIDARIEDADE DEVIDA AO FILIPE, OU QUE COM ELE FORAM EXCESSIVOS E INJUSTOS, FAÇAM A RESPECTIVA AUTOCRÍTICA, DE FORMA A QUE TAIS JOGADAS (AS DOS TAIS PASSAROCOS DA MAFIA PRÓ-JUDAICA) SEJAM IMPOSSÍVEIS NO FUTURO PELA VIGILÃNCIA ACRESCIDA DE TODOS.

Afixado por: euroliberal em março 24, 2004 11:30 PM

ANTES ELES QUE NÓS ? OBVIAMENTE !

Por que é que, nós europeus, deveriamos deixar-nos arrastar para um conflito generalizado (nuclear ?) provocado por alguns colonos fundamentalistas que querem roubar mais umas terras ou casas e matar mais uns árabes ? Para mais, trata-se de uma escumalha de que nem os israelitas laicos gostam, porque não trabalham, chulam o estado de inumeros subsidios e só aumentam a tensão com os palestinianos ...

Que obrigação moral temos nós de sacrificar milhões de homens (na IIG foram 30 Mi.) para salvar ladrões de terras assassinos ? Quando Israel passa a vida a desprezar e vexar os nossos diplomatas e não pede conselhos nem autorizações para nada a Bruxelas ? Se nem sequer somos aliados... Por alma de quem, respondam, iriamos a morrer aos milhões ?

Foi isso que disse o Filipe: se os israelitas enveredaram por uma política expansionista e militarista aventureira que humilha 1500 milhões de muçulmanos, o problema é deles e não nosso, que nunca aprovamos tal política. Se eles se querem suicidar a prazo, façam-no sozinhos (ou acompanhados dos ssharobnescos aqui do forum...).

A Europa tem outra política: é multicultural e multilateral, defende o respeito dos povos e das suas culturas e não humilha ninguém (da última vez que o fez com a Tratado de Versalhes, provocou uma segunda guerra apocaliptica).

Repito: quem quer massacar, limpar etnicamente, roubar terras porque se julga "povo eleito", sofrerá muito provavelmente as consequências... e depois ?

A Europa não pertence a esse clube de ladrões carniceiros... pelo que: Antes eles que nós, certamente. A posição do Filipe é inatacavel etica e politicamente ! E a histeria manipulatória dos sharonescos é, por isso, grotesca, tal como as cedências que lhes foram feitas...

Afixado por: euroliberal em março 25, 2004 12:28 AM

Apenas duas perguntas, Rui:

Não será o militarismo de que o Rui fala o preço que Israel paga, desde sempre, pelo direito a existir?

Não será o anti-sionismo, em 2004, quase 60 anos após a criação do estado de Israel, somente uma forma de anti-semitismo?

Afixado por: Lydia em março 25, 2004 01:19 AM

Qualquer que seja a razão da divergência ou da disputa, nada, repito, nada pode justificar que a resolução passe pela exclusão ou aniquilamento do Outro.
A oposição, todavia, implica o reconhecimento, mas não a identificação com o Outro.
Ninguém tem o direito de invocar legitimidade para exercer a posse(seja de bens ou ideias) do que quer que seja, provindo duma qualquer entidade imagética ou simbólica que nos autorgue um estatuto de exepção face aos demais;
Somo todos da mesma condição - humana, se denegarmos o Outro, arrogamo-nos a uma condição que não temos nem somos, correndo o risco de "inventarmos" outro "humano".
Esta condição ontológica deve fazer-nos abster, na ausência de regras pré-definidas para a contenda,de usar meios de argumentação ou de peleja, que não reconheçamos legítimo o adversário use contra nós.
Se quisermos pelejar, conseguindo ou não dirimir a discordância, devemos assegurar a integridade do adversário e da nossa(cada um cuidando da sua, é evidente)
Qualquer posição, atitude ou reivindicação, por mais legítima que possa ser, se não tiver o cunho da Razão certificada pela prova da realidade, arrisca-se, cedo ou tarde a ser mistificação, ilusão, mentira, ódio, sofrimento e morte.
Não há entidade mítica, sobrenatural, divina ou terrena, que possa caucionar as tentações de retroceder nas aquisições civilizacionais que nos trouxeram até aqui.
Mas acredito, que para as mantermos e reforçarmos,muitas lutas teremos que travar!!

Afixado por: Maria da Fonte II em março 25, 2004 01:23 AM

lydia:

as minhas respostas, curtinhas

1) não
2) não

obrigado pelas perguntas

rui

Afixado por: rui tavares em março 25, 2004 01:38 AM

Explicativo e informado, excelente post.

Afixado por: Bruno Martins em março 25, 2004 01:39 AM

ÚNICA SOLUÇÃO: UM ÚNICO ESTADO BINACIONAL E LAICO

Eu não sou a favor da existência DESTE estado de Israel. Porque é fundamentalista, teocrático, apartheidesco, expansionista e perigoso para a paz mundial. Reserva a nacionalidade plena a crentes de uma religião (isso fizeram os Reis Católicos...) e assenta no roubo de terras, de casas e de bens de milhões de residentes na Palestina desde tempos imemoriais, pelo mero crime de já não terem a "boa religião", dado que os seus antepassados judeus se converteram ao cristianismo no séc. I e ao islamismo no séc.VII... Defender o Israel sionista é defender que é a religião que deve determinar a posse da terra e que a única religião válida para tal é a judaica ! Nonsense !

Depois, defendo o sistema "um homem, um voto" para todos os residentes de jure na Palestina, o que inclui judeus e palestinianos de Isrsel, territórios ocupados e exílio. Se os palestinianos forem a maioria há que aceitar a democracia (como na Africa do Sul pós-apartheid).

Defendo o direito de retorno com direitos de cidadania plena de todos os expulsos da Palestina. Ninguém tem o direito (nem a ONU) de exigir a renuncia dos palestinianos a tal direito.

Defendo que é política e etico-juridicamente legitimo recuperar pela Força, aquilo que pela Força foi roubado, e que por isso constitui OFENSA GRAVE E DISCRIMINATÓRIA (apenas "explicável" por razões de oportunismo e cobardia política) a qualificação de "terrorismo" e de "fanáticos" atribuída aos patriotas da heróica resistência palestiniana que levam a cabo a sua luta com os ÚNICOS meios de que dispõem (se também tivessem tanques, Apaches e F-16 e matassem 10 vezes mais judeo-nazis já não seriam "terroristas" ? Deixemo-nos de hipocrisias...). Há civis mortos do lado israelita ? Pois há, como em todas as guerras (Dresden, Hamburgo, Hiroxima,etc., lembram-se ?), mas em número 4 vezes inferiores às baixas civis causadas pelas SS Tsahal... de que ninguém fala.

Só um ESTADO UNICO, binacional, laico e democrático, baseado no "one man, one vote" para todos os palestinianos (presentes ou exilados), de religião judaica, muçulmana e cristã, permitirá a PAZ ETERNA na região !

Mas, esta solução, nas condições políticas prevalecentes actualmente e num futuro próximo, NÃO É POSSÍVEL POR MEIOS DIPLOMÁTICOS, hélas ! Só a destruição (através de um ultimato seguido de guerra em caso de rejeição) do nazi-sionismo por uma Nação árabe unificada, rearmada (vector nuclear dissuasivo incluído, é claro)e chefiada por um novo Saladino permitirá remover o estado fundamentalista, nazi-sionista, apartheidesco e militarista de Israel. Não se deve pactuar com nazismos (lição de Munique), que só entendem a lei da força... Os primeiros cruzados ocuparam Jerusalém durante um século e a Palestina durante dois. Pois bem, os novos cruzados já lá estão há 60 anos... e não passarão dos cem...

Afixado por: euroliberal em março 25, 2004 05:37 PM


dou-vos a grande notícia: o Maus Fígados vai contratar para os seus quadros esse tonitruante Euroliberal. Estamos necessitados de sangue fresco e de uma bílis renovada e consagrante. De resto, não percebo nada do vós discutis por aí, mas estou de acordo com "refreshments" históricos como o feito pelo vosso camarada Rui. Eu próprio vivo disso. O facto é que a discussão até ia bem, não fora o ruído provocado pelo Euroliberal, razão pela qual o contratamos para a nossa modesta equipa, que está de acordo em tudo, até que o mundo é uma merda (capciosa).

Richelieu (Veiga), Cardeal

Afixado por: Richelieu, Cardeal em março 29, 2004 10:12 PM
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