A situação que se vive hoje na Bombardier começa, perigosamente, a fazer lembrar os piores episódios do Governo Santana Lopes. Depois da Polícia de Intervenção ter forçado a entrada de membros da Bombardier nas instalações da empresa para desmantelarem as máquinas, o Governo acaba de emitir um comunicado manifestando-se "surpreendido e desagradado" com a decisão da multinacional Canadiana...
Pode ser que me falhe qualquer coisa, mas desde quando é que as forças policiais portuguesas estão sobre a tutela da Bombardier? A polícia age e o Governo não sabe? Repare-se que, mesmo depois do "desagrado" do Governo, a Polícia de Intervenção continua a permitir, no local, o desmantelamento das máquinas. Das duas uma, ou o Governo não tem coragem de assumir as ordens que deu, ou, pior ainda, o ministro António Costa não sabia de nada e não manda na polícia. Em todo o caso, isto começa bem...
Publicado por pedro sales emPois...Aí está uma questão interessante. Mas já houve um antigo ministro da Administração Interna do PS (o agora Ministro da Justiça, se não me engano) que disse "Esta não é a minha polícia". Se calhar o António Costa acha o mesmo
Afixado por: Frustrado em março 19, 2005 06:18 PMBom, pode ser que também me falhe qualquer coisa, mas não vejo contradição entre o "desagrado" do governo, por considerar que a empresa agiu de má fé nas negociações, e o zelo em fazer cumprir a lei. A questão não é quem manda na polícia, mas sim qual é o dever da polícia.
Incríveis são as declarações de Jerónimo de Sousa, sobre a eventualidade de a polícia "dar cobertura à retirada das máquinas". Grave seria se não o fizesse, por interesse negocial do Governo.
Afixado por: Paulo Almeida em março 19, 2005 06:59 PMA esquerda tem memória curta... muito curta mesmo...
só não entendo como é que alguém vos leva a sério...
Desde quando é necessária a autorização de um ministro para fazer cumprir a lei ?
Afixado por: Roberto Reis em março 19, 2005 07:53 PMdesculpem la, mas fazem parecer isto num passeio que a madona decidiu dar por ai com policia toda atras.
estamos a falar de trabalho, de trabalhadores, de pessoas que tem familia e contas para pagar.
claro que a policia está a cumprir a lei, está a fazer o trabalho dela, só é pena que não sejam assim tão activos quando se trata dos direitos dos trabalhadores ou quando uns empresarios decidem fugir com as maquinas sem pagar às pessoas...
Quem manda na polícia? O governo, o Ministro da Administração Interna.
Porque mandou assim, essa é que é a pergunta!
Ou também... quem o manda mandar assim?
Quem serviria o governo se mandasse de outra forma (não mandando a polícia, intervindo ele próprio de outra forma, junto da empresa, ou na rua?)
Quem, e o quê se vai servindo com mandados e mandatos assim?
Parece que sempre é o António Costa
Afixado por: Asensio em março 19, 2005 09:06 PMA primeira boa noticia a policia de intervenção recebeu ordem para abandonar a Bombardier.
Segunda boa noticia parece que o governo governa.
O respeito da legalidade é um dever dos trabalhadores mas também de empresas que instalando-se no nosso país ao abrigo de contratos parecem desconhecer as leis portuguesas.
A má fé já denunciada pela própria C.P. da direcção portuguesa da Bombardier, revela com que tipo de personagens se está a lidar.
Uma empresa das tecnicamente mais apetrechadas do tecido empresarial português, com um conjunto de quadros e de trabalhadores altamente competentes é levada á falência por razões muito estranhas e sem que aparentemente diversos governos tenham sido de todo capazes de pôrem cobro a este escândalo de lesa-pátria.
A legalidade e a razão, está do lado daqueles ,que como os trabalhadores da Bombardier só aparentemente a violam.
O dever dos polícias é proteger o cidadão. Neste caso protegerem o cidadão do seu emprego, mantendo-os afastados do mesmo. O emprego pode ser perigoso, dá mazelas fisicas, stress, corta o tempo para actividades lúdicas e dá dinheiro (que outros ficam com esse pesado fardo). Bem visto os policias cumpriram o seu dever.
Afixado por: João Dias em março 19, 2005 10:51 PMTanta demagogia que reina por aqui!
eh eh eh muito boa joão
um gajo paga para trabalhar e ainda por cima tem de levar com a policia em cima...
felizmente isto correu bem, ou então não...
Afixado por: oscar pinto em março 20, 2005 01:26 AMRui Tavares deve ter muito má memória ou muito má recordação.
Quando é que Santana Lopes actiou do modo que dá a entender? Onde?
Episódio é o seu escrito a merecer tratamento domiciliário já que o Júlio de Matos não tem mais vagas para internamento.
Também António Costa deverá exclamar: - Esta não é a minha polícia!!!!
Parece-me que este e o outro trocaram os ministérios mas não trocaram de comportamentos.
Parece incrível como é que alguém grita que a polícia deve ser comandada, caso a caso, pelo ministro.
Então, agora, já não há leis neste país?
Não deverá ser pela lei que a policia e todos nós nos devemos reger, neste caso republicanizar?
E os comportamentos ilícitos não devem ser apreciados e julgados pelos tribunais?
O falhanço de Guterres foi governar de acordo com os apupos/aplausos dos manifes.
Iremos agora pelo mesmo caminho?
Mais 2 polícias mortos na Amadora.
Polícia permanentemente desautorizada pelos pol+iticos e , pasme-se, muito frquentemente pela magistratura judicial.
Quem poderia imaginar que alguma vez ouviria dizer a um polícia:
-- Tenho medo de patrulhar a rua
Só num país do primeiríssimo mundo, onde os direitos do homem começam nos marginais e as culpas das malfeiroias acabam nas autoridades policiais.
Que país é este que estão construindo.
Defendem-se e dão-se regalias aos criminosos.
Penalizam-se e castigam-se as autoridades.
Penso que qualquer cidadão que se sinta ameaçado pode chamar a polícia. Se o chefe da polícia achar que a ameaça é real, manda os agentes ir. É assim que as coisas funcionam, felizmente. Não faltava mais nada, o ministro ter que dar o seu assentimento de cada vez que alguém chamasse a polícia para ela fazer cumprir a lei.
As máquinas são pertença da Bombardier, e esta tem, objetivamente, o direito incontestável de as tirar dali e de as ir pôr noutro local qualquer.
O governo não pode, assim sem mais, ir interferir no direito de propriedade de uma empresa particular.
Já pensaram no que seria se, por exemplo, vocês se queixassem à polícia, às 5 da madrugada, de que o barulho de uma discoteca na vizinhança não os deixava dormir, e recebessem da polícia a seguinte resposta: "Recebemos do ministro ordens para não atender quaisquer queixas sobre esse estabelecimento"?
Estado de direito, é Estado de direito.
Afixado por: Luís Lavoura em março 20, 2005 06:10 PMLuís Lavoura:
As empresas quando se instalam num sítio assinam contratos e têm de assumir responsabilidades. Neste caso aproveitaram a mudança de governo para resolver este impasse. E o argumento, desculpe que lhe diga, um bocado simplista da vizinhança barulhenta, não me parece refletir um caso de complexidade adequada.
Se a polícia deu cobertura à retirada das máquinas tb a podia ter dado aos trabalhadores para a não retirada das mesmas. Existe um impasse de legalidade, como tal deveria ser aguardada a via diplomática para se resolver as coisas. Neste impasse as forças policiais não deveriam ter dado cobertura a nenhum dos lados.
Aliás a pressa com que a Bombardier pretende a retirada das máquinas, parece querer evitar o diálogo com o governo.
As empresas têm de perceber que têm direitos e responsabilidades.
Afixado por: João Dias em março 20, 2005 07:37 PMSobre este post, leia-se o seguinte comentário:
A cegueira de uns e a ignorância de outros
Afixado por: O Bom Senso em março 20, 2005 10:59 PMSó num país(????) como este Portugal, isto pode acontecer.Apartir do momento que o poder judicial
decide, a lei é para se cumprir, e caso se tenha determinado no sentido de sairem as tais máquinas, os trabalhadores que a tal se oponham,
deveriam de imediato ser detidos e enviados a tribunal. Só assim poderemos caminhar para a verdadeira democracia. ABAIXO A ANARQUIA!!!!!!!
Lei e ordem não são a mesma coisa.
Na história da polícia de ordem pública há três modelos de intervenção. A polícia como instrumento do governo, a polícia como instrumento da lei e a polícia como instrumento da ordem. Qual é a diferença entre ser instrumento da ordem e ser instrumento da lei? O TEMPO. A polícia, como instrumento da lei, estaria obrigada a intervir imediatamente quando a legalidade é quebrada. À vezes, causando graves desordens e atentando contra bens importantes, como o bem-estar físico dos “desordeiros”. A polícia como instrumento da ordem é chamada a avaliar as situações e decidir se uma quebra pontual de legalidade é ou não é irreversível, e se é preferível adiar o restabelecimento dos direitos lesados. Esta é a doutrina clássica da polícia britânica.
Realmente, vejam lá, é necessária uma autorização do governo para uma empresa dispôr da sua propriedade...
O argumento dos trabalhadores que realizam uma vigília, realmente, não tem significado nenhum. Num estado de direito, o local correcto para protestar eventuais acções ilegais são os tribunais.
Quanto aos salários em atraso, mencionados por outro comentador, acima, esse não é o caso da Bombardier.
Afixado por: Pedro Oliveira em março 21, 2005 09:37 AMJoão Dias, que eu saiba (corrija-me se estiver errado) não existe neste caso qualquer impasse de legalidade. A Bombardier cumpriu todas as suas obrigações legais, em particular pagar a tempo e horas aos trabalhadores e/ou indemnizar aqueles que foram despedidos. Pelo menos, julgo ser esse o caso.
O impasse que existe é de capacidade de atuação governamental. Há que meses que os sucessivos governos andam a dizer que vão resolver o caso da Bombardier, e parece que ainda nada está decidido.
Repito: estamos (ou antes, queremos estar) num Estado de direito. A Bombardier tem o direito de levar as suas máquinas (suas, porque as comprou - e que eu saiba não recebeu quaisquer subsídios do Estado) para onde quiser. A polícia tem a obrigação de proteger a legalidade, e de proteger quem se julga (neste caso parece que, felizmente, sem jultificação) ameaçado.
Afixado por: Luis Lavoura em março 21, 2005 09:38 AM L.Conceicao (Canada) 14-12-2004
"Os problemas de Bombardier apareceram durante a gerência de Laurent Beaudoin (genro criador da empresa) e foi buscar Tellier para sair do lameiro. Tellier estava contra o novo protótipo de aviâo, visto que o transporte aéreo está praticamente em falência. Ora não vejo agora o mesmo Beaudoin vir fazer melhor do que fez no passado. Uma companhia que necessita de subsídios não é viável."
Este era um comentário de um leitor do correio da manhã após despedimento de Paul Telier (presidente executivo). Ao ler este texto não consigo ter a certeza que a Bombardier não tenha recebido subsídios.
Primeiro falei só em impasse e depois falei em impasse legal, porque sinceramente acho ninguém tem a certeza da legalidade ou não desta retirada das máquinas. Não conhecemos ao pormenor as condições em que a bombardier se instalou em Portugal.
Mas reafirmo que se trataria de um impasse (depois veremos se legal ou não), porque na eventualidade da bombardier ter direito a tirar as máquinas, devia ter tido a "cortesia" de esperar pela reunião.
Caso a bombardier tenha recebido subsídios, acho que o caso muda de figura.
Acho que aceitamos a legalidade de uma forma muito passiva (não me interpretem mal), ou seja existe medidas abrangidas na lei das qual eu estou em profundo desacordo. Sendo ou não legal eu faço sempre o meu julgamento da justeza da medida. No debate pré eleitoral entre os cinco líderes dos partidos, Louçã referiu que tinham sido perdoadas dívidas ficais (não me lembro dos valores) numa operação de fusão de empresas. É legal...mas parece justo?