
Quem ganha com a manutenção de dezenas de milhares de imigrantes ilegais neste país? Ganham os empresários criminosos e as máfias. Empatam os políticos cobardes. E perdemos todos enquanto comunidade. Perdemos respeito por nós e pelos outros. Perdemos recursos para o estado. Perdemos em segurança para todos. E perdemos a capacidade de olhar para o espelho com a consciência limpa.
Quero que o meu país saiba quantas pessoas aqui vivem, quem são. Quero que façam parte da comunidade – não – quero que seja reconhecido que já fazem parte da nossa comunidade. Quero que as crianças nascidas em Portugal sejam portuguesas – uma tradição jurídica que é a portuguesa desde o tempo de Pombal e que deve ser restaurada.
É por estas razões que vou estar amanhã, domingo dia 20 de Março, às 14h30, na manifestação dos imigrantes ilegais no Martim Moniz em Lisboa. É tão importante para mim como para eles.
Publicado por ruitavares emBom post! Apoio totalmente o que aqui foi escrito.
Um abração do
Zecatelhado
contem com o meu apoio, infelizmente não posso ir a lisboa. aqui no porto não vai haver nada parecido? se alguem souber por favor informe-me obrigado
Afixado por: oscar pinto em março 20, 2005 01:10 AMSerá se existem em Portugal os empresários com escrupolos?
Afixado por: Oksana em março 20, 2005 01:19 AMUma manifestação de imigrantes ilegais é mesmo uma originalidade barnabaica portuguesa.
E se calhar a manif até tá autorizada não?
Aasim teríamos uma manifestação legal de imigrantes ilegais.
Já agora, e para algo completamente diferente...
Não pude deixar de reparar no posto sobre os dinheiros de Pinochet.
Como V/ Exas parecem andar distraídas, gostaria de ter um comentário á lista da Forbes que coloca Fidel Castro na lista das maiores fortunas...
Pois é. Há ditadores bons e ditadores maus...
Afixado por: kiligal em março 20, 2005 01:30 AMSr. Kiligal, o facto de haver uma manifestação autorizada e pública de imigrantes ilegais quer apenas dizer que os imigrantes ilegais são bem mais corajosos ao comparecer do que o senhor ao fazer comentários anónimos no Barnabé.
-----
Quanto à questão sobre Fidel Castro, gostaria, antes de responder, que me dissesse o Sr. Kiligal o que é que tem escrito ou que activismo tem tido na oposição à ditadura cubana. Estou certo que desejará comparar o seu currículo na matéria com o do Barnabé. No nosso caso, basta usar a caixa de pesquisa para ler os nossos arquivos e descobrir por si o que temos chamado a Fidel Castro.
Afixado por: rui tavares em março 20, 2005 05:11 AMEntão mas agora que há meio milhão de cidadãos ilegais em Portugal (por baixo) e que ninguém sabe onde estão, com que critérios se legalizarão?
Quando milhares de outros foram mandados embora -e até foram - por acreditarem que Portugal era um Estado de Direito, com que argumentação se legalizarão estes?
Expliquem lá.
E, já agora, expliquem às famílias dos 2 agentes da PSP abatidos esta madrugada na Amadora por 1 emigrante brasileiro ilegal, que a culpa é do sistema... e que esse cidadão devia estar legalizado.
Sr. João Tilly
Como sabe que o agressor é brasileiro? Segundo o jornal "Público" ele tem identificação portuguesa!
"O local do crime foi preservado e as características do suspeito já foram difundidas, afirmou o comandante, acrescentando que o homem em causa tem identificação portuguesa"
Lindo!interssante este militantismo na defesa dos imigrantes.
Mas já agora,uma simples,directa e concisa pergunta:subitamente esqueceram-se todos do Iraque?Esquerceram-se de que os americanos já mataram mais de 20 mil civis(há um countdown na internet)com a sua orgia belica sobre Falujah,Sadrd City,etc?Porque é que só os sindicatos organizaram a manif de ontem?onde está o "povo de esquerda",da "esquerda moderna socialista,popular",que há dois anos gritou bem alto contra a agressao imperialista ao povo iraquiano?Será que certos se renderam ao novo cortejar do sr.bush á "velha"europa?
Força Rui até tens um bocado de tomates.
Mas tirando a questão (episódica?) da morte desta madrugada, o que me faz pensar é: havendo um milhão de emigrantes, africanos, ucranianos etc, onde é que está a falta de emprego que povoca meio milhão a receber subsídio de desemprego? Se os emigrantes querem vir para cá e arranjam emprego nem que seja a lavar escadas, o que dizer da justeza de pagar para não se fazer nada, ou, como muita gente sabe, estar com o subsídio e ter um biscate não declarado na economia paralela?
Toda a minha solidariedade para com os imigrantes ilegais!
Se houver manif. no Porto lá estarei.
Afixado por: ARDENTÍA em março 20, 2005 12:25 PMNão sou particularmente fan de manifestações, mas acho-as legítimas. Esta mesmo tendo como participantes imigrantes ilegais, pela natureza que tem este problema, é uma forma de alertar para a desumanidade praticada em Portugal e em toda a Europa.
Não quero com isto dizer, que se devem abrir as fronteiras indiscriminadamente, que não se devem fiscalizar os imigrantes, nem protegê-los mais do que um cidadão europeu.
É necessário muita ponderação e bom senso nesta questão, porque os excessos de autoritarismo ou facilitismo dão origem a muito sofrimento e injustiça.
Nada a dizer! Há causas que não têm ideologia, credo ou raça!
Afixado por: João Mãos de Tesoura em março 20, 2005 01:26 PMPercebemos que tem um grande coração, tudo bem.
E para si, qual deve ser a políca no que respeita às migrações?
Fronteiras totalmente abertas !?
Abertas, com algumas restricções!? Quais?
Estabelecimento de quotas ?
Esse tipo de discurso, por parte da extrema-esquerda e mesmo de alguma esquerda moderada, é muito tocante mas muito pouco racional.
Afixado por: portugal_liberal em março 20, 2005 02:05 PMportugal_liberal, já que gosta de fazer perguntas porque não dá você o exemplo explicando qual é a sua política, menos tocante certamente, mas certamente altamente racional. Ou então, caso não tenha propostas, pode defender os resultados das políticas que têm sido praticada. Que tal?
De resto, para quem assina como "liberal", deve saber que a abolição desta política (com as propostas que são defendidas neste post e até mais radicais, como a abertura de fronteiras) não é defendida só pela esquerda, mas também (em Portugal) pelo Banco de Portugal, a Ordem dos Advogados e a Conferência Episcopal Portuguesa e (lá fora) pela Economist – em cujo liberalismo, vai-me desculpar, vejo mais racionalidade do que no seu.
Afixado por: rui tavares em março 20, 2005 02:31 PMpouco racional...é tão bom falar de barriga cheia não é?
Afixado por: oscar pinto em março 20, 2005 02:35 PMA propósito de castro e da Forbes.
João Tilly:
Por acaso o assassino não será ed Seia? É que se for talvez seja melhor destruir a terreola.
Estão, de forma desonesta, a querer misturar imigração com criminalidade. Mas esquecem-se de dizer que a discrimininalização dos imigrantes é que também fomenta isso. Além disso, não é por causa de uma minoria de imigrantes que vamos “condenar” todos os outros.
Quanto ao texto de Rui Tavares, parece-me distinguiu o ponto fundamental: enquanto esta situação se manter podemos ter imigrantes como garantia de mão-de-obra barata.
O grande problema da mentalidade empresarial é que é forreta. O presidente da CIP disse que queria quadros médios, não queria sábios (licenciados, doutorados, mestrados e outras coisas em ados). Mas o que ele quer verdadeiramente é mão-de-obra barata, se ele pudesse ter um licenciado aos custos de um indivíduo sem formação superior, o discurso dele seria com certeza diferente. Não estou a dizer que indivíduos sem formação superior não tenham qualidade, estou a dizer é que por estes não terem formação superior são os “preferidos” dos empregadores pois podem lhes auferir salários menores.
Eu também teria lá estado, Rui, se tivesse sido avisado da manifestação a tempo e horas.
Da próxima vez, por favor anuncia as manifs com mais tempo de antecedência.
Afixado por: Luís Lavoura em março 20, 2005 06:13 PMBoa noite. Bom "post" Rui, concordo com o que disse e com as causas e os efeitos que aponta.
Afixado por: Duarte Zambujeiro em março 20, 2005 09:02 PM_errata_
onde se lê:
"discriminalização"
devia ler-se:
"discriminação"
Rui: estou contigo neste post. Concordo inteiramente. Sou a favor de uma política de portas abertas para os imigrantes.
Afixado por: alice samara em março 20, 2005 11:07 PMEm Portugal vigorava o jus solis, quem nascia em território português era português. depois, curiosamente enquanto decorriam as negociações para entrar na CEE, mudou-se a legislação da nacionalidade passando-se para o jus sanguinis, como é corrente na Europa, só é português quem é filho de portugueses.
O resultado é existirem cidadãos nascidos em Portugal e cujos pais também nasceram em Portugal que, como os avós nasceram em Cabo Verde, são cabo-verdianos!
É óbvio que uma situação destas provoca um desenraizamento propício à marginalidade.
É necessário é começar por alterar a Lei da nacionalidade repondo o que é tradicional em Portugal e mandando à fava os "bonitos" princípios que vigoram por essa Europa fora.
"O Raio", deixe-me só fazer uma pequena correcção: a inversão da nossa tradição jurídica de "jus solis" não é da época da entrada para a CEE mas anterior. Deu-se por mão de Almeida Santos pouco depois das independências das colónias e o seu objectivo declarado foi impedir que milhões de pessoas que haviam nascido em solo português pudessem – pelo menos teoricamente – ter direito à nacionalidade. O que curiosamente não ocorreu com as possessões portuguesas na Índia: ainda hoje, quem se apresentar nos serviços centrais com uma certidão de nascimento de Goa, Damão e Diu anterior a 61 tem automaticamente direito à nacionalidade portuguesa.
Sem querer entrar em ensaios de interpretação histórica, quero apenas dizer que – seja como for – as questões territoriais que motivaram estas alterações estão ultrapassadas. Hoje em dia o estado português ocupa fronteiras incontroversas e só tem é que regressar à sua tradição jurídica original. Quem nasce em Portugal é português, e ponto final.
Devo acrescentar ainda duas coisas: 1) essa tradição do "jus solis" é de tal forma constitutiva que ainda hoje muita gente julga que é o "jus solis" que está em vigor. 2) Apesar de ter optado pelos "jus sanguinis" em 75/76, Portugal tem vindo recentemente a diminuir o acesso à nacionalidade por essa via também, acabando com o acesso à nacionalidade por parte de netos de portugueses. Afinal em que é que ficamos: nem "jus solis", nem "jus sanguinis"? Mas depois vamos queixar-nos de que a população estagnou...
-------
Finalmente, em relação àqueles que ligaram esta questão ao crime de hoje na Amadora. Não se precipitem, os primeiros indícios são de que este foi cometido por um português branco. Este é um crime terrível, independentemente das circunstâncias, mas é compreensível a vossa desilusão...
Afixado por: rui tavares em março 21, 2005 01:40 AMOra viu como eu sabia que ele tinha nascido no Brasil?
Tal como sabia que a PJ nunca mais apanhava a Joana. Escrevi-o no mesmo dia.
E sei muito mais coisas.
Por exemplo: até sei que este desgraçado que agora foi preso no Algarve NÃO É o assassino e que esse, a esta hora, já deve estar a apanhar o avião para o Brasil em Madrid.
Como é que eu sei isto?
Mistério...
A politica correcta para os imigrantes ilegais é a deportação para o país de origem. Até é uma boa ideia organizar manifestações dos mesmos: o SEF também pode estar presente e aproveitar para identificar os presentes...
Afixado por: Pedro Oliveira em março 21, 2005 09:46 AMMuito bem caro Rui.
Mas não me parece muito realista. Mesmo admitindo que o efeito de invasão do nosso mercado de trabalho e da nossa segurança social se diluiria se toda a UE também abrisse as suas portas, penso que reconhece que a situação dessas pessoas nos seus países é de tal forma lamentável que, mesmo com o se chama hoje de "medidas para tornar o trabalho atractivo para todos" (ou seja, vamos lá a parar com todas as vantagens de estar oficialmente desempregado sobre estar empregado) e sua séria fiscalização (além da fiscalização dos contratos de trabalho), mesmo admitindo tudo isto, a UE não poderia nunca sustentar socialmente tanta gente que aí viria - é muito mais sustentável ter políticas sérias de apoio ao desenvolvimento e de luta pelos direitos humanos e, por cá, ter quotas e fiscalização a sério.
E acabar com a maior discriminação de acesso ao emprego e de contratação legal relativamente aos que por cá já se encontram - por exemplo, sabiam que as mulheres oriundas de países não industrializados e com qualificações superiores sofrem da maior discriminação de todas (20% por serem imigrantes, mais 30% por serem mulheres, e mais 50% por terem qualificações - e ainda alguma coisa por serem de países não industrializados)? Há que avaliar seriamente as competências das pessoas que cá estão e dar-lhes oportunidades de mostrar o que valem - todos temos a ganhar.
Caro Rui Tavares,
O Jus solis só foi totalmente abolido na década de 80 quando começaram as negociações para a entrada de Portugal na então CEE (actual União europeia).
Uma das razões foi os ingleses que nunca deram a nacionalidade inglesa aos habitantes de Hong-Kong (eram cidadãos britânicos do ultramar) temerem que os cidadãos de Macau emigrassem para o reino Unido.
Aí por voltas de 83 ou 84 a Lei foi mudada e quem nasceu em Macau (ou em território português)depois disso deixou de ter a nacionalidade portuguesa se não fosse filho de portugueses.
Confesso que no caso do assassino do polícia, não percebo o racismo e xenofobia da comunicação social. O indivíduo que terá morto o polícia "tem identificação portuguesa e brasileira", ou seja, é português antes de tudo (estamos em Portugal) e por acaso tem outra nacionalidade. Se cada vez que houver uma notícia, for dada a informação de que a pessoa tem mais a nacionalidade a, b ou c... o que está embutido nisto é algo do genéro "quem matou n\ao foi um dos nossos"... ou "matou pq é estrangeiro"... falam tanto contra os americanos e me pergunto se lá há mais racismo mesquinho e xenofobia pequena do que em Portugal. E para quando é que param de falar na tv "um cidadão de etnia cigana"...? Fogo, parece que estamos na alemanha nazista!!
Afixado por: Edie Falco em março 21, 2005 01:42 PMO imigração ilegal é consequência da falta de eficiência na distribuição de auxílio humanitário.
É urgentemente necessário mais auxílio humanitário para garantir que os habitantes do terceiro mundo ficam lá, em vez de quererem vir para a Europa, Autrália e América do Norte trabalhar.
Afixado por: Pedro Oliveira em março 21, 2005 02:08 PMJoão Tilly:
Para quem sabe tanta coisa, é estranho que você não saiba que uma pessoa que tem nacionalidade portuguesa é português. E que portugueses nascidos no Brasil filhos de pais portugueses é o que não falta. Até já ministros e presidentes da república tivemos nessas condições (a começar pelo Bernardino Machado).
Afixado por: rui tavares em março 21, 2005 05:09 PMSo tenho uma coisa a dizer para "os portugueses da gema", porque voces nao dizem pro seus ascendentes e ascendentes voltarem pra Portugal. Porque voces nao dizem para eles fecharem as padarias, as mercearias, os pontos de comercio e voltarem correndinho pra casa.
Eu sou brasileira e "infelizmente" tenho nome portugues mas graças ao bom Deus, que foi minha avò (india) e meu avo (negro tiçao)paternos, tenho pouco desse sangue.
E dificil para nos brasileiros lidar-mos com o conflito de nossa origem, mas ao menos, tentamos viver com voces e com o passado de desgraça que voces causaram no nosso pais.
NAo sei se nao seria melhor ter tido os franceses, holandeses e atè mesmo alemaes como colonizadores, ao menos, teriamos menos pessoas desonestas. Porque pelo que eu sei os indios e os negros nao tinham a mesma visao de exploraçao e de ladroagem que "voces" tinham, que "voces" disseminaram.
Oh! fico aborrecidissima, com essa postura preconceituosa e racista dos portugueses que falam como falam de nos brasileiros. Sendo assim, essa minha "escrita" e direcionada para as pessoas que agem assim e nao para o autor do Blog.
obrigada
Rose:
Vamos, por favor, evitar as provocações. Já tenho trabalho que chegue a manter o racismo fora deste blogue, e o racismo anti-português não é excepção. O que você escreveu pisou essa linha e aviso desde já que não admitirei aqui uma escalada de provocações em nenhum dos sentidos.
Afixado por: rui tavares em março 21, 2005 05:43 PMRose:
Percebo e respeito a sua revolta, mas xenofobia não se combate com xenofobia.
Afixado por: João Dias em março 21, 2005 07:19 PMdeculpem, mas não pude deixar de reparar em certos comentários que me chocam.
"O imigração ilegal é consequência da falta de eficiência na distribuição de auxílio humanitário.
É urgentemente necessário mais auxílio humanitário para garantir que os habitantes do terceiro mundo ficam lá, em vez de quererem vir para a Europa, Autrália e América do Norte trabalhar."
deem a esmolinha aos pobres para eles não nos virem bater a porta ou andar a porta das igrejas a pedir...podem ser pobrezinhos mas lá fora.
vamos dar ajuda humanitaria, no entanto tem-se a tendencia de esquecer que esses paises pobrezinhos são, em termos de recursos naturais, os mais ricos e nós dos paises ricos, a malta do ocidente, vamos lá arrancamo lhes o petroleo, os diamantes e o ouro (quando não é trabalho infantil) pelo preço da chuva, sustentando o ciclo de pobreza.
de repente lembrei-me não seria melhor ajuda los a porem se de pé e dar lhes o controle daquilo que é deles ao inves de pactuar com governos opressores e gananciosos, sim porque ao pactuar com esses governos somos cumplices de um crime.
toda a gente sabe que a shell está em africa e pratica este crime.
os arabes é que foram finos formaram a opec passaram a dar lhes mais atençao, caso contrario, ainda estariam a vender o petroleo a 1 dolar e tal. se bem que agora não lhes adianta de nada pois o pais com maior quantidade de petroleo ja foi colonizado e vão outra vez perder a sua voz...e vamos vê-los a levar com a nossa ajuda humanitaria.
a forma de combater a imigração ilegal (que nada mais é do que um grito de desespero dum mundo sem esperança) é dar lhes direitos de cidadania, e coordenar esforços com os paises de origem atraves de pactos economicos de ajuda mutua (forçando os a tomar medidas contra a corrupção, as elevadissimas desigualdades sociais e a miséria), baseada numa troca justa, para que assim se desenvolvam e voltem para os seus paises já não para a barraca, mas para ajudar os seus paises de origem.
chegou a altura de pararmos de escondermo-nos por detras das ajudas humanitarias e enfrentar os problemas activamente.
isto sim, é solidariedade, e não a caridadezinha das ajudas humanitarias de lhes levar comida roupas etc e no entanto pactuar com governos que fomentam a miseria e a pobreza.
Afixado por: oscar pinto em março 21, 2005 11:30 PMOi Rui,
Nao escrevo para pedir desculpas, pois reconheço que fui grossa. Somente, nao POSSO de maneira nenhuma admitir (e, tudo bem que esse espaço é "seu", mas ao mesmo tempo é um espaço publico)que pessoas portuguesas, italianas, holandesas e atè mesmo brasileiras se comportem como as pessoas acima se comportaram.
Eu nao sou xenofoba, alias, teria todo razao do mundo "incivilizado" para ser, mas nao sou. Veja, eu moro na Italia, e aqui, ja sofri discriminaçao porque nao sou branca e sim olivastra. Gritei, esperneei, e esculhambei com duas pessoas idosas. Alias, como racismo é crime, ameaçei-as de processa-las. Isso tudo porque nao so eu fui tratada mal, como tambèm, uma moça cubana negra.
Eu acho que essa relaçao dos portugueses com nos brasileiros TEM que ser colocada em pratos limpos. Sei que "dois nao brigam quando UM nao quer", porèm, existe muita falta de respeito com relaçao ao meu pais. Em parte e culpa nossa porque nao damos um freio SERIO e calamos a boca das pessoas no momento preciso... mas sinceramente... sinceramente...ler, escutar, que somos ladroes, preguiçosos, sujos, safados, sem vergonhas...nao da, nao da mesmo.
Um abraço e nao vejo porque vc se enfezar..nao vejo mesmo
Oscar Pinto,
Era exactamente isso o que quis dizer. Que é de resto o único motivo válido por detrás do auxílio 'humanitário', para além da sensação calorosa que alguns iludidos retiram da 'solidariedade'.
Quanto à velha história de paises 'ricos' em recursos naturais, esquece. Os paises ricos não precisam de possuir recursos naturais - olha por exemplo o Japão. Os paises ricos compram recursos naturais. Para além disso, os recursos naturais não pertencem a esses países do terceiro mundo. A maior prova disso é que, em caso de necessidade, estes países não têm força suficiente para os defender - olha o Iraque.
Agora podes espraiar todos os teus sonhos de igualdade, solidariedade e por ai fora. Não vale a pena. Por muito que penses que as relações internacionais não são hobbesianas, isso nunca passará do 'não devem ser'.
Afixado por: Pedro Oliveira em março 22, 2005 09:53 AMRose,
É inegável que existe racismo e xenofobia em Portugal. Não vamos esconder a realidade. Mas há muitos portugueses que lutam contra esse racismo e essa xenofobia em Portugal. Como exemplo, estão as pessoas que fazem este blogue. Aliás, como a Rose comentou, infelizmente, existe racismo e xenofobia por toda a europa.
Mas, também me parece que existe agora um movimento xenófobo contra Portugal por parte dos Brasileiros. Quem vai ao Brasil e fica por lá algum tempo apercebe-se disso. Portugal e os portugueses são, aos olhos do brasileiros, os culpados de tudo de mau que acontece no Brasil: violência, desigualdade, corrupção, etc, etc. Todos dizem o mesmo: os problemas do Brasil começam na colonização. Mas será que isso é mesmo verdade? Não será essa a forma mais fácil de lidar com o problema, colocando a responsabilidade nos outros?
Como a Rose disse:
"mas sinceramente... sinceramente...ler, escutar, que somos ladroes, preguiçosos, sujos, safados, sem vergonhas...nao da, nao da mesmo."
Acho que também não dá para ouvir o mesmo dito em relação a portugueses por parte de brasileiros.
Eu sei que a colonização do Brasil não foi bem feita. Houve muita gente sem escrúpulos que praticou crimes durante a colonização e esses crimes ficaram impunes. Mas acho que a colonização do Brasil está a ser explorada pelos média brasileiros, em tempos recentes, de uma forma pouco rigorosa e muito superficial. Isto em nada ajuda o debate. Acho que todos devemos lutar para acabar com o racismo e a xenofobia em qualquer lugar. Embora isso não implique esquecer (ou obscurecer) a história: é importante que se saiba para que não se repita.
Afixado por: Nuno Amalio em março 22, 2005 11:57 AMcaro pedro oliveira
vejo que tanto por um lado como pelo outro, o da necessidade da protecção dos seus recursos naturais pelos proprios paises, como forma de proteger os seus interesses.
tambem concorda que esses paises não tem mecanismo para isso.
é bom ver que estamos de acordo em algo, em relação ao meu idealismo deve ser de eu ser ainda um rapaz novo...e espero que isto não passe como algumas pessoas me dizem.
Oscar,
Defender os recursos naturais? Devem é aproveitar os mesmos para lançar a sua economia, vendendo-os, e aproveitando o retorno para investir em capacidade produtiva. O que exclui, à partida a apropriação pelo estado dos ditos recursos. Caso contrário, serão gastos em demagogia, se o regime for formalmente democratico, ou em repressão e poder militar caso o regime seja a ditadura tão do agrado das elites terceiro-mundistas.
Os países do terceiro mundo apenas poderão beneficiar alguma coisa dos seus recursos naturais se mantiverem o seu preço no mercado mundial abaixo dos custos de ocupação (militar) e exploração directa pelos utilizadores dos ditos recursos.
Afixado por: Pedro Oliveira em março 23, 2005 01:10 PMÉ incrível como o português tem a memória curta....
Talvez não se lembre de todos os portugueses que deixaram o seu país e se foram pelo mundo, muita vez sem nada ou quase nada a não ser a coragem e a vontade de começar uma vida nova e melhor....
Talvez não se lembre que muitas vezes esses mesmos portugueses, também se encontraram em situação ilegal...
Talvez não se lembre que muitos passaram por muitas humiliações por vezes mesmo tendo papeis legais...
Afinal toda a nossa história não nos serviu para nada, porque não aprendemos ora com nosso irmão, ora com nosso tio, ora com nosso pai...
Muitos portugueses foram explorados e se submeteram a muito sacrifício para conseguirem um lugar num país onde pensavam poder ter uma vida melhor, porque recusar a pessoas que têm de lutar duas vezes mais, a dignidade que todo ser humano merece?
«Talvez não se lembre de todos os portugueses que deixaram o seu país e se foram pelo mundo, muita vez sem nada ou quase nada a não ser a coragem e a vontade de começar uma vida nova e melhor....»
Claro que me lembro. E depois? O que é que isso tem que ver com os imigrantes ilegais em Portugal?
Os portugueses também andaram a escravizar negros em África há três séculos atrás. Deveriamos agora oferecermo-nos como escravos dos africanos de hoje? Se é essa a tua opinião, by all means, be my guest.
Afixado por: Pedro Oliveira em março 23, 2005 05:35 PMFico extasiado com comentários que revelam uma prepotência uma desumanidade e uma falta de respeito pelos ditos valores que são tão realçados por essa classe de pessoas que fico mesmo perturbado..estou a viver em Itália e em comparação com o nosso Tugal garanto que somos dos países menos xenófobos e que mais lutam contra o racismo..já foi alvo aqui( e sou branco!!) de atitudes profundamente racistas e insultuosas apesar de ser cidadão comunitário...aqui n se olha ao tom de pele..olha-se ao que n é italiano..uma sociedade perfeitamente intolerante e gananciosa que se aproveita inteloravelmente dos imigrantes..Em Portugal apesar de existir racismo está minimamente dissimulado e mto menos enraizado.E é chocante as campanhas que se fazem aqui pelas ruas..Racismo patente em qualquer poster em qualquer banca...que choca.Campanhas racistas á vista desarmada..podem dizer que estão no seu direito de expressar opinião...mas para n será opinião mas sim ignorância e hipocrisia..
Afixado por: Tiago em março 24, 2005 09:25 PMCaro Tiago,
Eu nao tiro a sua razao, a Italia, é RACISTA, ou melhor dizendo, vive na ignorancia. Quando falo aqui ignorancia, nao e ofendendo, e sim querendo dizer "falta de interesse, de curiosidade" pelo que é diverso da TUA cultura.
Vivo na Italia e percebo cada vez mais o que significa ser italiano do norte, do centro e do sul. Eles mesmo vivem internamente o racismo, a exploraçao. O racista de hoje, o pre-concituoso de hoje, foi o explorado dos anos passados, que saiu do sul pra ser explorado no norte, ou migrou para os Estados Unidos, Canada, Australia, e principalmente America do Sul.
No Brasil, nos contamos com uma populaçao de (descendentes e italianos "veri") 27 milhoes. Veja so!
Porèm, a questao portuguesa (eu nao vivo em Portugal, falo pela otica brasileira) e diferente, porque fez colonias. Quem saiu de sua terra pra conquistar outras terras, deveria AO MENOS, pensar de maneira diversa com relaçao, ao "diverso" que esta "entrando na tua casa".
Ta bom, chega de falar, creio que a discussao ta virando piao.
um abraço pra voces e muita Paz pra nos todos.
Os meninos que moram na Itália têm razão. Sou carioca e moro no interior da Itália central há três anos, mais ou menos. Sou formada em Medicina, branca feito vela (o cabelo ruim é herança síria), fluente em italiano e inglês, de boa família, criada em Ipanema; vim pra cá porque quis e não por ser refugiada política, religiosa, enfim, whatever. O chato é que eu sou mulher, E brasileira, ao mesmo tempo. O que eu escuto de "dá uma sambadinha aí! Ah, não sabe sambar? Que brasileira você é, que não sabe sambar?" ou de "fala a verdade, aqui a sua vida tá muito melhor, não é verdade?" não tá no gibi, e é um saco. As chateações burocráticas são inúmeras. Eu entendo a xenofobia italiana, que é intensa e, como já foi dito, não ataca só o estrangeiro, mas qualquer um que seja diferente. O pessoal do norte tem horror ao pessoal do sul, o pessoal do Veneto acha o pessoal da Liguria esquisito, e por aí vai. Eu entendo tudo isso, porque tenho muito contato com estrangeiros aqui e vejo muito claramente que a maior parte da criminalidade quotidiana - falo de furtos, brigas de rua, essas coisas - é praticada por imigrantes, legais ou ilegais. Principalmente albaneses e marroquinos. A criminalidade de colarinho branco é exclusividade de Berlusconi and company, thank you. E a máfia é coisa do sul. Tudo muito compartimentalizado.
O que eu quero dizer é que entendo que o pessoal aqui olhe desconfiado pro marroquino que toca a sua campainha querendo vender meias e camisetas vagabundas. Entendo, porque eu mesma, depois de inúmeros casos vistos com esses olhos que a terra há de comer, também fico com o pé atrás. Só que eu acho que o pessoal aqui não entende muito bem o porquê da imigração. Acham que o marroquino pega o barquinho e vai pra Lampedusa já com o intuito de roubar, ou de ficar mamando no seguro-desemprego, quando na verdade não é assim. Mas quem é que convence o europeu de que se os países pobres, que assim ficaram depois da secular exploração por parte do Velho Mundo, deixassem de ser pobres, ninguém iria se arriscar numa jangada pra ir parar num país esquisito cuja língua não compreende? Quem é que convence o italiano médio, que é de uma ignorância íiiiiiiiiimpar, de que se o Marrocos fosse mais civilizado, o marroquino também o seria e deixaria de andar de carro sem seguro obrigatório, por exemplo, e assim deixaria de ser um incômodo, mas por outro lado dificilmente sairia do conforto do seu lar pra vir pra cá, terra da lingüiça e do salame que eles nem podem comer porque Alá não gosta? (mas comem, comem). Enquanto os antolhos continuarem no lugar, os direitistas de Berlusconi vão continuar baseando suas campanhas eleitorais no combate à imigração ilegal, cartazes defendendo a pátria italiana da invasão imigrante vão continuar sendo colados nos muros, faixas xingando os jogadores de futebol pretos de macacos vão continuar pululando nos estádios, entre outras coisas deliciosas às quais estamos assistindo por aqui ultimamente.
Afixado por: leticia em abril 12, 2005 06:09 PMCompreendo todos os pontos de vista abordados por todos acima, e sei que cada um tem sua razao de escrever o que escreveu. Mas tb gostaria de deixar minha opiniao.
Sou brasileira, vivo na Inglaterra, e tenho muito orgulho de ter vivido minha vida toda no Brasil, e quando me perguntam as perguntas de praxe, samba, futebol, carnaval, Amazonia, tenho muito orgulho em responde-las, pois essas coisas fazem parte do meu Brasil, da minha cultura. Tambem amo falar o portugues e agradeco os portugueses por toda a injecao cultural que nos proporcionaram. Desde a colonizacao, erros aconteceram nao apenas por parte dos portugueses, mas nos, os brasileiros, tambem erramos muito. O Brasil tem problemas, Portugal tem problemas, todo lugar os tem.
No Brasil tambem somos preconceituosos em relacao aos portugueses, argentinos, e ate mesmo dentro de nosso pais, por exemplo Rio x Sao Paulo, e estas regioes em relacao ao nordeste do pais. E ao mesmo tempo, temos as maiores colonias japonesa, arabe, germanica, e italiana do mundo, e sempre os abrigamos em nosso pais da melhor maneira possivel, principalmente em epocas de guerra. O mundo mudou, no entanto, e compreendo o "medo" que varios paises tem dos imigrantes - medo de faltar emprego, saude, escola, por conta de outras pessoas que deixaram seu pais para buscar uma vida melhor. Se isso acontecesse no Brasil, milhares de africanos ou sul-americanos chegassem todos os dias para viver la, nas proporcoes que isso acontece na Europa, nos tambem brasileiros, teriamos a mesma preocupacao.
Acho que como foi dito acima, os imigrantes, ou boa parte deles, nao deixaria seu pais se tivesse condicoes de la viver - empregos decentes, saude, educacao. Ha muito o que ser mudado, a comecar pela distribuicao de renda global, mas muito mais importante que isso eh o respeito pelas outras culturas e talvez por alguns momentos tentar colocar-nos no lugar destas mesmas pessoas.
Tenho orgulho de ser brasileira, com raizes indigenas, negras, alemas, espanholas e portuguesa. E respeito toda a mistura, a agradeco a Deus por ter nascido em um lugar tao diversificado e especial como o Brasil.