Lille parecia hoje uma cidade mediterrânica. Era quase uma Génova. (é tudo ao contrário neste filme publicitário que eu realizei: aí no sul são becos de sombra e as pessoas a fugirem do sol; e cá no norte é o pessoal espojado mesmo como lagartos no chão do grande pátio; e os meus alunos, quando lhes confio inquietações apocalípticas sobre o clima, gozam comigo)
Estamos a sair, se é que não saímos já, do longo túnel. Tornámo-nos todos adoradores do rei-sol. Nos dias que vêm aí (que se espera que continuem a vir, mas sem dar demasiado estrilho para não estragar tudo), a disponibilidade da rua é total. Para acolher cada raio de luz e de calor, cada bocadinho na esplanada, cada imperial de preço proibitivo - e é tudo um sorriso beato voltado para o ar. Os canais cinzentos do Sena tornam-se estuários do Tejo. Patins, bicicletas e adereços do circo vão para os parques. Vestidos vaporosos vão para os olhos. Até a primeira vaga dos turistas-praga da Place du Tertre se atura. Aqui chegou a Primavera com o seu exibicionismo bom.
Publicado por andrebelo em | TrackBacke tu, andré, sempre que escreves, é um regalo para a mente:)
Afixado por: cmm em abril 1, 2004 06:28 PMainda não. lá para maio.
cara constança: um muito obrigado regalado!
Afixado por: andré belo em abril 1, 2004 07:57 PMentão sai um post gorduchinho lá para maio, não é?
Afixado por: rui tavares em abril 1, 2004 08:18 PMObrigado. Lembrei-me logo do Monet.
Afixado por: dsousa em abril 1, 2004 09:39 PMSe me é permitido, em Paris também estava um tempo de fazer corar de inveja todo o Portugal
Afixado por: João Pedro em abril 2, 2004 10:53 PM