abril 01, 2004

Da cor do passado

Uma das coisas de que os brasileiros se gloriam por contraste com, principalmente, os EUA, é o facto de as diferenças raciais no seu país serem mais matizadas: "Para os americanos, branco é branco / preto é preto / e a mulata não é tal", como cantava Caetano Veloso. E é precisamente por isso que eu estranho que Da Cor do Pecado [passa na Sic; baseio os meus comentários numa peça do Correio do Brasil de dia 25/3] tenha sido promovida no Brasil como sendo a primeira telenovela de protagonista negra. O péssimo título já vem nas piores tradições católicas, portuguesas e brasileiras, evocando a suposta lascívia pecaminosa dos negros. E, já agora, apresentar a actriz Taís Araújo (que é descendente de africanos mas também de portugueses e austríacos) como negra só pode servir para propagandear progressos que ainda não se fizeram. A mulata já não é a tal? Os meus amigos e parentes brasileiros que me desculpem, mas no dia em que a protagonista fôr negra como os negros de Cidade de Deus os elogios serão mais merecidos.

Publicado por ruitavares em | TrackBack
Comentários

Confesso que não percebo este post. O título Cor do Pecado será infeliz apenas dependendo do que pretende significar - se significar a cor da pele da tal Thaiz. Aí concedo. Trata-se de um lugar comum bafiento. Quanto ao protagonismo de negros mais ou menos escuros, não entendo...Penso que o principal problema da visibilidade que é dada aos negros no Brasil reside nos estereótipos sociológicos. Estereótipos, diga-se, infelizmente ainda bem vincados na sociedade.

Afixado por: thirdbacus em abril 1, 2004 09:07 PM

thirdbacus, é evidente que o título se refere à cor da pele da protagonista. quanto ao resto, o meu problema não é com o protagonismo de este ter sido apresentado no brasil como um momento histórico, a superação de uma fronteira, etc. – o que me parece manifestamente empolado.

Afixado por: rui tavares em abril 1, 2004 10:23 PM

Rui Tavares,

Pois então concedo, o Brasil no melhor do seu pior. Mas o que não percebo mesmo no texto é isto:

« mas no dia em que a protagonista fôr negra como os negros de Cidade de Deus os elogios serão mais merecidos.»

O que é que isto quer dizer?

Afixado por: thirdbacus em abril 1, 2004 10:49 PM

Na verdade essa mesma actriz já foi protagonista doutra novela há uns anos, "Xica da Silva", que não era da Globo, e ficou conhecida pelas suas muitas cenas eróticas, grande parte delas protagonizadas pela Taís Araújo.

Afixado por: Boss em abril 1, 2004 10:56 PM

É que nos EUA, por exemplo, bem mais avançados neste particular, a questão não passa pelo protagonismo de negros nos filmes e séries, mas pelos papéis que desempenham. Isto é de longe bem mais importante. Os meninos do Cidade de Deus foram protagonistas porque os protagonistas não poderiam ser brancos. Tão simples quanto isso. E assim tivemos mais um caso de protagonismo pontual, 'documental', 'realístico', retratista. Não se tratou de nenhuma abertura de portas ao centro do cinema brasileiro. O mais importante mesmo é o livro por trás do filme - um negro brasileiro que se afirma como escritor.Isso sim, é importante.

Afixado por: thirdbacus em abril 1, 2004 11:05 PM

A estupidez, a falta de informação daqueles que arrogam comentar temas que simplesmente desconhecem é uma doença grave dos blogers(rrrr!).
Onde já se viu alguém afirmar que «o mais importante é um negro brasileiro que se afirma como escritor»(!!!!!!!)
Isto só indicia que não sabe quem foi Castro Alves, Augusto dos Anjos, Machado de Assis, João do Rio... e tantos outros que não me apetece ir até a estante; enfim, para não falar de outros tantos mulatos, sanseis de nisseis, ítalospaulistas, germanosulistas, e etc, etc...
Tenham tento!

Afixado por: Sonia Nobre em abril 1, 2004 11:32 PM

Sónia Nobre,

Como é bom saber que existe gente que sabe tanto. Para comente depois de ir buscar os nomes todos à estante, para não ficar no ar a sensação de que há um oceano por descobrir. Bem, talvez faltasse o poeta popular Solano Trindade. Creio que o Augusto dos Anjos, nem semi-mestiço era, mas admito que possa estar enganado. O Machado de Assis foi um mestiço - sim porque nessas coisas se não é branco puro pode ser negro - que ainda hoje alimenta divergências do género será que poderia ser considerado negro ou não? castro Alves, e depois os «dandies» joão do Rio e Lima Barreto foram mulatos modernaços é certo do início do século xx, mas não queiramos transformá-los no que não foram propriamente - escritores monumentais. Pronto, fico-me por aqui porque não tenho prateleira.


Quanto ao mais, a Sónia Nobre, agora pergunto-lhe eu:

Onde estão

A Tony Morison brasileira?
A Alice Walker brasileira?
A Terry Mcmillan brasileira?
A Harryete Mullen brasileira?
O Amiri Baraka brasileiro?

Onde é que está literatura moderna negra brasileira de peso a ser lida fora do Brasil? quantos autores negros brasileiros foram lidos no exterior e no próprio país que não Paulo Lins? Garanto-lhe que estou completamente ignorante nesta matéria.

Sim, porque os autores de que me falou ou são do século 19 ou do inicio do séc. 20. E nem sequer foram representantes daquilo a que poderia chamar uma "literatura negra brasileira". Pelo menos eu não tenho essa ideia.

E atenção que quando falo de negro tendo mais a falar de negro de pele escura, pois são esses os mais estigmatizados e os que precisam de referenciais[modelos] impulsionadores. E no Brasil eles existem fundamentalmente no futebol e na música. Não na literatura. Nesse sentido o Paulo Lins é a expressão nova do negro moderno na literatura brasileira. Séc. 21.

Afixado por: thirdbacus em abril 2, 2004 12:40 AM

onde se lê:
para comente, leia-se, para a próxima comente...

Afixado por: thirdbacus em abril 2, 2004 12:41 AM

Então, e o Rui Tavares?

Afixado por: thirdbacus em abril 2, 2004 12:53 AM

o rui tavares o quê? estava distraído.

Afixado por: rui tavares em abril 2, 2004 01:42 AM

Vais ou não vais dizer o sentido daquela frase?

Afixado por: thirdbacus em abril 2, 2004 01:48 AM

é o mesmo que tu lhe dás: negro de pele escura. ainda vamos esperar uns anos até ver uma protagonista negra propriamente dita, tal como ainda vamos esperar mais tempo ainda (aí dou-te razão) para ver as personagens mulatas e negras serem socialmente menos estereotipadas. mas a taís araújo, se formos a ver bem, é pouco mais negra do que branca. o que é engraçado é que para algumas coisas, basta ser-se um bocadinho mais escuro, e é-se logo negro. para o bem ou para o mal, mas erradamente. neste para se poder fazer propaganda e dizer-se que se quebrou um grande tabu, quando na realidade não se quebrou tabu nenhum.

Afixado por: rui tavares em abril 2, 2004 02:25 AM

Pronto.Já vi que não responde. Vê lá se não te cai a Sónia Nobre em cima.

Afixado por: thirdbacus em abril 2, 2004 02:28 AM

Como dá para perceber o último comentário entrou atrasado. Bem, percebo-te, mas uma coisa é certa a Tais é negra, não é mulata nem mestiça(as atenuantes do costume, que variam de país para país, com cabritos e semis pelo meio). Atenção que tal como entre os brancos também existem cambiantes cromáticas entre negros(os etíopes são mais claros que os guineenses e não são mulatos por isso). Acho que há aí uma espécie de sintonia com o novo quadro político-social brasileiro, incluindo a introdução das quotas raciais nas universidades, digamos que necessário fazer também essa leitura, afinal as novelas no brasil também se alimentam muito do próprio fervilhar da sociedade. Creio que é um bom sinal se o restante quadro reformista continuar a progredir. Bem, acho que consegui parecer simpático ao falar do sistema social brasileiro. Nada mau.

Afixado por: thirdbacus em abril 2, 2004 02:48 AM

A telenovela chama-se Cor Do Pecado porque quer condenar a relação entre uma preta e um Branco. Essa é que é a verdadeira cor do pecado relações inter-raciais que só servem para perder a integridade racial de um povo, e misturar aquilo que não é misturável.

Afixado por: em abril 2, 2004 09:04 AM

A telenovela chama-se Cor Do Pecado porque quer condenar a relação entre uma preta e um Branco. Essa é que é a verdadeira cor do pecado relações inter-raciais que só servem para perder a integridade racial de um povo, e misturar aquilo que não é misturável.

Afixado por: em abril 2, 2004 09:05 AM

"a suposta lascívia pecaminosa dos negros"

Que os negros sejam muito lascivos, duvido (convivi com diversos negros na América, e não me pareceram nada lascivos). Mas que as culturas africanas são muito "pecaminosas", isso é um facto incontestável. É uma promiscuidade sexual brutal, não condenada pela cultura, pelo contrário, considerada perfeitamente normal. As mulheres dormem, literalmente, cada noite com um homem diferente, e dizem isso em público. Agora estão a pagar isso em preço de sida, o que é bem doloroso. Infelizmente, a cultura humana demora muito tempo a adaptar-se a novas condições externas.

Afixado por: Luís Lavoura em abril 2, 2004 10:05 AM

Alguém tem por aí um medidor de melanina?
E uma escala onde se possa comparar a quantidade da dita cuja, para então se poder rotular de preto, mulato e todos as restantes classificações?
E o que é a raça? Eu só conheço uma: a raça HUMANA, tudo o resto são variações fisionómicas.

Afixado por: racista em abril 2, 2004 12:32 PM

Luis Lavoura,

Pela boca morre o peixe, que eu saiba em África apesar de predominar provavelmente ainda uma matriz familiar matriarcal, predomina também o "culto" do machismo, ou seja, são os homens que fazem sexo com várias mulheres - a tal poligamia, em certos países até institucionalizada via casamentos - e não o contrário. Tudo o mais são mutações, variantes, prostituições, desestruturações. Portanto, era bom que situasse bem os casos de que fala para que a gente se pudesse entender. Porque eu também posso recordar um estudo recente segundo o qual cerca de 60% das portuguesas confessam-se infièis a maridos e namorados, e não concluo por isso que sejam promíscuas. Se me disser que a culturas africanas permitem-se mais sensualidade perfeitamente de acordo, aliás a ideia de pecado é uma 'invenção' judaico-cristã. Claro que essa maior 'liberdade' física tem consequências quando falamos do drama da Sida(o importante é que pelo menos em páises como o Uganda tem-se feito um excelente trabalho de prevenção que pode servir de modelo ao resto do continente), e depois há o outro lado - por controlarem menos a maternidade as africanas correm muito menor risco de contraírem o cancro da mama, que como e sabido é directamente proporcional ao número de menstruações ao longo da vida. Ou seja, quanto mais menstruações maior o risco de cancro(corrijam-me se estiver errado). Portanto, cada cultura as suas desvantagens e desvantagens. O importante é a ientificação dos problemas e a sua resolução. E sobretudo solidariedade.

Afixado por: thirdbacus em abril 2, 2004 02:14 PM

Zé,
Bela misturada que leva aí na cabecinha.Melhor se fosses daltónico.

Afixado por: thirdbacus em abril 2, 2004 02:20 PM

Luis Lavoura,

No abaixo citado pedaço do meu comentário anterior substituo "cada cultura" por "cada realidade", por uma questão de rigor.

« Portanto, cada cultura as suas desvantagens e desvantagens. O importante é a ientificação dos problemas e a sua resolução. E sobretudo solidariedade.»

Afixado por: thirdbacus em abril 2, 2004 02:54 PM

"era bom que situasse bem os casos de que fala para que a gente se pudesse entender" (thirdbacus)

Eu nunca fui a África. Mas conheço pessoas que foram. Um amigo meu viveu muitos anos na Guiné-Bissau. A minha mulher passou lá umas férias razoavelmente extensas. Um colega trabalhou um ano na África do Sul. Todas essas três pessoas falaram-me, independentemente, da dramática promiscuidade dos africanos E africanas. Não apenas deles, mas também delas (na Guiné). A minha mulher contou-me de ouvir mulheres a falar, com toda a naturalidade, dos diversos homens com quem tinham dormido e iriam dormir ao longo da semana.

Concordo que o importante é a identificação dos problemas e a sua resolução. Por isso estou a procurar identificar uma das razões pelas quais a SIDA se espalhou em África como em mais nenhum sítio, e como desde o princípio teve nesse continente tantas mulheres infetadas como homens.

Se @ thirdbacus tem uma experiencia diferente de África, que a conte. Eu não tenho experiência nenhuma, falo do que ouvi dizer a pessoas que, repito, viveram muito tempo em África - e que, por sinal, têm todas elas muito boas recordações dela.

Afixado por: Luís Lavoura em abril 2, 2004 02:55 PM

Luis Lavoura,

Como facilmente entenderá, e já o disse, em África existe um maior desprendimento com as coisas do corpo, mas também não há cinemas, televisão, parques de diversão, empregos, etc. Como disse uma vez(vi na RTP) um velho português radicado há muitos anos em Cabo-Verde, pai de, se bem me lembro, 12 ou 14 filhos - a gente aqui não tem mais nada para fazer... Portanto, das histórias africanas que me contaram retira-se que para além das propícias condições climáticas, o resto e a pobreza levam a que facilmente o alcool e o sexo se imponham, nem que seja como forma de escape ou 'resitência'. Mas também lhe digo que poderia contar-lhe muitas histórias diferentes das suas, sem me sentir movido por intuitos moralistas. Só acho perigosa uma certa caricaturização(ela sim, pecaminosa) das coisas. Quanto ao resto essa liberdade de corpo existe em África, e são cada vez mais os ocidentais, portuguese(a)s incluído(a)s, que vão àquelas paragens em busca de «vitaminas» reconfortantes.

Entretanto, só uma dúvida. Quando diz:

«(...)a SIDA se espalhou em África como em mais nenhum sítio, e como desde o princípio teve nesse continente tantas mulheres infetadas como homens.»

Estará a dar indirectamente um puxão de orelhas aos homossexuais ocidentais?

Afixado por: thirdbacus em abril 2, 2004 03:21 PM

Parece-me que o comentário do Zé pode fazer todo o sentido. Não conheço a novela. De qualquer forma, se o thirdbacus espera respostas às suas sempre acutilantes questões era bom que não fosse tão 'agressivo'.

Quanto ao papel do negro no cinema americano ele é delicado. Se é moderadamente racista em filmes como por exemplo o "Arma Mortífera" ou "Die Hard" em que um negro faz sempre de muleta do heroi (Mel Gibson ou Bruce Willis) sempre bem comportado (casado, cauteloso etc. por oposição ao outro rebelde, divorciado, alcoólico), por outro temos os filmes do Tarantino como o Jackie Brown ou Pulp Fiction. Aliás, podem tentar tudo, nunca hão de ter a pinta de Samuel L. Jackson :) Penso que o Tarantino é muito bom nisto, porque é tudo menos politicamente correcto. A dupla Samuel L. Jackson e John Travolta foi das mais fantásticas nesse aspecto.
Mas o rei disso é o Spike Lee, provavelmente um dos melhores cineastas da actualidade.
A verdadeira sublimação de uma qualquer "minoria" não é ter papeis de heroi mas sim de anti-heroi. Por isso os filmes de Kusturika são geniais. Ou os filmes do Woody Allen.

Afixado por: O Bom Selvagem em abril 2, 2004 04:28 PM

Eu é que já não percebo nada. No outro dia, fartaram-se de bater no João César das Neves, por advogar a castidade das mulheres. Hoje, fartam-se de malhar nas africanas por não quererem saber da castidade para nada.
Então, em que ficamos?
Ou será que isto "tem dias"?

Afixado por: maria em abril 2, 2004 04:41 PM

Bom Selvagem,

Não sou 'agressivo', quando muito sou reactivo.Não sei isso tem a ver com os propalados brandos costumes, mas faz-me confusão a forma relaxada como se dizem banalidades por aí, blogosfera incluida. Bom Selvagem, se achas que a afirmação do Zé faz sentido, só o posso entender no sentido em que a frase revela nexo gramatical. Quanto ao resto, cada um é livre de se misturar ou não, mas que não se ponha para aí com lições moralizantes e 'messianices'. Se o Zé não tiver mais o que fazer, olha que tente enfiar o dedo grande do pé na boca.

Vamos ao cinema. Pois, digo-te que andarás lá perto. A questão tem sido debatida no seio da comunidade afro-americana. Percebeu-se que o protagonismo só por si pode ser tão pernicioso como a ausência dele - recorde-se que à certa altura a comunidade italo-descendente nos EUA andava visivelmente farta do protagonismo do estereótipo Padrinho em Hollywood. Pede-se agora uma melhor gestão dos papéis, mais diversidade e mais qualidade de interpretação. E naturalmente, maior autonomia na produção.

Afixado por: thirdbacus em abril 2, 2004 04:56 PM

Ò Maria,

Você parece que ficou zonsa com tanta 'lascívia' no ar.:))))

Afixado por: thirdbacus em abril 2, 2004 05:06 PM

Thirdbacus,
você se calhar tem razão.
É que nisto de lascívias, parece que os comentadores do Barnabé não têm consistência nenhuma. Se é pouca (tipo JCN) nunca mais se calam. Se é muita (género: africanas do seu imaginário) é também uma chinfrineira.
Pelo que eu sou levada a concluir, já que ninguém me esclarece, que os simpáticos comentadores cá do blog são sobretudo adeptos duma sensata "via do meio". Se assim for, só lhes fica bem. Há coisas que nem de mais, nem de menos, como o sal na comida.

Afixado por: maria em abril 2, 2004 05:20 PM

Ora, e a Maria tem toda a razão:))))

A «via do meio», a via verde, a via ecológica, a via da virtude. :)))

Afixado por: thirdbacus em abril 2, 2004 05:27 PM

Só duas achegas. O tema em debate, num contexto brasileiro, já foi objecto de um documentário que deu no GNT pouco depois do Natal. Se repetirem, estejam atentos. No Brasil, chegou a haver brancos a fazerem de negros, numa telenovela nos anos 60 ou 70.
Por que será que a mais mediática das telenovelas, e o programa mais comercializado da televisão mundial, a "Escrava Isaura", é sobre uma escrava BRANCA? O público não teria a mesma compaixão por uma negra?

Afixado por: Filipe Moura em abril 3, 2004 02:08 AM

Caros colegas,
Permitam-me intrometer na discussão...
Sempre tive a impressão que a sociedade brasileira estava há mil anos luz daquela patética hiprocrisia vigente nos Estados Unidos...
Ledo engano. Somos todos farinha do mesmo saco neste planetinha tão ínfimo...
Estamos a todo momento querendo rotular, qualificar, discriminar as pessoas seja pelo sexo, pela religião ou pela cor da pele, esquecendo que todos somos simplesmente "pessoas"...
Aqui no Brasil, as leis tentam a todo custo promover um equilíbrio no que acham existir um abismo entre as oportunidades entre negros e brancos... Chegaram até mesmo a instituir um maior número de cotas para o ingresso de negros nas universidades. Isto, sim, é que é racismo formalizado, institucionalizado: agora são os brancos que estão sendo oficialmente discriminados...
Tudo isso soa patético, tanto quanto o alarde em torno de uma telenovela em que se tem, pela primeira vez, uma negra como protagonista...
Muito melhor seria que enaltecessem o talento do ator/atriz, no lugar de fincar-se em um aspecto de tão pouca importância...
A propósito, a novela é boa. Vale a pena acompanhar...

Afixado por: Davi Lucena em abril 3, 2004 04:30 PM

Caro David Lucena,

"Deixe isso pra lá" já canta a Elza Soares(?), refiro-me claro a esta epécie de desculpa de mau pagador. Também tem acontecido muito nos últimos outra táctica anti-quotas que é esta : então vocês negros não acham ridículo entrarem na universidade só [atenção ao só] porque são negros? Como se os negros tivessem que sentir-se envergonhados por isso. Muitos brancos brasileiros só se lembram que não existem "raças" quando sentem os seus privilégios serem atacados, é este o problema. Será que alguma vez abriram portas aos "outros"? Terão dado iguais oportunidades? Hipocrisia por hipocrisia que venha a que beneficia também os «deserdados crónicos». O David Lucena tem a coragem de dizer que nos EUA o sistema de quotas não resultou? Acho que não. O que se passa nos EUA é que chegou-se ao ponto em que passou a fazer sentido efectuar correcções ao modelo. O David Lucena encontra outra solução para o Brasil? Ou será que prefere continuar a cantar o chorinho de sempre? O tal do somos todos irmãos, mas desde que eles fiquem na favela. Conto-lhe só uma historiazinha(absolutamente inadmissível no século 21). Um conhecido meu, negro, actor, lisboeta, foi fazer umas rodagens para um filme no Brasil, e aconteceu que quando ia a entrar no hotel, o porteiro disse-lhe automaticamente que tinha que entrar pelas traseiras. Fantástico, não acha? A mesma pessoa combinou com o pessoal do filme que iam jantar, e depois percebeu que o pessoal queria ir jantar num "buteco" simpático. Ele estranhou a coisa e perguntou se não se podia ir jnatar num bom restaurante. E o pessoal torceu imediatamente o nariz antevendo problemas por ele ser negro - "etnia non grata" nos restaurantes cariocas e paulistas a não ser que seja um Pélé. Claro que o rapaz, fez mesmo questão de ir ao restaurante,e impôs lá muito respeitinho. Ou seja, o Brasil é um estado esclavagista a céu aberto em pleno século 21. É esta a verdade mais hedionda e imperdoável. De um apartheid mais vergonhoso que o da África do Sul porque não é declarado e é até "poetizado". E ainda acham alguns brancos brasileiros que estão a perder privilégios por causa das quotas universitárias. Tenham juízo!

Afixado por: thirdbacus em abril 3, 2004 06:55 PM

leia-se:
já cantava...

Afixado por: thirdbacus em abril 3, 2004 06:56 PM

No Brasil, se tem caracóis, alisa-se; se tem nariz redondinho, afina-se; se tem lábios leporinos, disfarça-os - pois o preconceito não se preocupa com matizes. Basta a pessoa não ter o fenótipo que caracteriza o povo europeu para ser discriminado.
"Da cor do pecado" é a primeira novela da Rede Globo de Televisão que tem uma protagonista NEGRA, sim. Vejamos de outra forma: primeira novela de protagonista "não-branca"; primeira novela de protagonista "nem-branca-nem-preta". O que acrescentaria?
Por favor! O Brasil precisa é resgatar a África que vem sendo marginalizada na nossa cultura. Me aceitar como negra mesmo consciente que sou 40% eurodescendente é fato que pode ser entendido como uma posição política. Minha avó dizia que "passou das seis da tarde é noite". Ingenuidade demais? É justamente esta a linha que divide o Brasil. E é ela que combatemos. Para quê traçar tantas outras?
Peço desculpas por ser tão breve, e estar respondendo tão atrasada. Encontrei essa página por acidente. Agradeço o espaço.
Luzia.
P.S.: só mais uma coisinha: a Globo não foi, não é e jamais será um espelho da realidade brasileira.

Afixado por: Luzia em maio 12, 2004 03:26 PM

Seu preconceito é tão latente quanto sua hipocrisia.......

Afixado por: Paulo Stanich em maio 27, 2004 04:34 PM
Comente esta entrada









Lembrar-me da sua informação pessoal?