março 20, 2005

O Iraque, dois anos depois

O segundo aniversário da guerra do Iraque passou praticamente despercebido entre nós. Se não fossem as imagens de manifestações ocorridas em algumas capitais europeias, quase não se daria pelo assunto.
Há, no entanto, uma excepção. A Audiência Portuguesa do Tribunal Mundial sobre o Iraque, iniciativa internacional inspirada no famoso “Tribunal Russell” criado em 1967 para “julgar” o envolvimento americano no Vietname. As suas sessões decorreram ontem e hoje, num auditório da Torre do Tombo, em Lisboa. Para mais informações sobre o sentido desta iniciativa, sua metodologia e participantes ver este site.
Aqueles que acompanham o Barnabé desde o início sabem qual é a minha posição perante a intervenção no Iraque: total discordância. No entanto, quando tomei conhecimento deste “tribunal de opinião pública”, em Novembro do ano passado, houve algo que me incomodou. Dias antes, a enfermeira britânica Margaret Hassan, funcionária de uma ONG e residente no Iraque há mais de trinta anos, tinha sido barbaramente assassinada por um grupo de “insurgentes” que depois fizeram questão de difundir na internet o vídeo da sua execução. A morte de Hassan foi apenas mais uma entre as muitas execuções que têm sido realizadas pelos grupos armados que se opõem à ocupação americana.
Por coincidência, o tribunal reúne-se em audiência numa altura em que vários regimes autocráticos do Médio Oriente (Egipto, Arábia Saudita) se sentem obrigados a dar alguns passos no sentido de uma abertura democrática, ou se verificam sinais encorajadores em relação a conflitos onde o impasse perdura há longas décadas (Palestina, Líbano).
É claro que a crueldade abjecta dos “insurgentes” iraquianos não deve servir de pretexto para aderirmos a retórica maniqueísta da administração Bush (“quem não está connosco, está contra nós”). Mas os críticos da guerra fariam mal em transformar a “resistência ao Império” na sua única proposta válida para o futuro do Iraque.
A guerra do Iraque foi um erro porque o seu custo humano dificilmente será redimido por um eventual desfecho feliz da actual transição iraquiana. Havia outros caminhos, porventura mais morosos e complexos, mas menos violentos e perigosos, que poderiam ter sido explorados para derrubar a tirania de Saddam.
Mas seria trágico - para os iraquianos, para a região e para o mundo - que os elementos empenhados na desestabilização do Iraque prevalecessem e ditassem a sua lei. Com todas as suas imperfeições, as eleições de Janeiro de 2005 não poderão senão ser saudadas pelos adeptos da democracia e dos direitos humanos. A força simbólica das imagens de mulheres iraquianas a exercerem o seu direito de voto, e do reconhecimento político das comunidades curda e xiita (historicamente oprimidas no Iraque), é um facto que não deverá ser menosprezado. É claro que os métodos democráticos podem ser usados para confiscar direitos e liberdades fundamentais e, inclusivamente, para suprimir a própria democracia. Mas lidar com essas incertezas é certamente preferível a um regime autocrático baseado num partido ou num ditador. Há um caminho de esperança que se abriu no Iraque em Janeiro e os países que manifestaram reservas em relação à intervenção devem acarinhá-lo.
Nesse sentido, é chocante ver como a “acusação” da Audiência portuguesa se apressa a contestar “o processo de democratização em curso” por considerá-lo “uma legitimação da ocupação” (Público, 19/1). É chocante porque traduz uma adesão infantil à lógica do “quanto pior melhor” e, ao mesmo tempo, revela uma tremenda insensibilidade relativamente às aspirações democráticas do iraquianos. E é uma posição estúpida porque demonstra não compreender uma realidade elementar: a maioria dos iraquianos está imensamente satisfeita por se ter visto livre de Saddam Hussein. Mas daí não resulta um especial sentimento de gratidão em relação aos americanos (com a possível excepção dos curdos iraquianos). Como bem explicam dois politólogos americanos (Marina Ottaway e Thomas Carothers, do Carnegie Endowment) num dos últimos números da Foreign Policy, as forças que mais poderão fazer pela democracia no Médio Oriente serão partidos islâmicos moderados (como o do primeiro-ministro Racep Erdogan na Turquia), que gozam de uma sólida implantação social. Nenhum deles se distingue pelo seu entusiasmo em relação aos EUA e ao “american way of life”. Aliás, um possível desenvolvimento irónico da política de Bush para o Médio Oriente poderá mesmo ser uma abertura democrática que a médio e longo prazo mine a primazia estratégica dos Estados Unidos na região (veja-se como o entusiasmo de Washington em relação à adesão da Turquia à UE tem esmorecido nos últimos meses…)
Por isso, o desejo de qualquer democrata em relação ao futuro do Iraque só poderá ser um: esperar que o processo constitucional em curso desemboque num compromisso aceitável no que toca à partilha do poder entre as três principais comunidades, por um lado, e a alguns direitos políticos e civis fundamentais, por outro lado. Depois, sim, é importante que a comunidade internacional e a opinião pública se empenhem em exigir que a força de ocupação respeite a vontade soberana do futuro governo iraquiano.

Publicado por pedrooliveira em
Comentários

o que quer que eu escrevesse aqui, em nada seria diferente das suas opiniões.Limito-me a assinar por baixo.

Afixado por: val em março 20, 2005 05:35 PM

Excelente.

Afixado por: Asulado em março 20, 2005 05:36 PM

Bom, que a situação anterior era má, estamos todos de acordo. Agora, apesar dumas eleições, que não foram livres nem com a participação divulgada, a situação está pior que antes e vem deixando um rasto de sangue e violência sem fim à vista. Os EUA e os aliados europeus incluindo os governos de Durão Barroso e Santana tem de ser julgados pelos vários crimes que cometeram, contra a ordem internacional. estrelinha ajuizada

Afixado por: vermelhofaial em março 20, 2005 05:55 PM

Excelente post, Pedro. Muito oportuno e certeiro. Também a mim me confrangeu e entristeceu ver na televisão aquele tribunal internacional sobre o Iraque. Uma palhaçada sem sentido nem oportunidade.

Afixado por: Luís Lavoura em março 20, 2005 06:22 PM

Muito bom comentário. De facto, a guerra foi um erro grave, para mais ancorada em premissas falsas que agora tendem a ser desvalorizadas. Mas já que se efectuou, então que se aproveite a oportunidade para tornar o país num estado, se não totalmente democrático, ao menos aproximado de um regime onde os cidadãos tenham apalavra e q em que os direitos Humanos seja, respeitados - embora naquela região isso seja algo complicado.De resto, não percebo como é que se pode chamar "resistência" a um bando de psicopatas que não hesita em assassinar os seus conterrâneos.

Afixado por: João Pedro em março 20, 2005 06:30 PM

Na minha opinião, o grande problema desta ocupação é o unilateralismo. Acho extremamente positivo o derrube de um regime totalitário. Mas sempre que se escolhe implantar uma democracia e se ignoram outras ditaduras, as perguntas surgem com naturalidade.

Porque é que tiveram de usar a desculpa falsa das armas de destruição maciça, porque é que tiveram de escolher ocupar o Iraque precisamente na altura em que Saddam se prepara para negociar em Euros, porque é a Coreia do Norte não constitui uma das preocupações centrais dos E.U.A., porque é atiram "inocentemente" contra um hotel onde estão jornalistas não americanos, porque é que atacaram uma zona estratégica em termos de mercado petrolífero, porque é que a diplomacia tem de ser a "arma dos fracos".

Tanta pergunta que passa pela cabeça de um comum mortal e não passa pela cabeça da astuta e intelectual imprensa, é azar.

O unilateralismo e a grande vontade de implementar a democracia, levanta suspeitas, aliás a 11 de setembro de 73 no Chile mostra que nem sempre foram assim tão pró democracia.

Espero que este caso tenha um desfecho parcialmente feliz (sim, porque com o que já aconteceu não se pode dizer que seja um final completamente feliz), mas isso não vai, nem deve, apagar da memória a forma errada e unilateral que se utilizou para chegar a um fim democrático.

Afixado por: João Dias em março 20, 2005 07:08 PM

concordo com pedro oliveira, no entanto não deixo de pôr as questões leventadas pelo joão dias.

a onu não fez este ataque antes por alguma razão, haviam e ainda há possibilidades de traçar outro rumo dos acontecimentos.

penso que a primeira parte para acabar com a violencia é acabar com o factor de força ocupante.
tudo bem em ajudar os iraquianos a organizarem-se, mas dois anos, por forças que não pertencem à comunidade internacional??

por outro lado deve-se separar as águas na medida em que, a resistencia não é feita só por fundamentalistas islamicos, há dentro da resistencia pessoas que discordaram de uma forma ou de outra forma como foram feitas as coisas e com vão ser feitas.(por alguma razão alguns xiitas e sunitas uniram-se contra os aliados)

toda a gente sabe que os aliados tem tendencia a instalar toda a sua maquinaria economica no território, desta forma, pondo em causa a soberania do pais em relação aos seus recursos.

eu defendo que a reconstrução deve ser baseada na clógica de custo zero, na medida em que a comunidade internacional lhes dá, em troca de petroleo, equipamento para eles então poderem construir o seu proprio futuro como nação soberana.

os acordos com empresas, feitos por certos governos, antes da guerra sequer começar não devem ser válidos.

por outro lado compreendo a desconfiança perante as eleições, a história está cheia de governos "democraticamente eleitos". quem devia arbitrar esse processo devia ser a comunidade internacional e não os aliados.(e aqui ninguem está a por em causa as aspirações democraticas dos iraquianos)
leiam por favor:http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/2005/eleicoesnoiraque/principais_lideres.shtml

Afixado por: oscar pinto em março 20, 2005 08:18 PM

É, os "insurgentes" não deviam, apesar de tudo, permanecer revoltados, se não, sem memória nem carácter, em espírito cristão de páscoa, como faz PO, aceitar qualquer coisinha.

Afixado por: digeu em março 20, 2005 10:33 PM

Em grande. Você esteve em grande. O barabé está a virar ao centro, ou então era só fumaça quando eram todos tão cegos em relação ao Iraque e ao outro lado da questão. Parabéns.

Afixado por: Luís em março 20, 2005 10:56 PM

Caro Luís Lavoura,

"Também a mim me confrangeu e entristeceu ver na televisão aquele tribunal internacional sobre o Iraque. Uma palhaçada sem sentido nem oportunidade."

Então provavelmente também pensa que o Tribunal de Nuremberga foi uma palhaçada, que o Tribunal para julgar os crimes na Ex-Jugoslávia é uma palhaçada, que os EUA não deviam ter ido a tribunal responder pelos imensos crimes cometidos durante a guerra no Vietname, e que o tribunal Penal Internacional é também uma "palhaçada sem sentido nem oportunidade.". O Luís Lavoura provavelmente acha que os cidadãos não têm "competência" para fazer julgamentos, os quais devem ser deixados apenas a instituições "oficiais" e não devem "melindrar" as relações internacionais.... e que já agora os cidadãos também se deviam de abster de dar opiniões que outros mais respeitadores da ordem acham que são "palhaçadas"....

Afixado por: viana em março 20, 2005 11:00 PM

É bom ver que as pessoas e os seus mundos podem mudar para melhor(tanto em Portugal, à esquerda...e à direita, como no Iraque).
À parte o facto de George W. Bush não ser, nem de perto, o meu ideal de governante (nem de nada...) o que é certo é que parece que no Iraque, apesar dos pesares (leia-se insurgentes e vidas perdidas), as coisas estão lentamente a dirigir-se no bom caminho, o da liberdade e da democracia. A opinião internacional assim o aponta e a população iraquiana assim o demonstrou com os emblemáticos e mediáticos dedos cheios de tinta. Só espero que assim continue...

Afixado por: Rita Camilo em março 20, 2005 11:23 PM

Caro pedrooliveira,

"países que manifestaram reservas em relação à intervenção devem acarinhá-lo."

Há sim?... E o que quer isto dizer, que devem enviar tropas para o Iraque!?.. Votaria o pedrooliveira no envio de tropas portuguesas para o Iraque hoje?.... Vai-me dizer que acredita que hoje as tropas americanas são um factor de "estabilização" do Iraque?!... Como, quando uma parte significativa da resistência iraquiana (por exemplo, a que está ligada à Association of Muslim Scholars, a mais importante associação sunita) é simplesmente nacionalista (existe ainda outra essencialmente ferozmente anti-xiita, com ligações a Zarqawi) e o que pretende é a saída das tropas americanas, sem a qual se recusa a negociar com qualquer governo?... Aliás uma maioria de iraquianos quer a saída dos EUA do seu país, quanto mais rapidamente melhor. Por acaso o pedrooliveira sabe melhor do que os iraquianos o que é melhor para o Iraque?... Os EUA no Iraque são hoje uma força tão "estabilizadora" como o foram no Vietname.

Quanto ao "efeito" das eleições iraquianas nos vizinhos do Iraque aconselho a leitura deste artigo: The Democracy Lie.

Afixado por: viana em março 20, 2005 11:38 PM

Concordo.
Acho mesmo que depois de ser ter invadido o Iraque, o que obviamente foi um erro imperdoavel, se assumiu uma responsabilidade e não se pode abandonar aquele povo como se não tivesse acontecido nada.
Chocou-me um pouco o tal Tribunal e algumas manifestações que houve como aquela em que aparecia uma senhora a gritar alto e bom som para as câmaras de que era anti-americana!
Eu não sou anti-americano, sou anti-imperialista e, por acaso, até acho que o actual imperialismo europeu nos prejudica mais do que o americano...
Temos de combater o imperialismo, não os americanos!

Afixado por: O Raio em março 21, 2005 12:42 AM

Caro Pedro Oliveira, o seu post faz-me lembrar aquela da senhora que se foi queixar ao médico de que o marido estava convencido que era uma galinha e que, quando o médico lhe indicou um dia para trazer o marido para ser observado, retorquiu que nesse dia não podia ser porque era exactamente nesse dia que o marido costumava pôr os avos.
Não tenho que levantar a mão e jurar que não sou anti-americano para emitir opinião contra a guerra, basta-me afirmar que me repugnam os actos de terrorismo e que considero que as bombas caseiras, produzidas numa oficina clandestina qualquer, são tão estúpidas como aquelas que são produzidas pelas unidades industriais do complexo militar-industrial dos EUA. Todavia, apesar desta posição de princípio, sei distinguir qual o significado de umas e outras, apesar do jornalismo arregimentado.
Se me incomoda ver indivíduos de cara tapada, recitando o Corão e de cimitarra na mão prestes a degolar um desgraçado qualquer que se ofereceu para conduzir camiões a troco do pagamento da hipoteca da casa ou o que for, não deixa de me provocar também o mesmo sentimento ver os aviões a desalojar das cidades os terroristas que cometem actos tão vis.
Para mim a vida humana tem importância, em todas as latitudes, não apenas quando ainda tem cauda como pretendem alguns. Apesar disso, há algo importante que não posso esquecer no caso do camionista e dos terroristas (não tenho colocado aspas, não é para denegrir os insurgentes, resistentes, como lhes queiram chamar, é porque é essa a táctica que utilizam, o terrorismo) e não é despiciente: o camionista não pertence ali, os terroristas sim.
Em relação aos terroristas político-islâmicos (não falo dos bandidos, mas não é disso que a guerra fabrica acima de tudo?), em minha opinião é errado confundir a simpatia da sua “forma de luta” com a razão ou a falta dela que lhes assiste.
Não acredito em exportações de democracias, como não acreditei no desinteresse de levar o “socialismo” a outros povos. Não é nada de novo, nós próprios levámos o cristianismo aos selvagens e estes - lembra-se? – defendiam-se de formas pouco simpáticas quando os pretendíamos presentear com viagens para o Brasil.
Está bem, reconheço, “não sou anti-americano” mas torceria pelos índios.

Afixado por: Espectro em março 21, 2005 05:29 AM

Obrigado por nos ter recordado das cluster bombs,onde cai não mata um nem 2 nem 3,mas centenas de cada vez.Das munições de uranio,da Halliburton,da Bechtel e de um pouco de democracia ou lá o que for!Tal e qual como uma democracia da arábia saudita.Não sei pq é q chamam a isto,a esta 'coisa', do BE.

Afixado por: ezer em março 21, 2005 09:27 AM

Caro Pedro
Concordo totalmente contigo outra vez (e não sei se isso é mais preocupante para ti ou para mim). Ainda bem que no Barnabé há alguém com bom senso a escrever sobre política internacional. Ficamos todos a ganhar. Um abraço.

Afixado por: pedro picoito em março 21, 2005 11:20 AM

Quem foram os advodados de defesa?

Afixado por: peixe-azul em março 21, 2005 11:50 AM

Caro Luis e ezer vejam la se percebem que o Barnabe nao vira ao centro. O Pedro Oliveira esta aqui desde o inicio, e sempre teve as posicoes que tem agora.

O Barnabe e um espaco de esquerda, mas sem ortodoxias, e nunca foi controlado pelo Bloco, embora tenha pessoas que sao do Bloco ou que simpatizam com o Bloco. Esse e um mito que convem a muita direita que acha que a esquerda ou tem de ser bem comportada ou e do Bloco (como se isso fosse pecado...).

Concordo com o essencial do poste, caro Pedro, como sabes. Nunca tive ilusoes sobre as eventuais "ideias progressistas" dos guerrilheiros no Iraque. E sempre achei que nao fazia sentido estar contra as eleicoes no Iraque.

Em todo o caso e importante ter em conta duas coisas. Primeiro na maior parte das guerras de guerrilha em todo o lado e em todos os tempos existem este tipo de atrocidades. Desde a UPA em Angola em 1961 aos Viet Cong no Vietname passando pelo Stern Gang ou Irgun na Palestina, e claro pela nossa propria luta pela independencia contra os franceses a partir de 1808. A guerrilha ou o terrorismo sao uma forma de guerra psicologica, que trabalha com o medo. E espanto-me que tanta gente tao dura quando se trata de invadir um pais, como se isso nao causasse mortos, depois se transforma em donzela delicada quando se trata de enfrentar guerrilheiros. Em segundo lugar, ha sempre moderados e radicais neste grupos. E neste caso ha iraquianos e membros de Al-Qaida, e as atitudes para uns e para outros devem (tem) de ser diferentes. Afinal e muito raro conseguir-se acabar com uma guerrilha sem algum tipo de resposta politica, mesmo que sem um acordo directo.

Afixado por: bruno cardoso reis em março 21, 2005 01:09 PM

Eu também sou contra terem morto a sra e outros trabalhadores humanitários que existem no Iraque,que não os MERCENÁRIOS,'nossos'(glup)!
Aliás, só se forem muito estúpidos é que fazem tamanha besteira.E se matam uns aos outros,i.e.,sunitas contra xiitas.Isto ou está muito mal explicado ou cheira-me contra espionagem daquela do Golfo de Tonquin,não sei se me estou a fazer entender...não são os americanos entendidos nessa matéria?!
Acho-vos muito 'não me toques',sangue não, isso são porcarias quando toca aos revolucionários que têm de lutar com armas na mão como as FARC que tem de defender as suas vidas.Ah,já sei q vão falar da droga-argumento falso -pq os Citibanks lavam q se fartam neste estado de direito!Se tivessem esse dinheirão não haveria aviões militares no ar pq haveria dinheiro pra comprar mísseis Stinger.Ah,Hugo Chaves também é um ganda malandro.Honesto, é o Andrés Peres um grande corrupto democrata q'até come sardinhas na lata e,eu Ernesto

Afixado por: ezer em março 21, 2005 02:25 PM

bruno

o que me choca é tu teres um comportamento desculpabilizante para com quem deloga homesm e mulheres inocentes..que é o que o ultimo pa´ragrafo do teu post diz
quem são os guerilheiros moderados?????


e que regime defendem
mais que regime defendes tu para o irauqe

uma teocracia xiita???

ou o teu post so serve para criticar os eua?

mas, não deveria existir vida além dos EUA?

Afixado por: SS em março 21, 2005 02:35 PM

É mais uma vez com muito prazer que leio os artigos do Pedro Oliveira e me revejo em praticamente tudo o que diz.
No entanto não consigo deixar de dizer que os magros resultados democráticos não legitimam a intervenção americana e não é sem muito orgulho que me considero um "anti-D. George Bush II" primário.
Aliás qualquer regime republicano presidencialista e hereditário, quer seja sírio, norte-coreano ou americano me deixa muitas reservas... (Cheira demasiado a Monarquia Absolutista, que já teve o seu tempo e para o Sec. XXI, já não me serve...)

Afixado por: Budapeste em março 21, 2005 02:45 PM

‘…A guerra do Iraque foi um erro…’

Um erro? Foi um erro? Um errozinho, nada de especial… só custou, até agora, a vida a a vida a cerca de 200 000 civis iraquianos e a mais de um milhar de soldados americanos.

‘…havia outros caminhos….que poderiam ser explorados para derrubar a tirania de Saddam…’

Podia ser que houvesse, mas nenhum deles poderia, nunca, passar pela ingerência de uma potência estrangeira, nos assuntos internos de um país.

Pedro, sinceramente, dizer que ‘seria trágico que os elementos empenhados na desestabilização do Iraque prevalecessem e ditassem a sua lei’ é subverter completamente o que se está a passar e o que se passou até agora. Quem destabilizou? Quem invadiu um país soberano, quem bombardeou? Quem matou e continua a matar? Com que argumentos, com que intenções? Tudo isto para si, é para ‘’dar de barato’’ Pelo seu ponto de vista, os iraquianos foram invadidos e agora o que têm a fazer é aceitar, calmamente a ‘’democracia’’ que lhes foram impor à lei da bomba e agradecer aos invasores as benesses que lhes levaram. Os Americanos, ao invadirem o Iraque, são os principais responsáveis pelo clima de terror que agora se vive, são os responsáveis pelos bandos de criminosos que infestam o país. Ao quererem, pretensamente, combater o terrorismo, aquilo que fizeram foi criar o clima ideal para o nascimento de terroristas.
Dizer que, ‘com todas as suas imperfeições as eleições só podem ser saudadas pelos adeptos da Democracia e dos direitos humanos’ é, desculpe que lhe diga, uma enormidade. Deve andar distraído. Acredita, honestamente, que as eleições devem ser saudadas pelos democratas? Acredita, honestamente, que eleições que decorreram debaixo de bombardeamentos e atentados; eleições em que no dia anterior não se sabia quais eram os candidatos, nem onde eram as assembleias de voto, devem ser saudadas pelos democratas? eleições onde não houve, observadores internacionais e a verdade que lhe foi transmitida foi a verdade que as autoridades americanas lhe quiseram mostrar, devem ser saudadas pelos democratas? Meu caro, a sua defesa destas, ainda que ‘’imperfeitas eleições’’ só pode ter por base ingenuidade ou, pior ainda, desonestidade. Estas suas afirmações são dignas de um qualquer luís delgado ou pacheco pereira. Não estava à espera de ver estas coisas escritas no Barnabé.
É chocante ver, como de um documento extenso e bem fundamentado como o da Acusação elaborada pela Audiência Portuguesa do Tribunal Mundial sobre o Iraque, se retiram duas frases e com elas se constrói toda uma argumentação falaciosa e se considera estúpido e infantil todo um movimento que visa condenar de forma vigorosa uma invasão ilegítima, ilegal e criminosa, fundamentada em argumentos falsos, que destruiu completamente um país e que tem custado a vida a milhares de inocentes; que visa condenar uma guerra em que a utilização massiva de urânio empobrecido vai custar no futuro a vida a muitos mais milhares de inocentes não só no Iraque mas por todo o planeta.
Esta guerra abriu um precedente perigosíssimo, à margem do direito internacional. Na mira estão agora, a Síria e o Irão É bom que não o esqueçamos!
Maria da Graça Moreira

Afixado por: Graça Moreira em março 21, 2005 03:15 PM

Ola caros amigos,

O IMPÉRIO É ESTADUDINENSE

Aqui no Brasil observamos com muita apreensão tudo que nos chega de informações acerca dos acontecimentos sobre a expansão do Império.

Necessário se faz a tentativa de lembrar ao caros que alguns equívocos são cometidos quando nos referimos aos homens e mulheres da maior potência bélica do mundo, os E.U.A.n (Estados Unidos da América do Norte)

Ora, na Ásia, asiáticos, na África, africanos, na Europa, europeus e nas Américas?! É irritante saber que o mundo não reconhece que todos nós das Américas (norte, central, sul) somos também Americanos. Irrita mais ainda saber que a maioria esmagadora de nós Americanos não acreditamos que somos Americanos. Logo, quando a opinião pública internacional se refere às benesses ou malefícios causados pelos ESTADUDINENSES (denominação derivada de Estados Unidos, como brasileiros se derivam da palavra BRASIL, Cubanos, CUBA, etc e óbvio) nos atingem duplamente...PRIMEIRO: nos omitindo quando elogiam a América(o sonho da américa sempre foi associado apenas ao povo norte-americano-estadudinense) e..SEGUNDO: nos ferindo quando criticam, porque também somos AMERICANOS.(Todos os "americanos" respondem pelo crime estadudinense juntos?)

Há uma resistência nas Américas contra esta deturpação. Há uma resistência autêntica e AMERICANA.

Curiosamente esta distorção de nomenclatura é estratégica e está bem calculada nas planilhas de controle e manutenção do domínio e expansão da "Times New Roman".

Seguindo este mesmo princípio de controle através das "denominações deturpadas" impostas por um consenso tácito internacional, com a devida chancela dos países mais ricos e cobertura das grandes agências de informação, também denominam erroneamente: SOLDADOS em plena guerra de TERRORISTAS.

Ora, como podemos nos furtar a reflexão profunda de que esses insurgentes, esses revoltosos, esses "revolucionários", esses combatentes, esses sobreviventes, esses "kamikases", esses guerreiros, esses SOLDADOS.... estão em plena e franca GUERRA e morrem e matam pela sua própria LIBERDADE? Lutam, praticamente sozinhos contra a "dominação ocidental" liderados pelo bloco Anglo-estadunidense, os maiores predadores da história da humanidade?

Esses "orientais" são terroristas ou são soldados? O que vc faria se fosse com sua família? Como os amimais reagem? Como a natureza reage a agressão?!

Quando o Império e seus países-comparsas atingem "acidentalmente" -com seus arsenais de destruição em massa - inocentes em escolas e feiras dizem que isto é dano colateral, e toda imprensa mundial reforça a tese e ainda detalha que este "fenômeno" trata-se do bestial fogo amigo, então podemos também racionalizar que "degolas bárbaras" cometidas por homens e mulheres "psicotizados", desesperados em países devastados pelo "mundo ocidental civilizado com sede de óleo diesel" também é dano colateral.

Esta corrida energética não começou ontem. Há décadas o povo do oriente médio vira combustível e enchem os tanques e acendem as piras da "liberdade" do povo do primeiro mundo. A liberdade Aristocrática e Imperial para viver, matar e consumir cada vez mais, como um câncer que tudo destrói com fins de ocupar células saudáveis.

Estes denominados "terrorristas" estão sobre uma pressão psicológica gigantesca, porque tentam proteger seu povo, sua cultura, suas riquezas com paus e pedras.

A CIA se parece muito em atitudes e assassinatos aos Grupos denominados TERRORRISTAS, ou não? A única diferença é que os "assassinos pós-graduados" - agentes estadudinenses - são mais cruéis e covardes porque não entregam a vida pela causa, estão mais preocupados com o dinheiro fácil que ajuntarão para consumir e consumir ainda mais o seu lixo gorduroso e seu cinema mesquinho. Não precisamos aqui elencar as qualidade do povo norte americano (MÉXICO, ESTADOS UNIDOS, CANADÁ) Todo o globo sabe de sua beleza, mas ninguém quer saber da beleza do povo herdeiro do derradeiro manancial energético do mundo.

Estão preocupados de verdade com a liberdade e os ideais democráticos? Porque o "mundo civilizado" não tenta implantar a democracia na CHINA ou tenta desarmar as Coréias do Sul e do Norte?

O negócio é tirar os obstáculos mais fáceis da frente e ganhar tempo, sorver o "sangue negro dos Aiatolás" e continuar explorando mão de obra barata na África.

Não podemos esquecer que a cidadã Italiana foi entregue sã e salva pelos insurgentes, o terrorismo ficou por conta da "milícia" estadudinense quando atacou por revanchismo o carro que levada a jornalista matando e ferindo cidadãos europeus inocentes.

Quanto a palavra DEMOCRACIA, ideais DEMOCRÁTICOS, e toda essa pléiade de definições sobre esta forma política de estar no mundo também é um grande equívoco, já que apenas é emblemática e de forma concreta ela nunca existiu porque nunca foi respeitada a vontade dos homo sapiens sapiens.

Democracia não existiu nem na Grécia e nenhum outro lugar do mundo, o que existe e apenas um "regulamento" pretensioso que tenta impedir a destruição do humano pelo humano, um dia, daqui a alguns séculos aperfeiçoaremos esta tentativa e até a denominaremos de outra forma esta futura conquista.

DEMOCRACIA NUNCA EXISTIU!

Talvez alguns países europeus consiga chegar perto desta façanha, mas ainda pisando na cabeça de alguém pelo planeta a fora.

FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO X FUNDAMENTALISMO DO CAPITAL, alguém arrisca um palpite de quem mata mais?!

As virgens não estão no céu estão aqui na terra, pode ser uma cidadã iraquiana ou afegã, e o defloradores quem são?!! Os vencedores da GUERRA ou da OCUPAÇÃO?


Kipur, Al quae da Noite

Afixado por: Kipur Al quaeda da noite em março 21, 2005 04:03 PM

eu não tenho nada contra os americanos, mas as suas chefias deviam ser responsaveis pelas leis que infringiram quer no vietname quer no chile quer no iraque, caso contrario entra se na logica do quanto mais me mentes mais eu gosto de ti. este raciocinio viu-se na casa branca em que uma senhora mentiu a tudo e a todos e em vez de ser penalizada subiu na hierarquia.
como é que é possivel que o pessoal de direita que é tão virado para a responsabilização de tudo e de todos neste caso faz-se de cego e não vê ou não quer ver as coisas como elas são.
julgamentos claro processos claro eles foram contra as regras e não me venham com a imagem criada por alguns do bom rebelde que os safa, o direito internacional existe e tem de obedecer.

pergunta que fica no ar, porque será que eles não reconhecem o TPI?

Afixado por: oscar pinto em março 21, 2005 04:47 PM

Concordo com Graça Moreira.O texto de Pedro nao é certamente de alguem de esquerda.É de alguem do centro a resvalar para a direita.De facto,porque é que se está alvejar uma iniciativa que nao passa de simbólica,como O tribunal mundial sobre o Iraque?Nesta iniciativa estiveram pessoas de varios quadrantes,juristas e magistrados reputados.
Nao percebo tanto incomodo....

Afixado por: luis nascimento em março 21, 2005 06:14 PM

Kipur Al Quaeda da noite:

Subscrevo muitas das suas opiniões em relação à pseudo democracia, de que muitos se vangloriam. E também essa falsa noção de que o terrorismo é completamente diferente do terrorismo de estado.

Quando falamos da américa temos bem a noção de quem falamos, em termos linguísticos fazemo-lo de forma incorrecta. Assim, como às vezes, os Brasileiros dizem, na Europa isto e aquilo, e a Europa tb é muito diversificada. Sabemos onde fica o Brasil, sabemos que os imperialistas são os E.U.A. (esse é o nome original), sabemos que a América do Sul tem várias identidades. É um lapso de linguagem, não uma fossa cefálica.

E sabemos que a maioria do mundo estava contra esta guerra, e ela realizou-se, e se isso não é desrespeito à democracia, então eu não percebo muito de democracia.

P.S. Gostei muito da sua análise, esta é uma guerra em que a maior parte das pessoas devia sentir-se deslocada (eu pelo menos sinto), nem sou fundamentalista religioso (digo mais sou ateu)nem fundamentalista capitalista.

Afixado por: João Dias em março 21, 2005 06:55 PM

Acho abusivo chamar "tribunal" a esta iniciativa, quando já se sabe qual será o veredicto:)

Afixado por: Filipe em março 21, 2005 08:04 PM

Este 'tribunal' é uma anedota completa. Um Nuremberg virado de pernas para o ar. Em Nuremberg vimos os vencedores julgar os vencidos: aqui vemos os vencidos a julgar os vencedores. Enfim, sinais dos tempos.

De resto subscrevo a opinião do Filipe. E só por curiosidade, quem, neste 'tribunal' defendeu a posição norte-americana, inglesa, espanhola, portuguesa, etc, etc, etc?...

Afixado por: Pedro Oliveira em março 22, 2005 09:40 AM

preste atenção ao ler o artigo quem o ecreve.

isto não é uma questão de vencedores ou vencidos, e sejam uns ou outros a justiça é cega...e ainda bem que assim é.

Afixado por: oscar pinto em março 22, 2005 04:51 PM

os meus comentarios?

Afixado por: oscar pinto em março 22, 2005 05:14 PM

A justiça é cega, Oscar? Não me faças rir...

Afixado por: Pedro Oliveira em março 23, 2005 01:01 PM

não me diga que nunca ouviu falar?
a justiça é cega mas não é burra e muito menos ingenua, primeiro o que foi feito, foi meramente simbolico, se bem que teem razão nos pontos e nas criticas que fazem...

se é assim meu caro amigo, então se os nazis tivessem ganho estariamos nos a ser julgados a esta altura, segundo os seus ditames,...isso seria justiça?

agora outra coisa é tu achares que o direito internacional é uma amalgama de palavras sem sentido, pois eu não, podes achar que o que foi feito foi "benefico" sem questionar os metodos nem as razoes, pois eu não, podes achar que a onu é uma organização como outra qualquer do estilo nato (a qual eu sou contra), pois eu não.

uma coisa e ser-se realista outra idealista e outra, completamente diferente, é ser-se cinico.

nem tu nem ninguem pode justificar o que estão a fazer, e como acto de irracionalidade e brutalidade que é, deve haver responsaveis ou pelo menos assumir os erros (que não foram pequenos).
essa questão da defesa, então eles que se defendam, como se pode defender algo indefensavel?

tive a ver algumas coisas daqueles sitios que indicaste e não aponta nada de novo,só fala das coisas "boas" esconde o resto, tentam acabar com uma suposta teoria da conspiração com outra teoria.toda a gente sabe que existe censura por parte dos aliados em só passar a imagem que eles querem, e não é preciso abrir um jornal de esquerda ou sequer ler as acusações feitas por outros orgãos supostamente menos isentos, alguns meios de comunicação já mostraram o outro lado da questão, não se ficaram pelos comunicados de imprensa fornecidos, foram para o terreno.


Afixado por: oscar pinto em março 23, 2005 04:14 PM

Se a ocupação é ilegal e constitui uma guerra de agressão (por não configurar uma legítima defesa, única justificação admissível), então os que a combatem de armas na mão são freedom fighters, resistentes ou partisans. Certo ? Ou será que tais categorias só se aplicam a caucasianos cristãos ? Bush, Blair e todos os caniches bushistas são criminosos de guerra a julgar e enforcar num novo Nuremberga. Dura lex sed lex...

Afixado por: euroliberal em março 23, 2005 10:47 PM