MacGuffin (Contra a Corrente) está zangado porque quem criticou a guerra acha e diz que tinha razão. O crime: os factos dão-nos razão e nós recordamos isso. Conclusão: isto só pode querer dizer que estamos contentes com o rumo que as coisas estão a levar.
Não sei se acompanham o raciocínio: ele apoiou a ocupação, ele acreditou na existência das armas de destruição em massa, ele defendeu que a democracia se podia implantar à bomba, ele defendeu que isto era uma boa forma de combater o terrorismo. As coisas não aconteceram como ele esperava. De que em é a culpa? Nossa. Evidente, não é?
E melhor: tenta colar-nos às forças xiitas, as mesmas que, ainda há uns meses, eram aliadas dos ocupantes e para as quais nós, insensíveis, não tínhamos uma palavra de amizade perante a opressão de Saddam. Como viram, deste lado cabe tudo, desde que não preste.
Mais uma nota: já escrevi aqui, milhares de vezes, que para mim a culpa do que aconteceu em Madrid foi da Al Qaeda e contestei as distribuição de culpas para fora desta rede de organizações. Ao fingir que não, MacGuffin dá mais um exemplo de má-fé. Seja como for, comparar o que está a acontecer em Falluja com o que aconteceu em Madrid, isso sim, é que me parece de um relativismo moral insuportável.
Mas em todo o seu post, MacGuffin tem um pouco de razão numa coisa: «de todas as soluções de “estabilização”, o Daniel preferirá sempre, de longe, a retirada dos “mentirosos”». De rabinho entre as pernas». Duas correcções:
Primeira: não prefiro nem deixo de preferir. Acho que todas as soluções de “estabilização” passam pela retirada dos “mentirosos” e pela sua substituição por forças da ONU, que tenham mais olho na segurança dos iraquianos do que no dinheiro da reconstrução e do petróleo e que sejam vistas pelos iraquianos como forças de paz e não como força de ocupação.
Segunda: desde que se retirem, é me indiferente se os americanos se retiram com o rabo entre as pernas ou de cabeça bem erguida. Mas suponho que, na verdade, é só mesmo isso que preocupa MacGuffin: não perder face, quando tudo o que era seguro se revelou fantasia.
Publicado por danieloliveira em | TrackBackMas há com cada animal no mundo dos blogues! Estes tipos recusam-se a ver o que está esparramassado à frente dos seus olhos e para isso arranjam uns bodes expiatórios do mais incrível! Neste caso foi o barnabé. É que há tipos que não têm o mínimo de coluna vertebral! MacGuffin's e muitos outros! Parecem uns lambes cus dos norte americanos, mas será que não dão descanso a essa língua?
Afixado por: dias em abril 11, 2004 08:20 PMJuro que não estou a implicar mas tenho de dizer uma coisa: o tipo de letra dos títulos faz-me doer os olhos...não há manrira de querer mudar isso, não? É "imagem de marca"? Desculpa lá mas tinha de dizer isto: essa letra baralha-me o olhar!
WB
whiteball, o tipo de letra tem, provavelmente, a ver com o tipo letra que tu usas. Vai ao fim da coluna à direita e tens lá informação. Caso não dê, talvez o Rui te possa ajudar.
Afixado por: Daniel Oliveira em abril 11, 2004 08:53 PMPois, agora os que criticaram a intervenção é que têm adoptar uma postura de estado, equilibrada, responsável, equilibrada, de bom-senso, para exaltar ainda mais os ânimos. Ou seja, os que foram contra a guerra, devem calar-se e ajudar silenciosamente a limpar os detritos. Assim como a guarda silenciosa de Sadam.
Afixado por: thirdbacus em abril 11, 2004 09:30 PMPois, agora os que criticaram a intervenção é que têm adoptar uma postura de estado, equilibrada, responsável, equilibrada, de bom-senso, para não exaltar ainda mais os ânimos. Ou seja, os que foram contra a guerra, devem calar-se e ajudar silenciosamente a limpar os detritos. Assim como a guarda silenciosa de Sadam.
Afixado por: thirdbacus em abril 11, 2004 09:31 PMNem mais Daniel ... manda a lógica dos mentecaptos não saber assumir os seus erros e, mais grave ainda, atribuir a culpa aos outros pela sua incapacidade de mudar as coisas.
GIN
Afixado por: GIN em abril 11, 2004 10:52 PMOs Bushistas andam muito indignados com os "radicais" xiitas apoiantes de Sadr, que estão a estragar a pretensa transferência de "soberania" para os Iraquianos a 30 de Junho. Já estavam irritados com os "radicais" sunitas, que teimavam em não lançar flores sobre as tropas de ocupação. Por isso acham muito bem que se tente acabar (literalmente) com os todos esses "radicais". Afinal são uma minoria, o povo do Iraque está imensamente reconhecido ao ocupante... ou não? Quem não estaria reconhecido a qualquer exército que utiliza armas de destruição em massa no ataque a uma cidade: tanques; aviões de ataque ao solo; cluster bombs?... Leiam a crónica de alguém que esteve em Falluja e depois continuem a dar loas ao exército americano e depois durmam em paz se forem capazes... as mesmas tropas americanas que segundo oficiais do exército britânico consideram os Iraquianos como "untermenschen" a expressão que os Nazis utilizavam para descrever seres inferiores. Não acreditam? Então leiam este artigo publicado hoje no diário conservador inglês Daily Telegraph. Como é que acham que as tropas americanas conseguiriam dormir depois de matar mulheres e crianças se as considerassem seres humanos?... No Iraque como na Tchechénia e na Palestina, como antes no Vietnam, Afeganistão, Argélia e Angola das lutas anti-coloniais: o outro como não-humano.
Afixado por: viana em abril 11, 2004 10:57 PMOu inféis . Não esqueçamos todos os lados
Afixado por: fin em abril 11, 2004 11:10 PMMac Guffin? Será um heterónimo do Pacheco Pereira, ou do Zé Manel Fernandes, ou do..., ou do ...?
Afixado por: Vale de Soure em abril 11, 2004 11:36 PME ele não pede desculpa.
Vivemos em democracia, dizem-nos, se bem que haja quem faça sempre imensa questão de dizer «democracia liberal», seja lá o que isso for (alguns dos mesmos, não há muitos anos atrás, usavam o «democracia popular», e continuam a pensar e a agir exactamente do mesmo modo, apenas o sol passou, sabe-se lá como, a nascer a Ocidente).
Ora, em democracia, não essa «democracia uma coisa mais qualquer», há responsabilidade. E, neste caso, há responsáveis. Um pedido de desculpas, uma reforma rápida e expedita, seriam o minímo a esperar. Não seria suficiente para a guerra, para tanta morte e destruição, mas seria um princípio.
Depois, claro, é importante que o Iraque e os iraquianos (e, provável, e infelizmente, um dominó de outras regiões) não fiquem entregues a milícias de radicais fundamentalistas (outra vez, como antes, nos anos 50, 60 e 70, em vários países árabes). Como? Parece-me difícil, mas é-me ainda mais claro que nós, Ocidentais, não podemos deixar de agir com solidariedade (ou o número daqueles que nos odeiam, e que nunca nos viram ou falaram connosco, continuará a crescer).
«(...)e pela sua substituição por forças da ONU.»
Neste momento não haveria nada mais útil ao OE dos EUA. Para os iraquianos seria igual ao litro.
Afixado por: JoaoLuc em abril 12, 2004 03:20 PM