No Público de ontem encontra-se este texto de Maria Filomena Mónica sobre a investigação policial ao caso de Joana Cipriano, a menina desaparecida e presumivelmente assassinada em Portimão. Sobre o fundo do artigo, nada a dizer: Filomena Mónica tem toda a razão ao denunciar o trabalho pior do que feito com os pés (e o que há de pior que "feito com os pés"? feito com os tornozelos? com a barriga das pernas?) pelas polícias portuguesas. Mais razão além dessa tem quando recorda que a própria polícia decidiu coroar o seu mau trabalho com o espancamento da maior suspeita, e coroar esse espancamento com a velha história de que a presa "caiu das escadas abaixo". Um trabalho primoroso, ao mais alto nível daquilo de que as polícias portuguesas são capazes.
Portanto estava eu ali a ler um texto de Maria Filomena Mónica, a gostar de poder concordar com a colunista, e já preparado para o ritual momento de anglocentrismo que certamente não faltaria ali ao virar do parágrafo.
E não faltou, como é evidente.
Mas o que é extraordinário é a forma:
«Quem esteja habituado a ver filmes anglo-saxónicos, certamente notou a diferença entre o que se passa nos tribunais americanos e ingleses e nos portugueses. [...] Uma das minhas séries preferidas intitula-se The Prime Suspect. Produzida pela empresa de televisão Granada, tem na actriz Helen Mirren uma espantosa inspectora da polícia (o script, impecável, é da autoria de Lynda La Plante). Para além dos méritos artísticos do programa, demonstra a forma como, no Reino Unido, a maioria dos crimes são resolvidos, não por confissões, mas exactamente por análises laboratoriais.»
Ou seja, a realidade portuguesa fica a perder quando comparada com a ficção anglo-saxónica. Isto independentemente dos ghettos violentos de Londres ou Filadélfia também ficarem a perder com aquela simpática cena de pancadaria no Pátio das Cantigas.
Mas afinal porque tenho eu um problema com uma comparação destas? Não se está mesmo a ver que os anglo-saxónicos são melhores do que nós? Está sim senhor. E também se estava mesmo a ver que a mãe da miúda era culpada.
Publicado por ruitavares emE depois os jovens é que veem televisão a mais...
É como nos Estados Unidos, os miúdos vão para a escola matar os colegas porque jogam jogos de vídeo violentos (que obviamente não existem na Europa...que ideia).
Por esta lógica de sobreposição da realidade televisiva à realidade do dia a dia, eu posso afirmar que não percebo como é que a população do "primeiro mundo" está a ficar obesa, é que o que eu vejo nas séries televisivas são pessoas lindas e elegantes.
Afixado por: João Dias em março 31, 2005 02:25 AMComo se pode pedir aos putos que saibam distinguir entre os jogos de consola e a vida real,se a maria Filomena mónica faz comparações entre a realidade portuguesa e a ficção britânica.Ah , pois é, é nova e não pensa, ou será velha e pensa de mais?
Afixado por: JamesBrown em março 31, 2005 02:28 AMestou sem palavras...
e eu a pensar que o meu sobrinho via TV a mais...
Afixado por: oscar pinto em março 31, 2005 03:30 AMA ficção anglo-saxónica é *a* realidade, e quem disser o contrário é um reles anti-americanista primário ou mesmo secundário.
Afixado por: Ricardo Alves em março 31, 2005 09:23 AMRepararam que o importante da série são a actriz e a argumentista, transportando isso para a realidade portuguesa tivéssemos nós uma argumentista (ministra da justiça) e actrizes (inspectoras da judiciária) e tudo funcionaria muito melhor. Os homens está visto são bons para beberem cerveja, comerem tremoços e darem pancada nas suspeitas. Volta Celeste Cardona, está perdoada.
Afixado por: afonso salgueiro em março 31, 2005 09:36 AMEste post mostra apenas uma parte da realidade.
Depois entra na parte infeliz das comparações entre nações para demonstrar o indemonstrável.
Eles os civilizados, nós os cafajestes.
Com franqueza. Tanta ligeireza. Dá para desconfiar.
Será, isso, apenas para denegrir a nossa polícia?
Como é que se acredita na afirmação de uma criminosa e se desclassifica uma entidade prestigiada como a PJ?
Isto não é inocente.
Ontem era o pato donald que batia na GNR.
Hoje é o Tavares dos Pobres que bate na Polícia Judiciária.
Esperemos pelo amanhã para vermos qual o jornaleiro de serviço que vai bater na.... Logo se verá em que polícia.
Estes maBEcos escolheram a outra raia da justiça, nada a fazer, estão com os marginais da nossa sociedade.
Eles próprios fazem parte do grupo
O que a historiadora discorre ao longo da sua coluna não é invalidado pela comparação da realidade portuguesa com a ficção inglesa, mas fica a desnecessária mancha descredibilizadora. De acordo com a ficção portuguesa mais actual os casos policiais seriam resolvidos se as esquadras tivessem um inspector chamado Max!
A colunista têm o mérito de mostrar o nível de desespero e desorganização a que chegam alguns responsáveis pela investigação criminal em Portugal (ou será demérito da PJ?).
Felizmente não é sempre assim.
Afixado por: ZoomBang em março 31, 2005 12:16 PMpior seria a nossa (actual) ficçao ganhar
a realidade anglo-saxonica !
Mas que elucubraçoes da treta...!!!
Alguem leu ou ouviu algum especialista em medicina legal, comentar as justificações da policia?
Se sim, elucidem-me
Ana Catarina apoio o Bloco e não sou marginal ao contrário de muito boa gente de DIREITA.
O Barnabé é um blogue não é o porta-voz do Bloco.
Ou será que o Abrupto do Pacheco Pereira é o porta-voz do PSD ou o Acidental é o porta-voz do P.P.
Afixado por: a.pacheco em março 31, 2005 03:26 PMSou um marginal...confesso.
Mãos ao ar, isto é um assalto.
lololololol
Certas afirmações só podem ser encaradas com um sorriso. :)
Afixado por: João Dias em março 31, 2005 06:38 PMO que Mónica queria enfatizar, e tem razão nisso, é q em Portugal o sistema se baseia muito na confissão, enquanto nos países que citou se faz mais recurso à prova.
Afixado por: raiva em abril 1, 2005 12:12 AMSim, e tem toda a razão, mas o exemplo é que foi infeliz.
Afixado por: João Dias em abril 1, 2005 07:40 PM