O meu segundo texto no Expresso do fim-de-semana passado.
Primeiro foi a nomeação de John Bolton como embaixador dos Estados Unidos na ONU. «Se o edifício do secretariado da ONU perdesse dez andares não faria diferença nenhuma», ironizou. «Qualquer reforma deveria ser no sentido de considerar apenas um membro permanente: os EUA», defendeu. Ou seja, o homem certo no lugar certo.
Depois, foi Paul Wolfowitz para a Presidência do Banco Mundial. De forma pragmática, terá de trabalhar com governos de todo o Mundo e de toda a espécie. Estão a imaginar melhor para o lugar do que um dos principais arquitectos da aventura iraquiana? A política exportação dos “valores americanos” terá mais um valioso instrumento.
Era uma tradição: a Europa ficava com o FMI e os Estados Unidos com o Banco Mundial. Mas a tradição já não é o que era. Os EUA vetaram, em 2000, o nome europeu para a presidência do Fundo Monetário. Pode a Europa fazer o mesmo com Wolfowitz? Claro que não. No casamento transatlântico, já se sabe, estamos destinados a fazer o papel da esposa submissa.
Para nos salvar, uma nova teoria está em voga: tudo é o contrário do que parece. Reagan parecia burro e era brilhante. Roosevelt parecia ignorante e era intuitivo. Bush, que parece as duas coisas, só pode ser um génio. A mesma teoria se aplica a Wolfowitz: a escolha é boa porque ele é péssimo para o lugar. É o que se escreve em muita imprensa internacional. No Banco Mundial, um representante dos “neocons” será uma raposa num galinheiro. Excelente. Será ele a interceder pelas galinhas junto da alcateia. E, quem sabe, até se pode vir a transformar no mais dócil dos galináceos.
E estas são as escolhas George Bush para a Primavera-Verão de 2005. Era agora que ele se ia converter ao multilateralismo e aproximar-se da Europa, não era? Os sinais não podiam ser mais animadores.
Publicado por danieloliveira emExcelente, Daniel.
Este Tratado de Tordesilhas entre a Europa e os EUA para a partilha FMI/BM é uma coisa nojenta.
Afixado por: Luis Lavoura em março 31, 2005 06:35 PMNão sei porque é que é nojento. Afinal de contas são os Estados Unidos e a Europa que enchem os bolsos do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional. Parece natural que tenham a palavra final a dizer na administração e destino do seu dinheiro.
Afixado por: Pedro Oliveira em março 31, 2005 06:46 PMAndamos em crise de inspiração e produtividade.
Agora já é só "copy/paste" que os tempos não estão para mais.