
Não perca os próximos capítulos do debate sangrento de Nick Má-fé com o blogue Barnabé. Se não for mais logo, talvez amanhã ou depois.
Publicado por andrebelo em | TrackBack"Barnabé" – A TVI da blogosfera!
“Boa noite, eu sou o Daniel Oliveira e este é o Barnabé!”
É assim que, cada vez mais, eu encontro o Barnabé que, quando o comecei a ler, confesso, até era um blogue aceitável, parcial como se espera e como são todos, e todos têm de ser, mas bastante aceitável.
Antes de mais, tudo que eu vou dizer não tem absolutamente nada a ver com a ideologia assumida no Barnabé, nem tampouco com o partido que o escuda.
Não sou de esquerda, é um facto, não sei se serei de direita, é outro facto, tenho imensas dúvidas sobre tudo e sobre todos.
Acima de tudo, detesto a mediocridade e este mundo de arrivistas e videirinhos em que cada vez mais sobrevivemos.
Foi para ajudar a lutar contra isso que nasceu este blogue.
Ora, nesta perspectiva, sucede que hoje, e particularmente no que toca aos posts do Daniel, o Barnabé está inchado do mais ignóbil populismo demagógico. Como uma espécie de Paulo Portas ao espelho – só que ainda com mais recurso ao lugar comum, à ideia fácil, ao que soa bem, ao que é bom de ouvir, à descontextualização e à suprema intolerância.
Se um blogue tivesse pernas era vê-los de feira em feira a dar o beijinho da praxe à D. Bitória.
Cheios daquilo que, por cartilha lida e relida, eles mesmo tanto criticam.
E começa a ficar tão inchado que qualquer dia rebenta de tanta verdade.
Porque, sim, para quem não sabe, tivesse este blog-boy carro para rodar e o destino o levasse à Figueira, tínhamos PM – pois se ele nunca se engana e raramente tem dúvidas.
Continue a ler ""Barnabé" – A TVI da blogosfera!"
Publicado por Afixe em 05:00 PM | Comentários (20) | TrackBack (1)
Chama-se a isto o aperitivo - Há muito mais!
A cara do assassino (e ainda a propósito do “Barnabé”)
Dei por mim a pensar em autores morais e autores materiais do hediondo crime de ontem – o assassinato do italiano no Iraque.
Pensei no homem que empunhou a arma do crime e, mesmo sem a divisar, consegui ver-lhe a cara.
Vi a cara dos “adeptos da democratização universal à bomba”, na feliz expressão do editorial de ontem do DN.
A cara de quem nos arrastou a todos para esta destruição global.
A cara de quem imaginou ser possível colocar um Mc Donald’s no lugar da estátua que tombou.
A cara de quem pensou que a estátua tinha caído – a estátua não caiu, a estátua continua e continuará a cair, todos os dias, a todas as horas. E a cair em cima de muita gente.
A cara de quem festejou o inicio da queda da estátua.
A cara de quem fez a estátua começar a cair.
A cara duma marioneta.
Vi muitas caras.
Vi, ainda, a cara de quem nos impingiu a história das armas de destruição massiva.
E vi a cara de quem acreditou – sendo certo que, e isso é agora um facto, existem mesmo armas de destruição massiva no Iraque, mas de tipo diferente daquele que os crentes pensavam encontrar: vê-se a cada dia, vê-se todos os dias (a propósito, alguém se lembra do último dia em que não houve um homicídio no Iraque?)!
E o que mais me aborrece, o que mais me incomoda, o que mais me tortua a mente e me angustia, é que tudo começou com uma fraude.
Uma imensa fraude numa imensa democracia (imensa democracia, porque sita num, geograficamente falando, claro, enorme país).
E isso fez-me relembrar que a democracia pode ser um belíssimo instrumento de legitimação de ditadores.
Um perigoso instrumento que pode conduzir à legitimação pelo povo de uma ilegitimidade não legitimável pela moral que, essa sim, devia guiar os homens.
Fez-me lembrar o vazio em que pode acabar por se consubstanciar aquele meu post de ontem a propósito do Barnabé e a falta de netiquette que se lhe seguiu na respectiva caixa de comentários – da minha parte, inclusive.
Fez-me lembrar que, independentemente de mediocridades circunstanciais, e sem desdizer nada do que ontem ficou dito, seria bem mais importante ficarmos todos por cá, mesmo o José Manuel Fernandes, mesmo o Daniel Oliveira, e tentar, de alguma forma, acabar com esta insanidade colectiva que está a minar o mundo e a clamar por uma segunda arca de Noé.
Continue a ler "A cara do assassino (e ainda a propósito do “Barnabé”)"
Publicado por Afixe em 11:16 AM | Comentários (6) | TrackBack (1)
abril 15, 2004
ÍNDICE
Introdução 15
Capítulo I — A Sabotagem do Cunene 21
Carlos Coutinho 24
Gabriel Pedro 29
A captura do barco a remos 33
A Viagem 38
António Pedro Ferreira 40
A minagem do Cunene 42
Victor d’Almeida d’Eça 46
Observar o porto de Lisboa e imaginar o socialismo 48
Plano alterado à última hora 49
O Cunene nos jornais 52
Capítulo II — Passar à clandestinidade
Junho de 1964 61
Os anos sessenta 73
Esperas 76
Começo difícil 77
Rogério de Carvalho 77
Despedidas 80
Capítulo III — Três Acções simultâneas 85
Escola Técnica da PIDE/DGS 88
Cais da Fundição 91
Centro Cultural Americano 94
Capítulo IV — União Soviética e Cuba 99
Cunhal confunde Brejnev com o Sol da Terra 101
Francisco Miguel 105
Visitar Cuba de Cadillac 107
Condecorações: de Mikoyan a Gorbatchov 108
Capítulo V — ‑A sabotagem da Base Aérea de Tancos 111
Ângelo de Sousa 114
Jaime Serra 115
A chave falsa 120
Os roubos da gasolina 121
O Paiol Central 123
O plano avança 125
No Comando Central 127
O laboratório na Arruda 128
O Polícia ajuda-me nos explosivos 133
Interceptados pela Polícia de Choque 134
A Partida para Tancos 137
Os helicópteros ali mesmo à mão 141
Aproximam-se militares 143
Morrer de ansiedade em Santarém 145
O Relatório Oficial e… 147
… o nosso Comunicado 151
Sargento inocente preso e expulso das Forças Armadas 152
A Televisão Sueca quer fazer um programa .... 155
Capítulo VI — Prisões e Clandestinidade em auto-gestão
O Sr. Pires: uma cruz pior que a minha 164
Cassiano Bessa 166
Morais 168
Leonel 169
Mário Reis 170
A PIDE vai prender um clandestino da FAP e... 171
A primeira «acção especial»…falhada 173
Os primeiros passos e a vaga de prisões 178
Esconder um clandestino 179
Mário Lino 180
Ângelo Veloso 183
Pausa e curso no Konsomol 185
Capítulo VII — O Corte das Telecomunicações 187
Conselho do Atlântico Norte 192
Alberto Serra 193
A Central de Telecomunicações 193
O Corte dos Cabos 195
Cortar ou não cortar a electricidade 200
Ramiro Morgado 203
Capítulo VIII — Recomeçar 211
Falsa partida para as acções armadas 214
Segundo curso em Cuba totalmente perdido 214
Casa clandestina ao lado do chefe da PIDE 216
Casamento com boda 217
Trabalho de formiga 218
Cunhal manda formar «especialistas» na União Soviética 220
Capítulo IX — Assalto ao Paiol 221
Manuel Policarpo Guerreiro 224
Amado Ventura da Silva 226
O Paiol 235
Capítulo X — Criar infra-estruturas 241
O Paiol Central 241
Galiza e Manuela 241
Nina e José Morais 243
A casa do Sobreiro 245
Capítulo XI — A sabotagem do Comiberlant 253
Observar o objectivo 256
Manuel Santos Guerreiro 258
O Grande Susto 262
Jorge Trigo de Sousa 264
A Operação 271
Capítulo XII — Consolidar a organização 277
Almendra 277
De Vale de Lobos para Alcabideche 279
Organizar: um trabalho de filigrana 283
Capítulo XIII — O Navio Muxima 285
Capítulo XIV —Últimos preparativos antes do início das operações
Credencial para Carlos Coutinho 309
Vendíamos» comunismo, um produto perigosíssimo 312
A chegada de Jaime Serra 313
Capítulo XV — A Operação Curto Circuito 315
Do New York Times à Tabanca de Tassilina 317
Operação fracassada 319
Contra o Presidente fantoche 321
Mário Abrantes 324
Ângelo de Sousa volta à clandestinidade 332
Capítulo XVI — A Grande Perseguição 337
A cabeça a prémio 339
Saber da morte do pai pelo jornal 341
«Mandato de busca e apreensão» a casa dos meus pais 342
A minha mãe decide interpelar a PIDE 344
Ver o Comité Central 345
Romeu 346
De revolucionário a bufo 347
Véspera de prisões 349
Ordem de prisão 353
A PIDE atrás do Eusébio 356
Prisão e… suicídio? 361
Encontro com Francisco Miguel 363
Paragem nas acções armadas 366
Epílogo
O 25 de Abril de 1974 371
Anexos
Organigrama da ARA 387
Notas biográficas 391
O contexto político da criação da ARA – Fita do tempo 401
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Dedicatória
Aos meus companheiros da ARA e a todos os que, afrontando perseguições, prisão ou a morte, combateram a ditadura fascista.
Introdução
No fim de 1964 parti para Moscovo e depois para Havana, com o Rogério de Carvalho, para frequentar um curso técnico-militar, na sequência da decisão do PCP de criar uma organização para desencadear acções armadas contra o regime fascista português. Tinha-nos sido atribuída a responsabilidade de dirigir o levantamento de tal organização e no âmbito da nossa missão estivemos com Álvaro Cunhal na capital soviética antes da nossa partida para Cuba.
Começou aqui um longo caminho, repleto de dificuldades e perigos, que culminou com a criação da Acção Revolucionária Armada, a ARA, cinco anos depois. Vagas de prisões atingiram ao longo dos anos militantes e quadros do Partido Comunista Português que, por contágio, anularam mais que uma vez muito do nosso trabalho. Das pessoas envolvidas desde início nesta actividade apenas duas chegaram à fase operacional iniciada em 1970, António Pedro Ferreira e eu. Os restantes ou foram presos, ou fugiram para o estrangeiro ou tiveram de ser postos de lado pelo receio de terem sido detectados pela PIDE. Outros houve ainda, que foram transferidos para as organizações do partido, por não estarem no sítio certo, ou pura e simplesmente desapareceram, assustados com os perigos.
A primeira vaga de prisões a criar-nos dificuldades ocorreu logo nos finais de 1965 e levou à cadeia o próprio Rogério de Carvalho. Eu escapei mas fiquei na clandestinidade nove meses sem conseguir restabelecer ligação à direcção do partido. Prossegui nesse período, com os poucos camaradas que restavam, o trabalho para pôr de pé a nossa organização, mas os diminutos recursos financeiros e o ambiente de pânico criado pela repressão tornaram-no muito difícil. As prisões criaram tais dificuldades nas organizações do Partido Comunista da região de Lisboa que após o restabelecimento dos meus contactos com a sua direcção, através de Ângelo Veloso, esta considerou necessário suspender o nosso trabalho durante algum tempo para que pudéssemos prosseguir em bases conspirativas mais seguras.
Fui então frequentar um curso político em Moscovo, de Outubro de 1966 a Junho de 1967 enquanto o PCP enviou a Cuba, para um segundo curso, mais alguns quadros recrutados na emigração, com vistas a reforçar o nosso trabalho no interior. Em Julho de 1967 retomei a actividade em Lisboa mas dos esperados e tão necessários quadros, nenhum chegou ao “teatro de operações”! Em 1968, com o fracasso na selecção de quadros do curso de sessenta e sete, é dada preparação técnica, agora na União Soviética, a outro grupo de quadros. Em Outubro de 1968, Francisco Miguel, um dos “alunos” do curso soviético, regressa à clandestinidade em Portugal e constituiu comigo um organismo de direcção, cuja ligação ao partido é assegurada por Joaquim Gomes, membro da sua Comissão Executiva, o órgão máximo no interior do país.
Em Junho de 1970, num momento em que já tínhamos dado passos decisivos nos recursos humanos e na criação de infra-estruturas logísticas chegou Jaime Serra que, com Francisco Miguel e comigo constituiu o comando central da ARA.
Os êxitos e os fracassos, que marcaram o percurso da organização até Outubro de 1970 quando iniciou a sua actividade com a sabotagem do navio Cunene fazem parte do conteúdo do livro. Ele mostrará que a ARA não é o resultado da intervenção providencial de nenhum dos seus dirigentes que chega, arregaça as mangas, cria a organização e desencadeia as acções armadas. Ele revelará que a ARA foi o resultado de um longo e perseverante trabalho de muitos homens e mulheres, que não se deixaram vencer pelas dificuldades nem pelo medo, num ambiente de feroz repressão policial. Alguns deles, aliás, ao serem presos, pagaram com torturas inauditas um elevado preço pela decisão de enfrentar a ditadura.
Neste livro deixo o testemunho de quem teve o privilégio, único, de participar na criação da ARA, na sua direcção e orientação, desde o início até à sua extinção, depois do 25 de Abril. Privilégio só possível por ter conseguido escapar à prisão durante os dez anos que passei na clandestinidade. E isso devo-o, em boa parte, àqueles que, como Rogério de Carvalho ou Ângelo Veloso, preferiram sofrer torturas e arriscar a vida a denunciar os companheiros à PIDE.
Os protagonistas da ARA, aqui evocados, tiveram evoluções políticas diferentes. Uns continuam militantes ou dirigentes do PCP, com posicionamentos eventualmente distintos relativamente às saídas do beco sem saída em que o partido parece estar, outros entraram em ruptura com ele e afastaram-se. Tendo abandonado o PCP libertei-me também do critério comunista de tirar ou meter no retrato da História, os actores caídos em desgraça ou ungidos pela graça do chefe do momento. Por isso procurei tratar todos por igual.
Seria estulta e vã a pretensão de que estes ou quaisquer testemunhos sejam o retrato fiel da realidade. No entanto procurei deixar com o máximo rigor que me foi possível o registo das acções armadas, os factos, as datas, os locais. O que se fez e como se fez. E também a identidade e o papel de quem nelas participou. Como eu as vi! De acordo com o meu falível e subjectivo critério!!
Para este trabalho foi muito importante o testemunho de um grande número de protagonistas ou seus familiares a quem vivamente agradeço, como o de Amado Ventura da Silva, António João Eusébio, António Lopes Ribeiro, António Pedro Ferreira, Cassiano Bessa, Carlos Coutinho, Edmundo Pedro, filho do Gabriel Pedro, falecido em 1972, de Fernanda Castro, mulher de Ângelo de Sousa, falecido em 1990, de Margarida Correia, mulher de Victor d’ Almeida d’Eça, falecido em 1999, de Jorge Trigo de Sousa, José Morais, Maria José Chaves e Diogo Veloso, respectivamente viuva e filho de Ângelo Veloso, Mário Lino, Mário Reis, Ramiro Morgado, e de outros que preferiram permanecer no anonimato. Também foi de grande valia o arquivo que guardo do período da clandestinidade, com recortes dos jornais, os comunicados, as fotografias, os esquemas, os relatórios técnicos, os materiais de agitação que fiz nos anos de clandestinidade. Decisivas, nalguns pormenores, foram as notas que registei nos anos que se seguiram à revolução, ainda sem um objectivo concreto, quando os contornos da grande aventura da clandestinidade estavam mais vivos na minha memória. Também me socorri dos arquivos da PIDE/DGS, na Torre do Tombo, para preencher lacunas ou precisar contornos.
O recurso à luta armada, mesmo com amplitude e formas restritas, era nos anos sessenta uma questão muito polémica no PCP. Por um lado Moscovo era contrário ao envolvimento dos partidos comunistas, particularmente na Europa, em lutas armadas. Ela poderia pôr em perigo o tácito entendimento das duas superpotências sobre as suas esferas de influência estabelecidas na conferência de Yalta quando estava à vista a vitória na 2ª Guerra Mundial. Por isso também Cunhal que obteve plenos poderes da direcção do PCP para tratar desta nova frente de luta no maior segredo, tratava a matéria de modo cauteloso.
Apesar da importância atribuída à nova frente de luta a linha estratégica para o derrubamento da ditadura continuava a ser a “luta de massas”. Às “acções especiais”, à ARA, era dado apenas o papel de estimular e potenciar aquela por isso os meios humanos e logísticos que o PCP lhe fornecia eram limitados. Mas as limitações resultantes da orientação política global eram agravadas pela “política de campanário” das organizações cujos responsáveis sonegavam os bons quadros quando recebiam directivas para fornecer alguns.
É a dupla condicionante da repressão policial e da restrição de meios, que explica as vicissitudes da criação da ARA e revela a muita perseverança que exigiu.
Apesar de grupos políticos radicais, particularmente maoistas, colocarem o apelo à luta armada no centro da sua propaganda nas décadas de sessenta e setenta a verdade é que isso nunca teve expressão prática com excepção de algumas acções da LUAR e as acções das Brigadas Revolucionárias que tiveram início um ano depois das da ARA. Isto revela como era fácil apelar às armas e como era difícil pegar nelas. Revela também que só para o fim dos anos sessenta e princípios de setenta estavam criadas condições favoráveis a esta nova forma de luta. Para isso contribuiu decisivamente o prolongamento e impasse da guerra colonial que agravou muito o isolamento do regime e permitiu até a preparação militar e psicológica da “mão de obra” necessária para as acções armadas.
O grande cisma no mundo comunista surgido no início da década de sessenta quando a China decidiu disputar a liderança à União Soviética fez surgir em todo o mundo dissidências nos partidos comunistas e aparecer facções pró-Pequim, em luta aguda contra as que eram pró-Moscovo, cada uma delas arrogando-se a posse exclusiva das tábuas da fé, o verdadeiro marxismo-leninismo. Pequim advogava como caminho para a revolução, por todo o lado, a luta armada e a guerrilha camponesa: “Que os campos cerquem as cidades!” Como consequência surgiram em Portugal os vários comunismos M-L e a pressão ideológica vinda destes e de outros sectores antifascistas no sentido da luta armada.
Em 1961 com o inicio da guerra colonial e o endurecimento da ditadura cresceu no PCP a corrente de opinião favorável à luta armada que encontrou menos obstáculos com a nova orientação resultante da retomada da direcção por Álvaro Cunhal após a fuga do Forte de Peniche, em Janeiro de 1960. Na vigorosa luta pela reconquista da liderança Cunhal causticou, no célebre documento “O Desvio de Direita” a anterior direcção e a sua “via pacífica” para o derrubamento do fascismo e fez triunfar a via da “insurreição popular armada”. Neste modelo imaginavam-se as coisas, na essência, à moda da revolução soviética de 1917 e nele não entravam obrigatoriamente as acções armadas do tipo das da ARA mas o novo quadro conceptual deixava de as impedir.
É neste contexto que Rogério de Carvalho, então um alto responsável do partido a controlar a organização de Lisboa do PCP e que, como eu, compartilhava a corrente de opinião favorável às acções armadas, me convidou e eu aceitei, em Junho de 1964, a passar à clandestinidade para com ele dar início ao levantamento da organização das “acções especiais”.
Controlada politicamente pelo PCP, a ARA era autónoma do ponto de vista orgânico e tanto quanto possível estanque da organização do partido, para evitar que as prisões neste atingissem aquela.
A ARA não era uma organização terrorista. O terrorismo conduziria, e justamente, a população a revoltar-se contra a ARA e não contra o regime como pretendíamos. Só aprovávamos as acções armadas se houvesse a garantia ou pelo menos uma grande probabilidade de não atingirem pessoas.
Com o fortalecimento paulatino da organização, em quadros e infra-estruturas, constituiu-se em 1970, com Jaime Serra, Francisco Miguel e comigo o Comando Central da ARA. Três anos depois, em Maio de 1973, a ARA suspendeu a sua actividade destacando-se entre as suas acções armadas algumas de grande envergadura e impacte político e militar, como a da Base Aérea de Tancos, em 8 de Março de 1971 em que atingimos 28 aviões e helicópteros dos quais 13 foram completamente destruídos.
Nos anos sessenta o descontentamento com o regime de Salazar era tal que muitos portugueses se dispuseram a arriscar a liberdade e a vida, para lutar pela Liberdade. E muitos também na esperança de “alcançar o céu”, o fim da exploração do Homem pelo Homem, uma Sociedade Nova, um Homem Novo!...
Independentemente do que cada um possa pensar da democracia que os comunistas lhes reservariam se conquistassem o poder é inegável que a ARA foi uma parcela da luta do Povo Português pela Liberdade que a revolução de 25 de Abril de 1974 concretizou.
Lisboa, 27 de Julho de 2000
Raimundo Narciso
Ainda não ouviste falar em links?!
Afixado por: Rui em abril 17, 2004 12:01 PMLII
Outras novas.
- Esta cabra da Ana Luísa Guerra teve a lata de me escrever a lamentar a sua, diz ela, injusta situação! – exclamou Filipa. Vê lá que matou à facada aquela amigalhaça, a Susana de Mello, e agora está a justificar-se!
-Que diz ela? – perguntou Alfredo, enquanto pesquisava o mapa das estradas.
- Diz que a gaja que ela matou era uma terrorista!
- Porquê?
- Por andar a foder com o pai dela!
- Terrorismo sexual? Ela fazia-lhe o quê?
- O habitual, as três modalidades, V.A.O., sabes o que significa ou não? Não me digas que nem sequer sabes o que andas a fazer? Quando te alimentas bem até fazes os trabalhos bem feitos!
- Claro que sei, só que a ordem deve O.V.A.!
- A assassina diz que fez um ataque preventivo. Ainda por cima diz que ficou com dores na mão direita do esforço que fez para dar as facadas à outra!
- Se fosse a tiro não tinha dado tanto trabalho!
- a melhor de todas é esta – acrescentou Filipa virando a página -, diz que que a morta quando estava viva tinha armas químicas para matar a mãe dela, como raticida «remédio» para o escaravelho da batata e herbicida!
Explica melhor.
Pões-te a olhar para o mapa como um analfabeto cartográfico e não ligas ao que eu digo. A chave do problema é que a mãe dela era muito tradicionalista e só praticava a modalidade V. com o pai dela, que ficou apaixonado pela trilogia!
- Afinal acabou por prejudicar o pai dela que andava numa boa!
-Escreveu aqui que não devia ser abrangida pelo Tribunal, que via estar imune ao Tribunal Para ajas Indelicadas, isto é, fora da alçada do TPGI.
- Este mapa é complicado.
- É o meu telemóvel que está a tocar. Dá-mo.
- Onde está? Não sei adivinhar, não acredito em bruxas.
- Procura bem.
- Já o encontrei, toma lá.
- E dizes que não acreditas em bruxaria, pois eu acredito, é o número da Ana Luísa Corte-Real.
- Atende antes que ela desligue.
- Olá minha querida, o Marquês das Oliveiras está em boa forma física?
Está óptimo.
- Quantas por dia?
- Melhor que o Alfredo!
- Estou a convidar-te para uma sessão especialíssima de swing. Traz o teu namorado que eu acho-o bem bom.
- Diz o local e a hora, que eu já tenho uma esferográfica na mão. Estou a apontar tudo em pormenor. Lá estaremos, um grande beijo.
Filipa ficou a contemplar a paisagem. Estavam junto a um lado de um caminho térreo, debaixo da copa de uma árvore, pois entre as nuvens brancas surgia potente o Sol, para a época. Do lado esquerdo do caminho viam-se dois arbustos e por detrás de um prado muito verde. Junto à primeira curva estavam trinta e quatro pinheiros muito finos e muito altos. Antes da folhagem via-se ao longe uma floresta e mais ao fundo o relevo lembrava os dentes de uma serra pintada de azul. Dali, a proximidade daqueles pinheiros fazia-os parecerem super-gigantescos. Não se viam habitações nem nenhuma pessoa. Ao fundo do prado havia uma lagoa ora prateada ora azulada, onde passeavam duas cegonhas. De repente um melro começou a saltitar e a pesquisar a terra com o seu bico amarelo.
- Filipinha eu gosto muito de ti gostava que me explicasses uma coisa muito delicada.
- Diz lá sem rodeios.
- Pronto por quais razões andas comigo?
- Por causa do Feiticeiro Aristides, ele disse-me que havia um feitiço para eu andar a fazer amor com um gajo que tivesse dois setes e não fosse barrigudo!
- Não estou a entender!
- E acrescentou que eu tinha de gostar dele. É o teu caso, não és barrigudo e medes um metro e setenta e sete centímetros.
- Agora já compreendo.
- Ih! Olha para o prado verde, está lá um veado com uns cornos tão bonitos! Está comer erva.
- Filipinha, se eu fosse casado contigo tinha uns cornos maiores que os daquele veado!
- Podes estar descansado, eu tenho uma amiga que está a preparar um doutoramento em Direito e deu-me uma fotocópia do Estatuto dos Cornos. Passa-me a minha bolsa.
- Toma lá.
- Encontrei, cá está – E.C., Art. 1º - Um homem só pode ter cornos se for casado.
- Ainda bem.
- É uma distinção exclusiva dos homens casados.
- Foi sempre o que eu pensei.
- Não tens nível para tão elevada distinção.
- Só mais uma pergunta, meu amor, não leves a mal, na tua família todos os teus ascendentes directos que eu conheço têm cabelo preto ou castanho-escuro e todos têm olhos escuros.
- Não precisas dizer mais nada, queres dizer que a minha mãe punha os cornos ao meu pai e nasci desses extras, não é?
- A tua mãe tem uma bela cabeleira negra e olhos castanhos muito escuros, o teu pai também tem cabelo preto e olhos escuros!
- O meu pai já me falou nisso, prefere que digam que ele é um grande cornudo a contar a verdade, que ele e a minha mãe me adoptaram, na Finlândia. A minha mãe é estéril e adoptaram-me em Äänekoski. Tens de jurar que não dizes a ninguém. Para mim eles são meus pais e pronto. Os meus pais biológicos morreram num acidente de automóvel, em parte devido a uma tempestade de neve.
- Eu juro, embora seja por vezes mentiroso agora estou a falar verdade. Palavra de mentiroso.
- Mudando de assunto, eu não gramo aquela cabra da Ana Luísa Guerra, eu só admito que uma mulher mate alguém se for violada, é a única situação em que eu admito!
- Outra vez o teu telemóvel, Filipinha. Pega lá.
- - Foi o Marquês das Oliveiras que recebeu há minutos um telefonema do Feiticeiro Aristides a dizer que temos de ir os quatro praticar swing no Rio dos Crocodilos na Tanzânia, caso contrário a Ana Luísa Corte-Real pode tornar-se uma segunda Ana Luísa e matar uma amiga à facada!
- Acho bem, podemos partir para África logo que o Marquês queira. Sabes o Marquês das Oliveiras não é nunca, jamais supersticioso...excepto às sextas-feiras. Numa sexta-feira 13 em vez de sair de carro meteu-se na cama e teve uma aparição!
- Quem foi?
- O fantasma da sogra do Feiticeiro Aristides dizendo-lhe que ia conhecer uma mulher que poderia ser vítima de um espírito de uma viva, de um espírito mutantehomónico! Ficou aterrorizado, e agora só lhe resta o contra-feitiço, através daquele ritual tão agradável em África. Temos de colaborar.
- Claro, sem dúvida!
- O Marquês das Oliveiras acha que o maior desafio de um homem é controlar o futuro!
Grandes e profundas dúvidas: julgava até agora que o J.Silva era o blog anti-direita. De há uns tempos para cá vejo que ele "entope" as *caixas de comentários* ( não foi apenas hoje ) com textos que, até para posts eram grandes demais, quanto mais para simples comentários. Donde me resta concluir que não tem blog nenhum e se aproveita deste espaço para dar a sua opinião. O.K. é legítimo dar opinião, mas POR FAVOR faça o seu bloguezinho e não atrapalhe esta coisa!!! E já agora um pedido, deixe de meter veneno acirrando 2 blogs que se podem bem entender entre si.
Afixado por: L.G. em abril 17, 2004 12:16 PMVocês é que pediram «os próximos capítulos do debate sangrento de Nick Má-fé com o blogue Barnabé. Se não for mais logo, talvez amanhã ou depois» - Eu entendo por NicK Má-fé uma metáfora não só para o AFixe, como também para mim e para todos os que criticam, fundamentadamente, o Barnabé. Não pdem pedir «debate sangrento», e depois não haver debete!!! - pediram tem que haver, por mim já começou, visto que eu entendo que a guerra não é só com o Afixe.
Afixado por: j.silva em abril 17, 2004 12:26 PMVocês pedem um debate «Arrepiante! Apaixonante! Assaltante!» - digamos um debate 'da pesada'. Foi por isso que procurei o único blog do PCP, a título individual do seu autor identificado, porque vocês desancam o PCP. Foram para a ficção em verso e eu para aficção em prosa! Aguentem o debate até ao fim - como dise Nick Má-Fé é entendido como uma METÁFORA A TODOS OS CRÍTICOS DO BARNABÉ - e não apaguem os comentários, porque eu não sou nazi!
Afixado por: j.silva em abril 17, 2004 12:41 PMwww.falatura.blogspot.com finalmente um novo blog que vem adicionar qqer coisa... sem presunção e com objectividade... vcs já se deviam era deixar dessas coisas, irra!
Afixado por: joao em abril 17, 2004 01:47 PMj.silva, tens uma vida bastante preenchida. :-]
Afixado por: J.Pateta em abril 17, 2004 02:36 PMOra que porra, hein?
Só me faltava esta.
Bernabé : um exemplo de liberdade de imprensa !
podessem os blogues à dideita dizer/fazer o mesmo !
Afixado por: zippiz em abril 17, 2004 05:39 PMConfesso que tenho um pouco de inveja dessas pessoas que têm todo o tempo do mundo...
Afixado por: Heroi do Silêncio em abril 17, 2004 06:35 PM