Estava eu a chegar ao Barnabé e, de repente, apercebo-me que entrei na porta errada. Interrompi a missa diária do Bruno. Quando acabares a homilia avisa-me. Já agora, Bruno, gostava que me explicasses donde tiraste a ideia que os ditadores precisavam de fazer um grande esforço para se darem bem com Karol Wojtila. Em que dia exactamente se deu a conversão de Augusto Pinochet?
Publicado por danieloliveira emFalou bem. Mas por uma questão de honestidade intelectual, porque não fala das críticas que o Papa Woytila fez ao regime ditatorial de extrema direita do Paraguay? Já para não falar, evidentemente, da sua oposição ao comunismo... mas talvez o estimado bloguista não veja os regimes de leste como ditatoriais.
Afixado por: Filipe Alves em abril 8, 2005 07:44 PMDaniel,
podes até ter razão mas e daí?
Eu não sou religioso, nem fundamentalista de qualquer tipo.
Frnacemente, estou-me nas tintas para essas coisas de Deuses e Demónios, ou de Espiritualidades.
Só para esclarecer desde já e não ser acusado de fundamentalismo religioso!
Para mim há o que se vê aqui neste planeta.
Aquilo que se pode ver e tocar.
O resto são histórias, que me são indiferentes como me é indiferente que outros nelas acreditem, desde que não me incomodem com as crenças deles eu não os tento "evangelizar" com as "crenças" minhas.
Desde que me deixem em paz.
O tipo acho que deixou em paz os não-religiosos e os religiosos não-católicos. Só por isso já lhe dou valor.
Pediu desculpa de muita porcaria que a Igreja fez no passado.
Ainda é melhor.
Acho que só por isso se deve dar valor e não ser cego a isso.
Como também não se pode ignorar coisas negativas como a questão dos preservativos (a mais importante a meu ver) e o que apontas da amizade com ditaduras...
É mau? Sim!
Sem dúvida.
Agora, eu vivo neste mundo e ao contrário de outros como tu (ao que me parece...) sei bem que a perfeição e a santidade não existem.
O tipo fez bem e fez mal.
Pode-se quantificar?
Acho que sim, pelo menos a olho e balancear.
E o que vejo é que globalmente foi bastante bom. Um líder religiosos velho, chefe de uma instituição antiquada quando morre e os senhores do mundo, políticos e religiosos ou não, quando todos correm a encostar-se ao caixão, significa que o tipo teve influência mundial e suponho que positiva, não?
Das duas uma, ou foi mundialmente positiva ou negativa.
E como acho que, por redução ao absurdo, não corriam ao enterro de Hitler (de quem a Igreja foi amiguinha, bláblá, uma boa merda, concordo, já sei disso...) se os seus restos mortais fossem encontrados, não são todos burros e pelo contrário, fugiriam do caixão a sete pés!
Acho que como aconteceu o contrário, foram ao funeral tentar aproveitar-se do carisma positivo dele, isso só pode significar alguma coisa de bom em relação ao morto...
Insistir que o tipo é muito feio, muito mau e cheio de pulgas (infectadas com a peste bubónica já agora!) porque é papa soa a rídiculo ou pior, a fundamentalismo anti-religioso...
Que é igualmente mau!!!
É ou não verdade?
Caraças, falando em ditadores fundamentalistas, até o Fidel foi a uma missa em honra dele!
Não sejamos fundamentalistas!
Não sejamos mais papistas que o papa!!!
:)
E as severas críticas às "invasões" tão do agrado de George Bush... Esse é o "lado branco" do pontificado de JPII...
Afixado por: Rui Martins em abril 8, 2005 08:11 PMde tudo o que já li sobre este pontificado, o homem umas vezes errou outras acertou, agora cada um o vê como quiser. a verdade é que é um assunto polemico e não é consensual.
não é uma questão de demonizar nem santificar...ele é homem e como todos os homens tem as suas contradições...
Afixado por: oscar pinto em abril 8, 2005 08:35 PMDaniel:
És bem vindo, principalmente se for para interromper a homilia.
Escrevam qualquer coisa que não tenha a ver com religião, é que já começa a cançar.
Por exemplo:
um indíviduo assassinou uma rapariga de 16 anos grávida de 6 meses. O autor do crime foi acusado de apenas um crime, parece que a lei do aborto já foi alterada. Tanta treta a dizer que as mulheres são assassinas e blá blá blá, para na altura em que se dá um verdadeiro assissínio, deixar o criminoso impune de um segundo crime. Coerência e justiça, são tudo palavras do dicionário (como diria o Tiago Dores do Gato Fedorento).
Ó Daniel não é preciso seres tão acrimonioso para com um co-blogger só porque ele não perfilha todas as tuas ideias. Diz mal do Papa à vontade, deixa que outros digam bem dele, depois vão beber um copo... Já agora: a Ilíada já está disponível em PRT? Gostava de ler o episódio do Cavalo de TRóia. ;-)
Afixado por: Francisco Curate em abril 8, 2005 09:03 PMBem dito Óscar Pinto!
Não é consensual e pronto!!
Que seca tanto fundamentalismo pró e anti religioso!!
Tanta religião no barnabé...
Escrevam agora durante umas semanas só de política, literatura, história, biografias, ciência, cultura etc...
Vamos lá, voltem ao antigamente!!
Não mais religião e moral, sim?
:)
RTPia ou RTCatólica os últimos 8 dias mostram para quem ainda tem dúvidas o controle que a Igreja Católica exerce no aparelho de Estado e nos organismos por ele dirigidos.
Não está em causa a importância do Papa ou o circo mediático que as televisões montaram para o seu funeral, está em causa uma estação de televisão de serviço público que deveria fazer do pluralismo a sua carta de alforria, ter-se transformado num mero porta-voz da Igreja Católica.
Durante 8 longos dias , de filmes a telejornais até debates só se falou no Papa e na Igreja Católica , Portugal e os seus graves problemas não existiram.
E os laicos deste país?...E os seus direitos tudo
deitado aolixo, ou se aceita este diktat religioso, esta deriva teocrática, ou ficamos a pregar no deserto.
Julgo mais do que nunca que o debate sobre a laicidade do Estado é de extrama urgência.
A Igreja Católica e os católicos têm de compreender que não são donos do País, nem que podem dispôr a seu belo prazer do aparelho do Estado, e os politicos têm de ser responsabilizados pela sua cobardia ou oportunismo em não se oporem a estado de coisas.
É a própria ideia de democracia que está em causa.
Temos de saber se queremos viver num Estado Laico e pluralista ou num estado Teocratico mesmo que com brandos costumes.
Afixado por: a.pacheco em abril 8, 2005 09:35 PMSuponho que as imagens do Papa com ditadores demonstram que eles se "davam bem" com o Karol Wojtila? Talvez. Mas devia fazer um esforço maior nos convencer.
Afixado por: caznocrat em abril 8, 2005 09:46 PMerrata:
"cançar" -> "cansar"
ai aia... meu deus!!! opsss, o que fui eu aqui dizer!!
Afixado por: Paulo em abril 8, 2005 10:36 PMO Daniel Oliveira ainda aguentou quase uma semana sem se atirar ao Papa! É obra. (Política, a quanto obrigas...)Uma semana a deixar que fosse a Ana Drago a fazer o trabalho sujo de dar condolências. Uma semana a remoer o Louçã e o Rosas no voto de pesar dos deputados. Uma semana quase a rebentar. Sossega, homem. Sua Santidade (ooops, a Ana Drago proibiu que se dissesse assim...)já foi a enterrar. A televisão volta a ser toda para vocês. Ao menos isso. Porque o Barnabé, que até foi buscar católicos como o Bruno mal tu viraste costas, parece estar perdido.
Afixado por: pedro picoito em abril 9, 2005 01:35 AMÓ Daniel, e uma fotozinha do Papa com o Fidel, pode ser? Talvez assim se perceba que as palavras foram bem mais importantes que a fotografia...
Podes ver aqui: http://www.msn.co.uk/pidl/60356244/popefidel1.jpg
Afixado por: Marujo em abril 9, 2005 01:59 PMParece que olhar para ambos os lados da moeda (o lado positivo e negativo do legado de João Paulo II) é desrespeito ou blasfémia.
A fúria revisionista Orwelliana que nos rodeia já enjoa.
No Diário Ateísta já vimos de tudo... As pessoas ficam mesmo revoltadas com certos factos incómodos...
Afixado por: João Vasco em abril 9, 2005 04:33 PMDaniel, o mestre-escola do dogma e magnânimo disciplinador.
Afixado por: Rui Carmo em abril 9, 2005 07:23 PMO problema não é «olhar para ambos os lados da moeda (o lado positivo e negativo do legado de João Paulo II)»: nem «desrespeito ou blasfémia», caro João Vasco. Aliás, muitos católicos o fazem, eu continuo a fazê-lo. Mas dizer que, no Diário Ateísta, se faz essa análise, é de chorar a rir! Mas não digo mais, não vá o João Vasco achar que estou a ser intolerante... Eles sim, no Diário Ateísta, são a imagem fiel da tolerância. E em cada católico há um torquemada, já o sabemos...
Afixado por: Marujo em abril 10, 2005 12:43 AME para o Daniel, deixo esta breve memória da passagem pela América Latina, de Ignacio Badal, da agência Reuters (a partir de Santiago do Chile) - análise completa em http://ar.news.yahoo.com/050402/21/gqth.html:
DEMOCRATA, AUNQUE ANTICOMUNISTA
La curia no es dada a admitir el trabajo subterráneo del Papa por la restauración de la democracia en América Latina, una región golpeada por dictaduras de izquierda y derecha que han azotado estas naciones durante buena parte de su pontificado.
Sin embargo, las palabras que usó Juan Pablo II en el mismo territorio de estos hombres fuertes daba cuenta de que su interés por el retorno a la libertad no se quedaba sólo en discursos.
"(El Papa) manifestó, con signos impresionantes y palabras de comprensión y apoyo, su cercanía a los más afligidos y exhortó a recuperar los valores de la democracia y a construir en base a la justicia y el respeto a los derechos de todos," dijo Errázuriz en su alocución al Celam.
Conocedores del Papa, como un ex médico personal y un biógrafo, citados por un historiador chileno, aseguran que un encuentro personal con Augusto Pinochet en su visita a Chile de 1987, Juan Pablo II lo instó a un pronto regreso a la democracia. Al año siguiente se sometió al plebiscito que lo sacó del poder.
Otro ejemplo ocurrió en Argentina, donde impulsó una rápida transición a la democracia con su visita en pleno conflicto de las Malvinas, cuando la derrota era clara.
Un mensaje similar llevó a Paraguay en 1988, un año antes que cayera el dictador Alfredo Stroessner a manos de otro golpe militar que paulatinamente reencaminó el país a la democracia.
A Uruguay llegó a respaldar la naciente democracia en 1987, aunque también perseguía otro fin: reimpulsar a una debilitada iglesia católica en un país de fuerte carga agnóstica.
Mal le fue, en todo caso, con sus gestiones contra los gobiernos izquierdistas, pese a su anticomunismo militante que evidenció en sus recientes memorias publicadas en Roma.
Nicaragua fue un ejemplo. Juan Pablo II llegó en 1983 con un discurso que atacaba directamente al gobierno sandinista de Daniel Ortega, que había derrocado al dictador derechista Anastasio Somoza.
"Intentó desestabilizar la revolución," opinó el ex ministro sandinista y sacerdote Ernesto Cardenal.
No obstante, Ortega se mantuvo en el poder en medio de la guerra civil tras ganar, un año después, los comicios presidenciales.
Y Cuba es aún una asignatura pendiente para el Papa. A pesar de su visita histórica en 1998, que al menos logró una pequeña apertura para la expresión religiosa de los católicos cubanos, no logró su objetivo principal, que era convencer al presidente de la isla caribeña de gobierno comunista, Fidel Castro, de democratizar su país.
Afixado por: Marujo em abril 10, 2005 01:12 AMDepois de uma agonia de dias e uma decadência física de meses, João Paulo II, o Papa mais anticomunista e reacionário que pisou a cúria vaticana desde os tempos de Pio XI, morreu. Depois de 28 anos de pontificado caracterizado por uma involução de todos os aspectos da vida eclesial, a figura de João Paulo II está sendo coberta com cor a púrpura do elogio e da adulação mais dissimulada. Uma campanha na qual os meios de comunicação rivalizam por fabricar uma biografia desmedida de um homem ao que somente os mais poderosos do planeta podem guardar gratidão. Os oprimidos, os explorados os marginalizados do mundo inteiro só colheram o despeito e os conselhos farisíacos do mandatário do Vaticano: “Vos salvarei do pecado, mas não da injustiça” foi sua máxima pontifical.
São dias de acentuada propaganda religiosa. Toda maquinaria de poder da Igreja Católica está funcionando a plena potencia, vertendo una avalanche de manipulação, distorção e envelhecimento da verdade que dá testemunho do importante papel que joga na engrenagem do sistema capitalista.
Há 150 anos, Marx explicou que a dominação da classe capitalista não se sustenta somente através do aparato repressivo do Estado. Isso se reserva especialmente para os momentos de enfrentamento aberto contra os trabalhadores. Entretanto, a burguesia, como as classes dominantes que a precederam, dispõe de todo um arsenal de coação e submissão sobre as classes oprimidas, em que os prejuízos, a ignorância e os mitos religiosos sempre jogarão um papel destacado. A Igreja Católica nunca abriu mão nesse sentido.
Financiada pelos capitalistas, nutriu de fundamento ideológico e justificação teológica a exploração do homem pelo homem. Sempre disposta a respaldar ativamente a burguesia em qualquer lugar do mundo contra os que ousado rebelar-se, a Igreja Católica constituiu a espada espiritual do capital.
João Paulo II foi um digno defensor desta tradição. Sua ascensão à máxima dignidade pontifícia foi uma estratégia planificada e dirigida militarmente pela Opus Dei. Desde seu acerbispado em Cracovia, Karol Wojtyla foi aliciado pela Obra e cortejado como conferencista em muitos seminários do Centro Romano. Corriam os primeiros anos da década de setenta o futuro Papa dava forma a seu perfil ideológico: a Igreja devia fundir-se com o Estado, atuando em todas as esferas da vida civil, sempre desde uma ótica ultra conservadora; em matéria teológica, abandono da abertura do Concilio Vaticano II e a volta ao tradicionalismo; máxima hierarquização e autoritarismo na vida interna da Igreja; rechaço dos direitos democráticos da mulher (divórcio, aborto); e por cima de tudo, uma visceral atitude anticomunista que o acompanharia até a tumba.
Karol Wojtyla, uma vez eleito Papa graças às boas artes do então arcebispo de Munich, Cardeal Ratzinger, tardou bem pouco em devolver o favor: a Opus Dei conquistou a cúpula eclesial colocando destacados peões a frente do governo do Vaticano. Todo ele se cristalizou na canonização de Monsenhor Escriva de Balaguer e a elevação da Opus a categoria de sua Plenitude pessoal, convertendo desta maneira a Obra em autêntico comitê executivo que governou a Igreja com mão firme, ainda que não eleita, nestes últimos 28 anos.
O coveiro do “comunismo”?
Se alguma coisa se destacou nestes dias de exaltação papal, foi a insistência da totalidade dos meios de comunicação, comentaristas e jornalistas, em atribuir a João Paulo II o papel de coveiro do “comunismo”. Assim parece que se escreve a historia, mentindo sobre o passado da forma mais descarada com objetivo de que a população não entenda nunca as tarefas do presente e do futuro.
A crise e o colapso da URSS e dos demais estados obreiros deformado-se no comunismo, foi o produto da incapacidade da burocracia estalinista para fazer avançar a sociedade nas linhas progressistas. A decadência econômica que se arrastava desde finais dos anos sessenta sofreu um agravamento decisivo a meados dos anos oitenta, com uma caída geral das condições de vida da população. A asfixia autoritária da burocracia não impediu que em muitos destes países, as massas se rebelassem espontaneamente demandando por melhorias sociais e direitos democráticos. Inclusive na Polônia, o movimento dos trabalhadores dos estaleiros de Gdansky e de outras localidades obreiras não tinham no seu inicio o caráter pró capitalista que posteriormente lhes foi atribuído.
Mas para a natureza o vazio é um incomodo, e diante a ausência de uma direção revolucionaria que orientasse aquela rebelião com o objetivo de restabelecer as autênticas condições da democracia obreira, toda uma corja de revanchistas e oportunistas, muitos deles saídos de seminários e com financiamento imperialista puderam candidatar-se a direção do movimento. Há que se dizer, em nome da honra e da verdade, que o processo de restauração do capitalismo muitos quadros dirigentes dos mal afamados “Partidos Comunistas” tiveram que dar uma mão.
Feito isto, a nova burguesia dos países do antigo bloco do Leste está muito nutrida por este tipo de indivíduos, que de forma confortável transitaram desde as filas dos PCs aos elegantes despachos das empresas multinacionais.
João Paulo II participou ativamente neste processo, amparado todo o apoio material e mediático que Ronald Reagan e Margaret Thatcher lhe puderam proporcionar. Graças a ele fortaleceu-se a propaganda anticomunista da Igreja e o poder terreno da mesma em toda a Europa do leste, atuando como um porta-voz muito útil em toda a ofensiva furiosa que a burguesia mundial firmou contra as edemas do socialismo do marxismo.
Contra a Teologia da Liberação, contra os pobres do mundo
Na sua atividade política e ideológica, sempre na gangue dos poderosos e dos imperialistas, João Paulo II combateu ferozmente aqueles setores da Igreja que reivindicavam uma ação enérgica contra a injustiça social e a explosão das classes. Os sectores mais avançados da Igreja, agrupados em torno da Teologia da Liberação, foram banco de castigo papal e da fúria inquisitorial do Cardeal Ratzinger, filho de um policial e acostumado a máxima perfeição da Congregação da Fé, herdeira do Santo Oficio e do Tribunal da Santa Inquisição.
Centenas de sacerdotes que viviam cotidianamente a penúria de milhões de deserdados foram condenados ao silencio e empurrados para fora da Igreja, como no caso do franciscano brasileiro Leonardo Boff
Por aquele tempo Carol Wojtyla atuou como um autêntico defensor dos interesses do imperialismo norte-americano na América Latina. Não tinha problemas em visitar e dar a comunhão a ditadores genocídas como Pinochet, isto ao mesmo tempo que na Nicarágua condenava a revolução sandinista por ser ateia, reaprendia ao ministro de cultura Ernesto Cardeal censurava as pastorais do bispo Salvadorenho Monsenhor Romero. Toda a oligarquia latino-americana, manchada com o sangue de gerações de oprimidos, chora a morte de João Paulo II. As razões são obvias.
Um Papa ao serviço da classe dominante
Se em algo se pode destacar o pontificado de João Paulo II foi pela fabricação de santos: nada menos que 474 até os finais de 2003. S Joana d Arc teve que esperar seiscentos aos para sua beatificação, Madre Teresa somente esperou seis.
Na ampliação do santorial e do martirolóco católico, João Paulo II não era inocente: se movia por firmes convicções morais e ideológicas. Wojtyla elevou aos altares como mártires 705 mortos do grupo fascista da guerra civil espanhola, algo a qual não se atreverão nem Pio XII, nem João XXIII, nem Paulo VI.
Nada que nos surpreenda de um homem que durante a ocupação nazista da Polônia se dedicou a exercer a vida de ator, muito longe das filas da resistência ou do martírio de milhões de judeus, e quem sempre gostou dos focos do prestígio social e da companhia dos hierálticos. Ao fim e ao cabo, dirigiu a Igreja como uma monarquia absoluta em que ele mesmo ocupava o vértice do poder.
Durante estes últimos dias temos assistido a um espetáculo sem paralelo. Todas as televisões do mundo, toda a imprensa escrita —incluindo a “séria”—, foram responsáveis por entulhar o seu pessoal com horas e horas de propaganda papal. Em algumas partes já se levantam vozes exigindo a beatificação do papa João Paulo II. Sem duvida, há alguma falha nesta montagem: as massas não enchem as ruas, se excetuarmos a Plaza de São Pedro em Roma. As imagens das vigílias foram mais pobres, pouco nutridas, e um tanto desiludidas, apesar de se ter organizado uma autêntica frente única entre a direita e a esquerda reformista de todo o mundo empreendendo esta campanha.
“Em um aposento da Plaza de São Pedro está sofrendo um dos grandes homens da historia da humanidade”, afirmava Um jornalista um dia antes da morte do Papa.
Nós, os trabalhadores com consciência de classe, que aspiramos ao paraíso na terra, que sofremos a exploração e o escárnio deste sistema desumano, contemplamos a morte do Papa com outro prisma bem diferente ao de nossos exploradores. Não podia ser de outra maneira.
"... está em causa uma estação de televisão de serviço público que deveria fazer do pluralismo a sua carta de alforria, ter-se transformado num mero porta-voz da Igreja Católica.
Durante 8 longos dias , de filmes a telejornais até debates só se falou no Papa e na Igreja Católica , Portugal e os seus graves problemas não existiram.
Julgo mais do que nunca que o debate sobre a laicidade do Estado é de extrama urgência.
A Igreja Católica e os católicos têm de compreender que não são donos do País, nem que podem dispôr a seu belo prazer do aparelho do Estado, e os politicos têm de ser responsabilizados pela sua cobardia ou oportunismo em não se oporem a estado de coisas..."
Essa é muito boa, muito mesmo!
Só falta dizer que os estúdios da RTP foram invadidos por Templários ou sequazes da Igreja Católica e obrigaram os chefes de redacção e direcção de informação a subjugarem-se à sua vontade!
Mas anda tudo doido?
Por acaso a importância dada à morte e exéquias papais não foi a mesma em todas as estações televisivas do mundo, independentemente se eram, ou não estatais, públicas ou privadas?
É engraçado que essas vozes só se levantem por ser o Papa, porque quando se trata do excesso de telenovelas ou programas pimba, mesmo na RTP, não vejo aqui tanto alarido!
Também o Bloco de Esquerda e outros arautos do referendo, apenas souberam falar nisso logo após os resultados eleitorais, também como se nºao ouvesse outras prioridades, também como se não ouvessem outros problemas no país a precisar de intervenção!
Inveja e intolerância é o que vos caracteriza, pois num país que gasta horas infindas de tempo televisivo em novelas e futebol e outros programas "pimba", vir agora mostrar incómodo por causa destes últimos dias sobre a morte do Papa, é mesmo caricato!
Mas, já agora, recordar os laicos fundamentalistas, que Portugal, apesra de tudo, é um país esmagadoramente católico, e que certamente que a televisão pública teve isso em atenção. Aliás tal como a RTP, todos os quadrantes sociais e políticos nacionais (exceptuando alguns, que nem isso são) e internacionais reconheceram a importância do acontecimento. Da mesma maneira os vários quadrantes e confissões religiosas (nos ofícios, orações e manifestações públicas de pesar).
Quem sois vós para agora virdes arrogar laicismo?
Os católicos mandam no país?
Foram os católicos que obrigaram Jorge Sampaio e a Assembleia da República?
Isto de querer impor minorias..................... propalando que a maioria é ditadora....................
Um tal pseudonimo Inglês vem dar-me toda a razão , não não foram as televisões de todo o mundo que se puseram de cócoras perante a Igreja Católica, veja o debate contra a TVE em Espanha os debates em França, não é por ser o Papa é o exagero.
O pluralismo a democracia é uma aprendizagem diária, a diferença entre aqueles que defendem a democracia o pluralismo e o respeito pela laicidade do Estado, e certos sectores do catolicismo, é que os laicos não travam qualquer a possibilidade de a Igreja realizar o seu Humus com toda a liberdade sem qualquer limitação, ao passo que os catolicos querem impõr a toda a sociedade uma só e única visão do mundo.
O Bloco de Esquerda é um partido plural tem católicos pessoas que se revindicam de outras religiões e laicos, e tenho a certeza que em vários aspectos há divergências, no que tenho a certeza que não há ,é na capacidade de aceitar opiniões diversas, e não tentar impôr como verdades e como principios indicutiveis meras questões de Fé.
A deriva TEOCRATICA neste país após 60 anos de fascismo em que a Igreja foi unha com carne com a ditadura, está de novo a avassalar a sociedade portuguesa , a oposição a ela é um sinal de sanidade mental de respeito da Constituição e dos principios pluralistas que são a razão de ser do Portugal do 25 de Abril.
caro william,
só quem não percebe como funcionam os meios de communicação é que diz uma asneira dessas, não tem nada a haver com o papa, tem a haver com o exagero e claro que este exagero está relacionado unica e exclusivamente com audiencias.
não é preciso ser-se um genio para chegar a este raciocinio e muito menos ateu ou laico.
Afixado por: oscar pinto em abril 10, 2005 05:27 PM