abril 08, 2005

Uma palavrinha de amor

O cardeal Bernard Law é o ex-arcebispo de Boston, cargo de que foi obrigado a demitir-se em 2003 devido ao escândalo de pedofilia daquela arquidiocese. É justo lembrar que neste caso 600 pessoas se disseram vítimas de abuso sexual por parte de alguns padres ao longo de várias dezenas de anos, o que levou a Igreja americana a pagar cerca de 90 milhões de dólares de indemnizações aos queixosos. Não havia propriamente queixas contra Bernard Law, mas tornou-se insustentável a sua manutenção no cargo quando se soube que ele nomeara alguns dos padres "abusadores" para outros cargos na hierarquia da igreja, tendo conhecimento das queixas que pendiam contra eles.

Não sabemos se a RTP, certamente por falta de meios, dado que só fez deslocar 17 pessoas para o Vaticano, fará nota desta notícia, mas a verdade é que Bernard Law, o próprio, será responsável pela terceira das nove missas fúnebres a realizar no Vaticano nos próximos nove dias, como manda o ritual. É importante ouvi-lo, haverá com certeza uma palavrinha de amor para João Paulo II e para todos os crentes do planeta.

Publicado por nunosousa em
Comentários

que mau gosto...

Afixado por: rui em abril 8, 2005 07:46 PM

Antes de mais, o Papa, o Cardeal Law e qualquer outro católico são homens como os outros. E como tal, cometem erros. Para concluir, custa assim tanto aceitar que a figura do Papa era tão importante para tanta gente? Pelo menos tentem esconder a "dor de cotovelo"... vê-se mesmo que estão incomodados. Até na morte o Papa Woytila venceu os que o criticavam!

Afixado por: Filipe Alves em abril 8, 2005 08:04 PM

Não foi este Papa que comentou criticou publicamente a atitude da hierarquia católica americana a propósito dos casos de pedofilia? Se foi, a aparição deste senhor nesta ocasião é um insulto pessoal ao próprio falecido e só mostra que na Igreja, como no resto do mundo, as forças que fazem mover as coisas nem sempre são a Honra nem a Moral, mas forças mais negras e subterrâneas, como o Bushismo (agora grande admirador de JPII) e o neoconservadorismo que se move agora nas sombras para garantir a eleição do próximo Papa.

Afixado por: Rui Martins em abril 8, 2005 08:09 PM

só na américa...

e pronto lá tinham de vir pessoas lavar roupa suja, o papa está morto deixem no em paz, isto não tem nada a haver com ele...eles não inventaram esta noticia, por acaso já pensaram que isto é uma critica á igreja?

Afixado por: oscar pinto em abril 8, 2005 08:28 PM

Exactamente: ex-arcebispo de Boston (não "ex-arcebispo" tout court, não dexiou de ter a dignidade bispal), por vontade do Papa. Mas dá-me ideia que o Nuno quis mais uma vez quiz mais uma vez atirar uma farpa a João Paulo II, mesmo depois de morte, como se a culpa fosse dele. Era bom que registasse que durante a cerimónia, o presidente israelita falou e cumprimentou Katami, do Irão, e Assad, da síria. Isso sim, é verdadeiramente notável, e mostra como o Papa mesmo depois de morte conseguiu dar mais alguns contributos para a paz. E quem mais o faria?

Afixado por: João Pedro em abril 8, 2005 08:39 PM

Tanto quanto me lembro, o ex- arcebispo de Boston, não foi acusado de pedofilia. Foi demitido por ser responsável pelos padres que cometeram o crime, e silenciou! Quanto de nós não passaram pelo parque Eduardo VII e não denunciaram? Em frente à estação do Rossio angariavam-se miúdos? Quantos de nós denunciaram?

Afixado por: TA em abril 8, 2005 09:11 PM

este post é uma critica a RTP e a igreja...

Afixado por: oscar pinto em abril 8, 2005 09:12 PM

Sem dúvida que isto é uma critica à Igreja e não ao João Paulo segundo de que todos reconhecem os seus méritos e poucos têm a coragem de neste momento reconhecer os seus defeitos. Os escândalos sexuais na Igreja existem, sempre existiram e continuarão a existir enquanto não se acabar com a opressão sexual sob os seus representantes. Essas repressões levam a actos imorais e criminosos sob aqueles que menos se podem defender...as crianças.
Acabar com isto, mudar a visão sobre a sexualidade em geral é algo tão importante quanto unir religiões e criticar regimes opressivos. Algo que os próximos Papas duvido terem coragem para fazer, mas como costumam dizer os crentes...a esperança é a última a morrer.

Afixado por: ricardo silva em abril 8, 2005 09:48 PM

ò nuno sousa.. és muito roskov...

Afixado por: Paulo em abril 8, 2005 10:30 PM

Uma palavrinha da Amor...para as criancinhas. :-)

Afixado por: João Dias em abril 8, 2005 10:33 PM

Já Michael Jackson dizia, é tudo amor...

Afixado por: roy em abril 8, 2005 11:15 PM

O bonito da coisa e isso mesmo.Ha,de facto,sempre,uma palavrinha de amor.A missao completou se,a mensagem foi dita.Agora espera se que os homens,homens como sao os cardeais,nada mais que isso,tao iguais a nos,destacando se na idumentaria,e certo,mas nos todos,que a entendamos,percebendo o "peso" das nossas atitudes,opçoes,enfim,nos mesmos.

Afixado por: Mario Araujo em abril 9, 2005 01:18 AM

És muito ignorante. Primeiro, o Cardeal Law não promoveu ninguém: limitou-se a mudar os padres pedófilos de uma paróquia para outra, acreditando que um pedófilo pode mudar de vida e ninguém o pode julgar (duplo erro). Segundo, a Igreja católica tinha nos anos 70 e 80, particularmente nos Estados Unidos, uma tolerância em relação à homossexualidade que hoje não tem. (Obrigado, João Paulo II, até nisso meteste ordem na casa!) Pelos vistos, o problema do Cardeal Law foi ter na matéria opiniões coincidentes com o Bloco de Esquerda.

Afixado por: Pedro Picoito em abril 9, 2005 01:52 AM

o pedófilo devia celebrar missa e homenagear o papa na prisão. o Khatami cumprimentou o sharon não por causa do papa, morto com 1 semana, mas pela superioridade espiritual e humana de um dignitário xiita ao pé de um qualquer rancoroso beato. deu uma lição. a propósito. no irão, provavelmente, o pedófilo já tinha sido reduzido ao seu estado de criminoso.

Afixado por: pinto ribeiro em abril 9, 2005 08:40 AM

Mais uma vez a sapiência do Pedro Picoito nos ilumina a todos. É uma luz de sabedoria redentora. Só que os factos são os factos: a)muitos dos padres preferidos do Cardeal Law foram nomeados bispos por João Paulo II; b)Law sabia das queixas de abusos sexuais em crianças que pendiam sobre vários padres e nunca disse nada à polícia (falamos de um período de tempo de vários anos, não de dias ou semanas); c)sabendo dessas queixas, colocou esses mesmos padres a trabalhar em outras paróquias com mais crianças, expondo-as assim aos padres abusadores (o que para muitos seria o mesmo que cumplicidade no crime).

Mas para o Pedro Picoito tudo isto se tratou, tanto por parte de Law como dos padres em causa, de uma questão de homossexualidade e de protecção da mesma, que até era bem vista pela igreja, afinal tão liberal.

Convém adiantar que o cardeal Law, já depois de se ter demitido do cargo em Boston devido ao escândalo, foi nomeado por João Paulo II responsável pela basílica de Santa Maria, no Vaticano. Uma reforma dourada portanto.

Afixado por: nunosousa em abril 9, 2005 12:58 PM

Nuno Sousa, diz-me lá o nome dos padres pedófilos que foram nomeados bispos pelo Papa. Deve haver muitos...
Quanto à cumplicidade, convém lembrar que na altura (anos 70 e 80) a Igreja estava em plena ressaca da chamada "revolução sexual" e, em certos países, aceitava candidatos a padres que tinham inclinações homossexuais. Uma concessão ao espírito dos tempos que hoje não seria possível, muito por causa de João Paulo II. Isto é que são factos.
Só mais uma coisinha: eu não disse que a Igreja alguma vez aceitou a homossexualidade. Eu disse que fechou os olhos nesses anos, que é o que agora querem que volte a fazer.

Afixado por: Pedro Picoito em abril 9, 2005 04:39 PM

Pedro Picoito, não te vou dar nomes nenhuns. Vou só pedir-te o favor de continuares a dar o belo espectáculo que estás a dar, insistindo em não ver a diferença entre uma relação entre dois adultos do mesmo sexo e outra entre um padre e uma criança de 5 anos de idade. Só te fica bem. Aqui no Barnabé não te poderíamos pedir um contributo melhor, acho mesmo que se o tentássemos caricaturar não teríamos tanto sucesso. Obrigado.

Ainda assim, só para terminar, convém lembrar-te que há vítimas de ambos os sexos entre as tais seiscentas que se queixaram em Boston. Que chatice não é Pedro?

Afixado por: nunosousa em abril 9, 2005 05:41 PM

Primeiro foram os comunistas a comerem criancinhas, agora são os Padres Americanos.

Não houve alguém que disse: deixai vir a mim a criancinhas... ou estou a confundir com a história do lobo Mau?

Afixado por: carlos.arinto em abril 9, 2005 11:40 PM

Pois, não dás nomes porque não conheces um único caso concreto. E eu não faço confusão nenhuma: é claro que nem todos os homossexuais são pedófilos. A chatice é que a esmagadora maioria dos pedófilos são homossexuais. Quanto às crianças de cinco anos, tu é que deves estar a fazer confusão. Com essa idade, a coisa era mais com o Cohn-Bendit quando trabalhava num infantário. (A propósito - sempre gostava de saber o que é que achas dessas actividades extra-curriculares do homem. Também escreveste um texto indignado sobre o assunto?)A maior parte dos casos americanos passa-se com adolescentes. Por uma razão estupidamente simples: crianças de cinco anos não se confessam, nem vão à catequese, nem ajudam à missa. Informa-te um pouco antes de cuspir para o ar.

Afixado por: Pedro Picoito em abril 10, 2005 03:10 AM

Sim, sim, aqui nos jornais vieram noticias de 4.500 padres americanos terem comido mais ou menos 11.000 (onze mil) criancinhas nos utimos 25 anos.

E um bispo atropelou e matou um transeunte, e fugiu. Foi apanhado a tentar arranjar o carro às escondidas.

Afixado por: Filipe Castro em abril 10, 2005 06:53 AM

Pedro, os factos são crueis, eu sei, e dizem isto: Bernard Law é um protector de pedófilos, é um alto representante da igreja e tu vives bem com isso.

Compreenderás que a partir do momento em que alguém se empenha tanto na defesa de um protector de pedófilos qualquer outra discussão se torna pouco interessante.

Quanto ao Cohn-Bendit a questão é simples: encontraste algum texto meu a defendê-lo? Claro que não, seria impossível porque eu nunca o defendi. Tu é que defendes aqui o Law ziguezagueando entre nuances desculpabilizadoras pouco sustentáveis, essa é que é matéria de facto.

Quanto a afirmares que a esmagadora maioria dos pedófilos são homossexuais, ora aí está uma questão interessante. Estamos todos curiosos relativamente ao estudo que consultaste para proferir tal afirmação.

Afixado por: nunosousa em abril 10, 2005 03:06 PM

Filipe e Nuno, vamos então a matéria de facto.
Os números do escândalo de pedofilia invocados não são totalmente certos. Com exactidão:
10 667 denúncias à própria Igreja americana entre 1950 e 2002 (ou seja em 52 anos e não 25, como disse o Filipe),
envolvendo 4392 padres em todo o país e não apenas em Boston(cerca de 4%do total do clero americano),
com uma minoria (149 padres)a acumular mais de um quarto (27%) do total de denúncias,
com 2000 delas a provar-se falsas,
226 delas a chegar a tribunal
e 138 padres a ser condenados em julgamento.
25% do total de padres acusados abandonaram o sacerdócio, de livre vontade ou por imposição do respectivos superiores,
7% foram definitivamente suspensos de toda a actividade canónica (celebrar missa, confessar, dar catequese, etc.), sem deixar de ser padres,
e outros 7% foram suspensos apenas temporariamente.
Outros números interessantes e nos quais me baseio para fazer as minhas terríveis acusações pedófilo-homofóbicas:
81% das vítimas eram do sexo masculino,
76% tinham entre 8 e 15 anos,
e a década de 70 é aquela em que são ordenados cerca de dois terços dos padres abusadores
e são cometidos mais de metade dos abusos.
Este último dado é particularmente interessante porque mostra que o período critico é a década em que a Igreja, cedendo à pressão exterior, põe em causa o seu próprio discurso sobre a sexualidade, acusado de ser conservador, de não estar de acordo com os tempos, de necessitar de aggiornamento, etc., com as consequências que o escândalo veio a revelar nos anos 90.
O que não se descobre de todo é algum padre abusador que tenha sido promovido ao episcopado, acusação feita pelo Nuno Sousa. De modo que, ou ele nos diz quem são esses bispos, ou eu posso acusar o Nuno de ser mentiroso.
O relatório que contém tudo isto foi publicado em 2004 pelo John Jay College of Criminal Justice (The Nature and Scope of the Problem of Sexual Abuse of Minors by Catholic Priests and Deacons in the United States)e pelo National Review Board for the Protection of Children and Young People (A Report of the Crisis in the Catholic Church in the United States). Pode consultar-se em www.catholicreviewboard.com.
São estes os números e, ao contrário do que dizes, Nuno, não me dou mesmo nada bem com eles. A diferença é que me envergonham, porque vítimas e abusadores fazem parte da minha gente, enquanto para ti são um pretexto para fazer sair por um algum lado a tua azia anticatólica. As ainda mais estúpidas piadas sobre a doença do Papa com que perdeste o tempo nas últimas semanas também. O sofrimento causado pela pedofilia não te preocupa rigorosamente nada. Há um indício revelador disso. Dizes que nunca escreveste um texto a absolver o Cohn-Bendit de semelhante coisa. É um pequeno lapsus linguae: eu não te pedi para absolver, mas para condenar, tal como fazes com tanta veemência ao Cardeal Law. O facto de não te sentires na necessidade de o fazer mostra que, para ti, o que conta não é o crime mas quem o comete. Não podia ser mais típico da esquizofrenia de esquerda que o Aron denunciou há muito.
Só para terminar, uma pequena nota sobre a predominância de homossexuais entre os pedófilos. Deixo esse assunto para ti, primeiro porque acho que não nenhum conheço pedófilo (tal como tu não percebes nada de bispos) e, segundo, porque os amigos homossexuais que eu tenho (sim, também eu posso dizer essa frase mágica que nos torna automaticamente tolerantes) não são de modo algum pedófilos. Mas lembro-me de alguns que talvez devas conhecer: André Gide, o primeiro a confessar-se em França; António Botto, idem em Portugal; Gabriel Matzneff, escritor francês de extrema esquerda que nos anos 70 exigia o direito das crianças à livre expressão sexual (com a ajuda dele, claro); o padre Frederico (este de certeza que conheces), que no banco dos réus clamava estar a ser julgada com ele "toda a comunidade gay portuguesa"; os turistas que vão a Cãmara de Lobos por uma única razão que só tu e o Alberto João Jardim não querem ver; o embaixador Jorge Ritto que, muito antes do processo Casa Pia, foi afastado de vários postos diplomáticos pelos seus intensos contactos com a juventude local (a propósito, não queres escrever nada sobre a cumplicidade das autoridades portuguesas com este caso que tanto faz lembrar o do clero americano?).
Chega ou querem mais?

Afixado por: Pedro Picoito em abril 10, 2005 05:16 PM

Obrigado pelo levantamento dos dados, pena para ti que não sirvam para mais nada a não ser comprovar um comportamento lamentável de parte da igreja americana. Mas os factos principais mantêm-se. A saber:

a)o cardeal Law protegeu padres pedófilos que abusaram de crianças, tanto de rapazes como de raparigas (espanta-me que para ti o facto de elas terem 8 anos de idade, e não 5, possa fazer tanta diferença);

b)a matéria de actualidade é que Law desempenha funções de elevadíssima importância no Vaticano, para as quais foi nomeado depois do escândalo de pedofilia em Boston, e será responsável por uma das missas das cerimónias oficiais. Isto transcende a questão do escândalo em si, é outro assunto: o Vaticano protege a conduta de Law?

Quanto ao resto das tuas considerações haveria muito a dizer. Por mim, ficam aqui apenas umas notas finais, dado que não voltarei a esta discussão:

1)a ti interessa-te transformar isto numa questão de direita vs. esquerda. É revelador de um quadro mental muitíssimo estreito. O meu texto tinha destinatários identificados e só vieste levantar poeira à volta da discussão;

2)devias limitar-te a comentar aquilo que lês e não aquilo que gostarias de ler ou de ter lido; mas mais uma vez não posso senão regozijar-me pelo facto de exemplificares com esse comportamento uma postura de discussão que é absolutamente definidora de uma maneira de pensar entrincheirada e empobrecedora;

3)eu não disse que padres abusadores foram promovidos ao episcopado; disse no post original que foram promovidos dentro da igreja, e disse num dos meus comentários que muitos dos padres preferidos de Law foram nomeados bispos por JPII - são duas coisas diferentes, mas percebo perfeitamente que não se queira ver a diferença;
leia-se este artigo do NYTimes:

http://www.nytimes.com/2005/04/08/international/worldspecial2/08cardinals.html

4)para terminar, queria apenas lembrar que foste tu que embrulhaste nisto a homossexualidade, portanto vires dizer que deixas a questão para mim é apenas cobarde. De qualquer maneira, devo dizer que gostei do estudo que utilizaste para defender a tua afirmação de que a esmagadora maioria dos pedófilos são homossexuais: apontaste 5 casos que conhecias. É brilhante! Digo mais, é rigor científico! Quanto ao resto, preconceito e insinuações baixas, é apenas patético.

Afixado por: nunosousa em abril 10, 2005 07:58 PM

Bem, Nuno, eu até estava com paciência para te responder, mas como o meu post de hoje de manhã foi censurado, vou deixar-te a falar sozinho.

Afixado por: pedro picoito em abril 12, 2005 12:08 AM

oh pedro picoito contra tudo e contra todos...ah grande homem.

Afixado por: oscar pinto em abril 12, 2005 06:52 PM