abril 10, 2005

Assim vai o mundo: Iraque

Alguns meses depois das eleições o Iraque finalmente tem um novo presidente e um novo primeiro-ministro, agora só falta mesmo o governo. Parece que a tese do milagre – que o Iraque seria o primeiro país em que após as primeiras eleições multipartidárias se instalaria sem mais problemas uma democracia plena – afinal não fazia muito sentido.

Mas também se prova que não fazia sentido criticar a política americana e rejeitar a realização de eleições. Além de elas terem sido impostas aos americanos por Sistani com a ajuda da ONU, eram a melhor forma de acelerar o fim da ocupação americana e criar um sistema política melhor do que aquele que existia antes com Saddam e que permita isolar os extremistas próximos da al-Qaida. Numa guerra de guerrilha nunca se pode esperar pelo fim da guerra para lidar com os problemas políticos, isso seria ceder a iniciativa aos que recorrem à violência.

E há sinais positivos, embora o processo vá continuar a ser complicado. O novo presidente é o curdo, Jalal Talabani, que anunciou no discurso de posse a intenção de avançar com uma oferta de amnistia para os guerrilheiros iraquianos. Alguns líderes sunitas apelaram aos seus para se inscreverem no exército e parecem dispostos a negociar a nova constituição e participar nas próximas eleições. É que como Talabani explicou, na nova democracia iraquiana, se ela vier a existir, ninguém poderá ser punido por exigir a saída das tropas estrangeiras. Evidentemente.

Publicado por bruno cardoso reis em
Comentários

Vocês ou são muito novos ou estão distraídos ou ... nem quero pensar em mais alternativas.

Houve demonstrações (depois da II Grande Guerra)durante décadas em França, na Alemanha (incluido as brigadas vermelhas ou lá o que eram) e noutros países "exigindo" a retirada das forças americanas.

Ainda por aí estão.

Nunca é por demais relembrar Frank Carlucci: "Where are my demonstrators?"

Afixado por: Gaspar Sousa em abril 10, 2005 10:41 AM

alguem rejeitou as eleições por completo? eu, pelo menos não disse isso. sempre defendi que se deve ver o resultado destas eleições como algo provisorio de forma a criar condições reais de soberania e segurança nacionais. a onu impôs, no entanto não ficou satisfeita com os procedimentos.
até porque não ocorreram nas condiçõs necessarias e não estou a falar só de violencia.
a comunidade internacional já mostrou a sua disposição para ajudar na reconstrução.

o problema é que os aliados ainda não criaram um calendario de retirada como era requerido pelos iraquianos. recentemente, iraquianos xiitas e sunitas manifestaram-se pacificamente para a criação de um calendario e participação nas condições dessa retirada sem que seja uma desculpa para colonização defenitiva por parte de multinacionais.
estas multinacionais apesar de saberem que o iraque é uma zona perigosissima, continuam a sacar petroleo enquanto estamos aqui a escrever, pondo em perigo pessoas sem necessidade. à conta disto já morreram camionistas e estrangeiros.

e é como diz talabani: "..., na nova democracia, se ela existir,..."

Afixado por: oscar pinto em abril 10, 2005 04:14 PM

Só o facto de ser curdo diz algo das poucas hipóteses de sucesso que tem... Os curdos foram aqueles que mais alinharam com a ocupação americana, e os nacionalistas iraquianos e os fundamentalistas que foram a Resistência sabem-no bem. E aliás, ele chegou ao cargo como? Sem pressões americanas de bastidores? Duvido...

Sendo curdo, os turcos que assumem actualmente um papel cada vez mais forte no Médio Oriente irão olhar este Iraque de lado...

Quando ao abrandamento da Resistência, este é pouco provável. Aliás, a Resistência tem aumentado a sua actividade e só num mês já provocou a morte a 350 polícias e guardas nacionais.

Afixado por: Rui Martins em abril 10, 2005 05:09 PM

"Mas também se prova que não fazia sentido criticar à(?) política americana e rejeitar eleições."

E eu, onde é que eu fico, eu critico a política americana e sou a favor de eleições. Passou um pequeno pormenor despercebido, poucos dos que criticam a administração norte americana, criticaram o recurso ao sufrágio universal em si mesmo. Terão sim, criticado as condições em que estas se efectuaram, sem observadores internacionais (apelando inteligentemente à falta de segurança existente no Iraque, culpa de quem? minha não foi de certeza), a própria insegurança, que muitos iraquianos corajosamente derrotaram e o facto (eu diria cómico) do quase desconhecimento (por parte dos próprios eleitores) dos que se propunham a eleição.

Precisamente pelo facto do Iraque não estar habituado a democracia, é que o processo democrático devia ser muito bem conseguido.

Não queiram, desonestamente, juntar os críticos de Bush (e outros pardais de dimensões elevadas) a uma ideia de anti democracia, precisamente pela democracia é que somos exigentes no processo eleitoral.

Afixado por: João Dias em abril 10, 2005 06:16 PM

Deitado às brumas do faz-de-conta, o Iraque segue, apesar de tudo. E diz uruknet.info num artigo que 80% da população apoia (apologgia) a resistência, enquanto 5% que recebe benefícios da situação defende a coligação de facto.

O seu post é que não transmite a disparidade, ó bruno, de modo que aceite lá, se pode, a concorrência.

Afixado por: digeu em abril 10, 2005 06:29 PM

A uruk.net está muito ligada à resistência, pelo que não é muito imparcial. De qq modo, os números devem estar correctos. Tirando os curdos a quem a situação actual muito agrada, poucos no Iraque para além dos que de uma forma ou outra dependendem da ocupação defendem a mesma...

Afixado por: Rui Martins em abril 10, 2005 07:02 PM

É concerteza positivo que o Iraque caminhe para uma aparente normalizaçao democrática.Mas nao está isento de perigos.O risco de guerra civil continua a ser elevado(basta ler com atençao o que escrevem analistas,catedráticos do mundo arabe),uma vez que a coabitaçao nao será facil entre tantos grupos etnicos,todos eles fortemente armados.O problema julgo que nao reside tanto na Al Qaeda e no bando de assassinos de Al Zarqawi.Esses,nao tem qualquer apoio popular por que nao se limitam a atacar as forças de ocupaçao do Iraque,mas escolhem precisamente como alvos preferenciais,os civis.
O risco está centrado precisamente na partilha de riquissimas jazidas de petroleo na zona curda de Mossul,consideradas mais importantes até que os poços no sul xiita em torno de Bassorá.
A partilha deste manancial de recursos é.de facto,a questao central,a que nao sao alheios o Irao e Turquia.
A democracia no Iraque vai escrever-se com petrodolares e nao tanto com quezilias antigas de xiitas,curdos e sunitas.
Vamos esperar para ver...
Agora,é simpatico que seja o senhor Talabani a dirigir os destinos do país.Pode ser que agora,finalmente,a causa do povo curdo conheça um novo impulso,e que num futuro nao muito longiquo,seja criado um estado que inclua a diaspora dividida entre Iraque,Irao,Turquia,Siria e até na Georgia!

Afixado por: luis nascimento em abril 10, 2005 09:45 PM

Uma pergunta: resistência? Que resistência?
Gaspar Sousa: convenhamos que comparar as brigadas vermelhas à maioria do povo iraquiano é um bocado forçado.
De resto, concordo com o bruno e com o Luís Nascimento, embora a tarefa de criar um Curdistão único pareça hercúlea (nem sabia que chagava à Geórgia).

Afixado por: João Pedro em abril 10, 2005 11:27 PM

A verdade é que Talabani e muitos dirigentes curdos são traidores que se mancumunaram com os terroristas bushistas (a quem chamam "nossos amigos"), que defendem (contra a opinião de 80% dos iraquianos) a continuação da ocupação, que transformaram o Curdistão iraquiano numa base de operações aberta da Mossad sionista, que enviaram peshmergas do exército fantoche participar no massacre de Fallujah (foram os únicos que aceitaram essa tarefa suja). O seu fim será triste. Como o de todos os colaboracionistas. Ou o governo saído destas meias eleições dá ordem de saída aos terroristas ocupantes ou será considerado colaboracionista como o anterior e atacado. As forças fantoches nunca poderão bater a gloriosa Resistência. Não têm combatividade, são traidores por um prato de lentilhas e sabem-no. Deixam-se massacrar passivamente. Se assim não fosse, com (teoricamente) 150.000 homens em armas, já seriam capazes de manter a ordem. Assim, nem com meio milhão o conseguirão. Porque fantoche é fantoche e resistente é resistente. Allah u Akbar !

Afixado por: saladino em abril 11, 2005 09:27 AM

Evidentemente,bruno!
e mais evidentemente se as tropas forem norte-americanas,ou não é assim?
se ainda fossem forças internacionalistas na luta contra o imperialismo...

Afixado por: loureiro em abril 11, 2005 09:22 PM

já agora saladino da net,
sabes que o Saladino histórico era curdo?

Afixado por: loureiro em abril 11, 2005 09:24 PM


Claro, Loureiro. Sei muito bem quem fui (MOI). Curdo mas bom muçulmano e inimigo jurado e vencedor dos cruzados que escorracei de Jerusalém em 1178. Talibani é um curdo renegado que se aliou aos novos cruzados e aos judeo-nazis a quem baixou as calças despudoradamente. Um traidor que merece a espada, portanto. Laval e De Gaulle também eram ambos franceses... Só que um... e o outro... percebes ?

Afixado por: saladino em abril 11, 2005 09:45 PM

Percebo.
Agora imagina um estado curdo que acabe com as fronteiras impostas pelo colonialismo...abrangendo o Iraque,Síria,Turquia e o Irão... que bela revolução seria no Médio-Oriente!
E já agora devo-te dizer que acho um nojo que fundamentalistas como tu comparem o judaísmo com o nazismo! ao menos tem respeito pelos mortos e lembra-te da posição que o mufti de Jerusalém teve durante aII guerra mundial.

Afixado por: loureiro em abril 11, 2005 11:07 PM

Ah, Loureiro infiel, que não percebes mesmo nada ! O estado-nação já era ! Estamos na fase da globalização pós-nacional, na Europa, tal como no Médio Oriente árabo-islâmico. O que interessa é que as minorias, como os curdos, vejam a sua língua e cultura respeitada, não que cada povo tenha um estado (Em Espanha teríamos quantos e à custa de quanto sangue ?). O problema curdo é ainda mais complicado, porque a área curda se estende por vários países. Um Curdistão independente, além de desnecessário, seria impossível porque levaria a guerras durante séculos... e a milhões de mortos, incluindo curdos. Tal como em África, onde toda a gente defende a manutenção das fronteiras coloniais. Para Ruandas já há que chegue...

Quanto aos judeo-nazis sionistas, são eles que reivindicam a herança nazi. Crêem-se "povo eleito" (os nazis eram a "raça superior"), almejam um Grande Israel, do Nilo ao Eufrates (Hitler queria a Grande Alemanha, o Reich dos Mil anos...), massacram, roubam, "guettizam" e "apartheidam" os "Untermenschen" palestinianos, aparentemente uma raça inferior à elite sionista, não reconhecem o direito internacional e só acreditam na força, tal como Hitler... Em suma, são judeo-nazis. SIONISMO = NAZISMO ! Percebes ?

Afixado por: saladino em abril 12, 2005 01:37 AM

P.S. Ah, a estória do mufti de Jerusalém... Ó Loureiro, puxa pelos neurónios... Quem era o poder colonial na Palestina durante a II Guerra ? A Grã-Bretanha, não é ? E quem era o inimigo do inimigo dos palestinianos ? A Alemanha, pois. Então, os inimigos dos nossos inimigos nossos amigos são. A Alemanha, não os nazis, topas a diferença ? Aliás, o mesmo fizeram os irlandeses anti-ingleses durante as duas guerras e os finlandeses (lutaram ao lado da Alemanha contra o inimigo comum, os russos). Ora que eu saiba, ninguém acusa os irlandeses e finlandeses de serem nazis... O mesmo deve valer para o mufti de Jerusalém (entre outros, lembro-me da grande cantora-diva árabe da época, Ashraf, que foi por patriotismo agente secreta alemã...), ou não ? Já os sionistas imitam não os alemães, mas os nazis... Vá, para te redimires de tantos disparates, grita vinte vezes "Allah u Akbar" !

Afixado por: saladino em abril 12, 2005 08:48 AM

Pois é saladino, adoro que me chames infiel!( tens problemas em utilizar a expressão cão infiel?)
Tens complexos com o derramento de sangue? que bela jihad a tua!
O problema curdo é complicado? boa, o melhor é tudo ficar na mesma( a tua prespectiva é um tanto ou quanto burguesa)
África,a única prespectiva revolucionária é uma redifinição das fronteiras coloniais...o teu discurso é absolutamente neo-colonialista.
Em relação aos"Grandes" que tal:
a grande Síria
a grande Palestina
a grande Sérvia
a grande Croácia
a grande Albânia
e o famoso estado Pan-árabe?
Afinal consegues fazer uma(ainda que ténue) distinção entre judaísmo e sionismo...
Por último, para alguém que se chama saladino utilizas expressões dos infiéis...linguagem maoísta (inimigo do meu inimigo meu amigo é)...tem cuidado que ainda acabas em deputado do B.E.!

Afixado por: loureiro em abril 12, 2005 09:48 PM

adoro que me chames infiel!
tens problemas com a expressão cão infiel?
"O estado-nação já era",antes pelo contrário,estamos no seu tempo!
"à custa de tanto sangue ... milhões de mortos..." que bela jihad a tua...com o passar dos séculos ficaste mole,saladino!
"...África...toda a gente defende a manutenção das fronteiras coloniais." boa, para evitar chatices mantemos o que existe...que belo revolucionário me saíste,saladino!
Quanto ao "Grande",não foste tu,saladino,que querias uma espécie de estado pan-árabe?
Afinal sempre fazes uma(embora ténue)distinção entre judaísmo e sionismo!
Puxando pelos meus poucos(confesso!)neurónios lembro-te,saladino,que a expressão "os inimigos dos nossos inimigos nossos amigos são" é do camarada Mao...tem cuidado que ainda acabas como deputado do BE.

Afixado por: loureiro em abril 12, 2005 10:38 PM