O Parlamento do Irão aprovou ontem uma lei que autoriza o aborto, até às 16 semanas, em caso de deficiência mental ou malformação do feto, alargando o âmbito de uma lei que apenas permitia o aborto nos casos em que a vida da mãe estivesse em risco. Ou seja, o Irão do “eixo do mal” e dos Aiatolas, terá um quadro legal cuja única diferença em relação ao português será a proibição do aborto nos casos em que a mulher foi violada.
E, mesmo essa medida de mediana humanidade, é posta em causa pelos aiatolas cá do burgo. O ano passado, quando interpelado no “Prós e Contras” da RTP, se aceitava a legalidade do aborto nos casos em que a mulher é violada, um dos dirigentes do pomposamente intitulado movimento Pró-Vida respondeu seca e prontamente que não. Uma vida é uma vida, disse. É esse o problema existente no único país europeu que persegue as mulheres que fazem um aborto. A lei de um Estado laico continua a ser ditada por considerações teológicas e por fundamentalistas que, em nome de uma visão abstracta da humanidade, se revelam da mais fria impiedade sobre os seres humanos.
A unica coisa boa dos islãmicos é que são divididos, podem ser fundamentalistas mas não têm papas que os comandem.
Já por cá, corremos o risco de ainda vir a ter um papa português. E se tal acontecer, com tal comando supremos e poder divinos em "português" ps asatolazinhos cá dp sítio ainda se vão tornar mais ousados e querer impor-se ainda mais do que já fazem ao resto da população!
Contem com isso!
A unica coisa boa dos islâmicos é que são divididos, podem ser fundamentalistas mas não têm papas que os comandem.
Já por cá, corremos o risco de ainda vir a ter um papa português. E se tal acontecer, com tal comando supremo e poder divinos em "português" os aiatolazinhos cá da sítio ainda se vão tornar mais ousados, sentirem-se legitimados e quererem impor-se ainda mais do que já fazem ao resto da população!
Contem com isso!
Vou fazer dois comentários:
Um de esquerda:
Vejam lá que aqueles que são considerados os opressores da mulher (e muitas vezes são), têm uma lei de aborto mais humana e mais respeitosa, em particular, para com a mulher. No Irão já existem mais mentes abertas que em Portugal, estamos na cauda da Europa e podiamos estar na cauda do médio oriente.
e outro de direita:
Está provado que a despenalização do aborto é errada, veja-se lá que os terroristas pensam da mesma forma que a extrema esquerda portuguesa. Esta extrema esquerda deve ter por base intelectual o Corão, são uns terroristas disfarçados de partido democrático.
Não percebo como é que não se lembraram de colocar a questão ao contrário...
Se os Ayatollas permitem o aborto, até que ponto nós não somos parecidos com eles ao também permitir?
O tempo em que o Hittler, o Estaline, o Mao e os da laia deles escolhiam a seu bel prazer quem podia ou não nascer e o que era ou não uma vida humana já devia ter passado. Infelizmente, parece que a nossa Democracia está cada vez mais parecida com os regimes dessa gente.
Olá, Pedro, muito bom seu blog!
Aqui no Brasil vivemos um dilema semelhante, e o fato é que a lei é até mais restritiva, porque a malformação do feto não é um motivo legalmente justificável para o aborto. Apenas no caso de estupro e risco de vida à mãe.
Não sei se você soube, mas está em discussão no Supremo Tribunal Federal a possibilidade de ampliar esse leque para o caso de fetos anencéfalos, e tem gente que é contra! Mesmo sabendo que o bebê não sobrevive mais que algumas horas ou minutos fora do útero da mãe.
No caso do Irã, não sei se 16 semanas são um prazo suficiente para aferir a malformação do feto, mas em todo caso é um avanço.
Afixado por: Marcus Pessoa em abril 13, 2005 07:54 PMComo fazer perceber aos bonzos moralistas que as suas convicções não têm de ser impostas à força a quem as não tem? Isto é assim tão difícil de entender? Como não são estúpidos, só resta pensar que eles continuam apegados à prerrogativa medieval de confundir a lei com a fé. Têm saudades desse tempo. Só há que ser claro, directo e implacável com esta mentalidade que se esconde por trás da conversa do "direito à vida".
Ó bonzos: já não há pachorra! Pensam que só vocês é que defendem a vida? Eu gostava de vos ver a procriar, a esperar pelo fim da gestação, a ver nascer um filho, a criá-lo, a amá-lo. Dia após dia. Mas - ó bonzos! - vocês são eunucos mentais! Nunca perceberão isto! Então não venham com conversas moralistas da treta!
SIM, JÁ NÃO HÁ PACHORRA! Se fosse há cento e cinquenta anos, só o facto de eu ter esta opinião era o bastante para vocês se estarem nas tintas para o meu direito à vida! Mandavam-me para o churrasco da Santa Inquisião e vocês batiam com a mão no peito por eu ser tão pecador!
"único país europeu que persegue as mulheres que fazem um aborto"
Não era exactamente isso que queria escrever, pois não? Ora diga-me lá quais são os países onde as mulheres não são "perseguidas" se abortarem por exemplo aos 7 meses?
Já agora, dê uma vista de olhos nisto.
Quanto à questão da violação, leia pf. este texto com atenção e depois diga-me, com honestidade intelectual, se é assim tão absolutamente evidente que a sua posição é a mais correcta.
E não nos esqueçamos que um dos "papáveis" lidera precisamente um movimento que defende a aproximação da lei canónica à lei civil... Uma verdadeira Sharia Católica!
A vinga este "papa", a aproximação dos domínios religioso e legal seria demasiadamente próxima do conceito de violação do segundo pelo primeiro.
Afixado por: Rui Martins em abril 13, 2005 08:35 PMAs mulheres portuguesas não tem sorte com o seu país. São as que mais trabalham na Europa, as maiores vítimas do desemprego e da violência e ainda são consideradas criminosas quando interrompem o início duma gravidez indesejada. O conceito de vida é variável, um feto só se torna viável quando pode sobreviver fora da barriga da mãe (ainda que com recurso a cuidados médicos), o que acontecerá algures entre as 20 e as 23 semanas. Também é nesta altura que o feto começa a ter actividade organizada do córtex cerebral. Antes passa por várias fases, espermatzoide, óvulo, embrião, feto. Sempre com vida, mas sem viabilidade. estrelinha ajuizada
Afixado por: vermelhofaial em abril 13, 2005 09:12 PMNG,
Compreendo, e acho legítimo, que existam pessoas que têm dúvidas e se oponham à legalização do aborto a pedido da mulher. Não foi a esses que chamei aiatolas, como deve ter reparado, mas a quem é contra essa possibilidade mesmo nos casos em que a mulher é violada. Parece-me de uma tal desumanidade essa posição que nem perco muito tempo a tentar rebatê-la, pois parece-me que qualquer pessoa percebe o que é que deve ser para uma mulher ser obrigada a ter um filho nessas condições.
Tiago Azevedo Fernandes,
Não tente desviar a conversa. Em nenhum país, Portugal incluído, existe quem proponha o aborto aos 7 meses, como diz no seu exemplo. Em Portugal, PS, PCP e BE defendem a legalização, com assistência médica, até ao prazo máximo de 16 semanas. Prazo que me parece bem mais do que o suficiente. Mas diga-me lá, então, em que países é que conhece o caso de uma mulher perseguida por ter abortado aos 7 meses? É que eu não conheço nenhum, mas pode ser desconhecimento meu-
Afixado por: pedro sales em abril 13, 2005 09:16 PMÉ...o Irao faz parte do Eixo do Mal,e neste capitulo dá uma boa liçao de democracia e acima de tudo,de bom-senso.claro que esta medida legislativa adoptada pelo Parlamento de Teerao,ainda tem que ser submetida ao ultra-conservador Conselho de Guardiaes da Revoluçao e por isso,tenho as minhas duvidas que tome forma de lei...
Quanto a Portugal,nao faz sentido referendar outra vez a ivg.Existe uma maioria clara na AR,para fazer aprovar a lei.Os portugueses votaram esmgadoramente á esquerda,votaram sabendo que PS,PCP,Verdes e B.E defendem a despenalizaçao do aborto até ás 12 semanas.Entao,para quê perder mais tempo,mais recursos com uma nova consulta popular?
A questão do aborto é importante e é da consciência de cada um. Como noutras matérias, nesta estamos efectivamente atrasados relativamente a muitos outros países. Votei a favor, voltarei a votar a favor quando houver novo referendo. Mas, neste momento, temos que convir que só mesmo para o Bloco de Esquerda e para todos os politiqueiros nacionais ("rádio, TV e disco" incluídos), é que esta é uma questão prioritária.
Caro NG,
quem admite o aborto em caso apenas de perigo de vida da criança e é absolutamente contra quando a mulher é violada - a coisa mais brutal que poderá ser feita a por um homem a uma mulher - e a quer obrigar por força de lei a parir o filho do violador pensa exactamente como um aiatola.
A lei do aborto que eles propôem e admitem é exactamente essa.
Não se trata de insulto, trata-se de chamar as coisas pelos nomes, por se prostrar perante uma cruz em vez de virado para meca, as motivações e as aia-tolices, a atitude dogmática e fundamentalista senhora e dona da verdade não deixa de ser igual.
São aitolas sim senhor, aiatolas cristãos mas aiatolas.
Só mesmo um louco fanático é que quer obrigar uma mulher a carregar o fruto de crime tão hediondo, tão horrendo como esse.
Detestável!
a legislação vigente relativa ao aborto é, no meu entender, pouco razoável - parece-me, contudo, um tanto despropositado chamar a esta discussão a laicidade do estado e a teologia..primeiro, o estado é (e deve ser, acrescento eu) laico, mas isso não o torna amoral! as questões éticas e morais são extremamente relevantes na cidadania e na vida em geral, pelo que são inteiramente pertinentes em qualquer assunto..quanto à teologia, não há muito a fazer, visto que assenta num código moral muito rígido, que tem como princípio irredutível o respeito absoluto pela vida humana..dificilmente exequível, poder-se-á dizer, mas legítimo como pensamento ou crença..ou seja, não se confunda as coisas: que se combata a presente lei, sim, mas com argumentos válidos! na minha opinião, por exemplo, considero que o aborto deveria ser despenalizado até à 10ª semana, com uma certa tolerância até à 12ª semana - isto porque a partir desse limite as fibras da dor estão, geralmente, formadas, e o feto, ainda que inconsciente, já sofre..que se salvaguarde o sofrimento, mesmo o dos fetos, é o que eu acho! e, caramba, três meses chega e sobra para perceber que se está grávida e proceder à interrupção da gravidez!..
Afixado por: apolo em abril 13, 2005 10:15 PMCaro NG,
quem admite o aborto em caso apenas de perigo de vida da criança e é absolutamente contra quando a mulher é violada - a coisa mais brutal que poderá ser feita a por um homem a uma mulher - e a quer obrigar por força de lei a parir o filho do violador pensa exactamente como um aiatola.
A lei do aborto que eles propôem e admitem é exactamente essa.
Não se trata de insulto, trata-se de chamar as coisas pelos nomes, por se prostrar perante uma cruz em vez de virado para meca, as motivações e as aia-tolices, a atitude dogmática e fundamentalista senhora e dona da verdade não deixa de ser igual.
São aitolas sim senhor, aiatolas cristãos mas aiatolas.
Só mesmo um louco fanático é que quer obrigar uma mulher a carregar o fruto de crime tão hediondo, tão horrendo como esse.
Detestável!
Pedro Sales: não estou a "tentar desviar a conversa". Por que razão parte do princípio que estou a ser pouco sério na discussão?
Se bem percebo, defende então que uma mulher deva ser "perseguida" se abortar às 17 semanas, é isso? Se não é, o que faria nesses casos? Não aplicava a lei que diz defender?
Chegou a ler os textos que eu lhe indiquei? Este mesmo debate já foi feito antes e as pessoas esquecem-se de estudar o que já foi pensado e debatido anteriormente... Uma das conclusões a que TODOS chegámos na altura é que não há "dois lados" (um "a favor" e outro "contra"), há muito mais do que duas posições diferentes.
Nuno Marques sem esquecer as mulheres que neste momento estão a ser julgadas em tribunal e as cerca de 900, numeros por baixo ,que aparecem em condições lamentáveis todos os anos nos nossos hospitais fruto do aborto clandestino.
Realmente estes gajos do Bloco são mesmo uns empatas, trazer estes temas que dividem a sociedade quando o que os portugueses querem é pão e circo e funerais de papas.
Afixado por: a.pacheco em abril 13, 2005 10:33 PMsinceramente não vejo como se possa defender o não ao aborto em caso de violação.
se alguem pensa assim, muito bem, não é obrigada a abortar.
de resto não estou a ver uma mulher que apos ser violada aceite algo que lhe foi forçado a aceitar e que é consequencia de um crime hediondo, horrivel e desprezivel.
caro tiago,
os textos que forneceu, não trazem nada de novo à conversa (tipico raciocinio da sociedade cristã em que vivemos), alias isto é uma questão de conceitos e de longos debates filosoficos.
estão na baila muitos conceitos, sugiro-lhe que leia peter singer.
Fantástico. Ouve.se de tudo nesta discussão: que há cento e cinquenta anos pessoas eram condenadas à fogueira pela Inquisição (olhem para o lapso temporal); que a consulta popular, que em tempos rejeitou o SIM, "é uma perda de tempo" (as eleições também devem ser, nesse caso); e que afinal a esquerda deseja a legalização do aborto até ás 16 semanas; então no início não eram até ás 10? E depois até ás 12? Agora vão ás 16? E depois? os 9 meses são o limite?
Se querem seriedade no debate, comecem por ser sérios e não a lançar demagogias baratas. Ou a demonstrar que defendem a liberdade, quando ao estarem contra o referendo estão na verdade a impdir a liberdade de expressão. Como se as pessoas tivese votado no PS, por exemplo, a pensar na Lei do aborto.
O vermelhofaial disse tudo! A seguir todos os restante argumentos dos ditos pró-vida (ou melhor só-preconceito) são cinzas!
Afixado por: NeuroGlider em abril 13, 2005 11:46 PMComo tenho muitas dúvidas e não pretendo impor os meus pontos de vista teológicos ou outros, gostaria de perceber e saber quais são os pontos de vista dos que defendem a liberalização do aborto.
Por exemplo a mulher deve ser livre de escolher. De acordo. Se uma mulher for violada e por razões de consciência moral ou outra não pretende abortar, o Estado garante-lhe todo o apoio à criança ao ponto de a mãe poder entregar essa criança à guarda do Estado e da Sociedade?
Porque é que defendem que não se deve abortar a partir de determinado tempo, mas se o feto for resultado de uma violação já pode haver aborto? Onde é que está a diferença entre os fetos?
Se a questão do aborto não passa pela idade dos fetos mas sim da condição da mãe, então porque é que a mãe não pode abortar sempre quando quiser e durante o tempo que quiser?
São muitas as dúvidas e ninguém tem muita vontade de esclarecer. Preferem os insultos a quem pensa de forma diferente.
Óscar Pinto: claro que não trazem nada de novo, o ponto é precisamente esse! Estamos sempre a esquecer aquilo que já foi muito reflectido antes, os argumentos que são racionais (para TODOS os lados), o enquadramento que TODOS concordamos deve existir. Isso não tem nada de "raciocinio da sociedade cristã". Estamos sempre a reinventar a roda, a repensar aquilo que já foi pensado, a repetir os mesmos erros até percebermos o que está mal...
Afixado por: Tiago Azevedo Fernandes em abril 14, 2005 12:03 AMTiago Azevedo Fernandes,
Já conhecia os textos que refere, já os tinha lido há cerca de duas semanas quando você fez, por 3 ou 4 vezes, referência aos mesmos. Continuo sem perceber a referência aos 7 meses. Em nenhum país existe esse quadro legal e continua sem me dizer em que país é que uma mulher foi perseguida por abortar aos 7 meses. Julgo que nenhuma, pois, havendo a possibilidade de o fazer num estabelecimento de saúde nas primeiras semanas, esse é um problema que não se coloca.
João Pedro,
Não existe nenhuma contradição no número de semanas. Você é que está a confundir os prazos das propostas de referendo, que se referem ao aborto a pedido da mulher, com o âmbito mais restritivo das propostas de lei do PS, PCP e BE sobre o aborto e que sempre defenderam as 16 semanas em casos de malformação do feto, por exemplo. Se tiver dúvidas vá a www.parlamento.pt e vai ver que as propostas são as mesmas desde a XIII legislatura. Se reparar que estamos na X, verá que ninguém está a aumentar o número de semanas.
TA: "Onde é que está a diferença entre os fetos?"
Tocou no ponto. Não há diferença.
Pedro Sales: o exemplo dos 7 meses é isso mesmo, um exemplo. Podia ser aos 5, aos 6, ou aos 8. Ou às 17 semanas.
O que faz nesses casos? Imagine que a mulher só se decidiu às 17 semanas. Ou até que o sistema de saúde não foi capaz de dar resposta até ao prazo limite. Ou qualquer outra das muitas situações possíveis e que inevitavelmente vão acontecer. O que faz nesses casos? Envia ou não as mulheres para julgamento?
E nos outros países, acha mesmo que não há consequências para quem abortar às 30 semanas, por exemplo?
Se há pais e mães (casos raros mas reais) capazes de violar e espancar os filhos, como pode partir do princípio de que TODAS as mulheres vão agir "racionalmente"? A maior parte dos casos de gravidez indesejada são precisamente por inconsciência ou ignorância. Nesses casos, como pode achar que, não tendo tido a maturidade suficiente para evitar a gravidez, as mulheres são no entanto suficientemente maduras para decidir quando e como abortar?
Pedro Sales: quer mais exemplos de razões que podem levar uma grávida a adiar "demais" um aborto?
1) A rapariga engravidou e só conta a "boa nova" ao namorado quando a barriga começa a aumentar. Aí o rapaz diz: "ah, o problema é teu"... E desaparece. E só nessa altura a rapariga quer "resolver o assunto".
2) Uma jovem, bem à portuguesa, vai adiando a ida ao hospital até próximo da data limite, e nessa altura não há vaga suficientemente cedo.
3) A jovem, a viver em casa dos pais, queria ter o filho mas ainda não contou nada a ninguém. Quando os pais se apercebem (tarde demais) e a ameaçam pôr na rua se não "tratar do assunto" porque não estão para sustentar a criança, é que ela então muda de ideias.
Vida real, meu caro.
Afixado por: Tiago Azevedo Fernandes em abril 14, 2005 12:44 AMse as mulheres em causa foram irresponsáveis e inconsequentes ao ponto de não tomarem as precauções necessárias para evitarem uma gravidez indesejada, como podemos assumir que serão suficientemente maduras para cuidar de um filho? não podemos! umas sê-lo-ão, outras não, como em tudo na vida..quanto à data limite para a realização de um aborto, é preciso ver que ela marca o fim de uma oportunidade que é concedida às mulheres..que haja ainda uma pequena tolerância, consoante os motivos que estiveram na origem do atraso, mas que se perceba também que a lei não garante mais do que um prazo para se fazer um aborto legal e medicamente assistido..em suma, não se trata de desresponsabilizar as pessoas, apenas de as ajudar..
Afixado por: apolo em abril 14, 2005 01:08 AMvolta camarada hitler estás perdoado.
Afixado por: fidel em abril 14, 2005 09:43 AMNausei-me este autismo partidário a respeito da despenalização. Façam um favor a vós próprios e procurem respeitar as mulheres (para não dizer toda a gente). Não é com este tipo de argumentação caceteira que se constrói o que quer que seja. Só serão respeitados se aprenderem a respeitar os outros. Só serão ouvidos se tiverem alguma coisa para dizer. E um bocadinho de elevação e inteligência nunca fez mal a ninguém.
Muito bom post.
É por estas e por outras que, em Portugal, há quem prefira matar a assumir uma deficiência.
Assim não vamos a lado nenhum.
O grande argumento actual a favor do aborto é comparar a nossa lei com as dos outros países. Penso que esta não será a melhor maneira. Sobre este ponto de vista acho muito interessante este texto: "O que irão dizer de nós?", publicado em azulbolorento.blogspot.com .
Afixado por: Manuel em abril 14, 2005 11:39 AMMais uma vez, a extrema esquerda que não conseguem fazer vingar os seus argumentos pela inteligência, fá-lo pelo insulto.
O abroto não é uma questão do que se acha ou deixa de achar, nem é uma questão da moral individual de cada um. Se puséssemos todas as questões de um ponto de vista relativo, o resultado seria este:
- eu sou contra o homicídio, mas como há pessoas que são a favor e eu não tenho que lhes impor as minhas ideias, despenalize-se;
- eu sou contra o estupro e a violação, mas como há pessoas que são a favor e eu não tenho que lhes impor as minhas ideias, despenalize-se;
- eu sou contra o furto, roubo, invasão e outros atentados à propriedade privada, mas como há pessoas que são a favor e eu não tenho que lhes impor as minhas ideias, despenalize-se...
Já agora? Para que é que existe um código penal?
O aborto é a interrupção de uma vida humana em formação e quem quiser fazer disso uma questão de consciência individual, estará a querer lançar poeira aos olhos de quem o lê.
Caro NG, defende então o aborto em caso de violação até que data? A mesma dos outros casos, ou diferente?
Afixado por: Tiago Azevedo Fernandes em abril 14, 2005 11:04 PMmeus amigos esta questão do aborto e as diferentes situações, é longa.
em relação a assuntos comuns a todos, não é bem assim. existe uma justificação para o prazo que existe, se não conhece informo-o.
é arriscado dizer que um zigoto, um embrião ou um feto primitivo é um ser humano.
podem-me dizer que tem a potencialidade de ser um ser humano e que contem material genetico que o torna diferente de toda a gente, incluindo a progenitora, mas o ovulo e o espermatozoide teem estas duas propriedades.não vejo ninguem aqui a defender o espermatozoide nem o ovulo.
meus amigos claro que toda a gente quer tudo menos o constrangimento do aborto (ninguem tira qualquer tipo de prazer nisso, bem pelo contrario), alias não vejo ninguem a fazer sexo sem preservativo umas semanas antes para fazer um aborto. alias esta ideia é estupida e inconcebivel. da mesma forma quem pensa que isto é como quem se lembra de pagar impostos e vai a ultima da hora, isto é uma total imcompreensão e insensibilidade.
a gravidez é algo serio, não é tratado por ninguem e muito menos pela mulher como se fosse mais um dia. as pessoas tem sentimentos, discernimento.
e todas essas ideias da mulher isto e a mulher aquilo é puro conservadorismo, que toda a gente sabe se baseia da desconfiança para com as pessoas, da negação da compreensão e sensibilidade das pessoas e da negação do lado humano.
leiam peter singer.
Afixado por: oscar pinto em abril 14, 2005 11:18 PMClaro, oscar, claro. Toda a gente é sensível e racional, todas as mulheres são responsáveis, todos os homens decentes. Não há razão nenhuma para desconfiar que nem TODA a gente é madura e bem intencionada. Aliás a Lei, em geral, é até dispensável porque toda a sociedade tende naturalmente para a harmonia e para o consenso.
Afixado por: Tiago Azevedo Fernandes em abril 14, 2005 11:48 PMmeu amigo,
se as pessoas são assim é porque não tiveram apoio nem educação ou então uma fanilia que as pudesse acarinhar. e isto é problema da sociedade em geral e que a sociedade no seu conjunto tem de resolver, alias já era altura para começarem, não com autoritarismos que se impoe.
por outro lado, diga-me quais são os ganhos para a mulher ou para o casal quando se decide pelo aborto?
ganha dinheiro? fama?
não misture as coisas meu amigo.
alias essas pessoas imaturas, são aquelas que se vem forçadas a recorrer ao aborto ilegal, e que o fazem outra e outra vez. esta lei vai impedir isso com planeamento familiar, por uma maternidade responsavel.
não é por aí que leva a sua avante.
mais uma coisa, já era altura das pessoas sairem da mediocridade e da ideia que ser criminoso compensa, passarem a compreender porque fazem as coisas e não porque a lei lhes manda.
esta é a grande diferença entre mim e você.
as pessoas pensam por elas proprias e são racionais, o problema é que esta sociedade é autoritaria e empurra as pessoas para a mediocridade.
é altura das pessoas passarem a viver a vida com consciencia e não porque a lei lhes manda ou porque vão ter uma recompensa no fim da vida.
o capitalismo dá oportunidades na vida, anarquismo é vida.
Afixado por: oscar pinto em abril 15, 2005 12:42 AMNão é proibindo que abortos clandestinos vão deixar de existir. E se muitas mulheres recorrem a esse recurso, por alguma razão é. As razões podem ser várias, mas são do foro privado de cada um e uma de nós. O Estado não tem o direito de intervir. É hipócrita que se condene mulheres por aborto. Quem recorre ao aborto, está a assumir de antemão que não está em condições de criar um filho, seja porque razão for. Lá porque uma pessoa decida ter um filho não quer dizer que isso seja sinónimo de boa acção e que signifique que vá saber cuidar e amar. De igual modo, também não se venha dizer que o sistema de adopção é uma hipótese viável para quem não quer ter filhos, pois sabe-se bem que muitas crianças esperam anos até ser adoptadas ou correm por não sei quantas famílias, acabando por sofrer danos emocionais e, por vezes, até de outros tipos.
O direito ao aborto não é uma questão partidária. É sim um direito humano. Todos e todas temos concepções diferentes do que é a vida, e nesse debate nunca nos havemos de entender. Mas se o aborto for um direito, isso será tomado de acordo com a consciência individual de cada um. Ter direito a essa escolha já é um princípio. E aí, sim, poderemos falar de liberdade.
Já agora, o aborto não diz respeito só às mulheres. Levar mulheres à barra do Tribunal é um desrespeito e é compactuar com o sistema patriarcal. Um filho não se faz sozinho. Até no julgamento e no acto de condenar há hipocrisia.
És um ignorante Pedro, ou então estás a querer confundir deliberadamente. A lei portuguesa não se assemelha nada à iraniana. A lei portuguesa é igual à espanhola, ou melhor, a espenhola é uma cópia da nossa. Lê qq coisita antes, - p ex. a lei portuguesa sobre IVG -, antes de escreveres posts tolos...
Afixado por: Paulo em abril 15, 2005 09:24 AM