abril 14, 2005

Podemos sempre diminuir a esperança média de vida

O programa do governo defende que "é condição essencial que a idade de reforma vá acompanhando a evolução da esperança média de vida". Ontem, em declarações à Lusa, uma fonte do Ministério do Trabalho afirmou que essa proposta "não significa que a idade da reforma vá aumentar".

Publicado por pedro sales em
Comentários

que seria da política sem a retórica e os paradoxos?..

Afixado por: apolo em abril 14, 2005 12:30 PM

Já agora, caro Pedro, com que idade é que gostarias de te reformar ?

Afixado por: Real em abril 14, 2005 12:35 PM

Real,

Por mim tinha logo passado para a reforma à saída da faculdade...

Agora mais a sério, mesmo sem falar nos direitos sociais de quem trabalha, e desconta, uma vida inteira para a Segurança Social, o aumento da idade de reforma está longe de ser uma medida que aumente a produtividade e eficiência da economia. O seu significado é simples. Manter pessoas com uma idade avançada, e com uma presumível menor adequação a novos métodos de trabalho, afastando a geração com o maior nível de escolarização que o nosso país alguma vez teve no desemprego.

Afixado por: pedro sales em abril 14, 2005 01:08 PM

Pedro,
Apesar de seres do BE - grupo político cujos conteúdos programáticos em muitas matérias não têm nada a ver com a realidade portuguesa - nesta matéria és igual a todos os portugueses, a saber, começar a vida logo reformado ;)

Neste momento há um conjunto significativo de profissões onde as pessoas se reformam por volta dos 50 anos (professores, bancários, EDP, TLP, etc) como a esperança de vida ronda os 85 anos significa que estas pessoas vão ter mais anos de aposentação do que de regime contributivo. É fácil de ver que isto é financeiramente insustentável. Ao contrário do que dizes esta gente " não está desadequada de novos métodos de trabalho", pois todos eles continuam a trabalhar, os engenheiros da EDP montam empresas para prestar serviços à empresa de onde saíram, os professores montam ateliers de ensino para suprir as carências do estado que entretanto tem que prescindir do essencial na educação para lhes pagar as reformas, os bancários criam empresas de contabilidade e passam a trabalhar para bancos privados e por aí fora. Ora, meu caro, se há algo que neste momento mina a coesão social, agrava o desemprego e torna o estado fraco no cumprimento das suas obrigações é justamente este problema. Pois é, só dá e tira muitos votos e tu ainda não está na condição de os poderes perder, não é ?

Afixado por: Real em abril 14, 2005 01:37 PM

Obrigado camarada Pedro pela sua honestidade. Que grande parte do pessoal da esquerda inteligente passou directamente da faculdade para a reforma já se sabia, a grande novidade foi facto de um dos seus membros o ter admitido.
Quanto à questão levantada pelo post podemos recorrer a uma ideia do camarada Daniel (abortar o lobo Xavier) e usar o aborto como garantia que o comum dos mortais não aumenta muito a esperança media de vida.

Afixado por: fidel em abril 14, 2005 02:02 PM

Real, acho muito bem que pretendas aumentar a idade da reforma para pessoas que atualmente se reformam aos 50 anos de idade. Outra coisa perfeitamente distinta é pretender aumentá-la para quem atualmente se reforma aos 65 anos.

Afixado por: Luis Lavoura em abril 14, 2005 02:22 PM

bem, mas o grosso da população que trabalha por conta de outrém não é composto por gestores e professores, pois não? e a perda de faculdades (psicológicas e motoras) não é adiada com o aumento da esperança média de vida, ou é? será abusivo admitir que pelos 70 anos a maioria das pessoas já não tem a mesma estaleca, a mesma capacidade de concentração, a mesma energia física e/ou intelectual, e, portanto, o mesmo nível de produtividade? é óbvio que é algo que varia imenso de pessoa para pessoa, e também de trabalho para trabalho, mas antes pecar por excesso do que por defeito..

Afixado por: apolo em abril 14, 2005 02:22 PM

O problema é aquele que apolo identifica. As pessoas podem muito bem morrer aos 85 ou 90 anos de idade, mas mesmo assim aos 70 anos já não têm grande energia, imaginação, concentração, destreza, etc para trabalhar.

Os progressos da medicina (sobretudo preventiva) permitem-nos viver mais tempo, mas não têm até agora permitido que mantenhamos o fulgor da juventude até mais tarde.

Afixado por: Luis Lavoura em abril 14, 2005 02:51 PM

Mas v. conhecem alguém que neste momento se reforme aos 70 anos, ou mesmo aos 65 ?
Consultem a Caixa Geral de Aposentações e verificam que a percentagem dos contribuintes que se reformam com essas idades é muito diminuta.

Afixado por: Real em abril 14, 2005 03:04 PM

Tenho impressão que os homicidios vão aumentar!

Afixado por: Hera em abril 14, 2005 03:33 PM

Real,

Os números de que falas, existindo, dizem respeito a quem, por opção própria ou através de planos propostas pelas empresas, antecipa a idade de reforma. O programa do PS não se refere a esse casos, mas, como é público, à idade prevista para o regime geral de aposentação.


E aí, como certamente sabes, os números são um pouco diferentes: 36 anos de descontos, ou 60 anos de idade no sector público. No privado são precisos 40 anos de descontos, ou 65 anos de idade. É a esses casos que se reporta o programa do PS e não, como falas, das reformas antecipadas.

Afixado por: pedro sales em abril 14, 2005 03:39 PM

Pedro,
Se o programa do PS diz, está bem dito ;)

Uma coisa decorre da outra, se há muita gente aposentada tem de haver quem pague.

Meu caro, na ingenuidade dos meus trinta e poucos, acredito que se chegar aos 65 ou 70 não vou ter direito a reforma, cada vez as pessoas vivem mais e os activos cada vez menos. Só os economistas do BE fazem contas que contrariam esta evidência. Aceito pagar sem nenhuma garantia de poder vir a receber, são estas as regras de um jogo antigo.

Mas a solução para este grave problema passa por aumentar a idade da reforma e por abrir as portas à emigração. Sou favorável a ambas.

Afixado por: Real em abril 14, 2005 04:07 PM

Toda a vida fui várias vezes ao Algarve durante o Inverno. Víamos os ingleses de terceira idade instalados nas praias, a passear pelas terras e terreolas.
Com um ar de pena, os meus pais diziam: "São ingleses. Lá ganham o suficiente para poderem passar a reforma a passear e não enfiados num lar como cá. E como o sistema de saúde é melhor que o nosso, chegam a esta idade com saúde para viver ainda um descanso com liberdade." E rematavam: "Para nós, isto não vai ser assim. Talvez no teu tempo já tenhamos atingido o nível de vida da Inglaterra."

Em França, com as 35 horas, há quem opte continuar a fazer o seu horário de 40h e ir descontando nos anos de serviço. Faz um pé de meia, compra uma casinha na Provença ou na Normandia, e passa ainda uns belos 15 ou 20 anos a gozar a vida.

Pois, eu agora começo a achar que não vou dizer isto nem aos meus bisnetos!!!
Pelos comentários, há quem defenda morrer no posto de trabalho, e passar directamente para a campa! Quem trabalha uma vida a pensar que depois pode descansar... era bom, era!

Será que as pessoas se esquecem que trabalham para viver e não o contrário?

Afixado por: Helena Romao em abril 14, 2005 04:23 PM

Esperemos que o Real chegue vigoroso aos seus 70 anos, para não ter que engolir o que aqui disse hoje.

O objectivo de estar vivo não é o de poder trabalhar. Pode ser-se bom profissional e sentir-se realizado na sua profissão sem ter que viver em função disso. Tenho pena de si e daquelas almas penadas que foram reformadas compulsivamente e que continuam a pairar diariamente pelo antigo local de trabalho, porque ja se fundiu tudo lá por dentro, e não existem outros objectivos na vida.

Afixado por: Eric Blair em abril 14, 2005 04:37 PM

Real,

o facto de ser do Bloco de Esquerda não quer dizer que fale em seu nome.Nem fui para tal mandatado pelo partido, nem é nesse nome que escrevo no Barnabé. Se queres discutir política com o Bloco escolheste o interlecutor errado.

Afixado por: pedro sales em abril 14, 2005 05:27 PM

então e como é que eu faço para dizer mal de todas essas tuas ideias, digo que são parecidas com as da Nova Democracia ? Gajos complicados...

Afixado por: Real em abril 14, 2005 05:39 PM

Real,

Criticas as minhas ideias, da mesma forma que eu, quando assim se justifica, faço com as tuas sem vir com a lengalenga do PS. Simples

Afixado por: pedro sales em abril 14, 2005 05:51 PM

Ah, mas assim não tem piada, eu gosto mesmo é quando tu vens com a lenga-lenga do PS ;)

Afixado por: Real em abril 14, 2005 06:11 PM

Ok, és tu que o pedes. ;)

Afixado por: pedro sales em abril 14, 2005 06:47 PM

meus amigos esta justificação de pelo facto da esperança media de vida aumentar, logo a idade de reforma tambem, não tem pes nem cabeça.

conheço um professor de farmacia que diz e diz muito bem, a esperança media de vida aumenta, mas uma pessoa vai perdendo certas faculdades, fica menos produtivo, e ao mesmo tempo tira trabalho aos mais jovens.

é verdade que a esperança media de vida aumenta, no entanto não dizem que a massa ossea começa a dar de si. sim porque vivemos mais tempo, no entanto não somos sempre jovens. isto é um facto.

Afixado por: oscar pinto em abril 14, 2005 08:53 PM

Um casal meu amigo pertence a esse grupo de «parasitas» que se reformaram na casa dos cinquenta.

Ela era professora primária e reformou-se porque, tendo começado a trabalhar muito nova, a lei lho permitia - e ela tinha medo que deixasse de permitir.

Ele era quadro técnico numa empresa privada. Reformou-se, não por sua iniciativa, mas porque a empresa - no seu próprio interesse, suponho - lhe fez uma proposta irrecusável.

Agora cuidam dos netos em «full time». Têm três, de dois filhos e duas noras - quatro profissionais altamente qualificados e bem pagos, do género que agora se usa muito de entrar às nove da manhã e sair às onze da noite, e que não poderiam trabalhar como trabalham sem o casal de «parasitas» que lhes cobre a retaguarda.

Quando é que pessoas como o Real aprendem que, quando se discutem custos e benefícios, é preciso incluir na discussão todos os custos e todos os benefícios?

Afixado por: Zé Luiz em abril 20, 2005 02:01 PM