Para defender o “sim” à Constituição Europeia, a televisão francesa tinha convidado José Manuel Barroso para o programa “Cem minutos para convencer”. Mas Barroso tem-se desdobrando em declarações públicas, cada uma mais desastrada do que a outra. A entrevista, que estava marcada para Abril, foi cancelada. Argumento: seria demasiado tempo dado a um dos lados da contenda. No caso, cem minutos de borla para o “não”.
Mas o menor dos problemas dos franceses será Barroso. À direita, é a entrada da Turquia. À esquerda, é a directiva Bolkestein. O Partido Socialista Francês, em tudo diferente do nosso PS, está partido a meio.
Nada em comum entre as duas posições. A entrada da Turquia só pode ser vista como uma boa notícia. Um rude golpe para os que acreditam no choque de civilizações. Já com a directiva Bolkestein, a história é outra. Nela encontra-se o espírito da Constituição proposta. Aplicar, na criação de um mercado único de serviços, a lei do país de origem das empresas é um truque. Os liberais querem conseguir na secretaria o que não conseguem nas urnas: uma lei laboral menos rigorosa. Para o conseguir recorrem, se preciso for, à chantagem.
Venha uma constituição. E venha, urgentemente, a união política. Mas que não se perca na Europa o que se ganhou nos Estados. A bem da União, espero que os franceses chumbem esta Constituição. Nesta Europa, onde não mandam todos o mesmo, é dos eleitores franceses que agora dependemos.
"Expresso", 3 de Abril de 2005
Publicado por danieloliveira emCaro Daniel
«A entrada da Turquia só pode ser vista como uma boa notícia» parece-me uma frase excessivamente optimista.
Eu não tenho nenhuma posição de princípio contra a entrada da Turquia na União Europeia. Acho inaceitável que se considere uma objecção à entrada da Turquia a alegada «identidade cristã» da Europa.
O que não quer dizer que a entrada da Turquia não coloque questões. Ainda recentemente «O Público» publicou a notícia de que na Turquia foram alterados os nomes em latim de alguns animais, incluindo um carneiro, porque essas nomes tinham referências aos arménios e aos curdos, atentando, portanto, contra a unidade nacional turca. Eu comentei essa notícia no meu blogue.
Em nome do direito à diferença promove-se a integração na União Europeia de um Estado enorme que, no seu território, descrimina arménios e curdos. E a situação das mulheres também não é famosa.
A Europa já tem demasiados racistas. Eu não quero um Estado racista na Europa. Não por os racistas turcos serem diferentes dos europeus, mas por serem demasiado iguais.
Chumbar a Constituição é sabotar a grande Europa e fazer o jogo de Bush. Só a esquerda burra é que pensa que a defesa de políticas concretas (mais ou menos sociais) se deve fazer chumbando constituições que são compatíveis com todas elas. E é claro que a Turquia tem de entrar na Europa. Só quem não conhece esse grande país e as suas potencialidades é que pode defender o contrário. Outra coisa é o timing dessa entrada. A sua especificidade económica e demográfica exigem um extenso período pré-adesão.
Afixado por: euroliberal em abril 16, 2005 08:55 PMFalta a pedagogia e o patriotismo europeus...
Quando os europeístas têm vergonha de se assumir como patriotas europeus, é o que dá: fascistas passadistas e esquerdalhos estúpidos unem-se para atrasar (EMPATAR) a construção da Grande Europa, para satisfazer pequenos interesses de curto prazo e vingançazinhas politiqueiras. Bush dá saltos de contentamento...A esquerda mais estúpida da Europa é a francesa. Pensa que chumbar a Constituição (que é compatível com políticas mais "sociais" ou mais "liberais") é um modo correcto de defender as suas ideias partidárias. E dão de barato a posição única que a França tem na construção europeia e o golpe terrível que essa posição sofrerá em caso de "não". Não são patriotas europeus nem patriotas franceses, são apenas esquerdalhos estúpidos, passe o pleonasmo...Quanto à direita estúpida (a fascista e a soberanista), o erro não é menos fatal. Vêem um papão na Turquia que faz parte indissociável do espírito europeu. Basta visitar Istambul e respirar a história nesse lugar de eleição da europeidade. Poucas cidades são tão intrinsecamente europeias e indispensáveis à Europa como Istambul. E a florescente economia turca transforma-a na placa giratória económica de toda a região do mar Negro, Balcãs do Sul e Asia central turcófona (Azerbeijão, Turquemenistão, Usbequistão, Casaquistão, Quisguizistão até ao Turquestão chinês). E Kemal Ataturk europeizou a Turquia de forma radical. A necessidade da sua adesão é um facto evidente. Outra coisa é o timing dessa adesão, que deve ser obviamente demorado, dados os problemas demográficos e económicos em causa. A direita extremista é burra e não percebe que mesmo de um ponto de vista nacionalista (dos Estados-membros) a Unidade europeia é indispensável. Hoje, num mundo globalizado de grandes potência emergentes (China, Índia, Brasil, etc.) só unida é que a Europa pode afirmar-se no mundo. Não unida é irrelevante. E um nacionalista português e europeu não deseja a irrelevância da Pátria. Finalmente, é de questionar a banalização dos referendos. Os políticos são eleitos democraticamente por serem os mais competentes para tomarem as decisões racionais que melhor sirvam os interesses colectivos, em que muitas considerções técnicas e políticas estão envolvidas. Não para submeterem todas as suas decisões, como se fossem destituídos de legitimidade, a referendos da populaça estúpida. A democracia deve ser representativa, não directa ! Democracia directa não é democracia, é palhaçada ! Disse.
VIVA A GRANDE EUROPA ! Enviemos os anti-europeus para Africa (sem ofensa para os africanos) !