Público - Ultima Hora: «Cardeal Joseph Ratzinger apela ao combate contra "ditadura do relativismo"«. Isto já deixou o João Miranda do Blasfémias todo contente, e é a ocasião ideal para eu contar uma velha história, lida já não me lembro onde.
Estamos num colóquio ecuménico. O representante budista vai até ao palanque e fala acerca do karma, do nirvana e alayavijnana.
Os circunstantes ouvem com atenção e dizem: uau, que fixe, que interessante! Se isso funciona contigo, óptimo.
Depois vem o hindu. Faz uma breve resenha dos seus milhares de deuses, incluindo shiva e agni, lakshmi e ganesh.
A plateia aplaude. Uau, que porreiro, que espectáculo. Se funciona contigo, tudo bem.
E o colóquio continua assim a tarde inteira. Vem o judeu com moisés, o muçulmano com maomé, vários animistas com animações (em powerpoint), espíritas, mormones e zoroastrianos. E o público reage sempre da mesma forma simpática.
Nesse momento, levanta-se Joseph Ratzinger. Fala um pouco sobre deus-uno e deus-trino, distinguindo os atributos do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ainda tem tempo para tratar da Virgem Maria, dos Santos e dos Apóstolos.
A plateia está rendida. Uau! Que... – mas Ratzinger interrompe, furioso.
– Não é nada uau, seus cretinos! Não é "fixe", não é "óptimo", não é "se funciona contigo"! Isto é a VERDADE, o resto é tudo MENTIRA, quem acredita nisto vai para o CÉU e quem acredita no resto vai parar ao INFERNO, perceberam finalmente?!
A plateia engole em seco. Ficou um pouco surpreendida com os decibéis e os perdigotos. A pouco e pouco ouvem-se os primeiros aplausos:
– Uau, que fixe, que óptimo. Eh pá, se isso funciona contigo, é o máximo.
Publicado por ruitavares emA ditadura do relativismo? O tipo podia ser mais pascácio? Se calhar até podia.
O relativismo é a negação da ditadura, é o pensar livre, livre de dogmas e de verdades absolutas, admito que o relativismo não é compatível com os dogmas do pascácio. Mas vir um dogmático misturar relativismo com ditadura, mostra a ignorância do orador.
O relativismo não se impõe a ninguém, não é uma doutrina, é uma palavra que serviu para classificar uma revolução na ciência, e hoje representa uma palavra que engloba diversas formas de pensamento. É um belo exemplo de pluralidade, enfim eu diria que a melhor definição de relativismo até podia ser: a negação da ditadura.
sem comentarios...
um catolico não pode ser marxista, ainda bem que não sou catolico.
Afixado por: oscar pinto em abril 18, 2005 06:29 PMRui tavares, o Rico, faz uma breve exposição sobre a própria cretinice.
Os comentadores apludem e ouvem-se os primeiros aplusos.
- Uau, que fixe, que óptimo, Eh pá!!! se isso funciona contigo é o máximo. Continua a postegar que vais longe!
dois conceitos, que pelos vistos faltam a algumas pessoas, liberdade e tolerancia.
ditadura do relativismo...o que tu queres sei eu.
Afixado por: oscar pinto em abril 18, 2005 06:59 PMDitadura do relativismo?!
Vê-se mesmo que o gajo tem todos os atributos para ser um bom cardeal: é burro, é nazi (neste caso a raça superior passam a ser os católicos), é um sacana, não possui qualquer ideia do que é a liberdade de pensamento e a tolerância e, ainda por cima, tem a mania que é filósofo. Ah! Convém não esquecer, tem apoiantes parvos como o manuel do moinho que fazem de groupies no seu clube de fans!
Afixado por: André Militão em abril 18, 2005 08:42 PMFalta aí a menção aos radicais protestantes norte-americanos, muito piores que Ratzinger.
Afixado por: Pedro Sá em abril 19, 2005 09:14 AMOra bem meus caros, sou leitora assídua deste blog, embora pouco comente, no entanto sinto-me tentada a fazê-lo.
Ratzinger, Cardeal da ala conservadora da Igreja Católica, nomeado Papa há poucas horas, dito "Papabilli" há mais de 2 anos, é no entanto um digno sucessor de João Paulo II.
Não vejo com bons olhos essa animosidade para com o actual Papa. Como futura socióloga, devo incentivar o vosso RELATIVISMO para o perceberem: A verdade é o que nós crêmos que existe. Nesta prespectiva, a "verdade" é, nas palavras de Ratzinger, O Deus uno e indivizível ( A santíssima trindade é união entre o plano divino (Deus) e o plano terreno (Jesus, filho de Deus), conseguida através do plano metafísico (Espirito Santo).
Kerem um conselho? Leiam Durkheim que diz de uma maneira correcta: "Todas as religiões são verdadeiras", isto claro, porque nós pensamos o k existe. Na prespectiva Durkheimiana, a "sociedade" (não querendo de forma alguma atropomorficar um conceito) cria a religião para explicar fenómenos à priori inexplicáveis, isto dado à sua periocidade, coercividade, exterioridade e anterioridade. Passo a explicar, o fenómeno societal de toda uma conjuntura organizada é anterior ao homem, uma vez que, quando nascemos somos inseridos em sociedade, seja ela primitiva ou moderna, com 2 pessoas ou milhares de indivíduos. É exterior e coerciva porque senso-comunalmente, é impossivel identificar o que faz as pessoas actuarem de certa forma, organizada, estruturada, e é em parte daí que advém as crenças em santos e Deidades, ao atribuir-lhes fenomenos Sociais (que tanto intrigam) e naturais (lembre-se santa barbara e os trovões).
A religião é portanto, o que nós queiramos que seja... Adorem uma caixa de cartão, um pisa papeis... é tudo... Verdadeiro. A Contextualidade +e um ponto fulcral meus caros... Reconsiderem o que foi dito.
Um abraço.
Ikkuna
Afixado por: Ikkuna em abril 19, 2005 08:54 PMIkkuna:
Se não vê com bons olhos a animosidade para com o Papa Bento XVI, não deve também ver com bons olhos a animosidade do mesmo para com: o Rock, o relativismo, a homossexualidade etc.
Faz muito bem em apelar ao nosso relativismo, de bom grado o faço, mas se calhar está a esquecer um pequeno pormenor, o relativismo não aniquila criticismo, nem discórdia. O relativismo não é um caos onde tudo é plausível e uma declaração do tipo: "asdfdfer", tenha validade. Relativismo pretende contextualizar as diferentes visões, e pretende que estas sejam respeitadas, mas não queiram usar o relativismo para gerar consenso, longe disso está o sucesso do relativismo.
Apela à nossa compreensão da visão de Ratzinger, eu compreendo, mas discordo, e aqui está a diferença fundamental. Eu posso compreender o desespero que leva alguém a suicidar-se e no entanto discordo dessa opção. Aliás, só compreendendo a visão de Ratzinger é que posso criticá-la, é normalmente assim que eu procedo, não sou grande crítico de meteorologia, porque não compreendo o suficiente para ser um crítico consciente.
Durkheim, tem já a minha admiração, porque parece-me que pela afirmação, é capaz de respeitar todas as religiões porque percebeu que elas são construções do Homem para explicar o inexplicável (como você própria disse). Mas você própria reconhecerá a diferença abismal entre o modelo Durkheim e o modelo Ratzinger.
Para não parecer que estou em total desacordo, fico bastante contente de ver que possui uma visão bastante tolerante de crença, e, provavelmente devido à sua formação, devidamente contextualizada.
Agora reservo-me o direito de discordar da declaração de Ratzinger, pois revela uma astuta maneira de apelar a um absolutismo, ou uma estupidificante forma de ver uma tolerante forma de visão do mundo, que consiste na pluralidade da mesma visão.
" É exterior e coerciva porque senso-comunalmente, é impossivel identificar o que faz as pessoas actuarem de certa forma, organizada, estruturada, e é em parte daí que advém as crenças em santos e Deidades, ao atribuir-lhes fenomenos Sociais (que tanto intrigam) e naturais (lembre-se santa barbara e os trovões)."
Permita-me mais uma vez a discórida, na minha visão, a sociedade organiza-se de forma estruturada, por uma razão: a necessidade de atingir um objectivo comum, que poderá ser apenas ou mais facilmente alcançado trabalhando de ofrma conjunta e organizada.
Os animais tb responderam a essa necessidade, criando tb uma estrutura social (às vezes mais complexa do que nós sonhamos), para poderem garantir a sobrevivência. E poderia-se até dizer que ao usar o argumento dos animais (ditos irracionais) eu poderia estar a reforçar a ideia de que algo divino o explicaria, mas eu acho que os animais não são desprovidos de actividade cerebral. Os animais reagem, têm medo, choram e possuem diferentes níveis de cefalização, por isso eu acho que os animais tb têm uma noção de necessidade que não se exprime em palavras, mas que circula nos seus cérebros por impulsos elétricos.
Realmente o Cristianismo é desde o princípio uma religião exclusivista. Jesus Cristo foi bem claro quando disse que "ninguém vai ao Pai senão por mim". Ratzinger acrescenta-lhe o lastro de uma igrega com mil e tal anos, e com essa parte eu não concordo. Mas que o Cristianismo se assume como o único caminho para Deus, isso é indiscutível.
Quanto ao relativesmo, nada a opor. A não ser quando o querem transformar em lei universal. Ou seja, o Manuel pode ser relativista mas não tem o direito de me obrigar a ser. Eu acredito numa única verdade (estamos a falar de religião). E por isso digo que eu estou certo e que o crentes de outras religiões estão errados. Posso? Se sim, então aceito esse relativismo.
Viseu:
Nem sequer tens de aceitar o relativismo, podes recusá-lo redondamente, podes ignorá-lo, podes pensar o que quiseres...e nem é preciso eu estar para aqui a dizer o que podes pensar. Tens vontade própria e fazes o que te apetece.
O relativismo nunca quis impor nada a ninguém, não é uma doutrina, não tem seguidores, não tem crentes. Portanto parece-me ridículo que tu ponhas essa questão.
O relativismo passava despercebido, se o próprio Ratzinger não se lembrava de dizer tal barbaridade. Atenção não é em nome do relativismo que eu defendo que cada um pode pensar o que quiser, é antes em nome da coexistência.
Parece-me que estás a cometer o mesmo erro que Ratzinger, levantar o problema da ditadura do relativismo, se o relativismo te deixa pensar assim? Essa questão nem se põe, pensas o que quiseres como quiseres. Agora a nível de actuação é natural que não se possa fazer tudo que nos dá na gana, em nome da própria liberdade.
Afixado por: João Dias em abril 21, 2005 01:14 AMpenso que há aqui muitas pessoas a fazer confusão.
como o joão dias explanou, e eu concordo inteiramente, ditadura do relativismo são conceitos contraditorios.
o relativismo, não é algo que se induza nem se imponha, é uma realidade. e esta realidade concretiza-se nas diferentes formas de pensamento quer seja dentro da religião ou fora dela. existem varias formas de pensamento, umas diferentes das outras.
cada um tem a sua verdade, o seu pensamento coerente.(salvo algumas excepções)
e é nisto que se baseia o livre pensamento.
chamar a isto ditadura é imcompreensivel, não tem sentido.
se isto é ditadura do relativismo então a carta dos direitos humanos é a constituição dessa ditadura.
Afixado por: oscar pinto em abril 21, 2005 02:59 AMAndreas Lind:
Deixa-me desde já contrariar o sentido pejorativo que inseriste no discurso, e permite-me elogiar o teu. Está bem argumentado e trata de um dos meus assuntos favoritos: o paradoxo pragmático.
Bem, em verdade, eu sou aluno de engenharia, e nesse aspecto não tenho a formação superior que tem o Ratzinger, que tu vincaste e muito bem. Mas eu tenho uma mente aberta e não me coíbo de contrariar as declarações de ninguém, seja ele quem for.
E permite-me relativizar o teu argumento, se de facto o relativismo for uma doutrina imposta, é sem dúvida uma ditadura, mas para mim o relativismo apareceu nos estudos como uma época de evolução na ciência e que afectou (afectou, não foi imposta) a maneira de ver as coisas de alguns pensadores. Recorrendo à capacidade de argumentação podes criar paradoxos quase onde quiseres, toda a argumentação parece-se anular a si mesma. Por exemplo (para não pensares que eu não leio nada):
- “Só é livre a acção espontânea” é uma afirmação contraditória porque apela à liberdade da acção espontânea, mas é totalitária no sentido em que “só” a atinges a liberdade através da acção espontânea. Estamos perante um paradoxo pragmático. Que é bastante diferente do paradoxo lógico, esse nós conseguimos desenvencilhar-nos dele. O paradoxo pragmático é musa e tormento dos filósofos, muitos dedicaram a vida a eles sem nunca se desenvencilharem dos mesmos.
“Tens esse dever. Caso contrário, se a Verdade é o relativismo a vida não tem sentido, terás de seguir o caminho de Schopenhauer. Como não o fazes és um hipócrita!”
Com frases destas suponho sejas um fervoroso admirador dos dogmas?
Pegando nesta afirmação, refuto a ideia da ditadura, mas quem disse que a relatividade era a verdade, as verdades da relatividade podem ser falsas, não tens de as aceitar, não tens de viver segundo o relativismo. Eu tb te digo deve haver relativistas dogmáticos, que defendam tão acerrimamente o mesmo que estejam a impor a relatividade como um dogma, mas esses relativistas eu dispenso, não são capazes de fruir o livre pensamento.
Nesse aspecto a tua frase é extremamente bem conseguida: “ A ditadura do relativismo tem dogmas” Bravo sinceramente.
Mas eu estou em desacordo quanto a essa ditadura, porque sinceramente não me parece que haja alguém ou alguma instituição a impor o relativismo, se há é muito pouco eficaz e ainda não entrou pela minha casa a dentro diariamente como faz a religião.
P.S. Tens todo o direito de escrever para o meu mail a acusar-me de hipócrita, mas pergunta-te a ti mesmo se acreditas nisso e mais importante: se isso acrescenta alguma coisa à discussão?
Não estou ofendido, mais uma vez tens todo o direito e fazes bem até porque se tens direito deves usufruir do mesmo. Portanto se quiseres partir para o insulto é um direito que estás a exercer.
E já agora podias escrever isto na caixa dos comentários para que outros pudessem usufruir das tuas opiniões. Eu vou te enviar esta resposta e vou tb publica-la na caixa de comentários, com o propósito de alargar a discussão.
Neste mail vai tb um pequeno trecho de um livro que eu tenho e que analisa o paradoxo pragmático que referiste: do relativismo.
Caro João Dias,
Apenas três notas:
1) Lind é sueco; Lindt é alemão; mas o chocolate Lindt é suiço. Confusão atrás de confusão...
2) Eu não estou a confrontar ideias (opiniões) como tu querias. Não tenho formação para defender opiniões no campo da filosofia. Se o fizesse, como tu, seria arrogante (no meu conceito de "arrogancia").
3) Pode-se discutir se sem defender opiniões(não sei se tens noção disso)
4) perdoa-me mas no meu, acrediu conceito de "honestidade intelectual" (que não é só meta) o que fizeste foi contrário ao mesmo. Tens de relativizar um pouco mais...
um abraço,
Afixado por: Andy Lind em abril 24, 2005 03:37 PMCaro João Dias,
Desde já, deixo claro que não vou entrar em discussões filosóficas, pois não tenho formação para isso, ao contrário de ti que, pelo menos essa humildade não tens. Não sei se no teu “relativismo” me consideras humilde, ou te consideras arrogante por tu, sem formação, andares a publicar comentários que não passam de “piropos” sem estudo e sólida base doutrinal.
Contudo, permite que eu te aponte algumas falhas no que tu dizes.
O teu primeiro erro consiste no seguinte: tu tens a concepção dialéctica de Hegel, que era aceitável no século XIX, mas que agora é ignorância. Porquê? Porque, ao publicares o comentário para mim na Internet (o que não me incomoda nada) para “alargar a discussão”, partes do pressuposto (dogma) que o conhecimento (a evolução) se concretiza num processo dialéctico com uma tese que tem o confronto da antítese para chegar à síntese. Esta discussão, caso não saibas, surgiu na filosofia em muitas alturas.
Esta concepção do conhecimento é muito perigosa, pois fomenta a ignorância, a falta de rigor e a disputa entre as pessoas. Repara: se é assim, isto é, se é necessários confrontar ideias antagónicas para se chegar à síntese (verdade), o que acontece não é a busca de conhecimento com rigor e estudo, mas um conjunto de “piropos” que se desmontam com um pouco de estudo. Como tu queres entrar em discussão comigo sem estudar antes o assunto. Eu por mim não faço isso, até porque nunca te revelei a minha opinião, ao contrário do que dás a entender no teu comentário. Chama-se a isso falta de honestidade intelectual (o conceito não é não é relativo).
Na verdade, penso que as concepções da filosofia mais actual refutam totalmente esta linha hegeliana.
Ou seja: antes de “discutirmos um assunto” – o que significa, defender uma ideia – é preciso estudar as áreas onde entra essa ideia se insere, para além do estudo meramente conceptual (que tu não tens (irei explicar porquê)). Por outras palavras, não se tem o direito de ter uma opinião se não se cumprir o dever de conhecer e aprofundar (a frase não é minha).
Outro erro teu, este menos subtil, consiste em dizer que o “relativismo” surgiu com um “olhar” ás novas descobertas científicas, dando a entender que se tratava da teoria da relatividade do Einstein. Este erro é grave.
O “relativismo” na Filosofia Ocidental (e não só) existe há muito tempo. Os filósofos pré-socráticos, mais concretamente os sofistas, são considerados “filósofos relativistas”. Caso não saibas, foram combatidos pelo Sócrates (Platão) precisamente por serem contra as ideias absolutas. Nos teus emails, foste capaz de por o Sócrates contra o Absoluto, contra ideias absolutas e verdadeiramente universais, contra dogmas. Tens de rever melhor os capítulos de Sócrates e Platão. Por acaso sabes qual é o contexto em que Sócrates diz a frase que citaste? Devias ver isso primeiro antes de citar as frases.
O combate contra o relativismo do Ratzinger não é um combate de agora. Não tem nada que ver com a teoria da relatividade, é totalmente independente disso. A teoria da relatividade não defende o “relativismo” de que fala o Ratzinger. Não confundas os conceitos. Eu, que tenho muito de aprender, digo-te com toda a humildade, falta-te formação conceptual e doutrinal.
Tu dizes que eu defendi que o relativismo é uma doutrina imposta, mas eu nunca fiz isso, portanto ou é falta de honestidade intelectual ou não passa de mais uma confusão. Em relação ao “paradoxo pragmático”, sugiro que leias “Introdução ao Cristianismo” de Ratzinger e “Verdade e Tolerância” do mesmo autor – penso que quem fala sobre o Ratzinger deve ler o que ele diz (não é pedir muito). Sugiro-te estas leituras porque dizes “Que é bastante diferente – do paradoxo programático – do paradoxo lógico, esse nós conseguimos desenvencilhar-nos dele. O paradoxo pragmático é musa e tormento dos filósofos, muitos dedicaram a vida a eles sem nunca se desenvencilharem dos mesmos”. Humildemente te digo, parece-me que tens de estudar e aprofundar melhor estes conceitos antes de te pores a publicar comentários na Internet.
"Só é livre a acção espontânea". A acção espontânea, instintiva, é precisamente o contrário de uma “acção livre”. É acção que segue os instintos, onde vale qualquer coisa que se faça (desde que seja instintivo). Não sei se conheces o conceito de “Autonomia da vontade”. Caso contrário, deves estudar Kant.
“Com frases destas suponho que és um fervoroso admirador de dogmas?” dizes tu. Não compreendo se é uma pergunta ou uma afirmação... Em todo o caso, não sei o que consideras por “fervoroso admirador” de dogmas. Digo-te, abertamente, que todos nós temos dogmas para seguir em frente na vida, isto é, para estudarmos engenharia, para casarmos e constituirmos uma família. A diferença está em que uns assumem e outros não. Por isso, eu disse SE fazes isto és hipócrita (não disse da maneira em que tu publicaste na Internet).
PS – A propósito de demagogia. Eu nunca te acusei de hipócrita (não é relativo, é a verdade). Disse SE, pois esse SE implicava que tu vivias contrariamente ao que defendes, não “existencializavas” as tuas “crenças” e, por isso, serias um hipócrita, de acordo com a definição de hipocrisia.
No entanto, dizes que eu defendo o Ratzinger por ser alemão... Já agora Lind é sueco; em alemão é Lindt... Vês o que acontece quando falamos sobre o que não sabemos... Em todo o caso repito: nunca defendi o Ratzinger, apenas referi que o estavas a atacar de uma forma errada. Eu não tenho formação para defender opiniões nessa matéria.
Aderiste à minha falta de honestidade intelectual? A publicação indica que sim.
Pelo facto de teres publicado o mail na caixa de comentários na net, tb vou mais uma vez publicar o meu, e como sabes ele não é pequeno.
Oh meu caro Andreas Lind:
“…No entanto, dizes que eu defendo o Ratzinger por ser alemão… Vês o que acontece quando falamos sobre o que não sabemos...”
Eu não disse que tu defendias Ratzinger por seres alemão, eu nem sabia se eras alemão, por isso perguntei-te. Tens toda a razão eu não sabia, daí ter perguntado. De resto agradeço-te fiquei a saber que um chocolate chamado LINDT é alemão.
“Desde já, critico a tua falta de honestidade intelectual, que publicas uma mensagem para mim na Internet.”
Ok eu percebi que achas que só aqueles devidamente formados e informados é que podem escrever na net, mas eu discordo, e como tu és tolerante permites me a discórdia. Eu estou-me a informar, e se eu não escrevesse para a Internet, nunca tu te tinhas dirigido para o meu mail e eu não estaria aqui a receber informação da tua parte. É irónico mas a minha “falta de honestidade intelectual” levou a que pudesse discutir isto contigo. Ou posso ver isto de outra maneira. Não te reconheço autoridade para falares da minha honestidade intelectual, assim como tu dizes que eu sei pouco sobre o teu estado de espírito, pouco tu sabes da minha honestidade intelectual.
“…estive a verificar no vosso site…”
Se calhar estás a confundir-me com alguém, o site não é meu, sou apenas um usuário.
Vamos analisar o nosso confronto de ideias, posso dizer isto ou não é nesta base que se constrói o conhecimento?
Também tu partes de um “pressuposto errado”, é que os meus pressupostos são verdades parciais, estás a analisar o meu discurso segundo uma visão de dogma. Um pressuposto não tem de ser um dogma. Segundo Aristóteles a terra era o centro do Universo, esse pressuposto actualmente é falso, e é o facto cada vez mais forte do desmentido de algumas “verdades absolutas” que leva o Homem a ficar bastante reticente quanto a dogmas. Na altura era um dogma que a terra seria um centro do universo, mas isso já não se verifica então e isto quer dizer que não podemos ter pressupostos? Claro que não, se não seria impossível para o Homem exercer qualquer raciocínio. Mas o Homem tem se consciencializado de que os pressupostos podem mudar, e aqui é que nós entramos em desacordo…não é?
“…uma tese que tem o confronto da antítese para chegar à síntese.”
Também não é necessariamente nisso que consiste a tese, o conhecimento pode ser construído de várias formas (aqui tb deves discordar de mim?), pode ser construído através do consenso, pode ser construído através de análise experimental, pode ser como tu disseste através de depoimentos opostos (antítese), pode partir de depoimentos muito próximos ideologicamente que acabam por achar uma verdade intermédia e pode passar por outro tipo de situações que agora não me ocorre. Agora não limites a tese a este confronto de antítese para chegar à síntese, porque isso é falso.
“Esta concepção do conhecimento é muito perigosa, pois fomenta a ignorância, a falta de rigor e a disputa entre as pessoas. Repara: se é assim, isto é, se é necessários confrontar ideias antagónicas para se chegar à síntese (verdade), o que acontece não é a busca de conhecimento com rigor e estudo, mas um conjunto de “piropos” que se desmontam ao menor aprofundamento.”
Deixa-me perguntar-te uma coisa, tu achas que sabes a verdade? Achas que a sabes, e que ela é na realidade como tu a vês? Achas que a realidade (a verdadeira) é igualzinha àquela que tu preconizas?
Eu tb acho que deve existir uma verdade, e que nós (seres humanos) andamos à procura dela, mas tenho sérias dúvidas que a conheçamos com rigor. E o facto de eu achar que não conhecemos a verdade não quer dizer que eu não viva segundo as regras da mesma verdade da qual eu duvido. Mais uma vez vou dizer, o relativismo não tem de ser obrigatoriamente construído com base em ideias antagónicas, basta serem diferentes, ou pode até haver consenso. Epá e deixa-me dizer-te uma coisa, onde raio é que o relativismo é contra o estudo ou contra o rigor? PARECE que o facto de haver vozes dissonantes é maléfico, pergunto-te o seguinte: se não houvesse quem discordasse de Aristóteles, como é que sabíamos hoje que a terra não é o centro do universo? Achas que esse desmentido partiu da ignorância, da falta de rigor e da falta de estudo?
“Por outras palavras, não se tem o direito de ter uma opinião se não se cumprir o dever de conhecer e aprofundar”
Continuamos a bater na mesma tecla, não podes discutir se não cumprires o dev…
Mas eu li, eu penso, eu mudo de ideias, eu faço tudo isso e nunca pedi autorização a ninguém e não és tu quem me vai impedir de o fazer. E eu volto a fazer-te a pergunta quem és tu ou até o filósofo que citas para estabelecer quem pode e não pode opinar? O filósofo que eu te citei diz isso mesmo, mas, tu, tão convicto de que eu devia-me informar melhor, ou ignoras o que diz um conceituado e actual filósofo ou então discordas dele.
Eu percebo que eu não devo (diferente de eu não posso) escrever um livro de filosofia, mas que raio, se eu discutir filosofia com um filósofo ele não está seguro de si o suficiente para debater comigo? Já António Marina disse: “ Tenho a sensação de que a filosofia há-de sair da sua estufa para se incorporar no grupo das ciências de vanguarda. O mundo científico está em ebulição e a filosofia parece uma velhinha entretida a ver fotografias amarelentas que formam a sua própria história.”
Ele diz isso, e ele também já se manifestou contra uma relatividade extrema (ou absoluta), em que tudo é válido, mas mostra-se favorável a um relativismo moderado. Se calhar esse é o problema, a própria relatividade é relativa, e podes tu tb estar errado ao falar de relatividade como se fosse uma corrente uniforme que defende o relativismo incondicionalmente. A própria relatividade nem sempre é relativa, acabamos sempre por bater com o nariz nos paradoxos.
Aliás eu percebo a corrente dos que se opõem veementemente contra o relativismo absoluto, eles acham que o relativismo absoluto não leva a lado nenhum, que como tudo é possível, não se constrói nada. Eu percebi a tua versão dos factos e o pensamento que influencia o teu anti-relativismo (absoluto). E tu percebeste o perigo do absolutismo?
O relativismo absoluto pode ser de facto perigoso e ser usado para justificar os actos mais vis, assim como o absolutismo pode ser usado para os mesmos fins. Tendo isso em conta é necessário ter por base alguns valores, na minha versão verdades parciais, na tua, dogmas. Foi por causa desta ambiguidade do relativismo que os pensadores mais relativistas, e que vêem no relativismo terreno fértil para a inteligência criadora, refrearam o animo. Defendo um relativismo moderado, onde nem tudo é plausível mas onde deve haver espaço para o confronto de ideias e consenso (não tem de obrigatoriamente haver confronto de ideias). A ciência evoluiu assim e doutras maneiras.
“A Filosofia aparece a alguns como um meio homogêneo: os pensamentos nascem nele, morrem nele, os sistemas nele se edificam para nele desmoronar. Outros consideram-na como certa atitude cuja adoção estaria sempre ao alcance de nossa liberdade. Outros ainda, como um setor determinado da cultura. A nosso ver, a Filosofia não existe; sob qualquer forma que a consideremos, essa sombra da ciência, essa eminência parda da humanidade não passa de uma abstração hipostasiada.”
Esta é uma tradução brasileira de um segmento de Sartre, da obra “Questão de Método”.
E é uma visão de um filósofo que mostra heterogeneidade da própria ciência filosófica.
Ele analisa a filosofia e refere-a segundo diferentes visões. É um filósofo que eu admiro e muito.
“Quando começamos a pensar nas razões que nos levam a pensar que em filosofia nunca se chega a lado nenhum começamos a fazer filosofia. É por isso que a filosofia é inevitável. É inevitável porque não é mais do que a procura sistemática de justificações sensatas para as nossas ideias mais básicas — mesmo as nossas ideias acerca da própria filosofia. É neste sentido que a filosofia se opõe ao dogmatismo: nenhuma ideia tem o direito de suplantar quaisquer outras ideias, enquanto não mostrar que é realmente melhor do que as outras.”
«O que faz de alguém um filósofo, além de ser considerado como tal pela universidade?» Primeiro, penso que um autor tem de dar atenção a questões com um alto grau de generalidade, e tem de se sentir à vontade com as ideias abstractas. Não é suficiente procurar a verdade, pois podemos estabelecer a verdade com respeito a factos particulares; isso pode ser o objectivo dos historiadores, ou dos romancistas que procuram dizer de forma imaginativa como as coisas são, num certo sentido.
http://www.didacticaeditora.pt/arte_de_pensar/cap1.html
Podes verificar a autenticidade da citação. E esta até é do 10ªano.
Rejeitando expressamente o relativismo absoluto, que torna estéril qualquer
“Rejeitando expressamente o relativismo absoluto, que torna estéril qualquer debate sobre juízos morais na medida em que estes estariam imbuídos de caráter exclusivamente subjetivo”
Ai está a ideia de relativismo absoluto que é diferente do relativismo. Também tu e o Ratzinger se enganam ou têm falta honestidade intelectual, porque a afirmação poderia fazer sentido se fosse: “ditadura do relativismo absoluto”, e mesmo assim tinham de explicar bem a inserção da palavra ditadura para não dar a entender que PODERIAM estar a sugerir que este conceito estivesse a ser imposto. E que a palavra ditadura se referia ao facto de o relativismo absoluto defender o relativismo como única forma de conhecimento.
“Tu dizes que eu defendi que o relativismo é uma doutrina imposta, mas eu nunca fiz isso”
Tu escreveste ditadura do relativismo, ora ditadura é algo que nos é imposto. Se te queres referir à ditadura do relativismo como a ditadura de que tudo é relativo, também bem estás errado porque a haver ditadura, é a do relativismo absoluto, se queres dizer outra coisa agradecia que contextualizasses a palavra ditadura no título do mail, para poder resolver o hipotético equívoco.
"Estamos a avançar para uma ditadura de relativismo que não reconhece nada como certo e que tem como objectivo central o próprio ego e os próprios desejos", afirmou o cardeal, na missa que antecede o conclave, na basílica de São Pedro.”
Ratzinger (era o link que dava para o público)
Engana-se redondamente, Sartre e muitos outros são os engenhosos, pessoas que pensam pelo prazer de pensar (se tiveres dúvidas deste prazer genuíno tb te arranjo textos comprovativos) e que constantemente entram num processo de desvalorização da realidade (não é só a isto que se resume um engenhoso). Estás a ver o Ratzinger tb erra está a tentar interpretar o objectivo do pensamento dos outros, algo que nem ele nem ninguém tem a capacidade de fazer.
“Einstein acreditava que só a evolução moral impediria uma catástrofe a nível planetário…A intensa atividade intelectual de Einstein resultou na publicação de grande número de trabalhos, entre os quais vale destacar Warum Krieg? (1933; Por que a guerra?), em colaboração com Sigmund Freud; Mein Weltbild (1949; O mundo como eu o vejo); e Out of My Later Years (1950; Meus últimos anos)…Albert Einstein nasceu na cidade alemã de Ulm, em 14 de março de 1879. Filho de um pequeno industrial judeu, iniciou os estudos em Munique e cedo se destacou no estudo da matemática, física e filosofia”
Como vês por este trecho, a teoria da relatividade influenciou a visão de Einstein em relação ao resto. Inclusive ele fala em evolução moral, algo que os anti-relativistas (absolutistas) negam, e o qual levou muitos a negarem o mesmo. De facto errei quando disse relativismo, queria dizer relatividade, e depois falar como esta (teoria da relatividade) influenciou a visão do mundo. A contracção e dilatação do tempo tem impacto na forma de ver as coisas, as ciências não podem andar de costas viradas umas para as outras. Se tens dúvida dessa influência este trecho deve esclarecer-te. Eu sei perfeitamente a diferença entre relatividade e relativismo, mas deves tb compreender que apesar de independentes, a relatividade conduziu a um pensamento mais relativista por parte de Einstein em relação à filosofia área em que ele tb se destacou (como podes ver acima).
“Nos teus emails, foste capaz de por o Sócrates contra o Absoluto, contra ideias absolutas e verdadeiramente universais, contra dogmas. Tens de rever o teu estudo de Sócrates e Platão.”
Olha lá vens com tretas de honestidade intelectual e incansavelmente crias ideias que eu não expressei. Eu citei Sócrates e disse que tu não o devias (tb não é vinculativo) admirar porque ele, perante o seu aumento de conhecimento, apercebia-se da vastidão da sua ignorância. Como disseste que eu tenho “uma cultura de ignorância”, não devias gostar de Sócrates, pois ele reconhece a sua ignorância perante o aumento do seu conhecimento, logo: ou estavas a elogiar-me, ou não te ocorreu a ideia de contextualização de ignorância segundo Sócrates ou então querias mesmo dizer que eu faço parte da “cultura de ignorância”. Seja como for eu não fiz qualquer ligação de Sócrates a absolutismo.
“Sugiro-te estas leituras porque dizes “Que é bastante diferente – do paradoxo programático – do paradoxo lógico, esse nós conseguimos desenvencilhar-nos dele. O paradoxo pragmático é musa e tormento dos filósofos, muitos dedicaram a vida a eles sem nunca se desenvencilharem dos mesmos”. Humildemente te digo, parece-me que tens de estudar e aprofundar melhor estes conceitos antes de te pores a publicar comentários na Internet.”
Estes conceitos interiorizei-os através da leitura, por isso SE estás a por em causa, a diferença entre paradoxo pragmático e lógico, é de bom grado que te envio o texto em que isso é explicado. Se não estás a por isso em causa, escuso de te enviar o texto.
“Só é livre a acção espontânea". A acção espontânea, instintiva, é precisamente o contrário de uma “acção livre”. É acção que segue os instintos, onde vale qualquer coisa que se faça (desde que seja instintivo).”
Finalmente temos matéria de discussão, o tipo (Marina) que diz isso, é altamente conceituado e recebeu o XX prémio Anagrama de Ensaio (por unanimidade). Portanto respeitinho, que eu tb respeito os filósofos que tu me citas. E vou te mandar mais um trecho em que este fala da questão. Ele refere uma liberdade livre do pensamento, ou seja quando tens uma acção espontânea ages instintivamente, mas deves concordar que o instinto não é pensado? Logo quando ages instintivamente não pensas e alcanças a liberdade a que ele se refere.
“Digo-te, abertamente, que todos nós temos dogmas para seguir em frente na vida, isto é, para estudarmos engenharia, para casarmos e constituirmos uma família. A diferença está em que uns assumem e outros não. Por isso, eu disse SE fazes isto és hipócrita (não disse da maneira em que tu publicaste na Internet)..”
Mais uma vez reforço a ideia das verdades parciais, depois eu arranjo trechos em que se fala disto, eu tenho verdades parciais, que hoje são verdades e daqui a uns anos podem não ser. Para estudar não preciso de dogmas obrigado, eu vou para um teste e respondo segundo o que estudei, mas se mais tarde se descobrir que a afinal não é bem assim eu reformulo o meu saber. Analisemos a palavra dogma, verdade absoluta, indiscutível imutável no tempo. Como disse atrás, o facto de a terra ser o centro do universo já foi um dogma, mas se isso já não se verifica, então é porque nunca chegou a ser dogma pois, se o fosse, ainda hoje se verificaria (imutabilidade no tempo não se verificou).
“Mais um conselho: estuda a diferença entre “Religião” e “Superstição”. Humildemente, digo-te que me parece que confundes os dois.”
Não confundo não, mas obrigado pela atenção.
“A propósito de demagogia. Eu nunca te acusei de hipócrita (não é relativo, é a verdade). disse SE, pois esse SE implicava que tu vivias contrariamente ao que defendes, não “existencializavas” as tuas “crenças” e, por isso, serias um hipócrita, de acordo com a definição de hipocrisia.”
Olha lá, já começa a ser demais, mais parvoíces dessas e eu ignoro os teus argumentos. “Como não o fazes és um hipócrita!” é que isto não tem SE nenhum. Ainda me dizes que não é relativo, é a verdade.
“E tentas falar do que os filósofos dizem. Se um filósofo te disser uma mentira tu facilmente acreditarás, porque não tens formação (da mesma forma que se um engenheiro me disser uma mentira sobre a sua área eu não me saberei defender).”
Quando tu estudavas filosofia tinhas já a formação para te defenderes de uma hipotética mentira? Se os professores te tivessem ensinado uma data de mentiras durante a tua formação…o que sabias agora na actualidade? Partiste do princípio que o que te ensinaram era tudo verdade?
No décimo ano as aulas eram feitas entre leitura e discussões, nunca o professor nos disse que devíamos evitar dizer de nossa justiça por não termos formação completa, corrigia-nos (quando era caso disso) e dizia que os erros faziam parte da aprendizagem e do resto da nossa vida. A filosofia é algo intrínseco do espírito humano, nem que não estudes és “assombrado” por questões de índole filosófica. Obviamente não concordo contigo, obviamente um filósofo poderá levar-me ao engano, mas qualquer ser humano, em qualquer área nos pode levar ao engano, tu podes me levar ao engano, um teu conhecido pode-te levar ao engano, e nem é preciso falar de ciências. Podem levar-te ao engano nas coisas mais triviais. É um risco que corres a partir do momento em que nasces.
Bem vou fazer uma lista de mal entendidos:
- Eu não disse que eras alemão, perguntei-te.
- O site não é meu
- A ditadura do relativismo. Ou defendes que é a ditadura do relativismo absoluto ou então explicas em que contexto é que pões a palavra ditadura antes de relativismo.
- A frase de Ratzinger está mal construída, seria verdade se ele dissesse que o relativismo ABSOLUTO não reconhece nada como certo, ou então ele devia esclarecer a contextualização da palavra ditadura na frase que dele.
- Eu troquei a palavra relativismo por relatividade, as minhas desculpas, mas tb te digo que sei a diferença e já te expliquei em cima a forma como a teoria da relatividade influenciou a ideia da evolução moral (negada pelo anti-relativismo (absoluto)) de Einstein.
- Não pus o Sócrates contra o absoluto, citei-o para contextualizar a minha ideia de ignorância e pus a hipótese de que tu não devias gostar dele. Contextualizei em cima a razão que me levou a por a hipótese de tu não gostares de Sócrates. Mas nunca, repito nunca, liguei o Sócrates a um ideal anti-absolutista.
- Acusaste-me de hipócrita, a frase “ Como não o fazes és hipócrita.”, não tem “ses”, é bastante vinculativa.
P.S. Voltas a fazer dessas e eu começo a partir do princípio que estás aqui a tentar humilhar-me. E quando eu partir desse princípio deixo de te escrever. Espero poder continuar a falar contigo…
Já agora, quando citares filósofos podias usar trechos deles para contextualizar o teu discurso, se não o puderes fazer paciência, se puderes agradecia-te?
Caro João Dias,
Tu falas do que não sabes e, ainda para mais defendes opiniões com argumentos assentes em áreas que não dominas. Alguns exemplos:
1) Utilizas uma frase atribuída a Sócrates para defenderes o relativismo. Sócrates (Platão) defendeu o Absoluto, o “Bem Supremo” e combateu o
”relativismo filosófico” dos sofistas;
2) Dizes que o relativismo surgiu com a Teoria da Relatividade. Isto é um grande “disparate” e revela uma enorme ignorância filosófica. Os filósofos pré-socráticos são relativistas. Antes da teoria da relatividade já passaram por cá Nietzsche, Schopenhauer, o Construtivismo de Kant, entre muitos outros. Quando falas sobre o que o Ratzinger disse do relativismo tens de ter o mesmo conceito. Não podes dizer «para mim o relativismo surgiu com o olhar para as novas descobertas científicas que apontavam para um relativismo da realidade» e depois criticar o Ratzinger por falar de outro “relativismo”. Isto não é “para mim”. Isto é da história da filosofia, que é independente de ti. Neste aspecto, além de e faltar formação filosófica, falta-te formação conceptual;
3) Para terminar deixa-me dar-te um exemplo das calinadas que dás quando falas sobre o que não sabes: procuraste entrar em demagogia quando me perguntaste se eu estava a defender o Ratzinger por ter um nome alemão. Penso que compreenderás que o nome ou nacionalidade são independentes das ideias. Em todo o caso expliquei-te que Lind é sueco. Para ser alemão tem de ser Lindt. Depois, julgando que já dominavas alguma coisa, agradeceste o facto de teres aprendido que o chocolate Lindt era alemão. Meu caro, essa marca é Suiça…
4) Volto a repetir: eu nunca tomei uma posição. Não tenho formação para isso. Só te apontei algumas falhas.
5) Estes comentários não passam de disputas pseudo-intelectuais que se resumem a um conjunto de “abébias” e “piropos”. Apenas fico triste pelas massas, nos tempos que correm, formularem opiniões sobre tudo e vigorar essa “cultura das massas” que é uma “cultura ignorante”.
Um abraço,
és claramente mentiroso e desonesto. Não vou relativizar este conceito. Vieste-me com merdas pseudo tolerantes e pseudo intelecutais e não foste capaz de refutar um argumento meu sem recorreres à mentira. Dizes que eu disse coisas que eu não disse. E agora que viste que não me levas com as tuas balelas dizes que não voltas a perder tempo comigo, eu é que estive a perder tempo contigo pensando que te interessevas pela área. Quando na realidade não passas de um propagandista de meia tigela. Queres que eu vá á CUPAV falar com um padre jesuíta, mas tu picas-te ou quê...És um missionário do piorio.
Além disso és ignorante e falso, eu falei de Sócrates e não o liguei a nenhuma ideia de absolutismo. És mentiroso, falso és mesmo escória. E se houver dúvidas eu publico os textos que correspondemos e que te deixam na merda.
Tudo o escreves acima é falso, não volto a "falar" contigo propagandista de meia tigela.
" : procuraste entrar em demagogia quando me perguntaste se eu estava a defender o Ratzinger por ter um nome alemão. Penso que compreenderás que o nome ou nacionalidade são independentes das ideias. Em todo o caso expliquei-te que Lind é sueco. Para ser alemão tem de ser Lindt. Depois, julgando que já dominavas alguma coisa, agradeceste o facto de teres aprendido que o chocolate Lindt era alemão. "
tudo isto foram perguntas que eu fiz, nunca afirmei que por eventualmente seres alemão o estarias a defender, perguntei ironicamente, pela forma como tu reages é porque és mesmo um sectário que estava mais preocupado em defender Ratzinger do que discutir ideias.
olha que venha o Marquês de Pombal e resolva os teus problemas.
Escusas de mandar mais mails ou dirigir-te a mim porque a partir do momneto em mentiste abusivamente em relação às minhas declarações eu deixei de te dar o mínimo crédito. Não discutes comigo os temos de acção espontânea, e paradoxo pragmático e outros que mais. Isso é prova que és um propagandista de meia tigela, e que tu sim não percebes um cu de filosofia.
Afixado por: João Dias em abril 24, 2005 05:49 PMCaro João Dias,
Eu sempre disse que não tinha formação filosófica e, por isso, nunca tomei uma posição ao contrário de ti. Apontei apenas alguns erros teus nesse plano que, com a minha formação elementar, consegui detectar: Sócrates não pode ser utilizado para defender o relativismo (não se pode citar frases sem ter em conta o seu contexto); o relativismo de que fala o ratzinger nada tem que ver com a Teoria da Relatividade e não poe em causa essa Teoria; isso não é mentira é verdade (absoluta, não relativa).
Para te explicar que não se deve falar do que não se sabe, mostrei-te as calinadas que deste quando falavas do meu nome (além de não saberes nada de filosofia, também mostras-te não saber nem alemão, nem sueco, nem sequer tens consciencia que existem vários países cuja língua oficial é o alemão)
Tudas estas verdades, absolutas e não relativas, não são caso para te enervares. Eu de facto não domino a filosofia e nisso tens razão. Sempre o afirmei e não preciso que me chames a atenção para isso, até porque tu já demonstras-te que ainda a dominas menos que eu. Em todo o caso o que significa "compreender um cu de filosofia"? Tu compreendes "um cu de filosofia"? Olha que com frases destas, filosoficamente tão profundas, ainda és capaz de ficar para a história da filosofia...
um abraço e não te enerves,
Andy Lind (sem t, sueco e não alemão, nem suiço... Não sou filosofo)
Em todo o caso não é caso para te enervares.
Afixado por: Andy Lind em abril 27, 2005 09:51 AMCaro João Dias,
Só mais quatro notas:
1) compreendo que os teus comentários sejam grandes. Se é por isso que os achas bons, tens um critério muito fraco de qualidade. Confundes qualidade com quantidade.
2) os meus são mais pequnos por três razões: não tenho tempo para andar nestas discussões pseudo-intelectuais; não dou a minha opinião filosófica, pois não tenho formação para isso; limito-me a enumerar os teus erros, quer filosóficos, quer linguiticos, de forma muito objectiva.
3) Não te quero humilhar como afirmas no teu comentário. Porém, compreendo que te sintas humilhado por teres mandado tantas calinadas histórico-filosóficas, para além de teres revelado que não dominas nada de alemão, nem sueco, nem sequer sabes que na suiça se fala alemão. é o que acontece quando escrevemos sobre o que não dominamos. Principalmente, quando escrevemos muito... :)
4) A propósito dos teus comentários, o que é, afinal "um cu de filosofia"? Tu dizes que eu não compreendo "um cu de filosofia". De facto, eu não domino a filosofia para ter opiniões nessa matéria (ainda tenho muito que estudar). "um cu de filosofia"?... de facto não compreendo isso. Talvez tu me possas explicar o que é, afinal, "um cu de filosofia"... Pode ser que aprenda alguma coisa contigo...
um abraço
Afixado por: Andy Lind em abril 27, 2005 10:25 AMCaro João Dias,
Mais quatro erros elementares,
1) Recorres frequentemente a falácias. Dizes que eu defendo o Ratzinger pela forma que reajo. Eu nunca defendi o ratzinger, nem tão pouco isso se infere pela forma como eu reajo (se fosse assim o que eu ia concluir de ti?...)
2) Chamas-me missionário por ter sugerido o CUPAV. Tens de clarificar o conceito de missionário
3) Estás irritado porque tu encaras as ideias como posse. Confundes "Ter" e "Ser". Nós não temos ideias, nós somos ideias, o que é completamente diferente. Como vives no "modo ter" ficas ofendido por erros que te apontam, porquem deixas de ter essa ideia, pederdes uma coisa segundo essa perspectiva. Para compreenderes esta questão conceptual deves estudar o Erich Fromm (talvez no original em alemão, caso estudes primeiro essa língua). As tuas perguntas foram retóricas, estavas a pressupor que era alemão, o chocolate suiço também foi uma pergunta?
PS - eu não vivo no "modo ter", ou pelo menos tento. Assim, não estou unicamente preocupado em que "fiques na merda" (desculpa a terminologia, mas é tua), ao contrário de ti que te sentes humilhado. Até porque eu não ligo a publicações de "comentários piropos". Fico contente em publicar em sítios a sério, reconhecidos pelo rigor e objectividade. O resto são "cães a ladrar"...
um abraço.
Afixado por: Andy Lind em abril 27, 2005 11:10 AMCaro João Dias,
Nós não temos formação para ter opiniões filosóficos, nem a grande maioria das pessoas que publicam "piropos" neste site (para não dizer todos).
Quando eu te dou uma pessoa com formação para isso, tu, que ainda nem sequer tens uma licenciatura, criticas por essa pessoa ser Padre. Depois dizes que eu sou missionário por causa disso, desvalorizando a formação em causa. Essa formação não é subjectiva, é verdadeiramente absoluta.
ujm abraço
Afixado por: Andy Lind em abril 27, 2005 11:43 AMCaro João Dias,
Dizes que eu fico "na merda". Se me explicares que estou errado, eu agradeço, pois tenho a noção que nós não possuimos ideias. Tu sentes-te ofendido se te explicarem que estás errado, pois ainda não leste Erich Fromm (penso que podes encontrar boas traduções, visto que não sabes alemão, pelas calinadas que já deste quando falaste do meu nome (por acaso não é meu)). Se te explicam que estás errado tu não perdes nada, pois tu não possuis ideias. Essa concepção filosófica já caiu.
Mudas logo o tom do discurso e passas à ofensa pessoal. Deve ser porque sabes bem o que é "um cu de filosofia". Gostava que me explicasses o que é isso. Tens razão, eu não domino nada de "cu de filosofia".
Nunca dei a minha opinião, pois nao tenho formação nem autoridade para isso.
um abraço,
Afixado por: Andy Lind em abril 27, 2005 03:59 PMCaro João Dias,
Quando dizes “Que volte o Marquês de Pombal!” esclareces-nos em que consiste realmente o teu relativismo…
Esta frase comprova que tu não "existencializas" o que dizes, pois entra em contradição com as tuas primeiras afirmações sobre o ratzinger. Para compreenderes o conceito de "existencializar" - que é absolutamente imprescindivel para compreender o que o ratzinger disse - deves estudar Biran e Lavelle, por exemplo (se for possível no original em francês, caso sejas capaz disso)
Tu utilizas-te a frase “Só sei que nada sei” para defenderes que o “relativismo é ausência de ditadura” e procurares atacar o Ratzinger. Caso não saibas, esta frase é atribuída a Sócrates (Platão), e tem o seu contexto. Sócrates (Platão) é completamente contra o relativismo. Combateu o relativismo, precisamente com esta frase. Esta realidade não é relativa. É objectiva.
Tu dizes que “o relativismo surgiu com um olhar para as novas descobertas científicas”. Isto é um perfeito “disparate”. O relativismo existiu sempre na história da filosofia, já mesmo nos gregos (sofistas) e até nas culturas orientais. Esta realidade não é relativa. É objectiva.
Tentas deduzir a minha opinião pela minha reacção. Isto é uma falácia. - Esta realidade não é relativa. É objectiva. - Talvez faças isso, porque queres um confronto de opiniões diferentes, mas já te expliquei que não tenho essas concepções hegelianas ultrapassadas da dialéctica e do conhecimento. Nós não temos formação para defender ideias neste campo.
Quando utilizas expressões como “estar na merda”, “cu de filosofia” ou “queres humilhar-me” mostras que vives no “modo ter” (Fromm, «Haben oder Sein»). Para ti as pessoas têm ideias e, por isso, quando são chamadas à atenção por um erro filosófico-doutrinal, histórico ou linguístico sentem que perderam uma ideia que antes era de sua posse. Meu caro, essa concepção está desactualizada. É mais correcto procurar viver no “modo ser” para que quando somos chamados à atenção fiquemos contentes por ter melhorado e passar a ser mais e melhor. Nesta perspectiva, nunca ninguém fica “na merda”, nem nunca ninguém “humilha” outra pessoa. Contudo, a “outra pessoa” pode sentir-se humilhada se viver no “modo ter” (Fromm, «Haben oder Sein»).
Chamaste-me “missionário” pelo meu aconselhamento. Talvez seja bom que clarifiques melhor o conceito de “missionário”… Em todo o caso, eu sou uma mulher… Não compreendes mesmo nada de línguas…
PS - Não perco nem mais um minuto com os comentários deste site, que não passam de "cãs a ladrar no meio de um circo". "Os cães ladram e a caravana passa"