maio 01, 2004

O Cherne da questão

Será chocante que Durão Barroso tenha sido maoísta?

Certamente que sim. O maoísmo é uma coisa chocante. Que alguém tenha defendido aquilo é chocante.

Sou capaz de estar a ser geracionalmente arrogante, mas ainda não consigo compreender como é que gente que eu admiro, toda ela inteligente e (deixemo-nos de merdas) democrata – Ana Gomes, Fernando Rosas, Pacheco Pereira e Saldanha Sanches, por exemplo – pode ter sido maoísta. Em vez da vigilância ideológica rotineira na política portuguesa, seria bem mais interessante que este enigma pudesse ser explicado. Eu até consigo, com esforço, imaginar-me sendo comunista entre 1946 e 1956 ou seja, até à invasão da Hungria, o que faria de mim (brrrr) um apoiante inconsciente de Estaline. Mas não consigo imaginar-me, por mais que me esforce, com 20 anos e sendo maoísta no Portugal de 1970. Já havia informação mais do que suficiente sobre Mao, para não falar da ética implacável e desumana do movimento ser mais do que desagradável.

Isto não é nada de novo: toda a gente sabe que Durão foi do MRPP. O que é, então, perturbante naquela fotografia de 1976?

Posso dizer o que é perturbante para mim. É que eu imaginava um Durão cabeludo, a divertir-se à grande, a fumar charros e a namorar naquela Faculdade de Direito. Isso não o redimiria do maoísmo, mas ajudaria a racionalizar a coisa.

O que é perturbante então não é a mudança de Durão Barroso, mas o facto de ele continuar igual. Durão não era só maoísta, já era um cinzentão maoísta. Um maoísta ambicioso num partido onde a ambição era espicaçada e castrada em simultâneo (como no PCP e na Igreja Católica), um maoísta carreirista, um maoísta aparelhista. Um betinho maoísta que sofria por ser betinho. Permitiu que lhe fizessem as manipulações e as chantagens psicológicas em que o partido se requintou (o texto de Paulo Pena na Visão é bem interessante na descrição das "auto-críticas" sucessivas a que Durão foi obrigado). Já então tratava os adversários políticos com arrogância. Já então sentia necessidade de mostrar serviço e brio partidário. Ao contrário do que eu esperava, não parece ter-se divertido nada. Vida de futuro primeiro-ministro no MRPP é triste. Valeu-lhe a salvação entre todas irónica de ter sido repescado por Santana Lopes (bon vivant e vindo da extrema-direita) para um partido onde poderia dar livre curso às suas ambições.

Não sei se é por causa disto que os ex-maoístas na direita tratam tão violentamente a esquerda em geral, mesmo a que nunca defendeu a ditadura do proletariado. Por imaginarem o passado com lepra.

Publicado por ruitavares em | TrackBack
Comentários

Já agora eu, como nem sou militante nem simpatizante de nenhum partido, ou seja, posso votar em quem me der na real gana, ou votar em quem me convença, ou não votar em ninguém e já que se aproximam eleições, gostaria que o BE me desse um exemplo de um país onde vigore hoje um governo por eles defendido.
Um país que se aproximasse daquilo que eles defendem para Portugal.
Sim, porque criticar é fácil, mas eu, como eleitor que sou, disponível para votar em quase todos os partidos, gostaria de saber como é que o BE me poderia convencer.
E em vez de me dizerem que os homossexuais, a liberalização das drogas, o aborto, os trabalhadores, etc e coisa e tal, eu preferia que me dessem um (ou mais, se possível) país em que o BE me dissesse:
Se fossemos nós a governar Portugal gostaríamos de implantar um governo semelhante a este ou áquele país...
Pode ser?

Afixado por: Heroi do Silêncio em maio 1, 2004 05:01 AM

Eu explico-te porque fui maoísta. Fui marxista porque achava que se tinha descoberto um fundamento científico que legitimava a minha luta a favor dos pobres. Fui estalinista porque achava que o sofrimento dos pobres e a libertação desse sofrimento justificava todos os meios. Embora pessoalmente sempre tivesse recusado toda a atitude que implicasse um atentado à vida humana ou à sua dignidade, considerava que certos direitos que agora considero fundamentais poderiam ser temporariamente limitados em função do objectivo fundamental da libertação dos pobres. Do mesmo modo, e em função do mesmo objectivo, menorizava e desculpabilizava como temporários e conjunturais os assassínios, o autoritarismo e o totalitarismo. Fui maoísta porque, em contraposição com o estalinismo, o maoísmo parecia-me ser humanista. Recordo-me da importância que atribuí a uma citação quasi-irrelevante de Mao Tsé Tung em que este dizia qualquer coisa como que “a cabeça de um homem não é como a cabeça de um alho francês, quando se corta não cresce outra vez”. Julgava ver nela o sinal de um respeito total pela vida humana no maoísmo (quando queremos ser convencidos acreditamos nos mais pequenos indícios). Sobretudo o elemento decisivo que me empurrou para o maoismo foi a conjunção de uma doutrina marxista que me parecia claramente ética numa opção pelos pobres e a componente anti-autoritária da revolução cultural. Estes foram os dois traços fundamentais do maoísmo que me levaram a ele.

Em 4 de outubro do ano passado escrevi no meu blogue o seguinte:

"Acho que era a junção destes dois factores: a lógica fria das ideias e a sensação de que quem era explorado tinha legitimidade para tudo fazer para acabar com essa situação.

O comunismo foi o produto da mistura explosiva de dois estados de alma: a lógica fria das ideias e, paradoxalmente, a compaixão abstracta e "racionalizada"."

O maoísmo era par mim este tipo de comunismo acondimentado por uma aparente ideologia humanista, com uma forte componente anti-autoritária (resultante do papel fundamental da revolução cultural na elaboração do maoísmo) e tudo isto embrulhado num kitsch épico e romântico.

Admito que outros fossem maoístas por outras razões mais prosaicas.

Mas estas foram as minhas.

Afixado por: timshel em maio 1, 2004 08:19 AM

Já imaginaram um Rui Tavares II em 2030 a recordar a primeira década do século XXI e a questionar-se sobre como era possível a X e a Y professar as ideias do BE?
Não há um ditado de Confúcio que diz que quem nunca muda de ideias, ou é muito sábio... ou é um estúpido?

Afixado por: diogenes em maio 1, 2004 09:48 AM

Felizmente não tiveram nem poder nem hipótese de aplicar esses vossos "enganos" a um povo ou país. Ou teriam ficado para a história como mais uns ditadores esquerdistas.
Será que já acertaram nas v/convicções ou ainda andam em experiencias?

H.Silencio: boa tentativa ...

Afixado por: carlos em maio 1, 2004 10:58 AM

Pensava que o Daniel Oliveira, apesar de tudo era inteligente. Admirar o Rosas? A Gomes? o Sanches? o Pereira? Que raio é que algum destes sujeitos fez de relevante?

Afixado por: Justino em maio 1, 2004 11:47 AM

Excerto da peça "O lobo mauísta e o capuchinho vermelho"
Capuchinho:Ó avozinha dizem que com essa tua mania de transformar o homem reeducando-o despachaste uns milhões para as prisões, campos de trabalho e campos de produção disciplinar, campos para delinquentes juvenis e campos profissionais para os já tinham estado presos? Isso não é totalitarismo?
Lobo mauísta: Não minha querida filha, isso foram purgas de purificação socialista e correcção dos desvios da revolução.
Capuchinho: Mas ó avózinha dizem que tudo isso foi abafado e dissimulado, que todos tinham medo de falar, que toda a correspondência era vigiada e não havia liberdade de expressão.
Lobo mauísta: Mentiras , filha, mentiras. E como mentiam voltavam para os campos.
Capuchinho: Mas ó avózinha dizem que só a depuração nos campos da reforma agrária foi de mais de 3 milhões...
Lobo mauísta:O quê? Esses números estão errados.Foram tudo acidentes de trabalho.
Capuchinho:Ó avózinha também dizem que os processos públicos eram humilhantes e as condições de trabalho miseráveis e os tribunais populares uma fantochada e as prisões estavam cheias de detidos sem julgamento durante anos.
Lobo mauísta : Havia que ser eficaz, e a melhor arma é o terror. O terror total é uma arma revolucionária. Mas... ó capuchinho , porque é que queres saber isto tudo ?
Capuchinho:Eu não. O Durão Barroso é que mandou perguntar-te porque agora convenceu-se que tudo aquilo foram erros da juventude dele.

Afixado por: dsousa em maio 1, 2004 01:05 PM

oh justino, não foi o daniel que escreveu isto. eu admiro, ou pelo menos respeito, essas quatro pessoas, entre outras. acho que têm vida e obra suficientes para serem respeitadas, cada um por razões diferentes e apesar de discordar deles em muitas coisas, qual é o problema?

oh diogenes, o rui tavares de 2004 não "professa" as ideias do BE. é um gajo de esquerda a quem acontece concordar com os partidos de esquerda. e é um libertário que gosta de quem defenda posições libertárias. isso faz-me coincidir muitas vezes com o BE, muitas com o PS, bastante menos com o PCP. em 2030 falamos.

timshel: obrigado por me ajudar a compreender. gostei bastante de ler.

Afixado por: rui tavares em maio 1, 2004 01:06 PM

Também participei nesse "universo" e considero esta uma boa questão, a merecer resposta:

a) Em parte, era uma coisa muito teórica: nessa altura (ambiente universitário) lia-se bastante Marx, Hengels, Gramsci, etc, bem como Palloix, Samir Amin, etc. E debatiam-se essas leituras: quer no interior dos grupos (MRPP, PCP-ML, LCI, futuros-ex-Mes, etc) quer entre grupos. Do Mao havia pouca coisa para ler: quase só as citações - livrito Vermelho. Havia pouca atenção aos "factos". Não víamos, talvez, porque não queríamos ver: a desilusão levaria ao desânimo, porque então não haveria alternativa.

b) Era também uma coisa emocional e identitária: eramos jovens e queríamos fazer parte de qualquer coisa, ser aceites. O perigo da repressão das manifestações, ou da prisão, e a aceitação pelo "grupo", era um notável "ritual de passagem". Para mim foi essencialmente isso: mas levei muitos anos para o compreender e admitir.

O MRPP, pela agressividade e até uma certa irresponsabilidade (por vezes pareciam querer correr riscos só pelo risco) vinha bem a calhar para essa procura duma "prova de fogo".

É estranho admitir que essa militância estudantil tinha (também) a mesma função que os perigosos saltos de liana amarrada aos pés dos povos indonésios - outro "ritual de passagem". É mais romântico explicar a coisa pelas convicções políticas e pelo altruismo, mas desconfio que isso era apenas a ponta do iceberg psicológico.

Ainda antes da Revolução recordo-me, no interior do universo MRPP, de alguém sujerir o seguinte: alguns "camaradas" prefeririam ser presos, o que lhes traria alguma "paz" psicológica (apesar da previsivel violência física) relativamente à pressão mental de andar todos os dias na eminência de "ser apanhado".

Os aspectos psicológicos geralmente nunca são tidos em conta para explicar estas coisas, a não ser na muito primitiva versão da "natural irreverência" dos jovens.

Afixado por: Um ex-associativo em maio 1, 2004 05:16 PM

Uma curiosidade quanto a Durão Barroso no MRPP: foi sempre do "segundo escalão". Era muito novo e creio que só lá chegou em 74, ou próximo disso. A elite (J.Lamego, Mizé Morgado, Horácio Crespo, etc) vinha de trás e tinha "provas dadas" (agit-prop, prisões longas e torturadas). No MRPP tinha que se provar todos os dias o que se valia, e estava-se sempre sob suspeita. Este ambiente tenso era, em boa medida, justificado pela segurança exigida nos tempos da PIDE, mas manteve-se absurdamente depois da Revolução.

Afixado por: Um ex-associativo em maio 1, 2004 05:30 PM

Rui, achei curioso este teu artigo. No entanto há aqui algo que não me parece adequado ao maoísmo e aos maoísta. Quando dizes que esperavas ver o Durão de cabelo comprido e a fumar um charro, isso não podia deixar de ser uma situação anacrónica, os maoístas, salvo algum transviado, não o faziam. Fumar um charro, cabelos compridos e até jeans, eram consideradas manifestações burguesas e armas do capitalismo para minar os jovens. Muito provavelmente os que sofressem desses "mal", seriam obrigados a auto-criticar-se nas sessões de terapia de grupo. Os maoístas eram originários da pequena burguesia urbana e instruída, complexados por não serem proletários intelectualizados. Os maoístas eram uns chatos, cheios de dogmas e ideias feitas, com uma liturgia própria, treinados na capacidade de intervir em público com o objectivo de manipularem as massas, como grandes líderes dos trabalhadores que se auto-proclamavam. Os maoísmo era uma religião e a casta maoístas os seus sacerdotes. Mesmo aqueles que deixaram de ideologicamente ser maoístas continuam a sê-lo no seu modus operandi. Os maoístas eram simplesmente... maoístas. UF!

Afixado por: Werewwolf em maio 1, 2004 06:26 PM

Qual é a vossa fixação com os betinhos ?

Seriam os primeiros a serem presos pelo vosso regime, se algum dia chegassem ao poder ?

Afixado por: DCF em maio 1, 2004 07:07 PM

A minha ideia era mandá-los para um acampamento do PSR durante 15 dias. Se é para sofrerem a sério... Isto só para os betinhos. As betinhas ficam em Lisboa, que nós podemos ser esquerdalhas, mas não somos parvos.

Afixado por: Daniel Oliveira em maio 2, 2004 01:26 AM

Este post está muito bom, mas penso que Rui Tavares foi mesmo "geracionalmente arrogante" da mesma forma que nós quando reparamos numa atitude feita por alguém mais novo que nós e afirmamos "eu nunca fiz aquilo, nem faria se tivesse agora aquela idade".

É uma incógnita total o que faríamos. Eu, filho do 25 de Abril com 27 anos, sei que provavelmente faria parte de um grupo de esquerda dura, assim como todos os "betinhos populares" que agora infectam as nossas ruas, casas, cafés e outros locais.

Seria interessante discutir o "modus vivendi" dos MRPP's (parece-me bastante disciplinado e castrador, quase militarista) e de outros partidos ou grupos... Alguém conhece literatura sobre o assunto, ou melhor, alguém que tenha militado nesses grupos (e que não tenha vergonha de o admitir) pode escrever algumas linhas sobre isso? Seria mais uma peça no meu GRANDE puzzle do 25 de Abril.

Afixado por: aZElha em maio 2, 2004 01:23 PM

Oh Daniel, sempre a velha macrocefalia, deixa algumas betinhas aqui pelo Porto, e já agora pelo resto do país, que nós também "semos" gente. Carago!

Afixado por: Werewolf em maio 2, 2004 03:48 PM

Daniel, aposto que esses betinhos do MRPP, AOC, OCMLP, FEC e quejandos, depois de passarem 15 dias num desses acampamentos que referes, passariam os dois anos seguintes a purgar-se em manifestassões colectivas de auto-crítica e auto-flagelação. Coitados...

Afixado por: Werewolf em maio 2, 2004 03:55 PM

Werewolf

Todos (mas mesmo todos) esses grupos estavam infestados de "pequeno-burgueses de fachada socialista" que fariam os acampamentos do PSR parecer mais straight do que acampamentos da mocidade católica.

Ainda me lembro de um acampamento em Ferrel há muitos anos (contra uma hipotética central nuclear a ser lá construída) de que ainda hoje retenho cenas hilariantes. Salvo erro esse acampamento foi promovido pelo PC(R) que foi o produto da OCMLP, do CMLP e ORPCML (se bem me lembro).

Afixado por: timshel em maio 2, 2004 08:30 PM

É verdade, já nem me lembrava dessa. Recordo o Fausto:

"Em Ferrel, lá p'ra Peniche
Vão construir uma central
Que para alguns é nuclear,
mas para muitos é mortal.

(...)"

Afixado por: Werewolf em maio 2, 2004 10:49 PM

Sobre a hipótese de dos militantes maoistas serem "pequeno burgueses complexados": eis uma pequena "pérola filosófica" que mistura um marxismo miserável com a mais inculta psicanálise. Uma tal afirmação, nos anos 70, podia ter alguma piada, estava mesmo na moda, hoje soa apenas a requentada ignorância. A mesma coisa para o "maoismo como religião" (já nessa altura se dizia o mesmo do comunismo em geral).

Será que não conseguem inventar novas metáforas? Criticar os "soixante-huitards" com recurso às teorias e imagens que eles mesmos utilizaram... mas que pobreza intelectual!

Afixado por: Um ex-associativo em maio 3, 2004 09:06 AM

MAEESL?

Afixado por: timshel em maio 3, 2004 01:26 PM

A fronteira entre religião e ideologia, filosoficamente falando, é muito ténue. Os dogmas limitam sempre, consciente ou inconscientemente, a liberdade de pensamento.

A minha análise é feita precisamente à luz dos anos 70 quando as batalhas ideológicas estavam acesas. Quanto aos complexos, meu caro ex-associativo, é uma ironia e uma provocação, mas pelos vistos as reações não se alteraram. Como digo alterou-se o fundamento ideológico, mas manteve-se o modus operandi intelectual. Continuam a ser os detentores da verdade e os outros, pobres ignorantes, os seus míseros instrumentos.

Mais um contributo, tanto quanto me lembro, era muito jovem na altura, a FEC era das poucas que tinha alguma base operária. Mais tarde a UDP, com um maoísmo menos dogmático, também teve alguma expressão operária. Quer se quera quer não, e eu gostaria que não tivesse sido assim, o único partido com base operária, quando essa discussão estava na ordem do dia, era o PC.

Afixado por: Werewolf em maio 3, 2004 02:08 PM

Caro Werewolf: vejo que fez alguns progressos, saltando da terminologia marxista e freudiana (muito soixante-huitard) para qualquer coisa mais "anos 80": a vacuidade tecnocrática do "modus operandi intelectual", e assim. Gostei.

Acredite que, com um pouco mais de esforço, pode conseguir uma actualização mais convincente, mais "novo-milénio", mais "pós-moderna". Para tal, as novíssimas metáforas do Boaventura Sousa Santos são imprescindíveis. Citações de clássicos também ajudam. Sobretudo: mais ironia e menos acrimónia. O saudosismo ("gostaria que não tivesse sido assim"...) então, é fatal. A leitura do João Pereira Coutinho, essa, é obrigatória.

Agora (passando da forma ao conteúdo) e pegando na "filosofia", lamento informá-lo de que ainda está muito verde. Escreveu "Liberdade de pensamento"? Deve estar a confundir com liberdade de expressão. Como é que se pode medir a "liberdade de pensamento"? Qual é o padrão? Tem a certeza de que sabe o que é Filosofia?

Afixado por: Um ex-associativo em maio 4, 2004 11:28 AM
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