
Bolton a apontar o dedo.
Alguns dos nossos analistas de questões internacionais quando foi anunciado o nome do Sr. Bolton para embaixador dos EUA na ONU apressaram-se a vir mais uma vez desenvolver a agora tão na voga teoria do quanto pior melhor. O homem era um crítico destrutivo da ONU? Óptimo!! Era com ele que se iria conseguir reformar a instituição internacional. O homem não faz ideia do sentido da palavra diplomacia? Óptimo, era mesmo isso que era preciso para negociar essas reformas com quase duzentos países!! Só é pena que isto reduza a análise a um verdadeiro exercício esotérico: não se trata da tarefa habitual de ir para além do óbvio, trata-se de ver em tudo o exacto contrário daquilo que aparenta! Todo o mundo é ilusão!
Só é mesmo pena que o Senado norte-americano não leia a imprensa portuguesa de qualidade. Apesar de dominada por republicanos, a sua comissão de relações externas - 10 republicanos, 8 democratas, mas felizmente um dos republicanos é um moderado de Rhode Island - decidiu suspender a nomeação por três semanas para aprofundar a questão da capacidade de Bolton para o lugar. Uma das alegações é que ele tentou colocar na prateleira funcionários do Departamento de Estado que tinham contrariado as suas alegações fantasiosas sobre ADMs em Cuba! As dúvidas expressas por Colin Powell sobre a sua personalidade instável também pesaram.
Mesmo que o Congresso americano acabe por aceitar a sua nomeação, o que é apesar de tudo bem possível por uma simples lógica política, parece difícil continuar a argumentar que ele era o homem ideal. E então se o rejeitar... Mas esperam mais três semanas pelo fumo branco de Washington para saber a opinião dos nossos especialistas.
Publicado por bruno cardoso reis emlol adm's em cuba... eh pa sem comentarios.
de resto, muito bom post.
Afixado por: oscar pinto em abril 22, 2005 05:55 PMExiste um aspecto positivo na nomeação de Bolton (um só). Com ele o Bushismo vai mostrar a sua verdadeira face ao mundo... Não haverá "Collin Powells moderados" para disfarçar a natureza negra do Bushismo. Sendo assim, pelo menos, Bolton pode ser um bom representante destes EUA na ONU...
Afixado por: Rui Martins em abril 22, 2005 10:23 PMPois é, a democracia burguesa parece que funciona!
Afixado por: loureiro em abril 22, 2005 10:57 PMNa primeira parte deste post julguei tratar-se de um texto de Miguel Sousa Tavares, que nos seus artigos tem defendido a mesma coisa: que se está a banalizar a táctica do "quanto pior, mehor".
Afixado por: João Pedro em abril 22, 2005 11:27 PMUm comentário algo fútil ... adorei a descrição da foto. "Bolton a apontar o dedo"
A palavra para Bolton é aquela da moda para a esturrice cabeça-oca neo-con: pragmatismo.
É tudo uma questão de pragmatismo. Qualquer idiotice e atiram-nos com esta do pragmatismo. Mata-se uma mosca com um martelo e chama-se-lhe pragmatismo. Wolfowitz no banco mundial é pragmatismo. Guerra no Iraque é pragmatismo.
Mas será que se vai a algum lado usando eufemismos para justificar o facto de já não se querer pensar e dialogar ?
Eu não tenho tido a possibilidade de ler os textos do Sousa Tavares ultimamente, e suponho que ele não tenha lido os meus aqui e nas Cartas de Londres, mas como sou uma pessoa modesta folgo em saber que ele concorda comigo.
Quanto a ser fútil descrever Bolton a apontar o dedo, eu diria mesmo mais: tão inútil como qualquer piada. Que é algo que alguns, suponho que poucos, mas sempre activos comentadores do Barnabé parecem ter dificuldade em perceber.
Afixado por: bruno cardoso reis em abril 24, 2005 12:29 PM