A notícia do dia foi o fim das negociações entre o PS e o PCP para uma coligação às autárquicas de Lisboa. Seria de esperar que o PCP não desejasse ter menos vereadores do que o BE nesta coligação, apesar do BE ter tido mais votos em Lisboa nas últimas eleições. O que é verdadeiramente extraordinário é que – segundo relata a imprensa – o PCP parece não admitir menos vereadores do que próprio PS! – descontado o Presidente da Câmara que seria sempre socialista.
Recusar por razões mesquinhas uma coligação que poderia dar um sinal de colaboração entre as esquerdas e tentar tirar Lisboa da estagnação em que se encontra representa, evidentemente, uma enorme falta de respeito para com a esquerda e os lisboetas. O PCP lá sabe com que linhas é que se cose – e não é certamente com as mesmas com que os comentadores ingénuos tanto elogiaram um "humano" Jerónimo nas legislativas.
Cruciais são agora as implicações deste rompimento. Se bem conheço os atavismos da nossa esquerda, o BE nunca se aliará ao PS sem o PCP, por medo de depois ter o PCP na oposição "pura" ao poder que enlameia. Mas o BE comete um grande erro se pensar assim. Se o PCP é caprichoso, esse é um problema do PCP e não se resolve com um segundo capricho do BE. O BE, aliás, que tem crescido com um discurso de "ser diferente dos outros" (certo ou errado, pouco importa), não pode esquecer-se que esses "outros", ao contrário do que pensa, não são só os partido do centrão. Grande parte do eleitorado do BE votou nele para que fosse diferente do PCP. Ou seja, para partido entrincheirado no ódio ao PS e ao compromisso já nos basta o PCP. Se o BE seguir esse caminho, a desilusão entre a maioria dos seus simpatizantes será enorme.
Dito isto, existem razões a favor e contra uma aliança em Lisboa com um candidato pré-selecionado, Manuel Maria Carrilho, que não é conhecido por ser propriamente um jogador de equipa. Mas o estado calamitoso de Lisboa deve obrigar todos os actores a fazerem um esforço de tolerância, paciência e criatividade.
O BE poderia marcar a diferença e ganhar o respeito de toda a gente dizendo que aceita negociar não com base em números de vereadores ou candidatos mas com apenas duas condições: a) que a coligação dê início a um período de verdadeira construção de um projecto colectivo para Lisboa que até agora não apareceu, através (por exemplo) da realização de uma espécie de "estados gerais" que permitam a realização da condição b) que a coligação transcenda as meras fronteiras do PS e do BE, incluindo independentes, membros de associações de defesa do património e da qualidade de vida, etc.
Se este movimento lisboeta mais amplo fosse criado conseguir-se-ia a) credibilizar a coligação para além do mero prémio eleitoral de "conquistar Lisboa"; b) repartir as responsabilidades pelos actores e c) isolar aqueles que por razões egoístas abandonaram o combate pela mudança de que Lisboa tem necessidade como de pão para a boca.
Adenda: Mário Soares defende que se salve a coligação das esquerdas em Lisboa como parte de uma estratégia que passa pelas presidenciais. Ouvi, na SIC-notícias, Inês Serra Lopes dizer que não entende a preocupação de Soares. Bem, por isso é que Inês Serra Lopes não passa de Inês Serra Lopes, ao passo que Soares com a sua idade ainda dá uma lição à maioria dos comentadores que por aí anda. Como é evidente, se a direita ganhar em Lisboa a considerável maioria da esquerda nas últimas eleições poderá esvaziar-se como um balão de ar, perdendo a dinâmica para as presidenciais (que Cavaco, contrariamente ao que se diz, está longe de poder ganhar se a esquerda apresentar um bom candidato que não seja Guterres ou Vitorino – e o melhor até agora é Manuel Alegre). Quem sofreria mais com isto seria o próprio PS, cuja maioria parlamentar não corresponderia então à maioria sociológica e se encontraria desmoralizada por não ter ganho a maior cidade do país e ter perdido a presidência. O raciocínio de Soares está, como é evidente, correctíssimo.
Publicado por ruitavares emporque é q não te metes na tua vidinha???? ou omo quem diz na vidinha interna do bloco de esquerda?
olha q nao sou a primeira a dizer: nao te metas na vida dos outros se nao queres acabar dentro dela!
nao sei o q te ensinam no teu partido, mas o ataque desmedido so para poder falar dos outros é muito feio...
cada vez q leio este blog fico desiludida, perdeu a piada, o sentido critio, a inovação...
é melhor deixar de ler
Tanta conversa sobre política pura, e nenhuma sobre os reais problemas dos cidadãos, neste caso dos lisboetas!
Não sabia que o Rui agora também fosse adepto deste jogo estéril do esquerda vs. direita, no qual os cidadãos pouco interessam.
Gostaria de saber quais são, segundo o Rui, os principais problemas que Lisboa enfrenta, e que a autarquia deve combater. É lugar-comum, entre as esquerdas e não só, que o principal poblema é o urbanismo. Por exemplo, olham para a avenida Fontes Pereira de Melo e vêem um amontoado de prédios misturados com condomínios fechados, edifícios de escritórios, e velhas moradias, e isso perturba-os. Ora, em minha opinião, o principal problema de Lisboa não é o urbanismo, e sim o excesso de automóveis. Eu olho para a mesmíssima avenida Fontes Pereira de Melo, e o que vejo é um tráfego infernal e um espaço inexistente ou altamene agreste para os peões.
É por isso que a última gestão de esquerda da Câmara de Lisboa não me deixou saudades. Passaram n anos a investir conta os problemas errados, e sem ver os verdadeiros problemas.
Afixado por: Luis Lavoura em abril 27, 2005 10:56 AMLuís LAvoura, não posso estar de acordo. O trânsito é um dos problemas de Lisboa, mas não o principal. E em relação ao último executivo de esquerda, penso que deu passos importantes na requalificação de zonas históricas e de interesse turístico, no realojamento dos mais desfavorecidos, tendo falhado pelo escasso envolvimento em questões ambientais.
Comparar a Lisboa de João Soares com os marasmos de Santana e Abecasis é, passe a expressão, comparar merda com pão-de-ló.
Caro Rui, é assim tão importante o poder para ti ?
Afixado por: Real em abril 27, 2005 11:31 AMMadalena explica lá as tuas opiniões.
Será interessante saber nos próximos tempos o que quer o P.C.P. , ganhar Lisboa com o Rubem de Carvalho, essa é para rir?
O P.S. o P.C.P. e B.E. deveriam fazer um esforço e sem sectarismo e á volta de um programa concreto tentar uma aliança para derrotar a dupla Santana-Carmona pois são os dois farinha do mesmo saco.
Agora o P.C.P. terá que ter a a noção que tem perdido eleitorado e muito em Lisboa, que forças como o Bloco são hoje uma realidade e que o P.S. tem hoje uma força eleitoral que não tinha há já muitos anos.
Querer impôr uma organização da Area do P.C.P.
como os Verdes, que nunca foi a votos sózinha, que só existe pelo apoio que a máquina do P.C.P. lha dá, como parceiro ao mesmo nível do Bloco, revela já do domínio da paranóia.
Espero que o P.C.P. não esteja na sombra em negocições com o P.S.D. como o faz em Sintra e no Porto, para poder vir a viabilisar executivos minoritários de direita.
Mas afinal será essa a tão famosa politica de principios para as autarquias que defendia o Jerónimo, tudo com as forças de direita nada com as forças de esquerda?
Francamente, pouco me interessam os problemas de Lisboa porque não vivo por lá (apesar de "a" visitar amiúde), mas o texto do Rui Tavares revela a preocupacão do tipo de politica que se faz à esquerda: o PCP, atolado no seu velho e cinzentão CC, quer manter viva a chama do "proletariado", da "reforma agrária" e não compreende que vivemos nos dias em que já existem telefones celulares...
O BE está a caminhar para uma lógica preocupante de "contar espingardas". Na tentativa de serem "alguém", o Bloco está talvez a desvirtuar os seus próprios principos, sendo muito "politiqueiros" e pouco genuínos.
Estou convencido - e eles também - que o BE vai apanhar uma autêntica banhada nas próximas eleicões
Afixado por: Rui Pedro Lima em abril 27, 2005 11:45 AMCaro Rui Tavares,
De facto, o seu post revela bem uma de duas coisas: ou desconhece por completo aquilo que se passou, ou está a ser profundamente desonesto.
Aquilo que está a exigir do PCP e o que propõe ao BE não é fazerem parte da construção de uma alternativa de esquerda em Lisboa, mas serem meros contributos eleitorais para as intenções hegemónicas do PS na capital. O PS tem o direito a ter essas pretensões, mas os outros também têm o direito à sua dignidade.
O PS que neste mandato em questões preocupantes alinhou com a direita (de Santana e Carmona), colocou as questões não no plano da discussão das questões centrais, mas no plano das listas, confundindo legislativas com autárquicas, negando toda uma história de coligações em Lisboa e o papel central que os eleitos da CDU aí tiveram. Numa coligação deve haver entendimento e não imposição. Os parceiros devem ter uma só palavra e não dizer uma coisa para depois por fax afirmarem uma completamente diferente.
O que o Sr. não entende, talvez por tão distraído no fundo do seu pensamento anti-PCP, é que haja quem tenha compromissos assumidos com o povo de Lisboa, quem não se sujeite a ser mera muleta dos projectos dos outros, que admita o entendimento e a cendência perante a hipótese de uma coligação, mas espera que os outros também o façam.
Por muito menos do que isto, houve quem nas últimas eleições abandonasse a coligação de esquerda que governava a capital, dando a vitória à direita (ou estaremos esquecidos).
As alternativas de esquerda não se constróem com base na imposição e em soluções hegemónicas, mas na partilha de valores, na visão do projecto como um todo, na valorização de todos os contributos e do património existente derivado de realidades anteriores. Não existem coligações feitas a partir da menorização dos contributos dos outros parceiros. O PCP não se presta a esse papel, quanto ao BE não sei, mas se for como dizem ser, também não se prestará a esse papel de figurante numa «coligação» feita à imagem e semelhança do PS.
O Partido Comunista Português não é obrigado a ceder em nada para se coligar com ninguém.
O Patido Comunista Português tem capacidade de crítica e mobilização para concorrer sozinho a todas as eleições. Aliás, se os partidos existem é porque têm projectos e ideias diferenciados. Se o BE existe à parte do PS, porque raio vão em conjunto a eleições. Terão os mesmos objectivo para a cidade, as mesmas ideias políticas? Então porque não se juntam?
Viva o PCP. Sozinhos ou acompanhados, faremos sempre o que acharmos melhor.
Afixado por: João Delgado em abril 27, 2005 12:31 PMmaprotilina, volte à terra: as eleições autárquicas a que o PCP concorreu foram há mais de 20 anos. O PCP tinha então quase 40 deputados na Assembleia da República. Agora tem 12 mais 2. O PCP tinha então quase todas as Câmaras da Área Metropolitana de Lisboa. Agora tem três.
Mais: o PCP teria, na proposta do PS, dois vereadores, um terço dos vereadores do PS (que teve cinco vezes mais votos) e o dobro dos vereadores do Bloco (que teve mais votos que o PCP). Ou seja, a proposta, aser humilhante para alguém, seria para o Bloco.
O PCP também apenas quis discutir listas e foi por causa delas que rompeu o acordo. Mais: no tempo de João Soares comeu tudo sem estrebuchar só para manter os seus lugarizinhos. Mais: dizer que o PS alinha com o PSD em Lisboa é, para quem assiste ao que se assiste no Porto, uma razoável falta de vergonha. De resto, essa conversa da subalternização é das coisas mais ridículas que se têm dito. O PS tem 40%!!! O PCP tem 8%!!! Os Verdes não existem!!! Ninguém percisa de subalternizar o PCP ou Bloco (não falo dos Verdes porque a eles não se aplica a palavra dignidade). O PS vale em voos mais do que eles juntos. Consegue viver com isto sem pôr a cassete nº8. Quem nos subalternizou foi o eleitorado. É assim a democracia. Contam os votos.
As razões porque isto correu mal são mais profundas e tristes e têm a ver com o bloqueio do diálogo à esquerda. E vai piorar. A direita agradece.
A verdadeira questão é que nem PS nem BE nem PC fazem a mínima ideia do que pretendem para a cidade de Lisboa e já agora nem sequer entendem o que significa nem o que implica ter um projecto para tal. Desconfio mesmo que ao nível do Ordenamento do Território desconhecem mesmo a legislação existente, quanto mais terem um sentido crítico sobre ela, apesar de ser a mais atrasada da Europa a 15 e principal responsável pelos crimes urbanísticos que continuam a cometer-se por esse País fora.
As disputas situarem-se ao nível do número de vereadores que cada partido tem, com posts como este alongando-se sobre a identidade sociológica do BE é sintomático da relação que existe entre a actividade partidária e os reais problemas do País.
O pensa o seu partido sobre o uso do PDM como principal instrumento de gestão urbanística e produção do espaço urbano? E que pensa do facto de termos leis contraditórias entre Planos de Pormenor e Loteamentos Urbanos? E que papel acha que Lisboa deve ter na rede cultural europeia? Como acha que deve voltar a atrair população para o centro, desocupado e degradado por uma lei das rendas que o seu partido não aceita alterar?
Posso mandar-lhe o programa eleitoral do Bloco para Lisboa, de há 4 anos, para não dizer coisas que não sabe.
Afixado por: danieloliveira em abril 27, 2005 12:59 PMO que o Mário Soares não tem é emenda. Depois de alimentar o seu bem desenvolvido ego com uma vitória que não foi sua, traça agora planos para hegemonizar toda a esquerda. Não me admira que o PCP não esteja ansioso de levar o beijo da morte do PS. Quanto ao percurso do BE, faz-me lembrar um velho romançe de Camilo, «A queda de um Anjo» (ou coisa parecida, estou a citar o título de memória). Como o vosso leitor Pedro Lima comentou acima, o Anacleto que se prepare para uma banhada das antigas nas próximas eleições.
Afixado por: Pedro Oliveira em abril 27, 2005 01:16 PMHá quem, no rescaldo das legislativas, pense que o país virou à esquerda.
Isso é um perfeito disparate; o que aconteceu foi que os eleitores, em face da triste figura feita pelo Zé Manel e agravada pelo idiota que lhe sucedeu, decidiram dar uma oportunidade a outros.
A esquerda precisa, rapidamente porque não vai voltar a haver uma oportunidade tão cedo, de explicar aos eleitores que a opção foi correcta: é preciso uma concertação que assegure uma vitória, desta vez sim, da esquerda e em toda a linha.
As tricas ficam para depois.
Desta vez não há que bater no Rui e no Daniel.
O que não se consegue perceber é porque é que a esquerda se queria coligar em Lisboa, supostamente para afastar uma governação personalista, errática e que não respondia aos verdadeiros problemas de Lisboa, para a substituir por outra exatamente igual. A menos que o objectivo fosse o das eleições presidenciais, talvez por isso, e só por isso, valesse a pena, mas era preciso que o dissessem.
Afixado por: Real em abril 27, 2005 02:14 PMCaro Daniel,
De facto, o seu comentário é revelador da postura de uma determinada esquerda que está disposta a aceitar tudo.
Estão imensamente preocupados com o dialogo à esquerda, mas foram os que nas últimas eleições romperam com a coligação, insistiram em ir sózinhos às urnas e deram um bom contributo à direita. Estarão recordados do que disseram na altura?
Confundirá os resultados das legislativas com o das autárquicas?
Acha que a importância do PCP e dos Verdes (os tais que não existem e não têm dignidade)nas autarquias é comparável à do BE?
Num partido que se diz plural e que integra um conjunto de movimentos e partidos, em que naturalmente muitos nunca foram a votos isoladamente, entende que um partido não tem dignidade por esse facto?
Na sua perspectiva o diálogo à esquerda só se faz com que foi a votos isoladamente e aceitando as pretensões de hegemonia da força maioritária?
Na sua perspectiva PS e PCP deveriam esquecer as experiências anteriores e, em especial, os contributos dados pelos eleitos do PCP e dos Verdes?
O PCP não parece ter, nas suas palavras, legitimidade para definir a sua intervenção, devendo subordinar-se a instrumento de apoio do PS.
Se é isso que o BE está disposto a fazer, paciência, a esquerda tem pena.
(1) houve determinadas forças que uniram esforços e constituíram um partido político chamado Bloco de Esquerda, que tem concorrido sozinho em inúmeras ocasiões – não é uma coligação.
(2) a CDU é uma coligação de dois partidos, sendo que um deles nunca foi isoladamente a votos.
Na minha opinião, o facto de o partido “Os Verdes” nunca se ter apresentado isoladamente a eleições não lhe tira dignidade nenhuma. No entanto, o facto de usar esse nome tem vindo a impedir, desde a sua constituição, a emergência de um partido ecologista, necessariamente politizado – porque a ecologia é uma atitude política mas não património dos comunistas, nem sequer da esquerda – mas com autonomia própria.
Talvez, a bem da própria verdura, “Os Verdes” devessem abdicar do seu nome e libertá-lo. Poderiam continuar a existir, mas com outro nome, do tipo: “PCE – partido comunista ecologista” ou outra coisa do género. Aí sim, poderíamos falar em dignidade.
Ficamos então a saber que o problema dos Verdes e a sua falta de dignidade deriva, não de nunca terem concorrido isoladamente a eleições, mas de um problema de direitos de autor, relacionado com a escolha do nome do Partido.
Ficamos a saber que os Verdes não podem utilizar este nome porque haveria que estivesse interessado em utilizá-lo.
Então, mas não existem outros partidos ditos ecologistas, como o Movimento Partido da Terra?
Estará o problema na palavra Verdes?
Os Verdes não têm legitimidade de assumir com quem bem entenderem as suas coligações e as suas convergências? Não podem entender que ao lado dos Comunistas existe uma real possibilidade de afirmarem o seu combate em defesa do meio ambiente? Aliás, a sua existência tão atacada, deveria merecer um pouco de atenção, a sua acção fora e dentro do Parlamento, a sua permanente chamada de atenção para as questões do meio ambiente deveria merecer mais algum respeito.
Para terminar, sublinho a brilhante conclusão de que se Os Verdes se chamassem outra coisa qualquer já não haveria problemas.
Afixado por: maprotilina em abril 27, 2005 03:59 PMReparei numa frase do comentador João Delgado:"o PCP tem capacidade de crítica e mobilização".
quanto À segunda, nada a dizer, embora me pareça que já tivesse visto melhores dias. Em relação à primeira, pergunto-me se também se abrange a capacidade de crítica inerna, e não estou a falar das célebres "auto-críticas".
Não sou de Lisboa nem me revejo na posição política de Rui Tavares, mas parece-me que o PCP conseguiu um dos poucos nomes credíveis - e conhecidos - que lhe restam. Carrilho é um intelectual e um pavão, que teve um bom papel no MC mas que duvido que seja o melhor nome para dirigir uma câmara. E com Carmona a concorrer pelo PSD, não terão um combate fácil.
maprotilina tem razão quando critica quem desvaloriza o importante contributo dos "Verdes" para Lisboa.
Poucos se lembrarão já que João Soares aceitou contrariado, nas negociações de há 4 anos, a exclusão do MPT, que queria entrar na coligação. Vitória para o PCP, que mantinha (via "Verdes"...) o exclusivo desta bandeira eleitoral na campanha.
Soares só percebeu que tinha feito um mau negócio quando, ao fim da atribulada noite eleitoral, lhe mostraram os números:
PPD/PSD-PPM
131135 / 41.98% / 8
PS-PCP-PEV
130279 / 41.70% / 8
MPT
1347 / 0.43%
... e como uma desgraça nunca vem só, é graças a este precioso 0,43% que o MPT tem hoje tantos deputados como os "Verdes" na Assembleia da República!
Afixado por: luis em abril 27, 2005 04:16 PMMaprotilina, não me leve demasiadamente a sério.
Foi uma forma sarcástica de dizer que Os Verdes não passam de uma extensão (por vezes, porque não dizê-lo, um delírio) do nosso querido PC.
Já imaginou o que seria aquela coisa que se chama TSD resolver assumir-se como partido e aparecer coligado com o pêpêdêpêéssedê? Seria ridículo não seria? Pense nisso.
madalena: se eu me quisesse meter só na minha vidinha não tinha um blogue. ainda assim o "meu" partido não é o BE, o meu partido é Lisboa e a esquerda, de forma que estou, de certa forma, a "meter-me na minha vidinha". escusa é de ficar tão picada pelas referências ao PCP que nem sequer vê que aqui critico todos os outros partidos de esquerda.
luís lavoura: a sua crítica é bastante injusta. em geral não sou adepto de se calarem as diferenças, mas se ler o post verá que o justifico desta vez em nome dos graves problemas de Lisboa. não discorro sobre eles para o post não ficar mais longo, mas regressarei a este ponto. para já, é evidente que os dois problemas prioritários de lisboa estão identificados há muito: habitação e transportes. mas um projecto tem de ser isto e mais.
real: se o poder é assim tão importante para mim? para mim, particularmente, não é. mas também não tenho nojo dele. que pergunta mais tonta, vindo de um apoiante do PS...
BGL: "o que pensa o meu partido"? qual partido?
maprotilina: alguma vez o PCP disse "não queremos saber de lugares, estamos aqui pelo projecto"? não vejo problema nenhum em que se debatam lugares, mas o PCP desta vez só se pode queixar de si mesmo, porque do lado do PS só não se admitiu que o PCP ficasse em igualdade de circunstâncias com eles (o que é perfeitamente) e que do lado do BE imperou um prudente silêncio e não se soube de exigências cá fora.
atenção que falo do que soube pelos jornais de forma consistente e não foi desmentido. o PCP demonstrou mais ambição e agressividade do que dignidade neste processo..
Afixado por: rui tavares em abril 27, 2005 04:29 PMO chamado Partido os Verdes não é mais do que uma das muitas organizações da area do P.C.P. como o M.D.M., o MURPI, e outras do mesmo tipo.
Não tenho nada contra que o P.C.P. crie as chamadas organizações de massas para determinadas areas, agora não pode é querer que quem não é do P.C.P. aceite essas correntes de transmissão como Partidos.
Tenho consciência que o estado calamitoso em que a dupla Santana-Carmona deixou Lisboa deveria obrigar a esquerda a sem sectarismo E NA BASE DE UM PROGRAMA REALIZÀVEL E ALTERNATIVO, encontrar formas da trabalho conjuntas.
Infelizmente e pelo que tenho visto nos jornais e de conversas o P.C.P. está mais preocupado nos lugares que nas politicas, é triste mas ISTO NÂO SÂO PRINCIPIOS.
O que vai suceder é que a maioria dos homens e mulheres de esquerda de Lisboa acabaram por ser obrigados a irem votar em Manuel Maria Carrilho, para impedir a vitória do par da direita.
Para quem passa a vida a decretar a morte do Bloco, 0s 360.000 votos e os 8 deputados são a melhor resposta, e nas autárquicas mesmo sendo umas eleições pouco favoráveis a novos partidos será mais uma vez a confirmação desse crescimento.
Afixado por: a.pacheco em abril 27, 2005 05:29 PMmaprotilina, não há no Bloco de Esquerda nenhum partido que nunca tenha concorrido sozinho a eleições. E todos eles existiam antes de se juntarem e formarem o Bloco. Eu fui do PCP e vi como os militantes do PCP recolhiam assinaturas para formar os Verdes. Vi como os funcionários do PCP e da JCP eram transferidos para os Verdes. Como militantes mais jovens eram convidados a ir para os Verdes. Por isso, minha cara amiga, escusa de ensinar o Pai Nosso ao vigário. Repito o que disse: os Verdes não existem, são uma criação artificial do PCP para impedir, nos anos 80, o nascimento de um partido ecologista de esquerda, como acontecia no resto da Europa. Os Verdes são uma farsa e por isso mesmo digo qe não têm dignidade política.
Afixado por: danieloliveira em abril 27, 2005 06:08 PMPara quem ainda tenha dúvidas, na troca de faxes que ditou o fim das negociações de 2005 entre PS e PCP podemos observar as divergências quanto ao tão badalado "projecto" para a cidade...
http://inet.sitepac.pt/ColigaLisboa2005.pdf
(ficheiro pdf com cópia dos 2 faxes, fonte: http://forumcidade.blogspot.com/)
Afixado por: luis em abril 27, 2005 06:30 PMEntão o que está a dizer é que participou numa farsa para construir algo sem dinidade política?
Afixado por: maprotilina em abril 27, 2005 06:46 PMEu fiquei estupefacto com a recusa do BE. Devo ser ingénuo, mas não fazia ideia de que a companhia do PCP fosse essencial para o BE. Por outro lado, não percebo mesmo a pretensão do PCP em ter tantos vereadores como o PS. Mas talvez seja melhor assim.
Agora, o que eu gostava mesmo de ver definido é o que se entende como 'política de esquerda' para a CML. E acho estranho falar de estagnação na CML. Eu votei BE nas últimas eleições, precisamente por achar que a CML tinha entrado em estagnação completa. A actual CML não me parece assim tão diferente da da coligação PS/PCP, fora o espalhafato mediático e a menor atenção à cultura. Lisboa está de facto num estado calamitoso, mas atribuir as culpas à actual gestão é enterrar a cebeça na areia. Parece que ninguém se lembra que foi a coligação PS/PCP a mandar o PDM às favas. Houve algum esforço de reabilitação, mas muito, muito insuficiente. Nos transportes não me lembro de terem tomado uma iniciativa que fosse. Nos espaços públicos fez-se alguma coisa, mas pouco também -- fora a reabilitação da zona ribeirinha, mas também não sei até que ponto foi importante aí a colaboração da APL, para não falar da Expo. E houve um esforço enorme na habitação social, mas com intervenções inaceitáveis que vão dar certamente problemas graves no futuro.
De facto, não sei mesmo se se pode falar de 'política de esquerda' nas autarquias. A identificação dos grandes problemas e respectivas soluções parece-me consensual, e cheira-me que, quando chegar a campanha os programas do PS, PSD, BE e PCP não vão diferir grande coisa. Parece-me que ganha quem usar menos retórica de esquerda ou direira e falar mais de propostas concretas. E, por falar em retórica de esquerda, lembram-se do final da campanha do João Soares e do apelo a antifascismo? Não sei se isto aconteceu a mais gente, mas eu senti que me estavam a chamar de idiota e nesse momento decidi que não votava na coligação PS/PCP.
Desculpem meter a foice na vossa seara.
Mas o facto é que as "coligações" do PCP, 1º com o MDP/CDE (APU), depois com esse filho que tirou das próprias entranhas, Os Verdes (C.D.U.), apenas tiveram como objectivo concorrer a eleições sem a sua incomodativa bandeira vermelha com a foice e o martelo !
Também o PS disfarçou os seus simbolos - vermelho e amarelo com o punho erguido - apresentando-se de branco e cor-de-rosa: com rosa e tudo.
Também a extrema-esquerda - que é feito da UDP, cuja também já era um Bloco esquerdista ? - escondeu envergonhadamente os seus símbolos.
Salva-se o MRPP. Honra lhe seja feita.
Quem tem afinal medo da "esquerda", senão a própria "esquerda" ?
A verdade é que, dos partidos de origem, que se formaram antes ou imediatamente após o 25 de Abril, apenas o PSD (com ou sem PPD), CDS (com ou sem PP) e PPM (esse sempre igual) se apresentam às eleições sem disfarces.
Será mesmo que o hábito não faz o monje ?
maprotilina, não sei como é consigo, mas eu não participo em tudo o que se faz no partido em que milite. Não o fazia no PCP, não o faço no Bloco de Esquerda. E dentro dos dois dicordei, internamente, quando tinha de discordar. Em público, quando achei que isso era fundamental.
Afixado por: danieloliveira em abril 28, 2005 12:53 AMIsabel Coutinho quanto á UDP como muito bem sabe faz parte da coligação de forças que criou o Bloco de Esquerda.
O CDS de 74 não tem nada a ver com o P.P. de Paulo Portas ou tem dúvidas?
O PPD que mudou de nome e tambem se chama PSD .
E O PRD que foi comprado por neo nazis e hoje chama-se PNR.
Os Partidos com os anos alteram-se TODOS se alteraram, é ver o defendiam na decada de 70 e o que defendem HOJE por vezes o nome já não é mais que uma fachada.
Tudo isto para lhe dizer a si pessoa da direita que a questão que se levantou sobre os verdes é que esse Partido digamos assim é um filho mais ou menos assumido e totalmente dependente do pai que é o PCP.
Como simpatizante do BE, digo que será com pena que verei uma possível coligação descartada. As lutas entre esquerdas, mostra que os partidos não são feitos só de ideais (dahhh) e que mesmo os partidos ditos mais ideológicos sofrem de um autismo que não lhes permite fazer sacrifícios em nome da população. Que o BE ou PCP são diferentes do PS já eu sei, por isso votei no BE, mas é preciso fazer compromissos. Não é por a esquerda se coligar com o PS que vai perder peso, ou que vai trair o seu eleitorado. Além disso a direita já percebeu, quando é para unir forças ficam todos amigos, a esquerda ao não perceber isso está a perder peso político e está a fazer um mau serviço ao seu eleitorado, pelo menos a meu ver.
Se o Bloco se quiser marcar pela diferença esta é uma bela oportunidade. O PCP já chumbou nessa oportunidade e o Bloco arrisca-se a fazer o mesmo para minha desilusão.
"A verdade é que, dos partidos de origem, que se formaram antes ou imediatamente após o 25 de Abril, apenas o PSD (com ou sem PPD), CDS (com ou sem PP) e PPM (esse sempre igual) se apresentam às eleições sem disfarces"
Ui...isso agora, o CDS-PP apresentou-se com pose de estado e partido modelo na sua estadia governativa e o PPD-PSD apresentou-se como a vítima de consecutivas facadas internas e perseguição mediática. Ok, não são disfarces, são distorções da realidade.
Concordo com o comentário do Pedro, acima. Os problemas das autarquias são largamente apartidários. O que interessa é que o gestor da autarquia, seja ele de esquerda ou de direita, saiba identificar os problemas principais, e tomar as medidas acertadas para os resolver.
Lisboa está atualmente parada em grande parte devido à Câmara estar manietada pelo seu enorme deficit financeiro. Esse deficit é culpa, em parte da atual gestão camarária, mas também em grande parte da gestão anterior.
A gestão de Jorge Sampaio na Câmara de Lisboa foi calamitosa, pois não soube e não quis identificar, a tempo e horas, quais seriam os problemas futuros de Lisboa: o excesso de tráfego e a desertificação da cidade. Deixou esses problemas desenvolverem-se sem fazer nada contra eles.
A gestão de João Soares foi bastante melhor, pois percebeu que era preciso pôr o freio nos dentes aos automobilistas que diariamente invadem na cidade e a tratam como terra conquistada.
O facto de estas duas gestões terem sido tão diferentes mostra que não é por ser de esquerda que uma gestão é boa.
Afixado por: Luis Lavoura em abril 28, 2005 09:36 AMDou toda a razão ao Rui. Já não há pachorra para o velho PCP. Com pouco mais de 8% querem impor condições a quem tem mais de 40%! Se fosse ao contrário, todos sabemos o que os comunistas faziam...
Dantes falava-se que Portugal tinha a direita mais estúpida do mundo. O que dizer desta esquerda?
ESTÚPIDOS!!! MIL VEZES ESTÚPIDOS!!!
Claro, o poder é importante! Desde que seja posto ao serviço da resolução inteligente dos problemas e não ao serviço dos "patos bravos" ou dos projectos totalitários.
(Jerónimo de Sousa: deixem-no mostrar os dentes e verão como é bem parecido com o Drácula! Xiça!! Assim se vê a força do PC!))
a.pacheco:
A "pessoa de direita" esclarece:
1. É claro que todos os partidos mudaram de 74 para cá. Mas uns, envergonharam-se (ou tiveram medo) dos seus símbolos. Outros não. Era isto que eu queria dizer.
2. a UDP - União Democrática Polular - já era uma coligação. Isto significa que o BE é uma "coligação de coligações" ...
3. quanto aos "Verdes" ninguém duvida que é um filho do PCP. Mas é uma filho especial, digamos que ... concêntrico. Ao menos o MDP/CDE foi um partido verdadeiro. E não nasceu do PCP.
4. Quanto ao PNR, nada sei.
Já agora, uma pergunta: O PRD não era o partido do Eanes, e do Martinho das vacas ? Eles venderam-no ? tch, tch ...
Afixado por: Isabel Coutinho em abril 29, 2005 12:07 AME a cidade? Não se discute uma ideia de cidade? Não se discute um projecto para a cidade? É só contar vereadores? É só fazer contas com os votos? O Daniel fala de um programa do BE. É um rasgo de humor na enxurrada de números com que sustenta o seu argumentário. Ele é um verdadeiro campeão dos números. Por baixo de todo o palavreado percebe-se que para ele, a democracia reduz-se à aritmética dos votos. É claro que para ele os partidos medem exclusivamente a sua representatividade pelos resultados da competição eleitoral. A mais vulgar anatomia dos seus textos acaba sempre por verificar que para ele, os partidos deixaram de se diferenciar ideologicamente,transformaram-se numa finalidade em si-próprios que se mede em votos.
O Daniel tem o racicíonio ancorado no 2+2=4, perde a cabeça com o 6estápara3como8estáparaX. Coitado, apesar de podermos supor que muitas vezes erra as contas, nem percebe que a extrema banalidade dessas tabuadas conduz ao pensamento mais viciado. Quem pensa assim tem voo rasteiro e curto.O Daniel, é óbvio, não vai mais longe,mas tem projectos pessoais, começa-se a perceber que está a preparar o caminho para colaborar num daqueles semanários venezuelanos que a menina Rice devora ao pequeno almoço.
Um conselho, antes de por questões de higiene mental não o lermos mais: Daniel consiga um lugarzinho de colunista num pasquim sul-americano mas seja ecológico, poupe energia,basta-lhe traduzir alguns dos textos que escreve para o Expresso e para o Barnabé. Contribuem muito bem para a mesma causa.
Afixado por: M.Araújo em maio 1, 2005 12:01 PM