maio 02, 2005

Aiatolas em Díli

Ainda há quem demonstre alguma tolerância para com as tendências teocráticas reveladas pelo clero de Timor-Leste – e principalmente pelo novo Bispo de Díli –, considerando por via de uma estranha lógica que a obrigatoriedade da disciplina de Religião e Moral nas Escolas Públicas é uma questão de liberdade religiosa, o que permite fazer com que o mau da fita seja o suposto anti-clericalismo de Mari Alkatiri. Mesmo quando o clero exige a demissão desse primeiro-ministro eleito com uma maioria de dois terços, parece que custa a algumas pessoas entender que a hierarquia católica tenha pisado o risco que marca os limites da democracia pluralista.

Os acontecimentos mais recentes têm o condão de deixar bem clara a gravidade do que está em causa. Os participantes de uma manifestação clerical sequestraram dois portugueses e submeteram-nos a um "tribunal popular" durante quatro horas com o objectivo, entre outros, de saber "se eram ou não católicos". O dito "tribunal popular" – que não teríamos dúvidas, noutros contextos, de classificar de terrorismo fundamentalista – teve lugar em plena residência do Bispo de Díli. Segundo o Público, um porta-voz do Bispo, Pe. Domingos Soares, justificou a acção como sendo "o procedimento normal em relação a alguém que levanta suspeitas, com uma atitude um bocado diferente".

Não tenho dúvidas de que ainda verei gente encontrar uma súbita compreensão pelo tribunais populares, desde que colocados ao serviço da luta contra o relativismo, que é certamente o problema mais premente da humanidade. Só espero que não pensem que é o catolicismo que livra Timor Leste ou qualquer outro país de se tornar parecido com o Irão.

Publicado por ruitavares em
Comentários

A verdadeira liberdade religiosa é obrigar os outros a terem a nossa religião. É isto que os padres de Díli estão a tentar explicar ao mundo.

Afixado por: Ricardo Alves em maio 2, 2005 10:50 AM

Eis: onde têm força os clérigos da ICAR (Igr. Cat. Apost. Romana)voltam aos tempos da Inquisição. Cristo? Evangelho? As oito Bem-Aventuranças? Bahh! Contra os infiéis, marchar, MARCHAAAAAAR!

Afixado por: JoaKim em maio 2, 2005 10:58 AM

Há que introduzir um bemol nestas considerações. Primeiro, o papel da religião católica em Timor é único. Foi-o na resistência, emn que se substituiu à Fretilin, praticamente desaparecida sob a repressão e implicada em crimes contra a população. E é-o na vida de todos os dias, dado que 95% dos timorenses são católicos e fervorosamente PRATICANTES... Logo, o laicismo à europeia não é a melhor receita em Timor, sobretudo quando é aplicada por um partido com resquícios de marxismo-leninismo e responsabilidae nos massacres de 75 e cujo chefe (Alkatiri) pertence a uma minoria religiosa concorrente, o islamismo.

Afixado por: SALADINO em maio 2, 2005 11:33 AM

Ai que os paladinos dos direitos humanos e seus afilhdos nem vão falar disto. A TSF, no primeiro dia da dita manif ainda e por engano, estou certo, comunicava que o governo de Timor, o tal governo eleito demo/te e com supervisão dos independentes observadores internacionais, afirmava que havia elementos da embaixada dos EU metidos naquilo. Mas agora, o que é que faz a diplomacia de Portugal e da bem pensante comunidade 8internacional sobre o sequestro, o interrogatório e o cárcere privado promovido, organizado e levado a cabo sem excrúpulos pelas autoridades católicas de Timor ? O cárcere privado é um crime sujeito a pena maior como o é o sequestro e interrogatório violento levado a cabo por civis armados em linxadores religiosos.
Se a isto acrescentarmos o acto de racismo e de indizível ingratidão para os trabalhadores estrangeiros que aí trabalham em condições de terceiro mundo, estamos perante um prometedor motivo de regozijo religioso !

Afixado por: 3MF em maio 2, 2005 12:23 PM


Domingos Soares dixit, in DN,(e RTP) 01.MAIO 2005

"Todas as pessoas de quem desconfiamos, e cuja atitude é diferente, são levadas para o centro de investigação para esclarecer as suas atitudes, para que não possa acontecer o mesmo outra vez." Ou seja, admite que há em Díli, por sinal na casa do bispo (uma casa que foi reconstruída pela cooperação portuguesa), um tribunal popular que interroga quem entra em território designado agora como dos manifestantes contra o Governo. Sobre as agressões aos dois jovens, diz ainda Domingos Soares, tudo aconteceu "no contexto da psicologia da multidão, pessoas cansadas, há 12 dias na rua. Compreende-se a atitude dos seguranças, com violência, mas desta vez, com os nervos, passaram dos limites".

Florbela Marante

Afixado por: Florbela Marante em maio 2, 2005 12:24 PM

Obrigado, Rui!
:)

É importante que as pessoas não fechem os olhos ao que se está a passar em Timor!

Afixado por: João Vasco em maio 2, 2005 12:36 PM

só espero que o Rui Tavares não tenha escrito isto na qualidade de historiador.

Afixado por: Zazie em maio 2, 2005 01:06 PM

zazie: se bem me lembro, você tinha jurado e rejurado nunca mais por os pés no barnabé. agora importa-se de explicar um bocadinho melhor o seu comentário, feito num inconfundível estilo de toca e foge?

Afixado por: rui tavares em maio 2, 2005 01:35 PM

É que pelo que escreveu não só não sabe o que se está a passar (o que é natural porque não é pelos jornais que se sabe) como desconhece completamente a história de Timor. A particularidade de ter sido totalmente governada pela Igreja Católica até ao século XVIII, continuar a sê-lo mesmo com as Capitanias. Desconhecer em que consiste a Igreja Católica por lá- que inclusive sempre se deu bem com os muçulmanos e que estes foram expulsos pelo poder político. O modo como a Igreja conciliou o animismo de deus único (possivelmente a mais rara forma de animismo) com o catolicismo.
E depois não faz a menor ideia do que são tribunais privados em Timor, como sempre foram usados por todos. Desconhece que Timor nunca foi uma democracia a não ser no papel- nem houve eleições legislativas para este governo. Desconhece que o país está a ser vendido à Austrália a troco da não delimitação territorial para exploração de petróleo com promessa de pagamento entre o 2 e os 5 biliões de dólares, único expediente que o Alkatiri tem pars se aguentar até às próximas eleições.
Nem deve dar conta que Timor deve ser o laboratório histórico e cultural mais interessante à escala mundial; com uma memória perdida, arquivos queimados( os poucos que existem nas Filipinas estão por estudar), com uma igreja de características únicas à volta da Teoria da Libertação mas bem diferente da que existe na América Latina. E por último (para sintetizar porque entender-se Timor levava dias a explicar) a viver um momento único em que pela primeira vez se assiste a membros da Igreja a fazerem exigências políticas a um governo, com apoio não só da população, como das mais variadas forças políticas envolvidas, incluindo até a extrema-esquerda australiana.
Moralmente é fácil e simples qualquer um de nós pegar na notícia e condenar o que se diz. Resta saber o que são os factos e qual o contexto em que esta insurreição surge.
Desde logo lhe adianto- as ditas aulas de religião e moral foram apenas um estúpido pretexto que o Alkatiri deixou escapar.
Fora isto fica a curiosidade por um país que Portugal desconhece por ignorância e má consciência. Não deveria ser necessário ser-se historiador para haver maior cuidado nestas questões. Creio que bastaria ser amador e por uns breves momentos deixar no armário os velhos ódios ateus ou maniqueísmos políticos e pensar-se que a história é sempre muito mais complexa e também muito mais importante.

Afixado por: Zazie em maio 2, 2005 01:41 PM

pois tinha dito que não voltava a pôr cá os pés e disse-o ao Daniel Oliveira e não a si. Disse-o no contexto de uns textos sobre a Casa Pia onde por acaso até troquei a identidade do postador.
De qualquer forma já tinha cá voltado.
A primeira para elogiar o próprio Daniel Oliveira a propósito de um texto sobre a Al-Quaeda; a segunda, no outro dia, para dar os parabéns por um texto brincalhão do Bruno Reis (acerca do qual já tinha tecido apreciações no blasfémias em janelinha de comentários e que o próprio está a par).
Desta vez voltei e não foi a toca e foge. A menos que o comentário que escrevi de seguida justificando a talho de foice o que disse, não venha a aparecer.
O Rui devia conhecer melhor que eu este sistema de comentários para não se apressar a fazer julgamentos. É que o tempo que demoraram essas linhas a aparecer foi o suficiente para redigir o resto.
Espero que nada disto seja tomado como proximidades pessoais que não me interessam mas apenas como uma natural reacção perante algo que seria suposto todos gostarmos- a História.

Cumprimentos.
Zazie (no metro, onde quiser), e bem às claras porque não é o nick que esconde qualquer franquesa ou responsabilidade pelo que escrevo.

P.S.
só uma nota. Esta brieve intromissão no Barnabé foi dirigida ao seu texto e a mais ninguém. Não tenciono desenvolver debates baixos ou trauliteiros como comentadores.
Quanto a Timor, se estiver interessado, posso disponibilizar informação. O mais isenta que possível, fora de qualquer ideologia e bem longe de cruzadas religiosas ou proselitismos ateus.
Tem o meu mail para isso.

Afixado por: Zazie em maio 2, 2005 01:53 PM

já passou uma hora desde que fiz o primeiro comentário e o Rui Tavares se apressou a classificá-lo de "inconfundível estilo de toca e foge". Entretanto mandei mais dois e ainda não apareceram. Se fosse paranóica diria que era fruto de qualquer típica censura barnabeica.
Como não o sou aposto que não tarda nada aparecem esses e mais 5 ou 7 que o browser tinha na calha.

(este foi mesmo o último- 14.11H)

Afixado por: Zazie em maio 2, 2005 02:11 PM

o facto de Timor Leste ser um pequenissimo país, catolico, rodeado por um imenso país muçulmano que sempre se mostrou hostil para com a população timorense e a sua independencia, é suficiente, para que as questões religiosas tenham lá um peso completamente diferente.
Não compreender isso é caracteristico dos utopistas de serviço que nunca irão entender a realidade, pelo que tambem nunca a conseguirão transformar.
A Vasconcelos

Afixado por: A Vasconcelos em maio 2, 2005 02:43 PM

Caro Saladino, vamos então a factos:

1ª - Faça o favor de objectivar em que medida «o papel da religião católica em Timor é único.»

2º - Em boa verdade, a religião católica nunca, como é do mais elementar conhecimento, «se substituiu à FRETILIN (Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente)» e passemos a fundamentar:
a) Aquando do “histórico” golpe da UDT que conduziu à guerra civil, onde estava afinal a «religião católica»? Qual o papel que aí teve? E aquando da Declaração de Balibó? Acaso a «religião católica» se opôs à assinatura deste documento directamente conducente à invasão?
b) «Crimes contra a população»? O Golpe da UDT e a Declaração de Balibó não encerram em si um monstruoso crime?! (A não esquecer, para além do mais, que a UDT fez milhares de prisioneiros). Acresce, e é bom tê-lo em linha de conta, que tudo isto ocorreu numa ambiente de guerra civil! Se pretende discutir as responsabilidades dos envolvidos, então a questão é outra, como é óbvio.

c) De facto, e tem toda a razão, a Resistência nos finais dos anos 70 encontrava-se praticamente aniquilada, e assente apenas nas suas próprias forças! Explique em que medida, e neste período específico, «a religião católica» substituiu a FRETILIN.
Se a Instituição Igreja (com especial ênfase para o Vaticano) não se tivesse remetido a um covarde e oportunista silêncio, talvez o curso da história do Povo de Timor-Leste não tivesse sido de tão prolongado sofrimento!
d) «95% dos timorenses são católicos e fervorosamente PRATICANTES»? Seria um excelente contributo esclarecer qual o seu conceito de «timorenses católicos»! Certamente que não se refere aos «95%» que em simultâneo são animistas… E foi você que falou em «laicismo à europeia».

e) Quanto a «um partido com resquícios de marxismo-leninismo e responsabilidade nos massacres de 75» parece-me que a questão já está esclarecida. No entanto, reafirma-se: se se está de boa-fé, em primeira instância, tem que se analisar a guerra civil que em 1975 se travou em Timor-Leste. Donde, a necessidade de equacionar os crimes da UDT enquanto responsável pela morte de milhares de mauberes, enquanto Partido que subscreveu a Declaração de Balibó; os crimes do KOTA, da APODETI, etc. etc…

Florbela Marante

Afixado por: Florbela Marante em maio 2, 2005 03:45 PM

Zazie:

Você tem a pancada do proselitismo ateu como tem a pancada da censura no Barnabé. Em primeiro lugar, se quiser que os seus comentários apareçam imediatamente basta registar-se no tipekey. Os comentários não registados não são aprovados logo porque precisamos de alguém que esteja disponível para separar os comentários verdadeiros dos muitos comentários de spam e alguns insultos. As regras estão muito claras aqui

«Comente imediatamente, registando-se abaixo na TipeKey, ou diferidamente através de um comentário não registado.»

e portanto não há lugar a queixas.

Quanto ao resto, especificidades todos os países e regiões as têm: o próprio Vaticano é um estado teocrático e não consta que por lá se façam tribunais populares a pessoas com uma atitude especial para saber se são ou não católicos. Mas aquilo que a comunidade internacional, Portugal e os países doadores apoiaram em Timor Leste foi a construção de um estado democrático. Querer um estado democrático não é proselitismo ateu nem é, aliás, contra nada nem contra ninguém: a igreja e os padres timorenses que participem na vida política, que apoiem partidos, que façam o que quiserem. Não podem é vir exigir a demissão de um primeiro-ministro eleito com uma enorme maioria há poucos anos apenas, sob risco de se voltar ao Timor Leste de 1975. Se a Igreja têm essa influência toda em Timor Leste, excelente. Ajude a construir as suas alternativas e espere pelas próximas eleições, onde os políticospor si apoiados não deixarão de ganhar com 95% dos votos e Mari Alkatiri passará à história. A paciência é uma virtude democrática.

De resto, todas as especificidades justificariam os atropelos à democracia: o Irão por causa do xíismo – até Foucault apoiou, com ilusões semelhantes, a revolução de Khomeini –, Israel porque é o único país judeu do mundo e está rodeado por árabes e muçulmanos, Portugal porque o povo não estava preparado para a democracia e era uma nação multirracial e pluricontinental... desculpas de mau pagador.

PS: Já agora, em todo esse relatório, a Zazie esqueceu-se de dizer que em 1974 o catolicismo era minoritário em Timor Leste, um elemento que há que considerar para matizar a suposta enorme influência dos dominicanos em Timor a partir do séc. XVI. Pelos vistos, quatro séculos não conseguiram fazer o que a aliança à resistência fez em 30.

Afixado por: rui tavares em maio 2, 2005 03:54 PM

Rui Tavares,

ou você não sabe ler ou quem tem pancada não sou eu.

Você apressou-se a qualificar o meu comentário como um típico toca e foge.
Eu respondi que não era toca e foge porque tinha enviado texto a explicar e se não estava online a culpa não era minha.
Não fui eu quem disse que havia censura. Brinquei e disse que se fizesse julgamentos primários como vc então também diria que era censura pelo facto de ter explicado e eles não aparecerem. E expliquei com bonomia que bastava esperar-se que deviam estar na calha.

Entendido este ponto?

2ºa Questão. Terei tanta mania que há fanatismo religioso como proselitismo ateu. Tanto como a liberdade de o haver e de o demonstrar publicamente.
Para o caso não interessa. Só teria interesse para se entender a minha primeira frase.

Ou bem que escreveu isto para descarregar a bílis sobre a Igreja Católica ou bem que não o podia ter escrito na qualidade de historiador ou mero amador das coisas históricas.

Quanto a Timor e aos factos só é possível saber-se um pouco com longo conhecimento directo de décadas e muito em terreno. Nem eu me atreveria a fazê-lo embora tenha conhecido directamente muitos dos militantes da FRETILIN incluindo os que morreram.

No que toca ainda aos factos apenas salientei essa figura de “tribunal popular” que aparece nos jornais e na blogosfera como uma novidade, como uma coisa única. Eles sempre existiram, feitos por todos e só em directo se pode entender ou explicar minimamente as coisas.
Quanto à laicidade e democracia repito- nunca existiu. Nem sequer nas outras eleições pagas em géneros a quem colocava a cruzinha onde se indicava.
A laicidade ou democracia por lá, com o tribalismo e estado perto do paleolítico que ainda existe será algo idêntico a acreditar-se que a invasão do Iraque e as eleições a tinham implantado nessas outras bandas.

Quanto ao cenário que está em jogo não inclui apenas a Igreja. Ainda que fosse bom entender uma simples banalidade que se pode constatar desde 1510 ou 12- sem Igreja Católica não existia povo timorense ou cultura de timorense ou Timor como hoje existe.

Quanto ao muito mais pertinente cenário político também era bom entender quem anda a vender o país a troco de sobrevivência política- Que inclui tudo- desde aparelho de estado a polícia até a partidos rivais. A corrupção atingiu tudo e a FRETILIN que nunca formou quadros, vivendo de estafetas e sem publicar um único documento desde 79, com o que resta de quem sobreviveu a mortes em combate ou a mando, não é nada. A dia ideologia Alkatari, segundo o próprio, é uma mistura de trabalhismo anglo-saxónico com social democracia europeia. Uma anedota- em suma.
O seu prognóstico de 95% para a oposição também só pode ser fábula de quem gosta de brincar com estas coisas. Porque ou brinca ou não sabe mesmo de todo em todo o que é Timor ou como o poder e o petróleo ditam lei.
Quanto ao catolicismo minoritário em 74 o Rui está mais uma vez a brincar. Porque deve desconhecer uma coisa que dá pelo nome de sincretismo. Deve desconhecer o que é o animismo em Timor e em que consiste esse paradoxo de animismo com Deus único. E deve desconhecer ainda mais a velha tradição árabe no pais que ainda se manifesta em contos populares que declinam variações das “mil e uma noites”. Como deve desconhecer que nunca houve fundamentalismo muçulmano porque até a mesquita foi construída em parceria com a Igreja Católica e as mulheres por lá nunca usaram véu.

E também deve desconhecer quem correu com eles dali. Como não deve estar a par de quem aguentou verdadeiramente no terreno a resistência enquanto os líderes iam sendo politicamente eliminados (os que maoistas de74 foram todos) E ainda deve estar mais longe de perceber o que pode ser a perca de memória de um povo quando todos os documentos foram queimados e nem uma imagem de mapa da ilha conheciam.
E desconhecer quem foram os antropólogos que conseguem fazer algum trabalho numa população que ainda tem aborígenes recolectores que nem agricultura conhecem.
Um deles tem um nome conhecido: o bispo D. Basílio.

Mas tudo isto seria muito mais interessante em troca de ideias com o professor Matoso que por lá vive. Ou com alguém que conheça bem no terreno tudo isto e também a boa e velha tradição tuga de andar bêbado pelas ruas a insultar timorenses...

Agora um conselho: não fale em “aiatolas a propósito de Timor que causa mesmo uma grande dor de cabeça até a um simples autodidacta.

Você pura e simplesmente limitou-se a ler uma notícia no jornal e aproveitar para fazer comício. E isso é triste. Ainda mais triste porque estamos a falar de um país irremediavelmente preso à nossa história.
Por isso, penso que quem não consegue aguentar a bílis ou usar o Diário Ateísta para a descarregar, faria melhor em remeter-se ao silêncio quando se trata de acontecimentos e memórias históricas de dois povos demasiado importantes para alguém se dar ao luxo de vendar caricaturas.

Fique bem


P.S.
e agora sim, vou indo. Porque se tinha deixado de cá meter os pés por considerar que há limites para levar as bandeiras e que um deles envolvia crianças viloladas, neste caso e por gosto de história e memória de 3 décadas de contacto com algo que você desconhece também se torna demasiado vão qualquer possível troca de ideias. Ora como não tenho amos nem obedeço a crenças ou anti-crenças e me orgulho muito da minha liberdade de franco-atiradora, prefiro falar de Timor a quem esteja interessado em história e não em cruzadas.


Afixado por: Zazie em maio 2, 2005 04:35 PM

Em relação ao catolicismo em Timor-Leste: Por alturas do 25 os dados coloniais indicavam que, salvo erro, apenas cerca de 1% da população era católica (aqueles que haviam adquirido o estatuto, extinto em 61, de assimilados). De facto a expansão do catolicismo deveu-se à necessidade Indonésia de suprimir a diversidade étnica para criar um estado-nação assente no território que foi feito em parte pela ilegalização do animismo. Todos os cidadão Indonésios tinham de pertencer a uma religião monoteísta, como em Timor já estava a ICAR, que ainda por cima fornecia um elemento identitário exclusivo em relação ao invasor...

Finalmente, o que é que tem a especificidade da ICAR em Timor a ver com a legitimidade do rapto de cidadãos portugueses?

Afixado por: Narcisista em maio 2, 2005 05:30 PM

Oh caríssima senhora!

1. Na altura em que escrevi o meu comentário só existia o seu primeiro comentário, que era verdadeiro "toca e foge". O facto de eu escrever ou não "como historiador" era perfeitamente lateral para a questão de princípio democrático que aqui se discutia. Sei que o seu segundo comentário so foi feito depois de eu a desafiar então a explicar a relevância da minha profissão. Sei-o porque fui eu que aprovei ambos os seus comentários.

2. Timor Leste não existiria sem a Igreja Católica? Vamos dizer que sim. Mas também Portugal não existiria sem o cristianismo e isso não dá a ninguém o direito de querer substituir governos pela via das manifestações. A democracia formal nunca existiu em Timor Leste? Nunca é tarde para começar. A democracia formal foi uma promessa e garantia do novo estado à comunidade internacional e não pode ser colocada em causa dois ou três anos depois da independência. O catolicismo não era minoritário em 1974? Mas olhe que é o que dizem os próprios dados oficiais da potência colonial portuguesa, e é algo que os próprios líderes católicos da resistência sempre admitiram com facilidade. Foi a dominação indonésia que levou muito timorenses a refugiarem-se na igreja.

Quanto ao resto. Admiro muito a coragem da igreja católica timorense nos trinta anos que passaram. Mais uma razão para ficar desiludido com eles agora.

Afixado por: rui tavares em maio 2, 2005 05:37 PM


Tanto dislate/desinformação é demais … só pode ser intencional.
Caro Zazie, afirma que Timor tem « uma memória perdida, arquivos queimados (os poucos que existem nas Filipinas estão por estudar)…». Está profundamente enganado: Na realidade, o Arquivo da Memória da Resistência do Povo de Timor-Leste (que reúne centenas de milhar de páginas de documentos, fotografias, objectos, etc., como tem sido noticiado, está a ser tratado: restauro, digitalização e classificação) deverá ser aberto ao público em Dili e em Lisboa no decurso deste ano. E inclui acervos transversais à Frente Armada, Frente Clandestina, Frente Externa e Solidariedade! Portanto, a Memória do Povo Maubere não está perdida, contrariamente ao que alguns pretenderiam…
Para sua informação, para além do Arquivo que referi, os mais importantes são pessoais – excluindo, naturalmente, aquele que se encontra na posse da República da Indonésia – e encontram-se na Austrália, Portugal e nalguns PALOPs.

Florbela Marante


Afixado por: Florbela Marante em maio 2, 2005 05:48 PM

«Sei que o seu segundo comentário so foi feito depois de eu a desafiar então a explicar a relevância da minha profissão»

ai sabe? o Rui Tavares tem poderes! o Rui é capaz de ver o que eu estou a escrever através do espaço sideral.
Olhe, tenha cuidado não vá entrar-me pelo monitor e eu confundi-lo com uma mosca...

Quanto à imaginária discussão "histórica" que se julga a travar comigo prefiro deixar-lhe aqui um desafio:

que tal tê-la em local certo e até com o professor Matoso. basta levar estes postes que por mim, ao contrário do que você já disse noutros locais, não vivo na clandestinidade e não temo debates ao vivo.

Até lá convinha informar-se um pouco da venda do petróleo e da não demarcação costeira a troco dos biliões e para que servem.
E convinha principalmente conhecer a história desde o século XVI ao regime de capitanias e depois o que foi o colonialismo e o que é a igreja e a teologia da libertação em Timor.

Fora isso e, em termos mais práticos, também não faria mal saber em que consiste o (des)governo naquelas paragens. Ou os métodos eleitorais, ou a suposta liberdade de inprensa, ou muita outra coisa que vem no papel mas que só serve para se acreditar da boca para fora.

Afixado por: Zazie em maio 2, 2005 06:00 PM

então ainda bem que tudo isso está a ser tratado.
Esperemos que de igual modo o que se encontra nas Filipinas e que mais informação antropológica, cultural e linguística apareça. O caso da ligação de alguns dialectos com idênticas falas no Vietname, por exemplo.
Porque Timor não é Dili e ir para o interior não são férias do clube meditarranée.

Quanto ao que foi a FRETILIN e múltiplos líderes a coisa torna-se mais difícil porque a maioria está morta e não há-de ser pelo lado do Alkatiri nem Ramos Horta nem mesmo Xanana que se venha a saber muito mais. Guerrilha nunca foi um bordado nem um convite para jantar, já dizia o outro.
Fora da memória da ideologia-FRETILIN a identidade e cultura daquele povo está em grande parte na igreja. Quer se queira quer não. Esperemos que séculos de um peculiar e talvez único caso de poder católico continue a seguir o bom senso de D. Basílio ou de Ximenes. Que os maus sensos de quem cobra aos 25 mil dls por abrir a boca do maçon Horta não fazem história. E se a Indonésia foi ameaça de dissolução, a Austrália e venda de costa a troco de poder não será menos...

Afixado por: Zazie em maio 2, 2005 06:40 PM

Zazie:

1. O seu primeiro comentário, o tal de "toca e foge", foi inserido às 13:06:30. A minha reacção, desafiando-a a explicar o que é a minha profissão tem a ver com o tema do meu post foi inserida às 13:35:41. A sua justificação é das 13:41:03. Tudo dados do relógio do servidor da weblog, que aliás até vêm apostos aos comentários.

2. Você quer discutir as delimitações do petróleo, a história do século XVI até às capitanias e sei lá o que mais. Se eu lhe disser que as especificidades, que todos os países têm, não os isentam do imperativo democrático e do respeito pela liberdade de terceiros, suspeito que me vá exigir que eu conheça a estrutura lexical dos idiomas melanésicos. Nada disso muda o essencial: a comunidade internacional, os países doadores, a ONU e Portugal em particular apoiaram a auto-determinação de Timor Leste com base no pressuposto de que se implementaria um regime democrático com respeito pelas regras formais deste tipo de regime e pela inviolabilidade das liberdades individuais. Deixou-se bem claro que um regresso a 1975, ou seja, a lutas intestinas não-democráticas, tribunais populares, etc., seria um enorme retrocesso para Timor Leste e implicaria uma revisão da relação de confiança entre a comunidade internacional e os líderes timorenses.

Se há coisa que deveríamos ter aprendido com as independências africanas é que os apoiantes da auto-determinação dos povos não devem branquear comportamentos anti-democráticos com a invocação de supostas especificidades "revolucionárias", "culturais", "nacionais" ou outras.

Finalmente, eu não me imagino a ter uma discussão "histórica" consigo. Você é que meteu a história onde ela era muito pouco chamada. Enfim; se quiser debater ao vivo, podemos debater ao vivo. Se quiser chamar o professor Mattoso, pode chamar o professor Mattoso. Mas olhe que pelo que conheço desse historiador (com quem, por coincidência, tive aulas de História das Religiões) ele deve ser o primeiro a não estar nada contente com as atitudes recentes da Igreja Timorense.

Afixado por: rui tavares em maio 2, 2005 06:53 PM

O que afinal está acontecer em Timor, para mim, é simples e claro como água. Coitado de um povo que permite que uma qualquer religião SEJA ELA QUAL FOR apanhe ou se julgue em condições de ser poder.Se por malfadada sorte tal acontecer adeus liberdade, independência e tudo o mais. Todos os habitantes onde isso acontecer ficarão reduzidos a, ALINHAR OU MORRER.
Senhoras e senhores historiadores que aqui no Barnabé debitam, provem-me que estou errado. Peguem na história dos povos, desde os seu primórdios e PROVEM em que época, em que lugar, sendo qualquer crença poder, houve democracia, liberdade, humanismo e consciência. Onde? Em que circustâncias essas crenças foram tolerantes? Se é ou não verdade que todas elas foram, são e voltariam a ser, intolerantes, opressoras e CRIMINOSAS. O resto é paisagem. O que está acontecendo em Timor é a igreja católica sem máscara, verdadeira e bem ao estilo do seu actual papa. O resto é paisagem.

Afixado por: Luis Martins em maio 2, 2005 07:01 PM

estou sem tempo para prolongar isto muito mais mas convém esclarecer uma coisa.

Eu não emiti juízos morais com base numa tosca notícia dos jornais.
O Rui é que o fez. Sem saber dos factos, sem saber sequer se os tais tugas estavam ou não estavam bâbados, sem saber se isto é ou não é comum por aquelas paragens e falando num tribunal à talibã, como se também fosse assim algo de impensável e nunca visto naquelas paragens.
Porque o Rui falou dos problemas de Timor como quem fala de um incidente nas avenidas novas.

Eu não emiti juízos sobre os factos que mesmo sem conhecer de perto em termos absolutos são condenáveis mas limitei-me a mostrar que a história não é a preto e branco. E que, ao contrário do que tem vindo nos jornais, isto não sucedeu por essa questão bizantina das aulas de religião e moral. Mas toda a gente papagueou a história, nesta fúria de ser-se comentador e opinar de cátedra, sem sequer ter a menor ideia do que se tem vindo a passar em Timor.
Eu limitei-me a dar umas pistas. A começar pela diferença entre o que está no papel e o que é a prática- logo nas eleições e até no facto de o poder ter prescindido das legislativas.
Depois disse algo mais forte- a venda de Timor à Austrália. Pode ser afirmação demasiado temerária mas tem pontos reais para se desenvolver. E isto não poderia ser dito na tal famosa democracia laica que vocês pintam agora sob o jugo dos novos aiatolas da ICAR.
Foi isto meu caro. Porque me incomodam comícios que nunca se percebe se são feitos em nome da ideologia se em nome do jacobinismo se em nome de todos. Como nunca sei quando vêm à baila os galões para os sustentar. E isto não é fruto de qualquer coscuvilhice da minha parte porque me estou nas tintas para quem sejam as pessoas, mas resultado de já por mais de uma vez me ter sido atirado à cara- em janelinhas de comentários ou em currículo revolucionário apresentado no blogue.
Por isso é melhor ficarmo-nos por aqui e deixar as cronometragens de quem postou primeiro ou do que me viu a escrever do outro lado do monitor e ainda menos de inverter a situação e transformar isto num caso de esquizofrenia de type key.

Helás, oremos então todos pela paz e pela democracia-anglo-saxónica, com ou sem aiatolas e muito petróleo a sair dali para fora.

Afixado por: Zazie em maio 2, 2005 07:11 PM

xiça depois de tudo isto afinal o bispo disse o que está na noticia ou não?

e a noticia é falsa?

Afixado por: oscar pinto em maio 2, 2005 07:31 PM

Zazie:

Você fala de "emitir juízos morais com base numa tosca notícia de jornal" de "comícios" e de "portugueses bêbados". Eu acho que você está a querer atirar poeira para os olhos.

1. Um governo eleito tem direito a definir a política educativa do país, desde que respeite a constituição, quer no que diz respeito à aprovação das leis, quer no que diz respeito à garantias constitucionais gerais. Passar as aulas de Religião e Moral para facultativas está perfeitamente dentro desses limites e é o que se faz em muitos países. Você diz que a ICAR timorense escolheu apenas essa medida como pretexto. Pois se o fez, foi mal feito.
2. Um primeiro-ministro eleito por grande margem e que tem governado constitucionalmente não pode ser demitido nas ruas por manifestações de alguns milhares de pessoas convocadas por razões que, segundo você diz, não passam de pretextos.
3. Se os portugueses estavam bêbados, o problema é deles. Pelos vistos, você é que fala disto como se fosse "um acidente nas avenidas novas".

Custa muito, pelos vistos, admitir que o comportamento da ICAR está a caminhar para a arbitrariedade e a intolerância. Custa tanto que é necessário desviar a conversa para assuntos laterais e apreciações sobre o autor do post.

Afixado por: rui tavares em maio 2, 2005 07:39 PM

Rui,

Você conhece o governo e sabe que aquilo é uma democracia e que de um lado está o bom poder laico e do outro os famigerados aiatolas da ICAR

Eu apenas lhe respondo. Escrevi ICAR no gozo. Não falo por siglas e nem sei o que é uma intervenção da ICAR em Timor para depor um primeiro ministro.

Porque Igreja Católica Apostólica Romana é uma configuração teórica, Vaticano outra mais prática e os padres timorenses outra mais concreta.

Por isso se considera que este caso se enquadra em mais um exemplo dos ditames do Vaticano no mundo que lhe faça boa digestão o caso.

O blogue é seu, a bilis icariana e cruzada ateia sua, os problemas timorenses reduzidos a esta caricatura são seus, a alternativa cor-de-rosa resumida a série de boas intenções politicamente correctas em abstracto idem.

Só é pena que tanta pregação se fique sempre por uns posts, umas petições online, uns esboços pseudo-informados, e muito nevoeiro à volta.

Pela minha parte vou continuar a inteirar-me do que se passa em Timor sem julgamentos ou indignações frente ao monitor porque se alguma vez fosse atacada por "causas" preferia passar à acção a ficar sentada a vender demagogia.

Afixado por: Zazie em maio 2, 2005 07:52 PM

só um reparo: que primeiro ministro eleito?
em que eleições?
eleições legislativas em Timor? quando?

sabe em que consistiram as eleições que levaram o Alkatiri para o poder?

É curioso neste caso por meter Igreja ver tanta democracia e nem dar pelo cheiro do petróleo. Porque quando entram americanos a reacção pavloviana costuma ser mais rápida e é ó democracia o tanas que eleições daquelas são uma palhaçada. E é ó laicidade por aquelas bandas que aquilo é divisão tribal.

E, reacção pavloviana à parte, até concordo com isto em relação ao Iraque.
Estranho que neste caso a perspicácia tenha tirado férias.

É que o seu argumento harekrishna descontextualizado é tanto válido para o Iraque como para Timor...

Afixado por: Zazie em maio 2, 2005 07:57 PM

Zazie:

1. Eu não escrevi "ICAR", escrevi "ICAR timorense", o que quer dizer a hierarquia da igreja católica timorense, que é exactamente o que está em causa.
2. Faço-lhe a pergunta do Óscar Pinto: a notícia, confirmada pelo próprio episcopado de Díli, é falsa? As declarações, emitidas pelo porta-voz oficial desse episcopado, não são verdadeiras?
3. Não há bilis nem caricatura nenhuma. Você é que resiste a admitir que a ICAR timorense não se esteja a portar bem e reduz a questão a uma caricatura quando fala de portugueses bêbados e acidentes nas avenidas novas.
4. Eu por acaso até escrevi aqui que considerava as eleições no Iraque um momento importante. Mas não há comparação com as eleições timorenses de 2001 que foram vigiadas de perto pela ONU e foram irrepreensíveis e nas quais ganhou por larga margem uma FRETILIN liderada por Mari Alkatiri que toda a gente sabia que seria o primeiro-ministro.
5. Quanto à evolução política de Timor e ao comportamento do seu governo, se não me leva a mal prefiro esperar pelos gritos de alarme da ONU, dos diplomatas portugueses e das muitas ONG que estão lá. Se a FRETILIN se tornar ditatorial, não duvido que saberemos rapidamente.
6. Finalmente, o petróleo. Parto do princípio que se o problema da ICAR timorense fosse com as questões de delimitação e partilha do petróleo eles tê-lo-iam dito claramente. Faço-lhes a justiça de achar que não são hipócritas.
7. Eu previ que a Zazie continuasse a trazer temas extravagantes e considerações pessoais para não ter de encarar os factos expostos no post. E, como é habitual, você não me desiludiu.

Afixado por: rui tavares em maio 2, 2005 09:01 PM

Zazie

Se bem percebi das suas palavras, a Igreja em Timor está preocupada com a situação política, aproveita a questão das aulas de religião e moral para colocar manifestações contínuas nas ruas e quer forçar a queda do governo. Entretanto parece desenvolver um poder próprio pois tem segurança e tribunais privados para certas zonas. Se isto fosse o resultado de um movimento espontâneo de timorenses e os bispos pusessem um ar compreensivo eu já acharia mau. Mas aqui os bispos, que deverão ter tido uma formação aprofundada, são os líderes do movimento. Como católico sinto-me envergonhado por esta actuação.

Se tem dados que invalidem este raciocínio agradeço que os indique pois do que disse até agora apenas entrevi vagos atenuantes para a actuação dos bispos, que me convencem muito pouco.

Afixado por: CA em maio 2, 2005 09:57 PM

CA,

Não sigo qualquer religião. Tenho apenas uma noção de sagrado e um gosto histórico pela católica (de igual modo não sigo qualquer ideologia nem partido e raramente voto).

Acredito que isto possa chocar um crente, tanto como possa chocar alguém habituado a uma democracia europeia.
Apenas apontei outras questões paralelas de cariz político no sentido de se contextualizar o acontecimento (que me parece único e só por isso historicamente importante).

Não sei se existem ou não existem atenuantes morais para qualquer comportamento, uma vez que eu eticamente até sou anti-relativista.

Como não sei se existem atenuantes para a corrupção, para a venda de um país, para as eliminações físicas dos adversários, etc, etc, etc. Não sei pura e simplesmente o que são 500 anos de história sob o peso do colonialismo e depois uma guerrilha com apoio de religiosos defensores de uma teologia libertária.
Não sei mas isso existe.

E é pelo facto de existir que decidi voltar aqui a um blogue onde tinha deixado de vir. E foi apenas e exclusivamente por esta razão.

Porque, ainda que não saiba tudo isto por não ser timorense, muito da sua história acompanhei-a de perto. E Timor é de tal modo importante para a nossa história e até para a do mundo, que só por ignorância ou má fé se pode reduzir a uma caricatura de talibãs a estragarem uma jovem democracia.

E se podemos estar todos em pé de igualdade em relação a um passado mais distante, no caso de um tempo recente a história também se faz com testemunhos vivos.

O que sei não vem dos livros nem de qualquer interesse ou envolvimento político mas apenas por fontes próximas com conhecimento no terreno.
Reduzir o que se passa (e que nem é falado nem comentado oficialmente por nenhum políticoe que parece estar mais a ser abafado que entendido) a um combate entre o bem e o mal porque numa democracia a religião não deve ser obrigatória se não é novo-riquismo intelectual é ingenuidade bacoca.

Porque fica aqui a pergunta: estes actos dos padres são conhecidos, ok. e os outros? alguém sabe ou leu por imprensa "livre" timorense alguma outra coisa? que liberdade é que por lá existe?
A Igreja não é para confiar mas tudo o resto é?
sabe-se o que faz, como governa, como chegou ao poder este primeiro? acaso se fala nos 5 biliões de dólares a troco de prescindir de delimitação costeira? alguém tem noção do que isto quer dizer? nunca ouviram falar dos interesses petrolíferos em Timor? têm ideia de que vive a economia daquela terra? e o estado? e o governo?
Têm uma ideia do que tem sido a Igreja Católica naquelas bandas? e imaginam que só apareceu agora? quem dirigiu durante 300 anos Timor até se instaurar o sistemas de capitanias? conhecem-se outros casos? sabem como continuou a funcionar mesmo com elas? têm noção que se Portugal ainda por lá tem raízes isso deve-se à igreja católica? e à capacidade de fazer um sincretismo com uma tradição animista que também é peculiar uma vez que tem deus supremo?
...não vale a pena continuar. Moralmente são "aiatolas", moralmente tudo se apresenta como uma prepotência da religião católica frente a um bom poder democrático.
Eu digo- investiguem, informem-se acerca desse poder. Informem-se acerca dessa igreja libertária que nada tem de ortodoxa.
Porque, se o problema é de crença então não se ponha ali os olhos. Se o problema é de democracia moderna e estado laico não se olhe para Timor.
Mas se por acaso pensarmos que o mundo não é feito à nossa imagem e que podemos ser intransigentes em princípios mas obrigados a contextualizar os factos para os entender então toda esta "história" é outra.

Afixado por: Zazie em maio 2, 2005 10:35 PM

Mas já agora acrescente-se. Este post, coberto de um lindo véu de boas intenções, é um poço de demagogia. Fala em “fundamentalismo terrorista” sem saber o que se passa e até se dá ao luxo de lançar um provocação “papista” referindo as possíveis desculpas vindas de anti-relativistas”.

Ora basta ir um pouco mais abaixo, ao de Abu Grahib para vermos como as coisas mudam de aspecto quando se entra nas especificidades de mundos bem diferentes do nosso.
O argumento moral em defesa da invasão do Iraque também foi este. Uma ditadura é uma coisa inadmissível. O fundamentalismo religioso deve ser erradicado do cimo da terra. Toca a ser beneméritos e apoiar a exportação da democracia... e exportou-se e fizeram-se eleições e há quem diga que qualquer nº de baixas vale a pena quando a missão é boa. Só que neste caso os barnabeicos não embandeiraram em arco com as boas intenções e virtudes soberanas de uma democracia moderna no oriente. Eu também não. E tive reservas apesar de toda a propaganda da esquerda. E bastou Abu Grahib para moralmente a “causa” se queimar definitivamente em qualquer julgamento ético que pudesse fazer. Ainda que tudo isto apenas sirva para meu conforto moral e não baste para julgar a história.

Porque os povos têm de ser entendidos nos contextos da sua história e a política não é nem nunca foi uma boa acção que se entende a preto e branco ou com lentes cor-de-rosa.


Simplesmente o Iraque não é Timor nem afectiva e historicamente tem qualquer comparação com ele.

Afixado por: Zazie em maio 2, 2005 11:20 PM

como se pode ser eticamente anti relativista?

Afixado por: oscar pinto em maio 2, 2005 11:26 PM

Zazie

Embora proponha mais dúvidas do que respostas, estou convencido de que devemos olhar com mais atenção para o que se está a passar em Timor. Talvez porque sentimos os timorenses próximos temos tendência a pensar que são iguais a nós. Contudo o exercício directo do poder pela Igreja continua a parecer-me algo de extremamente arriscado para a Igreja e para a sociedade. Espero que os bispos de Timor saibam o que estão a fazer.

Afixado por: CA em maio 3, 2005 12:48 AM

Pelos vistos existem pessoas que acham normal 2 portugueses serem sequestrados durante 4 horas na casa do Bispo financiada pela Cooperação Portuguesa, e serem sujeitas a uma tortura indescritível...

Afixado por: Hugo em maio 3, 2005 01:18 AM

"sabe-se o que faz, como governa, como chegou ao poder este primeiro?"
Que eu me lembre, ganhando as eleições, não?

"acaso se fala nos 5 biliões de dólares a troco de prescindir de delimitação costeira? alguém tem noção do que isto quer dizer? nunca ouviram falar dos interesses petrolíferos em Timor?"
Se não houvesse interesses petrolíferos em Timor, se a Austrália não fosse mais vantajoso o negócio com Timor do que com a Indonésia, Timor não era independente, por muitas manifestações que se fizessem em Lisboa. Ou acha que foram os "direitos humanos" que determinaram a posição da Austrália?

"têm ideia de que vive a economia daquela terra? e o estado? e o governo?"
Da "ajuda internacional"? E da alienação dos recursos. Acha que é só em Timor? De que vivem as restantes ex-colónias?

Têm uma ideia do que tem sido a Igreja Católica naquelas bandas? e imaginam que só apareceu agora?"
Aquilo que tem sido nos restantes países de expressão portuguesa. E estão lá desde 1560/70
Ou seja, há menos 1300 anos do que cá.

"quem dirigiu durante 300 anos Timor até se instaurar o sistemas de capitanias?"
300 anos? Onde foi buscar tantos anos? De que sistema de capitanias fala? De que "direcção" é que fala? Dos bons frades dominicanos organizando os pobres nativos desvalidos?

"conhecem-se outros casos? sabem como continuou a funcionar mesmo com elas?"
Todos os países de expressão portuguesa, incluindo o Brasil. Primeiro vai o padre e o comerciante, depois o soldado, depois o cobrador de impostos. Ás vezes vai primeiro o soldado, mas a eficácia é menor. Perdoe o simplicismo.

"têm noção que se Portugal ainda por lá tem raízes isso deve-se à igreja católica?"

Portugal tem lá raízes devido á LINGUA. Pela mesma razão que o Império Romano tem cá raízes, devido á lingua. A lingua do poder, da administração, da educação. Se Anibal tivesse ganho a guerra, que língua se falaria em Portugal?

O papel da Igreja em Timor foi idêntico ao papel da Igreja nas restantes colónias. O que o pode diferenciar é muito recente, é resultado da invasão Indonésia. Só que quem expulsou a Indonésia não foi a Igreja de Timor. Foi a pressão internacional a queda de um regime, e a mudança de posição da Austrália. O que substitui a Indonésia foi um estado de direito democrático, dos Timorenses. Pode ter defeitos, pode ser um estado falido. Mas não cabe á Igreja dizer como é que tem que ser governado. Cabe aos Timorenses, e aos seus órgãos eleitos. Que eu saiba, não são os timorenses que elegem os Bispos.

Afixado por: map em maio 3, 2005 02:45 AM

Zazie, a comparação é com o Irão. Não há paralelos?! Por enquanto não, esperemos que continue assim.

Afixado por: Narcisista em maio 3, 2005 01:23 PM

É nestas questões é que o relativismo contra o qual o adorável Bento XXVI tanto protesta faz todo o sentido ser relembrado:

-a ICAR timorense quer impôr ao povo aulas obrigatórias de catolicismo

-o governo, democraticamente eleito, quer que as aulas sejam facultativas

-a ICAR faz "julgamentos populares" em casa do Bispo, espancando cidadãos portugueses, e aplicando o mesmo tratamento a timorenses, segundo os próprios.

Vamos condenar a atitude deles? Vamos realmente ter espírito crítico e reconhecer que a ICAR timorense esteve mal??

NÃO!
Vamos fazer acusações vagas sobre petróleo, corrupção, animismo, colonialismo, qualquer treta que nos venha à cabeça. Vamos falar sobre o quanto desconhecemos essa realidade (que é um argumento que se aplica acerca de QUALQUER realidade, e portanto extremamente versátil) e concluir que, a Igreja, só pode ter estado bem.

Realmente, nós, pobres mortais, enquanto não tivermos um doutoramento e uma pós-graduação nas dinâmicas Ibéricas pós-descobrimentos, não podemos falar mal da inquisição. E enquanto não tivermos estudado 4 anos o pensamento nazi não podemos condenar Hitler como facínora que foi. E se não tivermos estado em Cuba, como podemos condenar o regime de Fidel (tive uma discussão sobre isto numa das caixas de comentários do Barnabé, com um comunista)??

Afixado por: João Vasco em maio 3, 2005 09:03 PM

Uma informação preciosa de quem está cá na terra... A igreja católica timorense está a ficar sem tanta influência e acima de tudo sem tanto dinheiro. E que tal se vos disse-se que tudo isto afinal é porque a igreja está a exigir ao governo da Republica Democrática de Timor-Leste, 2,5% dos dividendos do petróleo! Afinal parece que não é só o governo que está interessado na venda do país aqui aos vizinhos australianos. O que revolta é tanta politiquice apoiada na fé de pessoas pouco informadas como são as que estão aqui na manifestação a 100 metros. Só para reflexão, para quem acha que estão a vender o pais e que a igreja é o pilar que faz tudo pelo povo e essas coisas todas. Gostava que isto fosse publicado porque é informação importante para se perceber esta questão toda.

Afixado por: Valu em maio 4, 2005 07:57 AM

acerca disso ainda não tive confirmação. Mas, já agora, seria bom que também se falasse no modo como o Alkatiri tem usado os evangélicos e outros grupos religiosos facultando-lhes benesses- dividir para reinar.
E seria bom que se falasse na farsa eleitoral que o levou ao poder porque quanto a isso também tenho dados de quem esteve no terreno.
E ainda do que está a fazer em relação aos crimes passados por parte da Indonésia
E, já agora, gostava que me confirmasse em que consiste a liberdade de expressão e de imprensa. Alguém poderia escrever uma linha que fosse a criticar o governo ou a mostrar como tudo se transformou num bando de corruptos?

Afixado por: Zazie em maio 4, 2005 01:03 PM

e que ficasse bem esclarecido porque isto não é opinião, é história: não houve eleições legislativas. O Rui Tavares fala em eleições e repete que o governo foi eleito e eu pergunto: onde é que ele leu isso? como foi a transição? por legislativas? quando? onde?
isto são factos.

Afixado por: Zazie em maio 4, 2005 01:09 PM

e já que alguém finalmente fala em petróleo sem ser eu, seria bom que se esclarecesse em que consiste esse acordo.
Porque por aqui só se sabe fazer comício como se tudo isto fosse mais um resultado da eleição do Papa ou do anti-relativismo por ele proclamado e que Timor é um paraíso democrático, dirigido por impolutos apenas preocupados numa laicização moderna do Estado. Como se não estivessem igualmente a fazer política aproveitando o poder dos evangélicos e de uma série de ONGs que por lá andam de forma a enfraquecer os únicos que ainda têm alguma verdade e em quem a população confia. Os únicos que lhes fazem frente, mau grado os métodos pouco ortodoxos nessa demonstração de força que decidiram fazer.

E volto a perguntar: porque motivo tanto silêmcio? porque motivo não se ouve uma única voz discordante na imprensa?
será que alguma vez foi permitida?
é que acerca disso também tenho fontes directas.

Afixado por: Zazie em maio 4, 2005 01:18 PM

algumas notícias numa rápida busca na net:

http://www.greenleft.org.au/back/2005/625/625p11.htm

http://story.news.yahoo.com/news?tmpl=story&u=/050428/photos_wl_pc_afp/050428041607_zk2lqzt7_photo0

http://story.news.yahoo.com/news?tmpl=story&u=/050428/photos_wl_pc_afp/050428041607_zk2lqzt7_photo1

http://story.news.yahoo.com/news?tmpl=story&u=/050426/ids_photos_wl/r309678101.jpg

http://story.news.yahoo.com/news?tmpl=story&u=/050405/ids_photos_wl/r3999191641.jpg

http://www.greenleft.org.au/back/2005/625/625p10.htm

Afixado por: Zazie em maio 4, 2005 02:59 PM

E estes: http://jn.sapo.pt/tools/imprimir.html?file=/2005/04/24/mundo/igreja_e_governo_tentam_fim_manifest.html

Também estão preocupados com religião?

Afixado por: Zazie em maio 4, 2005 03:18 PM

Os evangélicos! Os evangélicos! Oh Zazie, de facto só cá faltavam os evangélicos, e que o Alkatiri apoia os evangélicos para dividir e reinar, etc.

Mas porque raio não pode o Alkatiri apoiar os evangélicos, tal como apoia outros grupos que fazem trabalho em Timor Leste? Têm os evangélicos peçonha?

Se me pergunta pelas eleições, lembro-me que houve eleições para o Governo Transitório em 2001 e que foram ganhas à larga pela FRETILIN que já então era liderada por Alkatiri. Toda a gente sabia perfeitamente que ganhando a FRETILIN Alkatiri seria o primeiro-ministro. Além disso, Alkatiri dirige um governo de coligação onde se encontram ministros que não são da FRETILIN (como Ramos-Horta) e muitos ministros e secretários de estado carólicos. Curiosamente ninguém se demitiu nem alegou pulsões ditatoriais por parte de Alkatiri. Vai-me desculpar, mas preferirei guiar-me por eles quando soar o sinal de alarme, bem como pelo presidente Xanana Gusmão que foi eleito em 2002.

Pelas minhas contas, e sendo o mandato deste governo transitório de cinco anos, haverá novas eleições em 2006.

Mas mais uma vez, se o problema é haver ou não nouvas eleições, porque é que a ICAR timorense não pede novas eleições? Curiosamente só os vejo pedir a demissão do Primeiro-Ministro e a substituição dele por outro (da FRETILIN!) que represente a maioria do povo timorense. Só espero que o problema não seja Mari Alkatiri ser muçulmano...

De resto, parabéns ao João Vasco que lhe fez a pergunta certa. Como é que se pode ser anti-relativista e depois ter as maiores dificuldades para condenar o sequestro e julgamento de consciência privativo a dois indivíduos estrangeiros e alheios ao conflito em causa, bem como as declarações de um porta-voz oficial dos responsáveis, que é o que está em causa?

Afixado por: rui tavares em maio 4, 2005 04:05 PM

eu tinha avisado que não estava interessada em travar diálogo nestes comentários. O João Vasco sabe que há muito se esgotou qualquer possibilidade de uma mensagem chegar ao destinatário sempre que se trata dos ateus do Diário.

Portanto, apenas para seu esclarecimento (embora saiba que não tem o menor interesse em qualquer informação- nem vc nem o Rui) o Mari Alkatari é árabe mas nem segue a religião islâmica.

O que se passa em Timor não tem a ver com qualquer tipo de liberdade porque por lá não existe sequer uma liberdade mais simples- a de expressão-
o que se passa é que Timor está a saque.
Ponto final.
De

Afixado por: Zazie em maio 4, 2005 04:20 PM

estou a trabalhar e pelo desculpa pela troca de identidades. Foi o Rui Tavares que escreveu e não o João Vasco.
O estilo é tão semelhante que os troquei.

Quanto a perguntar-me porque motivo a Igreja não pede ou deixa de pedir eleições são boas perguntas. E muito mais se poderia perguntar.

Só que o Rui não se trinha lembrado de nenhuma pergunta quando escreveu este post. Nem o Rui e muio menos o D.O que até aproveitou logo para responsabilizar o Ximenes Belo numa das maiores gaffes públicas deste blog.

Se tem uma réstea de interesse pela História ou uma ligeiríssima curiosidade (nem digo apreço ou respeito) pelo povo timorense informe-se.
Não peça para lhe dar directivas ou inidicar o bom caminho. Não faz parte da minha maneira de viver e nunca assimilei esse gosto de tradição judaico-cristão nas suas variantes maniqueias da prática político-partidária da esquerda tuga.

Afixado por: Zazie em maio 4, 2005 04:25 PM

Já agora por uma mera questão de honestidade intelectual (sem a qual não há diálogo) seria bom que lesse com mais atenção o que eu escrevo em vez de deturpar e depois fazer perguntas demagógicas.

Eu não disse que havia problema em existirem protestantes em Timor. Como nunca disse que existe qualquer problema em haver liberdade. E muito menos disse que havia problemas em existir prática islâmica. A mesquita foi construída com a ajuda dos padres católicos o que só por si mostra um bom espírito de convívio pacífico e tolerante.
Os muçulmanos foram corridos dali para fora pela FRETILIN. A igreja católica não tem qualquer responsabilidade nisso- o que se nota até no apoio que os muçulmanos também lhe estão a dar neste momento. O que eu falei foi noutra coisa: dividir para reinar. Dar apoios monetários por baixo da mesa a uns e enfraquecer outros. E os protestantes não fazem parte da tradição religiosa naquelas bandas mas, como todos sabemos, têm lobbies extremamente poderosos por trás. Ver isto não é julgar moralmente é tentar entender o que está em jogo.

E uma coisa lhe garanto: o que está em jogo é muito mais forte do que as tais aulinhas de religião... E seria bem mais pertinente perguntar-se porque é que também existe uma espécie de pacto de silêncio entre a nossa embaixada lá e o governo. E porque motivo tudo isto tem sido silenciado.

Fora isto, o Rui fundamenta a sua indignação exclusivamente religiosa numa falácia- o suposto laicismo do Estado Timorense.
E eu pergunto-lhe: mas quem é que tornou a Religião Católica uma disciplina obrigatória no currículo de ensino estatal?
E porque estranho motivo se preocupam agora em se contradizer em nome de uma coisa que nunca praticaram- liberdade, democracia e laicidade?

De igual modo seria melhor que também se informasse do acordo de esponja sobre o passado no caso dos massacres na igreja perpetuados pelas milícias indonésias e cujo aniversário (curiosamente) foi recentemente comemorado.

Afixado por: Zazie em maio 4, 2005 04:43 PM

quanto ao anti-relativismo a pergunta do João Vasco que nem tinha lido (ele repete-se e sabe muito bem o que eu penso) porque é apenas retórica, respondo-lhe.

O meu anti-relativismo não foi aprendido em blog nem faz parte de qualquer variante exótica de estrangeirados da Amazon. Se calhar nem vem nos livros. É muito pessoal e formou-se na adolescência na prática de bando de rua da "seita das zundapps gamadas".
Como não tenho agora tempo para lhe explicar em que consistiu a dita seita e seus combates tribais contra a anti-seita das zundapps gamadas, apenas lhe posso referir pr alto que resulta de um código de honra.
O código não tem missão de fazer coisas boazinhas mas dita nromas para até se saber fazer as mazinhas.

Baseia-se em princípios muito básicos e que podem enconrar-se em qualquer código de honra desde o Antigo Testamento à tradição do Principe Salina.
Por isso, fique com esta imagem do Lampedusa se quer ter uma ideia do anti-relativismo estritamente pessoal que norteia a minha conduta.
Caso não entenda pergunte ao Timshel que ele percebe melhor. Como percebe que sou uma defensora dos actos de coragem fora da lei quando razões mais altas se levantam- arcando sempre individualmente com as responsabilidades.

Por outras palavras, a moral para mim é privada e não faz parte de qualquer ideologia nem pode ser entendida por via política.

Afixado por: Zazie em maio 4, 2005 04:55 PM

Pois é, Zazie.
Conosco, os ateus do Diário Ateísta (www.ateismo.net/diario) é impossível dialogar. Até mesmo porque a Zazie inventou que éramos dirigidos por um de nós, para quem inventou uma ideologia que o próprio não professa, caluniando-nos publicamente, com toda a desonestidade.

Sinceramente, depois das suas calúnias injustificadas e disparatadas, não sei de que é que valem as acusações vagas que faz ao processo democrático em Timor e a toda e qualquer nstituição que não seja subserviente à Igreja.

Prefiro confiar nos observadores internacionais da ONU e de uma série de outras organizações (e na imprensa) do que numa caluniadora como a Zazie, que caluniou todos os elementos do meu blogue.

O problema é que a Zazie assume várias coisas, vindas do nada, que depois toma como certas. Tomou como certo que eu falava sobre Timor em nome da ARL, por exemplo. A propósito de NADA.

Depois, a Zazie toma como certo que a Igreja Católica não pode estar errada, e que se é verdade que há portugueses e timorenses espancados num tribunal popular em casa do Bispo, só pode ser porque existe uma GRANDE CONSPIRAÇÃO contra a Igreja, que apenas que proteger o Petróleo de Timor (aponderando-se de uma parte, se for preciso) dos horríveis parasitas que usam os evangélicos como arma.
E claro que os espancamentos, assim de repente, com tanto petróleo e questões culturais complexas pelo meio, passam a ser legítimos...

É uma festa!

Afixado por: João Vasco em maio 4, 2005 07:10 PM

Eu não tomo nada por nada. E apenas por pudor acho mais conveniente nem sequer se tentar diálogo.
Se há coisa perigosa não são as vozes de burros que não chegam ao céu, é alguém convencer-se que pode ser inteligente ao tentar dialogar com eles.
E isto é apenas uma figura de estilo porque você é um garoto que é bem possível que tenha muitas qualidades mas deu-lhe para a militância ateia.
Ok, podia ser pior, também fiz muitas asneiras quando tinha a sua idade.


Afixado por: Zazie em maio 4, 2005 07:44 PM

Já o Esperança é burro velho e sem desculpa.

Afixado por: Zazie em maio 4, 2005 07:47 PM

lol militancia ateia? é da idade.

minha amiga o ateismo é uma posição tão valida como qualquer outra, tal como ser crente seja em buda seja na trindade crista ou na trindade hindu seja no judaismo ou no islamismo.

um ateu tem direito a expressar as suas ideias tal como todos os outros, e tambem tem direito a defender a sua visão do mundo tal como todos os outros.
agora se isto é militancia, então somos todos militantes.

e este assunto nada tem a haver com ateismo.
factos são factos, a igreja de timor disse o que disse, e procedeu mal, nisso não há volta a dar.

Afixado por: oscar pinto em maio 4, 2005 08:57 PM

e mai nada! :)

Afixado por: João Vasco em maio 5, 2005 12:18 AM

Zazie o Alkatiri é ARABE???? menina está totalmente provada a sua sapiência....

Afixado por: condor em maio 5, 2005 09:59 PM

Ai sim? Então diga lá vossa Ex.a o que é que ele é, força.

Como se chama a um descendente de gente do Iémen?
um maometano? Se ele nem sequer segue o islamismo...

Afixado por: Zazie em maio 6, 2005 12:03 AM

aquilo empenou nas caixinhas por isso vai aqui


«Hoje, os bispos de Timor Leste simplesmente deixaram o Presidente da República, o Primeiro Ministro e os diplomataas estrangeiros no país pendurados à espera deles para a assinatura do acordo entre as partes. Não se dignaram sequer aparecer.»

e o governo até tem contrapropostas para lhes oferecer ...


Mas não lhe faz confusão que o diabo de um estado laico e democrático ande a fazer “negociações” com a Igreja?!?!
E ainda por cima o assunto é secreto.. não é por nada, mas a crente na laicidade e na democracia timorense não sou eu...


Afixado por: Zazie em maio 6, 2005 02:17 AM