Excelente texto de Ralph Darendorf sobre a meritocracia no Público de hoje [sem link]. Enquanto a quase totalidade dos nossos auto-proclamados liberais acham que repetir a palavra mágica "meritocracia" lhes confere credibilidade instantânea e fácil, Ralph Darendorf segue um caminho menos cómodo e escreve coisas destas:
«Hoje, a meritocracia parece ser apenas uma outra versão da desigualdade que caracteriza todas as sociedades. E pode ser uma forma particularmente cruel de desigualdade, na medida em que os que não tiverem sucesso nem sequer podem dizer que foi por falta de sorte ou porque os de cima não os deixaram. Pelo contrário, são obrigados a concluir que falharam e que nenhuma espécie de esforços os pode salvar. [...] A diversidade é melhor garantia de abertura do que o mérito, e a abertura é a verdadeira marca de uma ordem liberal.»
Esta linha de raciocínio pode trazer inúmeros problemas. Mas é um prazer ver um gajo inteligente a pensar de facto em vez de papaguear doutrina.
Publicado por ruitavares emA meritocracia é a base da democracia, da verdadeira. Se deve haver igualdade de oportunidades, não deve haver igualdade forçada de "resultados", que apague artificialmente o esforço pela excelëncia de cada um. Dado que a diferenciação dirigentes/dirigidos a todos os níveis é incontornável, que outro critério, senão o mérito, é elegível para operar tal distinção ? A bandalheira, o oportunismo, o caciquismo, o "cunhadismo" ? Se não for o mérito só poderá ser um destes...
Deixemo-nos de bandalheira relativista pós-moderna. Os países-modelo que devemos seguir (Irlanda, Finlândia, nórdicos, etc.) adoptam o critério meritocrático. Quando os melhores mandam, todos ganham. Até no futebol: vejam o Porto e o Chelsea de Mourinho... A inveja e a mediocracia são as causas no nosso atraso cultural...Ralf is asshole, a bushist and pro-war asshole...
Afixado por: SALADINO em maio 2, 2005 05:54 PMPor definição, Meritocracia "é" desigualdade.
Ou, se quiserem em versão menos sectária, é estratificação, é discriminação e recompensa pelo esforço ou capacidade, é justiça. Social.
Tudo coisa própria de fascistas, como se vê. Mas não se preocupe o Sr. Rui Tavares, que por cá não há disso....
Afixado por: Alfredo Vieira em maio 2, 2005 07:08 PMjá para mim, a democracia só existe se for participativa, em que todos os envolvidos têm uma palavra a dizer e que os interesses comunais devem ser prioritarios, respeitados e baseados na gratuidade.
acredito que cada trabalhador deve ser dono da sua maquina, assim como o mourinho é dono da sua mente.
acredito que a tecnologia e os avanços tecnologicos devem ser usados para benificio de todos e não em troco de feudo.
mentalidade de inveja e atraso cultural vive a sociedade em geral quando vive na teoria da flexibilização laboral, nos lay offs, no ensino como satisfação do mercado e no aumento do horario de trabalho. ao invés de se preocuparem com libertar tempo para eles mesmos e se dedicarem a adquirir conhecimento e fugir da mediocridade e do obscurantismo, e assim completarem as suas potencialidades inatas.
estupida é a sociedade baseada na preguiça e na desconfiança uns perante os outros...
sim porque, há um mandamento qualquer que diz todos os homens nascem preguiçosos, maus, que não querem fazer nada e viver a custa dos outros.
ou então que os "piores" são ignorantes não percebem nada de politica por isso se deixam dirigir pelos outros, não sabem tomar decisões por eles proprios.
porque para alem do merito só existe bandareilhismo ou oportunismo, não existe algo como a melhoria da vida de todos e cada um em particular, não existe solidariedade e muito menos as pessoas tem potencialidades inatas.
e nós os socialistas libertarios queremos uma sociedade baseada na filosofia "todos ganham o mesmo" e não sabemos reconhecer a importancia das pessoas individualmente.
mais uma coisa, isto nada tem de pos modernista é mais antigo que o tremoço.
Afixado por: oscar pinto em maio 2, 2005 07:15 PM"...a meritocracia significa apenas que um outro grupo de elite fecha as portas atrás de si logo que tenha alcançado o seu status. Os que o lá chegaram por "mérito" passam a querer ter tudo o resto - não apenas poder e dinheiro, mas também a oportunidade de decidir quem entra e quem fica de fora."
Este excerpto do artigo do Dahrendorf e', na minha opiniao, muito pertinente. Ha' uns meses, a Economist publicou um longo artigo descrevendo a diminuicao da mobilidade social e o aumento das desigualdades nos EUA. O grande mito da mobilidade social nos EUA e' um dos pilares da defesa da meritocracia. Aqueles que trabalham mais e mais se esforcam sao recompensados. So' que o cavar do fosso entre os que teem muito (dinheiro, influencia, cultura, informacao), e os outros que pouco teem, vem complicar a imagem ideal de um terreno 'a partida igual para todos. Nao sera' por acaso que os ultimos candidatos 'a presidencia dos EUA sao ambos milionarios. Bush dificilmente sera' um exemplo credivel de meritocracia.
Existe um grave risco de instabilidade social se as desigualdades aumentarem desmeduradamente, independentemente das causas. E' que ate' as grandes corporacoes necessitam de um capital de legitimidade social, i.e. nao podem funcionar se nao existir um quadro legal e social estavel. Se os cidadaos nao aceitarem a legitimidade das instituicoes, se a sua percepcao da sociedade e' que ela e' fundamentalmente injusta, entao o proprio sistema fica em perigo. Julgo ate' que foi a consciencia destas questoes, resultado da historia da Europa nos seculos XIX e primeira metade do sec. XX, que tera' contribuido para a construcao dos sistemas de "welfare state" da Europa Ocidental. Os especialistas nestes assuntos que digam de sua justica.
Meritocracia, palavra bonita. Mas o problema não está na palavra pois não?
Falando de Portugal, aqui o conceito de mérito está posto ao contrário, quem é que tem as continhas cheias? É o Construtor civil fraudulento, é o político que acumula cargos públicos e privados de forma irregular, é o empresário que foge ao fisco e são muitos outros...
É benéfico criar mecanismos que incentivem alguém que produz um serviço para a sociedade a fazer mais e melhor. O problema é que nem isso é feito. O conceito de mérito está a ser usado para criar mecanismos de discriminação negativa e deixar pessoas na pobreza. Além disso criar incentivos para quem faz mais e melhor, não implica deixar os outros na miséria, é uma discriminação que permita a todos ter condições de vida. Concedendo mais privilégios a quem de facto faz mais pela sociedade e não, como acontece em Portugal, a quem faz mais por si.
Afixado por: João Dias em maio 2, 2005 08:12 PMOutra coisa que achei francamente interessante no texto de Darendorf foi a referência à França como exemplo de um país onde a meritocracia é a regra; interessante pelo facto de ser um país cujo nome é balbuciado com horror pelos liberais da nossa praça.
Afixado por: João Pedro em maio 2, 2005 08:12 PMA meritocracia liberal é uma farsa para perpetuar as desigualdades, porque a igualdade de oportunidades nunca existe fora de uma efectiva igualdade económica. Desde o advento do liberalismo que a meritocracia serve para justificar as arbitrariedades patronais, - que, logo à partida merecem a sua posição - e o despedimento dos trabalhadores que não aceitam ser escravizados ( quem não trabalha não merece o salário). Alimenta uma idealogia de igualdade "à partida", de "só não tem uma boa vida quem não trabalhar para ela" que sustenta o regime junto das classes médias. Só que, infelizmente, longe de ter uma lógica de justiça social, tem uma - como foi no início, e volta a ser cada vez mais - de manutenção das desigualdades.
Afixado por: Ana F. em maio 2, 2005 09:09 PMEsta questão é mais importante do que parece. O ataque à meritocracia é mortal para a democracia, para o bem-estar da sociedade, para a prosperidade económica, de onde jorra exclusivamente a justiça social (porque quando nada se produz nada há para distribuir, a não ser 9 dólares por mês, como em Cuba).
O ataque à exemplaridade da luta por alcançar a excelência nas universidades iniciado pela bandalheira e facilitismo do PREC teve efeitos dramáticos sobre a nossa competitividade na Europa. Temos dos melhores índices em despesa per capita na educação, mas dos piores resultados em nível educacional, muito inferior mesmo aos dos "pobrezinhos" do Leste. O dinheiro vai para subsidiar a massificação da mediocridade ! E nas sociedades onde não se motiva o esforço indivudual, o resultado é o marasmo, a apagada e vil tristeza económica, além do totalitarismo político de "líderes máximos" medíocres.
Sinceramente, acho que todos os que contribuiram para tal estado lamentável das nossas escolas são anti-patriotas e traidores à Pátria, chulos do orçamento que deviam ser tratados severamente, com a demissão imediata no caso dos professores, sobretudo os das chamadas "faculdades" de Ciência da Educação. As escolas só devem servir para educar a juventude na procura com ousadia da excelência, movidas pela justa ambição pessoal e pelo mais acrisolado patriotismo (elevar a reputação e o nível do País em todos os domínios no concerto da Europa). Hoje as escolas só fornecem títulos (dr. engº arqº) sociais cada vez mais desvalorizados, não vendem formação intelectual, virtude cívica, cultura da excelência.
E é ver a miséria social e política que se espraia por aqui em tantos comentadores boçais, despidos de honra, de ambição, de patriotismo. Estudem, sejam patriotas e sirvam bem as vossas famílias e o vosso país. Mas se querem mesmo bandalheira, e continuar a cuspir no prato, vão para a "igualitária" Cuba ganhar 9 dólares por mês, completados ou não com esmolas ou pagamentos de "passes" dos turistas. Já não há pachorra para aturar escória pós-moderna que nega o valor do esforço individual, da busca da excelência, da virtude cívica. Se querem ser burros e pobrezinhos, para que querem títulos universitários nivelados por baixo ? Porque insultam os Belmiros, os Mourinhos, os empresários de sucesso e a elite intelectual deste país ? São eles que criam a riqueza necessária para pagar os vossos subsídios de assistidos sociais inúteis...
Afixado por: saladino em maio 2, 2005 11:19 PMpatriotismo... veio mesmo bater a porta errada.
amigos, já sabem, se não houverem belmiros ou mourinhos acabamos como cuba...
viva para o grande saladino, o salvador da patria,
agora o hino...
já agora não me venha ditar as razões pelas quais eu estudo ou deva estudar, se estudo não por nenhuma das razões que debitou no seu comentario.
Afixado por: agitador em maio 3, 2005 12:12 AMEste saladino...é cá uma peça.
O Mourinho e o Belmiro...oh oh valha-nos Zeus não havia nexexidade.
Referências para mim são Carlos Fiolhais, Mariano Gago, Vergílio Ferreira etc..
As escolas que só fornecem títulos, forneceram a formação ao Mourinho e ao Belmiro. Ah já percebi..a escola falhou na formação humana destes indivíduos.
São eles que criam riqueza...a sociedade em geral cria riqueza, isso não é exclusivo dos empresários e "elite intelectual". O Mourinho sem jogadores não vai a lado nenhum, o Belmiro sem engenheiros a trabalhar para ele não vai a lado nenhum. Todos temos a agradecer uns aos outros a criação de riqueza, o que se está a tentar fazer é desvalorizar o papel do trabalhador.
Além disso o problema de Portugal está longe de estar na suposta deficiente formação universitária. Eu já troquei impressões com alunos estrangeiros, e eles reconhecem que de facto as diferenças de exigência e rigor não são muito diferentes. O problema está precisamente num sector empresarial obsuleto, egoísta e mais preocupado em ostentar riqueza do que em melhorar competitividade da própria empresa. Os espanhóis fizeram um pequeno ponto de situação do estado de coisas em Portugal e atribuiram culpas a uma desigualdade social (a maior da Europa dos 15) e a um sector empresarial, principalmente ao nível da chefia, fútil e pouco preocupado em renovar-se tecnologicamente. Ah e também à injustiça fiscal.
Afixado por: João Dias em maio 3, 2005 12:39 AMobsuleto -> obsoleto
Esta discussão é imprópria para a sanidade.
Das duas uma, ou se está a falar de deturpação de meritocracia (e nesse caso convinha deixá-lo claro), ou as psicoses andam sub-diagnosticadas por estas bandas.
Meritocracia é premiar o mérito (com a latitude que mérito pode e deve ter). É bom. Não há outro melhor critério de discriminar positivamento o indivíduo. E os males de que os "anti-meritocráticos" se queixam aqui devem-se, regra geral, a situações em que não se aplica a Meritocracia (logo, em que se deveria aplicar).
Quanto às ginásticas de palavra de pessoas "inteligentes que não papagueiam doutrinas", e das pessoas inteligentes que gostam das acrobacias, é observá-las com o humor que deve suscitar a mais insignificante e irrisória ficção, travestida de raciocínio social.
Numa sociedade com óbvio défice meritocrático, há quem lhes chame intelectuais. E há quem goste.
Afixado por: Alfredo Vieira em maio 3, 2005 01:53 AMantes de mais, a meritocracia tem sido a base do liberalismo desde sempre, e logo do capitalismo.
eu, como anti capitalista, sou contra a ideia de que merito só existe no capitalismo é tão simples como isto.
merito não é sinonimo nem de capitalismo e muito menos de democracia representativa.
os homens não são melhores ou piores são diferentes, isto é a ideia de diversidade.
espero que tenha ficado clara a minha posição, agora para fazer um debate mais pormenorizado sobre estas coisas já dava direito a outros posts...
Afixado por: oscar pinto em maio 3, 2005 03:08 AMAfinal, o que é que o Rui Tavares quer? Igualdade ou justiça? Porque uma não pode coexistir com a outra, excepto numa sopa de mediocridade geral - e mesmo assim... Talvez seja esse o objectivo dos Ruis Tavares e dos Oscares Pintos deste mundo...
Afixado por: Pedro Oliveira em maio 3, 2005 01:59 PMcaro pedro oliveira,
antes de mais, não meta ainda o rui tavares ao barulho, pois eu fui o unico que teve uma posição, segundo muitos polemica em relação a isto.
só mais um pequeno detalhe, na mediocridade devota esta sociedade mais de metade da sua população.
e não se esforce muito a pensar no que eu quero, pois isso significa uma mudança de mentalidade.
vocÊ e eu temos concepções do mundo muito diferentes.
mas afinal de que adianta estar a explicar isto, se você é daqueles que no fim da vida espera uma recompensa...
Afixado por: oscar pinto em maio 3, 2005 02:30 PMA opinião do Oscar Pinto sintetiza de forma exemplar o pensamento da esquerda dominante e relativista: "Não ao mérito, porque gera desigualdades: os homens não são melhores ou piores são diferentes, isto é a ideia de diversidade".
Sigamos então o raciocínio: Hitler não é melhor nem pior que o Óscar Pinto: é diferente. Clinton não é melhor nem pior que Bush: é diferente. Saramago não é melhor nem pior que Corin Tellado: é diferente. Pinochet não é melhor nem pior que Soares: é diferente. Pavarotti não é melhor nem pior que Zé Cabra: é diferente. Ser preguiçoso e vigarista não é melhor nem pior que ser trabalhador e honesto: é diferente. Ser estúpido não é melhor nem pior que ser inteligente: é diferente
caro fernando costa,
você representa exactamente o que eu quis dizer quando falava de visões diferentes do mundo.
para alem das suas comparações serem completamente descabidas (já agora alguns famosos exemplos apontados por sua excelencia são resultado da mediocridade a que estão votadas as pessoas hitler chegou ao poder como? bush?pinochet é resultado duma mentalidade caduca e ignorante)
por outro lado a descrição de preguiçoso etc... demonstra ela propria a mediocridade em que está enterrado.
só mais um apontamento, não venha com generalizações e atacar por arrasto outros esquerdistas. se quer descarregar a sua raiva anti esquerdista sugiro que o faça atraves de exercicio fisico, para alem de saudavel é um optimo anti stressante.
em relação a parte das pessoas estupidos e preguiçosas, você lá sabe, não conheço ninguem que goste de o ser...
pelos vistos sua excelencia entra e muito bem no perfil que você proprio desencantou, pois não leu a parte em que eu disse que o merito não é algo exclusivo do capitalismo ou do liberalismo.
mas vá lá há certos pormenores que não cabem em certas cabeças, não é meu caro?
mas já que ficou tão embevecido com a inteligência da pergunta do João Vasco como se estivesse a ouvir o seu próprio eco, faço-lhe também eu a pergunta:
como é que se pode ser tão anti-relativista neste caso da Igreja Católica e tão relativista na condenação da libertação e da democracia no Iraque? ou até na libertação por boas causas nos talibãos do Irão?
Afinal em que ficamos?
nuns casos temos de olhar para a história e achar que ditadura e fundmamentalismo também fazem parte da tradição dos povos e noutros o contexto ou a informação sobre os factos nem importam porque o que se deve fazer é comício ocndenatório de algo que apenas veio toscamente descrito nos jornais?
Afixado por: Zazie em maio 4, 2005 05:00 PMNão percebo qual é o seu problema, Zazie. Eu sou a favor da libertação e democratização do Iraque (até já o era quando Saddam era o alido ocidental contra o Irão) e sou a favor da libertação e da democratização do Irão. Não sou é favorável à guerra como meio de obter estes fins.
No caso timorense, ainda há uma adenda: os independentistas comprometeram-se a ultrapassar o caos de 1975 e criar uma democracia regrada, isto perante a comunidade internacional, os países doadores e os seus apoiantes de todo o mundo. Timor-Leste promove-se como sendo a "democracia mais jovem do mundo". Se ceder às pressões dos bispos, dará vários passos atrás neste caminho.