maio 12, 2004

As desculpas

Perante o movimento de indignação que se tem levantantado contra as sevícias e torturas, tenho de pedir aqui desculpas. A todos, todos eles, mil perdões por tudo. Foi um povo humilhado, revoltado, que perdeu a sua dignidade. Não fui eu que os torturei, mas sou cúmplice. Também tenho a culpa. Os meus estavam lá.

Não, não estou a falar do Iraque e do pequeno incidente que tem excitado a esquerda. Falo de algo bem mais grave e que deixou feridas profundas por sarar. Não, não falo de 48 anos de Estado Novo. Mais grave, muito mais grave. Foram tempos de trevas, de medo e de terror: os dois anos a seguir ao 25 de Abril.

Desculpem, desculpem, desculpem. Que Portugal nunca mais viva a a vergonha desses dias, logo depois de meio século de alguns pequenos abusos, é certo, mas que, todos sabemos, não passavam de casos isolados de agentes mal preparados.

E que me desculpe especialmente Pacheco Pereira. Devemos-lhe muito. Nesses dois duros anos, todos sabemos, este resistente defendia o Estado de Direito enquanto a ditadura dominava o País. Bem haja Pacheco Pereira, pela sua militância em defesa dos direitos cívicos nessa histórica ONG, a CMLP.

PS: Quando Pacheco Pereira e o seu pagem quiserem falar a sério das torturas e humilhações no Iraque e deixarem de tratar toda a gente como idiota, cá estaremos para o debate.

Publicado por danieloliveira em | TrackBack
Comentários

Esses "senhores" metem-me nojo.
Tinha 10 anos em 74, mas lembro-me bem da PIDE ter levado o meu tio (mais que uma vez) e do estado em como ficaram as suas pernas, devido à tortura da estátua.
Quantos PIDE's cumpriram pena?
Quantos têm direito a reforma choruda?
Porque é que só vejo estes "senhores" a falarem do pós 25 de Abril? Porque o usam para desculpar os abusos do Iraque?

Afixado por: Luísa Costa em maio 12, 2004 10:08 AM

Não vale a pena... Em vez de se encherem de vergonha e meterem o rabinho entre as pernas, NÃO! O que é que fazem? Resolvem criticar os outros! O outro falou de Cuba, este fala das FP-25, ainda haverá um outro a falar da ex-URSS e da China. E é assim que pensam desviar as atenções do sucedido!
Irra! Tenham um pouco de vergonha e não tentem justificar o que não o pode ser, limitem-se a pedir desculpa.


Afixado por: _achtung_ em maio 12, 2004 10:25 AM

Ãviso que só li o post do Abrupto antes de escrever o comentário acima, porque a crónica do VGM não merece sequer isso. Chamar-lhe demagógico é dizer muito pouco, aquilo é uma grandessíssima filha da putice! Então, devemos simplesmente esqueçer os "casos isolados" que se passam no Iraque e na base de Guantanamo, é isso?
É preciso descaramento!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Afixado por: _achtung_ em maio 12, 2004 10:35 AM

Bem, declaradamente, o amigo Vasco é parvo! Quer dizer, por episódios que aconteceram no passado a esquerda não pode "guinchar"? Nessa linha de pensamento, a malta da direita tem toda de se esconder num grande buraco e agrafar a boca. Não esqueçam o Hitler, o Suarto, o Mobutu, e sei lá mais quantos ditadores, bastiões dos regimes ditatorias de direita. Portanto, caros senhores, não vamos por aí. O que está a acontecer no Iraque é brutal. É contra tudo o que se pode considerar aceitável. É um atentado à humanidade. Muitas situações como esta já aconteceram na história. Mas a história não se pode mudar. E o Iraque está a acontecer AGORA!!! Todos os dias no chegam as imagens, os testemunhos, a que assistimos confortáveis nos nossos sofás, a fumar um cigarro e uma cervejinha na mão. Se não podemos fazer mais, ao menos podemos GRITAR contra o que está a acontecer.
Voltando à linha de pensamento do pagem, aquele, também não podem reclamar das atrocidades do Saddam, pois em tempos ele doi amiguinho dos EUA, consequentemente amiguinho do ocidente. Vamos lá ter alguma coerência e não atirar bocas por demagogia e ignorância.
Tenho dito

Afixado por: ccoelho em maio 12, 2004 11:52 AM

subscrevo...

Afixado por: filinto em maio 12, 2004 12:37 PM

E não esqueçamos que o pagem, esse paladino dos direitos humanos é dos poucos em portugal que têm o descaramento de defender a pena de morte.

Afixado por: Paulo Baptista em maio 12, 2004 01:37 PM

Os textos do JPP e do VGM são um puro acto defensista perante as posições que têm vindo a perfilhar e que perderam qualquer sustentação na inqualificável brutalidade do que se passa no Iraque.
São do género de quem procura fugir e escapar melhor gritando "agarra que é ladrão!".
Porém, não deixa de ser lamentável que se baseiem na capa de uma brochura para lançarem suspeições e falsificarem a história.
De facto, o JPP e o VGM não dizem (porque não sabem ou não querem dizer) que os visados pelo tal relatório exigiram que fosse feita uma investigação judicial, justa e imparcial, aos factos relatados. Realmente, não se compreende que face à alegada existência de sevícias não se procedesse ao julgamento dos responsáveis.
Apesar do país ter acabado de sair do PREC, ainda havia poder judicial e tribunais, ou não se lembram disso, meus caros JPP e VGM?
É minha convicção que só não houve investigação e eventual julgamento, porque o poder militar pós-25 Novembro percebeu que a acusação era ridícula e acabaria por se virar contra eles próprios.
Também não referem que os generais do Conselho Superior Militar (acho que é assim que se chama)que apreciaram as queixa dos vencedores do 25 de Novembro contra o Mário Tomé e outros oficiais, no âmbito das questões militares, consideraram-nas improcedentes e sem qualquer base objectiva.
A ligeireza intelectual de como este assunto é tratado pelo JPP e pelo VGM só demonstra que não estão interessado na verdade. Aconselho-os a estudarem... ou a serem mais sérios.

Afixado por: Pedro Soares em maio 12, 2004 02:35 PM

O curioso disto tudo é que Pacheco Pereira e VGM caem no mesmo erro desta esquerdalha que tanto criticam. É lamentável eles recorrerem a isto para contrapor às torturas no Iraque.
De resto, olha, fico a saber desta história da qual nunca tive conhecimento.

Afixado por: sd em maio 12, 2004 02:57 PM

Pasmai ó gentes que desta vez o fervilhante e incontido génio do turbo-deputado e grácil poeta VGM não produziu a habitual escarreta do seu tabágico cavername.Não.Desta vez ( e tão cedo não me recomporei do espanto !) assistimos a algo que a florentina sensibilidade do autor não permitiria supor possível, entre o burilar de um poema , o sofrido esculpir de uma crónica e uma penosa viagem a Estrasburgo - desta vez ouviu-se um traque. É verdade. Um melífluo traque, sumido, embora melodioso, envolvente e prolongado, requintado de perversos pormenores sonoros, que um aprendiz de Torquemada não desdenharia . O efeito aerocólico da leitura do relatório das sevícias sobre VGM é assim por demais evidente , sobretudo quando efectuada com deleitosa demora nas páginas mais escusas.
Desconhecemos mesmo se tal patológico estigma não remontará ao tempo em que o Autor , enquanto secretário de Estado nos remotos idos dos governos provisórios de 1975, na obscuridade de um ignoto gabinete devorava montanhas de folios da segurança social.

Afixado por: dsousa em maio 12, 2004 04:00 PM

chega a ser cómico ver como a esquerda tenta fugir dos assuntos, desviando as atenções.

Afixado por: Nelson Buiça em maio 12, 2004 05:41 PM

Nelson, de que assunto? Do que aconteceu há umas semanas e que JPP e VGM não querem saber ou do que se terá passado há 30 anos? De facto, a lata não tem limites.

Afixado por: Daniel Oliveira em maio 12, 2004 05:53 PM

é curiosa a análise de VGM, sobretudo tratando-se de alguém que esteve muito próximo de aderir ao PCP nos meses quentes de1975...

Afixado por: João Pedro em maio 12, 2004 06:43 PM

Pajem é com "j" e não com "g".

Não é presunção, nem uma janela de oportunidade para remoques blogueiros, é vício profissional.
Agradeço que me corrijam também quando me distrair.

CAA

Afixado por: CAA em maio 12, 2004 07:59 PM
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