A propósito do sobreirogate começa a surgir uma doutrina extravagante segundo a qual a culpa do caso está no excesso de estado. Já a ouvi cantada em diversas escalas por Pacheco Pereira n'A Quadratura do Círculo, por blasfemos no Blasfémias, por comentadores nos seus comentários e agorinha mesmo por Carlos Rosado de Carvalho e Raul Vaz na SIC-notícias.
A cantiga é mais ou menos esta: o estado tem demasiado peso no nosso país. Isso obriga as empresas a ser inventivas na consecução dos seus intentos, nomeadamente exercendo influência sobre os governantes. É desagradável, mas se o estado tivesse menos peso não acontecia.
De facto, se o estado não tivesse que meter o bedelho nestas coisas já o empreendimento imobiliário-"turístico" de Benavente tinha podido avançar livremente sem precisar de autorizações de estado. E, em geral, não havendo autorizações, não haveria necessidade de ser inventivo. Não havendo necessidade de ser inventivo, não haveria necessidade de chatear os pobres dos governantes.
É o ovo de Colombo: tal como na psicanálise a culpa é sempre da mãe e nos policiais do mordomo, aqui a culpa é sempre do excesso de estado.
Publicado por ruitavares emclaro que há estado a mais. mas é de chorar a rir ver os dr. p.p., tão admirados por vocês, usarem esse argumento para justificar o injustificável. com estado a menos e uma sociedade SAUDÁVEL situações destas acabavam civilizadamente na cadeia e os intelectuais de serviço não tinham espaço para debitar as bacoradas habituais. é o estado presente das coisas que permite aos pacheco pereiras fazer o povo acreditar que vale alguma coisa. ele e os outros 'teóricos' da dita direita...
Afixado por: pinto ribeiro em maio 13, 2005 08:18 AMO "excesso" de Estado provoca burocracia desnecessária, com os consequentes atrasos e entraves em qualquer decisão. Tal como Jorge Coelho reconheceu na última Quadratura do Círculo, os ministros (incluindo ele) acabam por autorizar tudo o que lhes chega, pois qualquer processo vem carregado de pareceres de inúmeras entidades públicas, mais ainda de acessores, sub-secretários e secretários de estado, apontando para determinada decisão. O que a posição de Jorge Coelho implicitamente refere é que os próprios ministros são reféns da burocracia.
Este estado de coisas não desculpa ninguém, muito menos alguém com responsabilidades governativas.
No entanto, não há dúvida, e foi isso que os vários "cantores" que Rui Tavares apontou enfatizaram, que o "excesso" de Estado propicia grandemente o tráfico de influências e a corrupção. Quantos não deram, ou pelo menos não tiveram a tentação de dar uma notinha a um funcionário de uma conservatória, por exemplo, para apressar um processo que de outra maneira demoraria meses? Quantas empresas não faliram ou estiveram à beira da falência por casa de ineficiênca do Estado? As "coitadinhas das empresas" não se resumem a Grandes Grupos, que não só têm hipótese de influenciar o estado, como sobrevivem caso a influência não dê os resultados esperados. A esmagadora maioria das empresas, ou melhor, dos empresários, muitas vezes vê-se perante o dilema de dar as tais notinhas para apressar processos, ou fechar portas.
NG
Afixado por: NG em maio 13, 2005 12:05 PMRui Tavares:
Dando uma espreitadela no blasfémias, vi que o RAF respondeu a esse artigo com um dele. No entanto, o link que supostamente apontaria para este artigo foi mal colocado, pelo que será mais difícil saber-se que o artigo foi respondido.
Pessoalmente estou curioso acerca da continuação desta discussão, pelo que vim fazer este aviso.
:)
"L'enfer c'est les autres" ou entao "Desculpas de mau pagador".
Quais sao os paises com menor indice de corrupcao?
Finland, Denmark, New Zealand, Iceland, Singapore and Sweden.
Mais Estado, mais corrupcao? A serio?