Enquanto tudo isto, a igreja católica portuguesa ameaça fazer concorrência desleal à nova época do Gato Fedorento. Um pobre padre de Lordelo do Douro, habituado a dizer os seus disparates longe dos microfones da rádio resolveu proclamar, em plena missa do sétimo dia da morte de Vanessa Pereira – uma criança de cinco anos presumivelmente assassinada –, isto que se leu aqui abaixo, a saber: que o aborto é pior ainda do que tal assassinato porque "uma menina de cinco anos [ao contrário do feto] pode reagir, pode chorar, queixar-se".
Como é evidente, caiu tudo em cima do senhor cura, que ainda enfiou mais os pés pelas mãos. Até o próprio bispo de Leiria-Fátima sentiu necessidade de se demarcar do pároco. Ouvi as suas declarações há pouco na SIC-notícias. O que é insólito é que, querendo preservar a todo o custo a ideia de que o feto é uma criança (o bispo ia falando em "crianças de quatro semanas") o bispo se recusou a admitir que pudesse considerar uma diferença entre um caso e outro, ou seja: se o aborto não é pior do que infanticídio, o que aconteceu à Vanessa Pereira também não é pior do que um aborto?
Então temos de fazer um referendo para aumentar as penas. Dez anos de prisão por aborto, está bem?
Publicado por ruitavares emO que eu quero ouvir é a posição do cidadão José Policarpo, Primeiro da Igreja Catolica.
Afixado por: condor em maio 13, 2005 01:49 AMLá está a igreja católica, através de um dos seus membros, a querer misturar as coisas. Quando foi da morte do papa vieram falar da eutanásia, agora aproveitam-se de um crime de homicídio contra uma criança de 5 anos para virem defender o não ao aborto como se estas coisas estivessem relacionadas.
É a igreja católica no seu "melhor".
O mais estranho, pra mim, foi que ele disse isso na missa em homenagem à criança...
Se fosse um ato falho eu até entendia, mas ele reafirmou ao repórter o exato conteúdo da infâmia que proferiu...
Afixado por: Marcus Pessoa em maio 13, 2005 06:44 AMÉ o que dá os padres não fazerem sexo com regularidade, não se casarem, nem terem filhos. Ficam assim meio passados da cabeça, e depois dá-lhes para dizerem destes disparates.
Afixado por: Luis Lavoura em maio 13, 2005 09:28 AMÉ o que já disse. Aos que têm uma fé cega e estão completamente dominados pelas balelas místicas das igrejas, é preciso entender...
O que me espantará sempre é ver gente que não tem nada a ver com "aquilo", sustentar que esta canalha é muito útil à sociedade blá blá blá...
Felizmente, pela minha experiência, a maior parte dos padres conseguem ser conselheiros espirituais melhores do que este exemplo.
Naturalmente há uma construção minimizadora da criança por parte da igreja. O luto católico da morte de criança é alegre, festivo e a cor dominante o branco. Parece-me melhor salientar esta diferença do que a alegada similitude entre um feto e uma criança. E dado o contexto revoltante da morte da criança, parece-me grave que se minimize mais uma vez.
Quanto ao aborto, achei mais escandaloso que um ex-bastonário (penso que dos advogados) tenha dito que o aborto ia desequilibrar demograficamente o país: deixariamos de ter pessoas para trabalhar, domésticas, porteiros, jardineiros...