Suponho que o João Miranda não defenda que devemos tolerar a fraude, o tráfico de influências, ou o trabalho escravo, porque isso pode criar custos acrescidos e desincentivar empresários, sejam eles portugueses ou estrangeiros?
Esta expropriação faz sentido se as instalações forem úteis para a manutenção das carruagens da CP, que costumava ser feita pela Sorefame, e que o governo compreensivelmente não quer entregar à Bombardier. Faz também sentido como sinal de que o golpe de génio final destes desinvestidores professionais, primeiro fechar a fábrica da concorrência e depois urbanizar os terrenos, não se concretizará.
Quanto ao Estado especulador imobiliário, não contesto que muitas autarquias o sejam, e alguns departamentos do Estado central sejam cúmplices nisso. Mas há exemplos de Estados civilizados e bem liberais – como a Inglaterra – em que não é assim. Não é inevitável, nem tem nada a ver com o Estado, tem tudo a ver com Portugal.
Publicado por bruno cardoso reis emÉ preciso não esquecer que as expropriações (que dantes se chamavam "nacionalizações", mas agora essa palava caiu em desuso...) custam dinheiro. O dinheiro que custam é, em última análise, decidido pelos tribunais, e pode ser muito. Eu quando compro uma coisa, posso negociar e procurar ver onde é que obtenho essa coisa mais barato; quando o Estado expropria, não negoceia - fica com o que quer, e depois o tribunal dita o preço.
Ou seja, podemos estar perante um muito mau negócio da parte do Estado, isto é, da parte de todos nós.
Numa época em que centenas de milhar de portugueses se vêem à rasca devido a problemas ecológicos graves - seca na agricultura, stocks de peixe a esgotar-se, etc - ou a problemas concorrenciais igualmente graves - têxteis chineses, etc - parece-me um disparate o Estado estar a gastar grandes e ainda desconhecidas quantias para salvar 400 postos de trabalho. Ainda por cima, de trabalhadores qualificados que, em princípio, facilmente achariam outra colocação.
Afixado por: Luis Lavoura em maio 18, 2005 02:29 PMPois, amigo Luis.
Vão fazer comboiozinhos para as discotecas, para animar o pessoal...
Bruno, sabe, às vezes olho para a rapaziada do Barnabé e penso assim «em que mundo vivem eles?».
Quer dizer, no vosso mundo é tudo tão simples, tudo tão preto e branco, pão, pão, queijo queijo, esquerda direita, há causas a sério por que vale a pena lutar e são sempre causas boas e giras.
E gosto dessa ideia de Portugal como uma ilha, uma coisa no meio de um oceano, em que nós podemos escolher empresas que decidem investir em Portugal, salvar outras condenadas à falência. Por exemplo eu gostava de poder defender a cobrança de um imposto especial sobre grandes fortunas... (suspiro)
Afixado por: O Bom Selvagem em maio 18, 2005 06:02 PMVoltamos ao mesmo, esta discussão já a tivemos e os argumentos penso já foram todos gastos.
O investimento é necessário mas tem de ter regras.
Uma empresa não pode pedir ajudas fundos especiais da CEE condições especiais no pagamento de impostos, e depois sem cumprir os compromissos, deslocalizar.
Tivemos o caso gravissimo da Renault agora este da Bombardier.
Cumpram-se as leis da Republica Portuguesa e exija-se mais RIGOR NO ESTUDO DOS PRÓXIMOS INVESTIMENTOS.
Penso que não é pedir muito.
Afixado por: condor em maio 18, 2005 07:42 PM