maio 21, 2005

O Vilão

Vou fazer o papel de vilão e roubar amigos. Nada como um bom ditador para animar a conversa, disse-me um. Outro, nada como um bom vilão para fazer um bom filme. Porquê esta fascinação pelo mal? Será, por que ser mauzinho é o melhor caminho para se ter e manter muito poder, e todos gostamos de mandar? Será porque o bem é chato e previsível, e a maldade mais criativa e inesperada? Ou simplesmente, o herói brilha mais quanto maior for a escuridão que o envolve?

Previsível parece-me ser afinalmente esta conversa. Há muita e muito boa arte com maus (ou seja, fracos) vilões. Muita arte não-narrativa dispensa-os de todo. Para contar uma história interessante e conquistar atenção numa conversa de mesa, o papão vem muito a jeito. Mas pode tolher ao facilitar a tarefa. Um bom vilão, demasiado verdadeiro sobretudo, pode bem cumprir o seu papel e matar, senão a história, pelo menos a inventiva. Ser muito criativo com ele bem poderia ser perigoso... E, no entanto, lá que falaram muito deste novo exemplar do Quarto Reich, este sim dos mil anos – o inesgotável império das obras sobre o Terceiro Reich – lá isso falaram. E, no entanto, lá que me está sempre a apetecer completar a minha carteira de filmes do Hitchcock, lá isso está.

Publicado por bruno cardoso reis em
Comentários

Caro Bruno Cardoso reis,de acordo com a tua analise acerca de "A Queda".Eu tambem vi o filme.Muito se tem escrito ultimamente neste blogue acerca da 2ªGuerra Mundial,por ocasiao dos 60 anos da vitoria aliada na Europa.Mas há algo que infelizmente ninguem disse,excepto alguns comentadores na imprensa,inclusivé da area da direita,como Vasco Pulido Valente,segundo os quais a URSS foi decisiva para a derrotra do nazi-fascismo.A maioria dos que aqui escrevem,nao o querem admitir,mas esta é a realidade dos factos historicos,independentemente do posicionamento politico-ideologico de cada um de nós.Talvez por isso,seja excessivo criticar com a pompa com que a Russia de Putin,há dias,celebrou a o Dia da Vitoria.É que a Guerra é um assunto que toca transversalemnte todas as geraçoes russas,porque na altura ceifou 27 milhoes de vidas.É um assunto demasiado serio para os russos.E devemos estar-lhes agradecidos por terem sido os primeiros a entrar em Berlim,naquele dia 8 de Maio de 1945.

Afixado por: luis nasciment em maio 22, 2005 11:10 AM