maio 21, 2005

Parem as máquinas


Morreu Paul Ricœur, aos 92 anos.

Uma vez fui com o André Belo a uma residência de estudantes universitários para assistir a uma conferência do historiador alemão Reinhart Koselleck sobre o então projecto de memorial de holocausto em Berlim (o projecto de Peter Eisenman e Richard Serra, foi inaugurado recentemente depois de muita polémica).

Reinhart Koselleck, autor de uma obra essencial numa área afim à história das ideias (têm aqui uma lista do essencial em inglês), a begriffgeschichte ou "história dos conceitos", proferiu um excelente discurso, ponderado e elegante mas combativo sobre culpa, história e memória.

No fim da conferência, um velhinho que estava na primeira fila fez uma intervenção de excelente nível, comentando detalhadamente tudo o que outro dissera. Houve um diálogo entre os dois e as pessoas começaram a murmurar umas para as outras é o Paul Ricœur.

A nossa reacção foi como se nos tivesse saído o prémio acumulado, porque se Koselleck já era um historiador importante, Paul Ricœur era um espécime brilhante de algo ainda mais precioso: o filósofo lido por historiadores. Além, evidentemente, de um cidadão de percurso exemplar: socialista e pacifista antes da IIª Guerra Mundial, e resistente ao nazismo durante a Ocupação, o que lhe valeu a prisão nos campos de trabalho alemães. Depois da guerra, deu aulas e foi construindo a sua filosofia com ramificações sobre praticamente todas as subsdisciplinas (hermenêutica, ética, filosofia política, linguagem, teoria da história - vejam esta recensão a uma biografia de François Dosse). O livro que o levou a ser um "filósofo de historiadores" foi principalmente Temps et Récit, cujas preocupações vão da retórica à semântica e à hermenêutica e que liga a nossa relação com o passado à necessidade humana de narrativas e explora a capacidade destas narrativas poderem ou não ser traduzidas entre culturas. São três volumes, publicados entre 1983 e 85. Como se vê, não perderam importância.

Publicado por ruitavares em
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AVISO À NAVEGAÇÃO:

O ÚLTIMO EPISÓDIO DA GUERRA DAS ESTRELAS É O PIOR FILME DOS ÚLTIMOS 50 ANOS.

O DARTH VADER É UM LABREGO E O GEORGE LUCAS É UM 'PESETERO'.

FAÇO ESTE AVISO PORQUE PENSO QUE NENHUM SER HUMANO, NEM MESMO OS DEMAGOGOS BARNABEUS, DEVEM SUJEITOS A TAMANHA TORTURA.

OBRIGADO.

Afixado por: Rui Silva em maio 22, 2005 06:53 PM