O João Miranda, do Blasfémias, aproveita o aumento do escalão máximo de IRS proposto por José Sócrates para louvar as virtudes de uma taxa única. É uma questão de “justiça”, argumenta. Sim, que essas modernices dos impostos progressivos só têm servido para “redistribuir dinheiro dos que produzem bens e serviços que a sociedade valoriza para os que não contribuem com absolutamente nada para o bem estar dos outros”.
Que o discurso meritocrático pode ser uma das mais perniciosas formas de consagrar e legitimar a desigualdade social já se sabia, mas mesmo assim não deixa de ser extraordinário ouvir alguém defender que a responsabilidade dessa desigualdade impende necessariamente sobre “aqueles que não se prepararam, que trabalham pouco e mal e que não produzem nada de valor”.
Negando ao Estado qualquer papel no sentido da redistribuição da riqueza por via fiscal, o discurso de João Miranda seria pouco digerível em qualquer local do mundo. Mas em Portugal, o país que se habituou, durante décadas, a ver os partidos do Bloco Central encherem a administração pública com os seus “boys” e “girls”, quase todos a receberem mais do que os tais 60 000 euros do escalão máximo do IRS, não pode deixar de ser quase obsceno ver alguém defender que, no país que conhecemos, esta medida sacrifica “aqueles que se prepararam durante toda a vida, que são rigorosos no que fazem, que desempenham exemplarmente uma profissão e que por isso agradam aos seus clientes ou empregadores ao ponto de estes lhes pagarem voluntariamente mais de 60 mil euros por ano devem ser penalizados por isso.”
Leio isto e fico-me a lembrar dalguns casos notórios de gente rigorosa no que faz e que, por isso, agrada aos seus clientes e empregadores. Uma injustiça, sem dúvida, para

Celeste Cardona, nomeada para a direcção da Caixa Geral Depósitos, depois do “brilharete” no Ministério da Justiça
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Mira Amaral, três anos na CGD garantiram-lhe uma reforma vitalícia de 18 ooo euros mensais .
A Celeste Cardona é um modelo a seguir...de como não ser.
Infelizmente usa-se a meritocracia para justificar precisamente o contrário e como sinal de complacência com a desigualdade social.
A celeste cardona, só por nos agredir no fim de cada frase com aquele sorriso cínico e mais ou menos idiota, merecia acordar todos os dias com um pano encharcado na tromba.
Mas "prontos". Foi tão boa ministra, tão competente que não foi possível evitar o tacho.
Quanto ao mira amaral, nem quero ir por aí, porque esse já pertence a uma etnia com que não fica bem brincar. Não havia era necessidade de exagerar na tachada... foi um bocadito demais... "obsceno", como balbuciou aquela outra grande figura de competência que é bagão félix.
O que é grave, é que poderia continuar nisto, sem repetir nomes, até a merda do computador que está novo ficar obsoleto!