maio 30, 2005

O melhor dos mundos [possíveis]

Já escrevi aqui que estou mais a favor do que contra esta constituição europeia. Estaria muito mais a favor, evidentemente, de outra constituição europeia, mais simples e sobretudo nascida de um verdadeiro processo constituinte. Tenho contudo, um problema: essa outra constituição não existe, e não se sabe se rejeitar a primeira será uma boa artimanha para se conseguir a segunda ou apenas a forma mais trapalhona de não se ter nenhuma.

Pois é. Parece uma coisa pouco frontal, mas quando não se tem as cartas todas a vida fica táctica.

No meio desta trapalhada, dou por mim a preferir este non a uma situação arrastada que os políticos europeus, com a sua arte, pudessem fazer de conta que não viam. Mesmo discordando dele, há que dizer que o non teve os seus méritos.

Ou seja: se é para partir a loiça, que seja para a partir toda de uma vez, e logo no início. Agora venha o debate – e mais respeitinho pelos cidadãos europeus.

Já agora: a propósito de respeito, parece-me que o Bruno não fica bem na fotografia que mostra o seu post logo aqui abaixo no Barnabé. O Bruno dá aos lepenistas (entre outros) os parabéns por esta vitória – como poderia ter dado, com muito mais propriedade, aos nossos políticos de terceiríssima qualidade, como Giscard d'Estaing e Durão Barroso. Mas a vitória pertence aos 55% que votaram non e que têm todo o direito a fazê-lo sem vir um gajo do outro lado atirar-lhes o Le Pen à cara. Eu até acho que eles estão globalmente errados, mas não deixo de compreender muitas das suas razões.

Publicado por ruitavares em
Comentários

Estas alfaces geniais querem-nos convencer que o nosso progresso se faz à nossa custa;
e mais, estas alfaces geniais querem-nos acusar de não aceitarmos o nosso prejuízo por egoismo, e com isso condenarmos à pobreza os pobres.
Se as alfaces fossem só as do costume, para mim perfeito, era bom sinal. Mas o estratagema da alface passa sempre pelos outros, e andam as couvezinhas a dizer que sim, que elas também tem de se sacrificar pelo bem comum, viva e viva três vezes o bem comum.
Acontece que ninguém consegue explicar por que raio de razão é que, completamente contra toda a história, os povos tem de aceitar viver pior, ou pior, deviam defendê-lo; ou ser acusados de egoistas por quem vive de barriga cheia.
Acontece que acontece, mas às couvezinhas ninguém explicou a terrivel verdade: que todas elas são sopa.

Afixado por: Andre Carapinha em maio 30, 2005 04:22 AM

Concordo absolutamente com o Bruno Cardoso Reis.
Em França a maior parte da população votou com as franjas extremistas neste referendo. As lideranças dos maiores partidos centristas se viram em minoria.
Tendo em conta o movimento do voto françês para a extrema direita nos últimos anos, e tendo em conta também a maior parte das motivações do voto no não, a situação é no minímo preocupante. A divisão do partido socialista françês neste referendo se poderá verificar como uma descarada irresponsabilidade em eleições futuras.
Não creio que sejam oportunas alegrias libertárias como se gosta de afirmar acerca deste resultado. Outras situações em que maiorias eleitorais optaram por soluções não defendidas pelo dito status-quo em sociedades democráticas terminaram muito mal, e é com estas situações que vejo mais parecenças, guardadas as devidas distâncias mas tidas em conta as claras analogias.
Provavelmente o mesmo pelos mesmos motivos, mais ou menos, se passará em Holanda. Noutros países como Inglaterra e Polônia o mesmo poderá passar mas por diferentes motivos.
Quando a calma de espírito sabe que este Tratado significa em geral simplificação dos tratados acumulados anteriores, colocar os cidadãos no centro do significado da palavra Europa, e a simplificação da relação destes com as suas instituições; se retira fundamento á crítica anti-burocrata e anti-institucional com que baseiam os seus argumentos a favor do não pessoas como Pacheco Pareira e outros.
Os sentimentos chauvinistas locais europeus incham seus peitos com a ajuda eventual da esquerda tonta disponível. Isto não pode ser bom.
A única ajuda que podemos fazer desde a parte de Europa convencida de si mesma enquanto pudermos (o limite oficial aceitável parece estar em quatro para os países que digam não...) é seguir em frente com Alemanha (onde os partidos de esquerda e de centro-direita devido a sua experiência histórica têem menos tendência para aventuras tontas) e forçar França e restantes a entrar mais tarde. Com novo referendo está claro. Outra emenda qualquer poderá ser pior que este soneto.
(post publicado em leileteia.blogspot.com)

Afixado por: Rui Fernandes em maio 30, 2005 05:13 AM

Ó camarada rui de terceira qualidade é o engº sousa mais conhecido como o engº Pinóquio.
No mesmo dia que aperta ainda mais o cinto a alguns portugueses alarga o cinto a alguns boys socialistas.

Afixado por: fidel em maio 30, 2005 10:07 AM

Porque os franceses votaram "não"
Os franceses votaram "não", não por serem contra a constituição europeia, mas exactamente por serem a favor.
Eles sabem que os ingleses, no referendo agendado para o próximo ano, preparavam-se para votar contra. Afinal os súbditos de sua majestade têm um espírito torcido e com a mania de serem diferentes: ainda usam a libra, conduzem pela esquerda, usam milhas e libras em vez de quilómetros e quilos e são maioritariamente homossexuais apenas para serem diferentes dos outros povos.
Assim sendo, se todos os outros países quisessem a constituição europeia, os ingleses não a quereriam. Mas agora, visto os seus rivais de sempre terem votado contra, eles não vão querer seguir o seu exemplo, pois pareceria que iam a reboque.
Como tal, este "não" francês foi estratégico: os ingleses vão votar "sim" e após esse referendo há um novo em França que finalmente terá um resultado favorável.
(post publicado em azulbolorento.blogspot.com)

Afixado por: Manuel em maio 30, 2005 02:32 PM

O povo françês votou, votou maçivamente, venceu o NÃO está de parabens a democracia.

Se pessoas de vários quadrantes de opinião desde a extrema -direita á esquerda revolucionária e por vezes por motivos contraditórios votaram NÃO, o mesmo se pode dizer do Sim.

Ou o patrão dos patrões de França votou Sim pela mesma razão que Cohn Bendit o revolucionário do Maio de 68 ou Noel Mammere o esquerdistas lider dos verdes.....

Afixado por: condor em maio 30, 2005 02:53 PM

Estou completamente de acordo com o condor: é simplório resumir a polémica SIM/NÃO a dualismos como esquerda/direito ou liberalismo/totalitarismo e por aí fora... Poder-se-ia votar NÃO ou SIM sendo federalista, tla como se poderia votar NÃO ou SIM sendo anti-federalista... Enfim, o Bruno já tem idade suficiente para retirar os antolhos do materialismo dialéctico, mas se os pretende manter, bem, é lá com ele.

Afixado por: Pedro Oliveira em maio 30, 2005 06:57 PM