maio 30, 2005

A democracia tem realmente muito que se lhe diga

O Pedro Sales e o Rui Tavares nao gostaram de um texto que eu escrevi. Nada tenho a objectar. Resolveram adoptar uma pose de defensores da democracia, o que jà me parece um bocadinho exagerado... para nao dizer arrogante, com a ironia adicional de me acusarem a moi do dito pecado!

Democracia querer dizer respeitar a maioria e a minoria, respeitar os que votaram OUI e os que votaram NON. Ou serà que o Rui e o Pedro defendem que quando a direita ganha as legislativas, temos todos de passar a ser de direita? Aceitar um resultado é diferente de o aceitar acriticamente. Democracia quer dizer sobretudo respeitar a diversidade de opinioes, antes, durante e depois do voto. Maiorias também o Hitler e o Mussolini tiveram, referendos até Salazar os fez, faltou foi o resto.

Dei o meu merci democraticamente a quem ganhou (pelo contributo que deram para um grande avanço no meu doutoramento). Parece que ao Le Pen e ao Villiers é proibido. Mas o objectivo era muito simples: realçar que este NON é uma farsa na minha anàlise independente e apartidària, que é um direito que tenho aqui ou em qualquer lugar onde haja democracia a sério. Nem vou desenvolver o tema do voto contra Chirac ou este ou aquele dirigente. Ou do populismo fàcil dos referendos: vota-se no que apetecer e outros que lidem com os consequencias. Ou nos argumentos de sarjeta usados por alguns defensores do NON - que o tratado proibia o aborto ou a existencia de sector publico, por exemplo. Vou antes concordar com a grande novidade que o Rui e o Pedro aqui vieram dar: uma parte dos que votaram NON querem ainda mais Europa, sao ultra federalistas!!! Eu pensava que tinha dito isso no meu texto original, mas devo estar enganado. Ou seja, em França existe uma maioria clara a favor da UE, com estas reformas ou outras ainda mais ambiciosas!

Fico muito espantado por o Pedro Sales querer um Parlamento Constituinte, quando o preocupa muito o peso dos grandes paises nas novas regras de votaçao. Eles naturalmente teriam a maioria nesse tal Parlamento Constituinte. Mas realmente um texto aprovado por quatro ou cinco grandes Estados europeus e imposto a todos os outros dificilmente poderia ser descrito como democràtico.

Pode ser que tudo isto tenha sido um grande passo em frente da UE. Que Blair e os ingleses, ou os nossos amigos de Leste, se convertam subitamente ao federalismo e que o combate ao grande capital passe a ser consensual na Europa. Mas parece-me que é capaz de demorar mais do que os tres anos que foram precisos para chegar a este acordo. Desde uma Franco-Germania, a nucleos duros diversos em que Portugal pode conseguir entrar ou talvez nao, até ficar-se na mesma e algumas das reformas do tratado entrarem em vigor discretamente, tudo pode acontecer. Mas grande passo em frente para onde, com quem, para fazer o que?

Nada vejo neste renascer dos egoismos nacionais a que nao reduzo o NON mas que conta, e muito, neste resultado, que me alegre. Pormenor menor, mas com algum peso no evoluir deste maravilhoso projecto de uma Europa alternativa, nas proximas presidenciais francesas ninguém de esquerda aparece neste momento com possibilidades de ganhar depois de um referendo que a fragmentou completamente. Mas suponho que isso seja a democracia...

PS - vou suspender por umas semanas os meus postes por excesso de trabalho.

Publicado por bruno cardoso reis em
Comentários

o debate, ou a discussão, está viciado desde o início e chegou já perto de um beco sem saída. mas tbém pouco mais se pode pedir quando um dos lados, o da esquerda do NON, é liderado pelo senhor LE PEN...

Afixado por: pinto ribeiro em maio 30, 2005 05:55 PM

Caro Bruno: dirás que sou preciosista, mas a verdade é que é preciso rigor quando falamos de determinados assuntos, correndo o risco de transformar tragédias do passado em argumentos legítimos para o futuro. Cais no velho erro de usar Hitler e Mussolini para dizer que até um sistema democrático pode, num instante, descambar. Ora, o exemplo que tu e tanta gente costuma citar é uma falácia mortal.

Nem Hitler nem Mussolini foram eleitos, muito menos com maiorias. Os partidos de ambos foram convidados a formar governo pelos respectivos chefes de Estado, e apenas por uma razão: porque ambos ameaçaram - repito: ameaçaram - incendiar os seus países caso os seus chefes de Estado não tomassem decisões radicais.

Tanto o Partido Nacional-Socialista como o Partido Fascista, exímios em propaganda e em manipulação de massas, eram forças vivas, poderosas, com capacidade de alienar e corromper a ordem de sociedades que à altura eram, de facto, democráticas. Jamais poderemos afirmar que Hitler e Mussolini foram eleitos. Os dois chegaram ao poder por meios de assustadora intimidação.

Já no que dizes em relação a Salazar, bem, nem sei o que diga... Andasse ainda por esta terra Norton de Matos e ele respondia-te convenientemente.

Afixado por: João Macdonald em maio 30, 2005 06:33 PM

Definitivamente o Bruno de Democracia não percebe muito....


Começa por dizer "Democracia querer dizer respeitar a maioria e a minoria, respeitar os que votaram OUI e os que votaram NON." E como começou ele o post anterior? Assim: "Obrigado aos reaccionários de Villiers, aos racistas de Le Pen da França acima de tudo." Se o Bruno quiser consultar esta sondagem "à boca das urnas" feita para Le Monde, RTL e TF1


http://www.tns-sofres.com/etudes/pol/290505_referendum_r.htm


vai "descobrir" o que todos sabem há muito (menos o Bruno): o NON é de Esquerda, 2/3 dos eleitores de Esquerda votaram NON enquanto que apenas 1/3 dos eleitores de Direita o fizeram. Ponto final. O NON é de Esquerda. Foi a Esquerda que ganhou ontem, e não a Direita. Tentar caluniar a maioria que votou não, identificando-a com a minoria associada a Le Pen não é respeitar vencedores e vencidos.


Continua depois: "Ou do populismo fàcil dos referendos: vota-se no que apetecer e outros que lidem com os consequencias." Portanto, os referendos são instrumentos perigosos porque a populaça pode votar como quiser numa questão de sim/não, não deixando espaço para "nuances políticas", enquanto que na eleição de representantes a "vontade do povo" é "convenientemente filtrada" por quem sabe o que o "povo" quer. Um Democrata como o Bruno, um verdadeiro Democracta, como o Bruno, desconfia sempre quando os cidadãos podem tomar as suas decisões sem "intermediários legítimos"....


E continua: "Fico muito espantado por o Pedro Sales querer um Parlamento Constituinte, quando o preocupa muito o peso dos grandes paises nas novas regras de votaçao. Eles naturalmente teriam a maioria nesse tal Parlamento Constituinte." Obviamente não lhe passa pela cabeça que numa Assembleia Consituinte, com acordo da maioria, possam ser criadas regras de protecção dos interesses das minorias, por exemplo exigindo a aprovação de 2/3 do total de representantes à Constituinte e/ou de 2/3 das delegações nacionais à Constituinte. O conhecimento do funcionamento duma Assembleia Constituinte parece passar um pouco ao lado do Bruno, que diz que não leva lições de Democracia de ninguém...

Afixado por: viana em maio 30, 2005 06:36 PM

O espetáculo de virgens democratas de pudor ofendido que Pacheco Pereira no Sítio do Não e os bloggers do Barnabé, com excepção do Bruno Cardoso Reis, estão dando é verdadeiramente rídiculo. Está claro que todos aceitamos os resultados do referendo, compreendendo-os de maneira distinta, e tendo idéias opostas sobre o que se deve fazer a partir dos mesmos. É dúbio que seja mais democrático anular todo o processo como defende JPP ou seguir com os que aceitem o referendo. Afinal os espanhóis, os italianos, os alemães, e todos os outros que já aceitaram o tratado ou venham a aceitar, entre os que se incluirão, provavelmente, os portugueses, são escória? A democracia só deve ser funcionar para um lado, que é o deles,e para o outro mesmo que seja o de seus vizinhos sopas? Infinita hipocrisia a das virgens...
O que os posts de Bruno Cardoso Reis no Barnabé, os meus aqui, o de Ana Gomes no Causa Nossa representam, não é mais do que, utilizando a fórmula lida um dia da mão do Daniel Oliveira no próprio Barnabé (e da qual gostei bastante), a irritação que democratas tanto (não direi mais) quanto eles, as virgens, podem sentir em relação a democracia sempre que soldados livres, que somos, achemos que o batalhão está marchando com o passo errado. Mas na verdade nem será este exactamente o caso, porque os franceses são muitos, mas mais de metade dos franceses não são, nem muito menos, o batalhão inteiro desta questão...
Para o Pedro Sales e todos os outros: O que Churchil (e Sergio Godinho quando o citou, e a já referida fórmula do Daniel Oliveira, mesmo que ele não o saiba) quis dizer com a sua famosa frase, é precisamente o que nós representamos. Ao exercendo nossa liberdade, criticarmos o resultado do referendo françês, e em especial a alguns muitos que levaram a ele, mas óbviamente não propormos que Chirac ignore seu resultado, ou que se expulse França da Comunidade Europeia, nem nenhuma outra coisa pelo estilo.
Assim, que minhas caras senhoras virgens (serão mesmo?), tenham mais vergonha, mas da boa e sã, na cara, e deixem-se de parvoíces hipócritas.
(post publicado em leileteia.blogspot.com)

Afixado por: Rui Fernandes em maio 30, 2005 06:38 PM

"os meus posts aqui" é no meu blog claro

Afixado por: Rui Fernandes em maio 30, 2005 06:39 PM

Bruno: como sabes, sou também pelo sim. Mas acho que quem é pelo sim tem obrigação de compreender as razões daqueles que, tendo votado não, são favoráveis a uma constituição europeia. Não fazer pontes com esse campo e pretender misturá-lo com uma espécie de mancha original lepenista ou utópica, como se naqueles 55% todos fossem idiotas, irrealistas, irresponsáveis, etc. é simplesmente suicidário – e não para eles, mas para nós. Aliás, basta ver a recente campanha em França para compreender onde nos leva o teu tipo de retórica: de cada vez que ela aparecia, o non subia nas sondagens.

Faço votos para que a frustração te passe rapidamente e para que vejas que se não levarmos a sério as razões de pelo menos metade daqueles 55% nunca conseguiremos uma constituição minimamente legitimada.

E num ponto eles têm toda a razão: se o povo tivesse sido chamado a eleger uma Assembleia Constituinte (ainda que depois ela tivesse de passar pelo crivo dos governos dos estados) os europeus teriam metido as mãos na massa, corresponsabilizando-se, e não poderiam tratar agora a constituição como se ela fosse apenas fruto das antenas dos homenzinhos verdes dos corredores de Bruxelas.

Afixado por: rui tavares em maio 30, 2005 06:39 PM

Senhor doutor bruno cardoso reis, não faça caso do que o sales e o tavares dizem e muito menos do que escrevem.
Como sabe, um e outro, só começam a teclar depois de meterem uns copos a bordo e como não têm balão, não têm controle nas asneiras que dizem.
Um e outro estão convencidos que o mundo pára para os ler. Ainda não entenderam que os leitores ficam de boca aberta, admirados, com tanta asneira.
Eles procuram dar nas vistas e têm como único objectivo ultrapassar o "azeiteiro" nas calinadas.

Afixado por: zedopipo em maio 30, 2005 06:40 PM

digam o que quiserem. insista-se. FELIZMENTE A VITÓRIA DO NÃO É UMA VITÓRIA DA ESQUERDA. E DO LE PEN. GOSTEM OU NÃO. VOCÊS NÃO PODEM RECLAMAR VITÓRIA E DEIXAR O OUTRO GRANDE VENCEDOR À PORTA. COMO FOI DO ANTIEUROPEÍSMO. DE BUSH. EU, QUE NÃO SOU DE ESQUERDA E NÃO PARTILHO VITÓRIAS COM ESCÓRIA VOU VOTAR SIM. PARA O BEM E PARA O MAL VOCÊS APUNHALARAM A DEMOCRACIA. MAIS VALIA NAS PRESIDENCIAIS TEREM DEIXADO LE PEN GANHAR. MAS ISSO ERA DEMASIADO EVIDENTE, NÃO ERA...?

Afixado por: pinto ribeiro em maio 30, 2005 07:22 PM

"uma parte dos que votaram NON querem ainda mais Europa, sao ultra federalistas!!! (...) Ou seja, em França existe uma maioria clara a favor da UE, com estas reformas ou outras ainda mais ambiciosas!"

Fiquei intrigado com esta passagem. O Bruno parece afirmar que pelo menos uns 10% dos votantes franceses serão ultra-federalistas (os quais, somados aos 45% do "oui", conduziriam à tal "maioria clara a favor da UE"). Tem razões para acreditar que exista uma percentagem assim tão alta de ultra-federalistas?

Afixado por: Mí­ope em maio 30, 2005 07:34 PM

Há um provocador que escreve em maísculas. Diz e rediz as mesmas mentiras, e está exultante, ele, no fundo até está feliz pela vitória do não, só para poder brindar-nos com os seus vómitos maldicentes e frustrados. Saiba o sr: estamo-nos nas tintas, para sí, e para o Le Pen. Talvez não saiba: também aqueles que necessitavam desta "Constituição" (i.e., os gajos com muita massa) se estão nas tintas para si. Esta é uma grande vitória, porque a "Constituição" não é constituição nenhuma, no sentido que não é legítima (em termos do direito, não passa de mais um tratado), não é democrática nem inaugura uma ordem democrática, esta "Constituição" é um, conjunto de normas que se definem em três grandes tipos 1) as redundantes, que copiam o essencial de Nice, ou seja, que não servem para nada 2) as inspiradas pela "cruzada anti-terrorista", e essas são realmente perigosas para qualquer democrata e 3) na sua maior parte um conjunto de normas de flexibilização e liberalização económica, que nos são apresentados com o espantoso argumento de que servem para salvar empregos, quando são o convite a que qualquer empresa possa, por exemplo, despedir, encerrar e mudar para a Àsia sem ter sequer que pagar uma indeminização.
Mas o mais genial são os argumentos de quem acha que se deveria votar na "Constituição" apenas porque sim, porque quem não o faça é anti-patriota, e são ESTES que nos vêm dar lições de democracia...

Afixado por: Andre Carapinha em maio 30, 2005 08:25 PM

Bruno em França não foi a Europa que foi derrotada mas sim o Centrão dos interesses.

A deriva neo-liberal dos burocratas de Bruxelas não poderia dar outro resultado.

A diversidade do não é paralela á diversidade dos sim.

A critica a politicas internas neste referendo não é diferente a criticas internas no referendo espanhol , ou já esqueceram que por exemplo em Madrid a maioria dos nãos vieram dos bairros que votam fundamentalmente no PP e como tentativa de penalização do governo PSOE.

Se a esquerda saiu dividida deste referendo a direita não saiu melhor, ou o Bruno pensa que todos os tenores da maioria de direita que se empenharam no sim saíram reforçados com a vitória do não.

Espero que depois de um periodo de nojo, ou de trabalho , o tenhamos de novo por cá para o nosso referendo, eu do lado do Não o Bruno do lado do Sim.

Afixado por: condor em maio 30, 2005 08:39 PM

Porque será que os maiores aliados de Bush na agressão ao povo Iraquiano são TODOS defensores incondicionais deste tratado.

Blair, Barroso, Aznar, Berlusconi, o da Polonia etc.

Porque será que da dita Europa nova , criados de Bush e pedichões dos fundos e das bases americanas todos apoiam este tratado.

Pois é este Sim ao tratado tem razões que a razão desconhece.....

Afixado por: condor em maio 30, 2005 08:53 PM

O' condor, entao presumo eu, o Bush votaria sim no referendo frances?

Afixado por: daysofangst.blogspot.com em maio 30, 2005 09:26 PM

O' condor, entao presumo eu, o Bush votaria sim no referendo frances?

Afixado por: daysofangst.blogspot.com em maio 30, 2005 09:27 PM

Para isso ele precisava primeiro de saber que a Europa, não é só o meu amigo Blair Aznar e Berlusconi, o que para a personagem já é demasiado para os seus neurónios.

Quanto a SI leia e entenda se fõr capaz aquilo,que eu escrevi, penso que não é assim tão complicado.

Afixado por: condor em maio 30, 2005 09:30 PM

A ingratidão dos "nões", ou melhor, dos "anões" em relação ao seu (deles, claro) camarada Le Pen é um escândalo ! Então não é que 18%/20% dos 55% vieram do Front National que foram decisivos na vitória são agora enjeitados pelos nossos anões ? Onde já se viu tanta ingratidão ? Deitaram-se com o facholas, puseram-se a jeito, geraram um monstro aNÂO ? Então agora assumam-se, seus traidores à Europa ! E já agora convidem para uma festinha de confraternização o vosso amigo Bush. Olhem que ele sofreu e torceu a sério pela vossa vitória... Vá, não sejam ingratos, afinal vocês estão todos no mesmo barco com o mesmo objectivo, o de torpedear a grande Europa...

Bush, Blair, Fabius, Le Pen, De Villiers, Chévènement, Besancenot & restantes Anões, unidos contra a Europa !
aNÕES unidos jamais serão vencidos !

Afixado por: euroliberal em maio 30, 2005 09:42 PM

Vivam os amigos de Berlusconi! Vivam os neo-fascistas do SIM e os seus amigos, Nunos, Pintos Ribeiros, Euroliberais, Zés dos Pipos, Chiraques (pausa para lavar a boca)!

Então e assim os amigos gostam de discutir? Por alguma secreta razão gostam desta merda? Este nojo é mais interessante do que trocar ideias lealmente? Os senhores lá sabem... Mas que não é bonito ver pessoas que, possivelmente até têm mais que a quarta classe, atingir este nível de abjecção nos argumentos, não é!!!

Afixado por: cantigueiro em maio 30, 2005 09:53 PM

Cantigueiro não te exaltes que não vale a pena é isso que eles querem, não existe nenhum euro-liberal a escrever tamanhas insanidades, isto é mais a bilis de euro-estúpido.

Afixado por: condor em maio 31, 2005 12:01 AM


Como isto não avança, entro limitando-me a recolocar o comentário de outro post do Bruno:
«Parece-me útil:
mudar o povo que só sabe ulular e não pode decidir porque não é esclarecido

insistir numa UE sem países nem cidadãos dado que, segundo parece, os cidadãos quando votam no referendo (e para o PE, já agora) fazem-no por razões nacionais, e o Tratado é só para a Europa!!!

Entretanto perguntar:
se o PEC, por exemplo, não tem nada a ver com o aumento do IVA, com o desemprego, etc. Ou seja se a recusa da Europa do Tratado não é a recusa das suas consequências e das políticas europeias e nacionais, determinadas pelos Schröders e Chiracs e Barrosos e Sócrates seus defensores

Se uma Europa enfiada na NATO desagrada ao Bush

Se o sim ao tratado para ter uma Europa forte para fazer frente à potência económica EUA não é um disparate de argumento, já que a Europa é economicamnete mais forte que os EUA e que estes têm é o poder militar esmagador. O que esses "grandeuropeus" pretendem é uma potência à antiga, (como os EUA são e não deixam qe a globalização assuma aspectos novos de relação e solidariedade entre os povos) com grande indústria de armamento e tudo, viva!!! (como quer o papá Soares); mas não têm sorte porque os grandes dirigentes europeus estão debaixo das asas da águia americana e não querem sair de lá, da NATO, pois claro, que é o comando político da Europa a partir de Washington.
É assim tão difícil de perceber?
Abaixo a tentativa de impor o Tratado quendo a regra do jogo exige que seja ratificado por todos. Abaixo a insistência até dar, usando todos as ameaças e chantagens (até ameaça de despedimentos como fizeram as grandes empresas na Dinamarca para inverter o Não em Sim, aquando de Maastricht)
Viva a França! Viva a Europa. E vivàgente Vamos dar a voz à turba ululante e eleger uma Constituinte que elabore democraticamente a carta política da Europa ... democrática. Já agora é dessa que os EUA e os governantes europeus actuais têm medo.
MT»

Afixado por: mário tomé em maio 31, 2005 12:35 AM

Ora aí temos os aNÔES a resvalar para o mau-humor, para o insulto gratuito e para a argumentação descabelada. A ultra-minoritária corrente comunista vai construir o quê na Europa ? Com o apoio de quem ? Juízo, meninos. No "não" francês há sobretudo pânico de assistidos sem dinamismo face à concorrência num mercado aberto e global, e na Holanda, se houver não é por xenofobia e racismo anti-emigrante, mas já não por medo à concorrência económica dos países de leste. E na GB se houver também um não, já não é por xenofobia nem oposição ao alargamento a leste, mas por causa do carácter "socialista" da Constituição, isto é, por razões contrárias às francesas. Logo, não há base para qualquer proposta alternativa à Constituição que será aprovada pelo menos por 22 países... A única solução: os aNões aprovam a Constituição num segundo referendo ou saiem....mainada ! E quem tem medo da concorrência nos tempos de hoje, quem não tem dinamismo e energia, está morto económicamente. Se a França envereda pela via isolacionista-proteccionista, como quer a comunada delirante, o seu declínio vai ser dramático.. Essa via é a do suicídio económico !

Afixado por: euroliberal em maio 31, 2005 01:34 AM

Ultraminoritária corrente do Não .....
Ah. Ah. Ah em França foram 55% e na Holanda serão 60%.

Mas este senhor dito euro-liberal é tão boçal e diz tais alarvidades que eu não acredito que na realidade exista.

É que não se pode ser tão básico...

Afixado por: condor em maio 31, 2005 08:33 AM

"ultra-minoritária corrente comunista" é o que está no meu comentário. Quanto é que os comunas tiveram nas últimas eleições em França ? 5% ? Pois... E na Holanda ? Parece que nem sequer existem, tal como na GB... Pois...

Afixado por: euroliberal em maio 31, 2005 08:46 AM

RESPONDE O PROVOCADOR. CLARO QUE LE PEN NÃO GANHOU NEM VOTOU NON. ISSO É UMA MENTIRA MINHA. E VOCÊS SEMPRE FORAM ESPECIALISTAS EM REVISIONISMO HISTÓRICO. VOCÊS, ESQUERDALHOS, ESTIVERAM COM LE PEN COMO ONTEM ESTIVERAM COM HITLER. ISTO NÃO É PROVOCAÇÃO. SÃO FACTOS. ASSUMAM AS VOSSAS ATITUDES.

Afixado por: pinto ribeiro em maio 31, 2005 08:48 AM

Ó senhor pinto das maiúsculas. O tamanho das letras tem que ser proporcional ao tamanho das bacoradas?
Vocês p'ráqui, vocês p'racolá... isso do "vocês", parece uma discussão de tasca de débeis mentais da bola... "vocês em 1949, no jogo da taça... blá blá blá..." Homem! Em 1949, a maioria dos tais "vocês" não existia!
Assim está o meu amigo, que aliás, não faço a menor ideia de como e de onde raio me conhece para me incluir nesse seu inefável "vocês". De qualquer maneira, aqui fica o exclarecimento devido: no que me diz respeito, não me lembro nada de ter privado com o Hitler ou qualquer dos seus compinchas da época. Os outros "vocês" dirão de sua justiça...
Portanto, pode descontraír, ir tomar a medicação e reduzir o tamanho das letras...
Saudações.

Afixado por: cantigueiro em maio 31, 2005 10:40 AM

ó Cantigueiro, vê te acalmas. se não queres que eu te meta no saco do le Pen eu tiro-te e até te peço desculpa. já vi que afinal votas SIM. quanto ao resto, a memória histórica existe e há erros que se repetem cometidos pelos mesmos. não por ti nem por mim, não nascidos em 39 ( e não 49 como escreves a propósito do pacto germano-soviético ), mas pelos esquerdalhos de sempre...

Afixado por: pinto ribeiro em maio 31, 2005 11:08 AM

O pacto germano-sovietico foi posterior ao pacto de Munique assinado pelos democratas primeiro-ministros da França e da Inglaterra com Hitler.

Mas a politica de 38 38 a 45 e depois da guerra teria muito que discutir e com tempo e COM OS DOCUMENTOS JÁ DISPONIVEIS, é uma discussão interessante a ponderar.

Quanto ao Não em França o que resulta dos comentários é uma enorme falta conhecimento da realidade francesa.

E até do fenómeno Le Pen , racista xenofebo e anti-imigrante mas que consegue apoio na comunidade portuguesa menos esclarecida.

Eu apoio a Europa, eu quero uma Europa forte mas não uma Europa comandada por burocratas de Bruxelas não eleitos, desfazados das realidades dos trabalhadores europeus, com politicas neo-liberais que conduzem á catastrofica situação de desemprego, com PEC chegas que não têm em conta a especificidade de cada país, uma Europa em que cada cidadão europeu se sinta importante e não uma Europa em que meia dúzia de tubarões impõe a sua lei a todo um continente.

É dificil conseguir isto, é mas se não fôr assim não haverá EUROPA.

Afixado por: condor em maio 31, 2005 11:54 AM

ó Condor, eu até posso perceber e aceitar o que escreves. mas, NESTE MOMENTO, na minha opinião votar NÃO é a pior solução possível. para mim. para lá do que e quem representa o NÃO. EM CASO ALGUM EU ESTOU ALGUMA VEZ DO MESMO LADO DA BARRICADA DO BUSH, DO BLAIR, DO PACHECO PEREIRA, DA EXTREMA DIREITA HOLANDESA, DO PCP OU DO LE PEN. e não me venhas com o durão barroso ou o berlusconi. esses cada vez que falam no SIM estão a fazer campanha pelo NÃO... barroso, em especial, é um dos responsáveis pelo resultado em frança.

Afixado por: pinto ribeiro em maio 31, 2005 12:06 PM

Excerto de uma entrevista (Le Point) de Simone Weil, antiga presidente do Parlamento europeu e sobrevivente de Auschwitz:

"Etes-vous d'accord avec Jacques Chirac pour dire qu'on ne peut être européen et voter non au référendum ?

Voter non, c'est être pour une autre Europe qui n'existe pas et ne pourrait exister, faute d'un accord des autres Etats membres. Quand on dénonce l'Europe libérale, c'est en fait le traité de Rome. Aucun autre pays n'est prêt à accepter l'économie dirigée qui provient des partisans de gauche du non. En outre, le projet du traité constitutionnel comporte de sérieuses avancées sociales par rapport aux traités antérieurs.

Quel argument des partisans du non vous semble le plus de mauvaise foi ? Celui qui vous met le plus en colère ?

Il y en a beaucoup. C'est le règne de la démagogie ! D'abord, la dénonciation de l'Europe « libérale », nous venons d'en parler. Un des apports importants de la Constitution, justement, est de prévoir la protection des travailleurs, la prise en compte de la recherche du plein-emploi, ainsi que, pour la première fois, la reconnaissance des services."

Afixado por: euroliberal em maio 31, 2005 01:10 PM

Amigo Pinto Ribeiro.
Eu estou calmo... o que me irrita é esta verdadeira mania de meter tudo em sacos, com rótulos e arrumadinho. A coisa não se passa assim por muito que isso desgoste os adeptos dessa arrumação, que só identificam as ideias e opções de uma pessoa se ela anunciar primeiro de que partido ou clube é. Aí, ficam instantaneamente a "saber tudo sobre a pessoa".
Se o excelente cozido à portuguesa do restaurante da Dª Ermengarda amanhã ganhar a corrida na preferência dos comensais ao espectacular ensopado de cabrito, isso não obriga os que "votaram" no cozido a casar uns com os outros.
Peço desculpa pelo tamanho da parábola mas Cristo também só falava assim e ficou famoso. Nunca se sabe...

Afixado por: cantigueiro em maio 31, 2005 01:43 PM

caro Cantigueiro. tudo bem. o problema é que às vezes face ao que está em causa é preciso simplificar. claro que o texto constitucional não é o ideal. há coisas que já vêm de trás. do tratado de roma, por exemplo. agora, neste momento, o que se me coloca é outro dilema. quero juntar o meu voto aos inimigos da EUROPA, votando Não a um texto com defeitos?...de maneira nenhuma. acho que dá para perceber. o NÃO é pior que o texto constitucional em termos do meu futuro enquanto europeu.

Afixado por: pinto ribeiro em maio 31, 2005 02:04 PM

Não sei o que impressiona mais, se o lado suicidário disto tudo, se a versão lusa do «no pasa nada», o «povo é sereno», isto é lá uma coisa dos euroburocratas, do Pai tirano Europa.
Neste provincianismo mole luso alguém nos diga então quem será o iluminado/ imaculado interlocutor para 1 novo Tratado (pois foi isso q contra-argumentavam, lembram-se?): como não é o sr. Le Pen (uma atracção circense da frança saloia), serão os trotskistas da R. da Palma, não é?
E como estes vivem no passado metalomecânico e nada percebem da questão europeia, proporão o Manifesto do Partido Comunista, não é? Resta saber em que versão, se na das Edições Centelha se na da M.ª da Fonte. Para os revivalistas ramo Neanderthal tb há a versão das Eds Avante!.
Imagino agora o horizonte disto: uma discusão elevada em torno de conteúdos, como agora ocorreu, claro, claro. Uma verdadeira alternativa, iluminada e imaculada, claro, claro. Do social vs. o económico, claro, claro. Do Bom vs. o Mau... Do Bem vs. o Mal... Vejam lá onde vos leva esta sequência, adivinhem..
Será q é ao outro lado do oceano? será?

Afixado por: Daniel Melo em maio 31, 2005 05:18 PM

Camaradas aNÕES:

Uma revolta dos de baixo contra os de cima" ?

Eu diria antes uma revolta da ralé ignorante e com medo da concorrência aberta e do progresso contra a elite do país...

E já agora, como é ? Então a classe operária francesa não é solidária com as classes operárias dos países de leste, da Turquia e da China e querem que eles morram à fome por terem os mercados de exportação fechados ? E o internacionalismo proletário em tudo isso? Fica para os liberais ?

Afixado por: euroliberal em maio 31, 2005 05:45 PM

Toda a reórica acercado sim ou do não, de quem ganhou ou de quem perdeu è pura perda de tempo!
Construir EUROPA é tão natural e terá os mesmos resultados da fabricação da União Soviética!
Tem dúvidas?

Afixado por: luikki em maio 31, 2005 07:09 PM

Apenas para corrigir, desculpem o preciosismo, alguns ataques erroneos e irritantes, apesar do muito trabalho.

Os governos de Hitler e Mussolini foram nomeados com o apoio maioritario de um parlamento pluripartidario, o que a pratica normal numa democracia. No caso do segundo o parlamento manteve-se em funcoes durante anos. O Joao Macdonald ate vem falar do Norton de Matos!!! Isso e provocacao ou leitura apressada!? Todo o meu argumento ia no sentido de que eleicoes ou referendos nao bastam para existir democracia.

As criticas a este tipo de analise a "quente" sao do mesmo tipo das que fazem os que acham que nao se pode analisar as vitorias de Blair ou de Bush.

Podia haver uma assembleia constituinte europeia com regra de 2/3? Podia o texto votado passar pelo crivo dos Estados? Podia. Mas nao conheco nenhuma constituicao, da Americana ate a Portuguesa que nao tenha sido redigida por um comite. Na Convencao Europeia estavam deputados europeus, deputados nacionais e representantes dos governos europeus. O que de certeza nao vai existir e uma constituicao desta esquerda francesa. Felizmente. A constituicao nao deve ser de esquerda ou direita e deve ser tao francesa como polaca ou portuguesa (os casos de trabalhores polacos e portugueses foram amplamente usados pelo NON, por sinal).

Finalmente. O Le Pen ganhou no domingo. O Villiers esta a espera que o "pai" morra para ganhar o resto. O Sarko ou o Villepin herdam dentro de dois anos o premio principal. A Esquerda do NON a que eu sempre fiz referencia nos meus postes (vao la ler) vai cobrar o seu cheque nos amanhas que cantam!

PS No Le Monde de hoje, as sondagens eram claras a maioria dos eleitores votou (mais de 40%) NON por que a Europa causa desemprego. E o mapa do desemprego e do non mostrava grandes coincidencias.
O Herald Tribune tinha so na primeira pagina os seguintes titulos: "Disarray in the EU", "Europe lurches toward a period of crisis", "US scorns EU offer on cutting Airbus aid", "Next setback is expect from Dutch","Suddenly Euro isn't looking so good".

Afixado por: bruno cardoso reis [barnabé] em maio 31, 2005 07:29 PM

De facto a Europa não causa desemprego.
Quem causa o desemprego são as políticas que põem o défice à frente da política social.
E são essas políticas que estão inscritas no Tratado Constitucional dizendo candidamente (comó Sócrates) que tratarão do pleno emprego enquanto aumenta o desemprego e que garantem os serviços de interesse geral em vez do serviço público (vamos privatizar, tudo a começar pela água, que o pessoal não pode passar sem ela - é uma mina!); a educação e a saúde já estão quase. e em vez do direito ao trabalho passa a haver o direito a ... procurar emprego!(sic); a partir daqui acaba o subsídio de desemprego, o apoio social aos desemprefados, etc. Eu sei que há malta que acha que deve ser assim, à moda USA - quem tem unhas é que toca guitarra. Mas então não gastem paleio por o NÃO vencer em França como vencerá em todos os países onde houver debate a sério. Façam como os neocon estadounidenses que dizem: é o fracasso da política social europeia que o Não reflecte.
Claro! A política social europeia não existe com estes senhores que conduzem a Europa de acordo com as orientações da finança. Claro que os neocon não falam do fracasso da política social dos EUA porque ela também não existe: mas eles assumem-no, acham que deve ser assim.
Já agora, certo nível do debate ( a Simonne Weill entra nisso) chama-se petição de princípio. Argumentar que outra Europa não é possível porque quem mandou até agora acordou nesta e outros não irão acordar nela, é grandioso. Altamente!! Então os referendos são mais uma farsa. Só que há pessoal e em França foi esmagadoramente maioritário que acha que não.
Estamos a tratar de maiorias sociais que pela compreensão da raiz dos problemas mudem os pressupostos de construção da Europa. E serão essas outras forças daí emanadas que discutirão e acordarão - só que com bases realmente democráticas. Para,em vez da Europa da Finança avançarmos para uma Europa social, dos cidadãos e das nações com PE a sério com duas câmaras - representação cidadã e representação das nações. Com poder legislativo e fiscalizador. O Durão Barroso dá de cabra concerteza.
Para já vamos exigir tempo e condições para discutir a sério o tratado e não fazer o referendo com as autárquicas.
É verdade, parece que o Tratado além de contemplar o direito de procurar trabalho também contempla o direito de procurar comida. Quem disse Não é responsável por esse direito não ser reconhecido afastado pelo direito, que ainda persiste na nossa Constituição, ao emprego e a uma vida digna. O pessoal quer tudo, poooooo!...
MT

Afixado por: mário tomé em junho 1, 2005 02:51 AM