Estes tribunais marciais que só podem condenar torturadores a um máximo de um ano de pena cheiram-me um pouco a esturro. Que longe estamos dos bons velhos tribunais marciais que Woody Allen descrevia nos seus anos de stand-up comedian...
«A minha namorada tinha um irmãozinho mais novo – seis anos, oito anos, coisa assim. Os pais tinham-no mandado para o Colégio Militar. E enquanto ele lá esteve roubou um frasco de compota ou lá o que foi. E foi apanhado.Então eles quiseram fazer as coisas como deve ser, afinal era o Colégio Militar. Então levaram-no a tribunal marcial – provaram que o miúdo era culpado – e fuzilaram-no.
Mas devolveram aos pais metade das propinas.»
Woody Allen, The Nightclub Years 1964-1968.
Publicado por ruitavares em | TrackBackNunca apreciei o Woody Allen. MAs fica a piada possível..
Cumprimentos
Enresinados!!
Seguindo li, um ano é a pena máxima, num tribunal marcial especial americano. Se fosse um tribunal militar normal, a pena poderia ir até à prisão perpétua. Parece que deveria ser precisamente ao contrário ...
O que aqueles soldados fizeram não tem perdão !
À luz dos "nossos" princípios, claro.
Porque ... segundo uma notícia do Público de hoje, em Falluja, onde foi restabelecida a "sharia", 4 homens (comerciantes) foram exibidos pelas ruas - guardados por mujahedins e polícia - de olhos vendados e tronco nu, com as costas marcadas pelas chicotadas que lhes foram inflingidas como "punição" por, nas suas lojas, ter sido encontrado álcool.
A população aplaudiu: "É a punição dos ímpios !".
Tudo bem. São os princípios "deles".
Afixado por: Isabel Coutinho em maio 25, 2004 01:02 AME curioso que num pais com penas tao pesadas, a pena tenha sido um ano. Disse curioso? Queria dizer: vergonhoso.
Por acaso estou a escrever precisamente desse pais. De uma das suas cidades mais excentricas. Having lots of fun.
Dubya 4ever. Mas de preferencia com stand-up comediant, queera para isso que ele tem um jeitao nato.
E então Isabel Coutinho, qual é o problema?
Álcool é uma droga proibida nos países muçulmanos, tal como haxixe é uma droga proibida nos países "ocidentais".
E, segundo a mesma notícia que você leu, os mujahidin tinham dado um prazo temporal bem claro para que todo o álcool fosse deitado fora. Não foi uma lei imposta abruptamente, foi com aviso.
Queria que metessem os comerciantes na prisão, impedindo-os de ganhar a vida e tomar conta das suas famílias?
Deram-lhes umas chicotadas, exibiram-nos ao escárnio da multidão, e mandaram-nos de volta para os seus negócios. Fica mais barato do que metê-los na prisão e alimentá-los a expensas de nós todos.
Afixado por: Luís Lavoura em maio 25, 2004 09:37 AMBoa Luís Lavoura!
Essa visão economicista lança uma nova perspectiva sobre os direitos humanos! :(
Luísa Costa,
A minha primeira impressão foi igual à sua, mas se me dessem a escolher entre ser preso por tráfico de drogas por bastantes anos ou ser chicoteado e exibido, sinceramente, preferia a segunda.
Onde é que estará então a defesa dos Direitos Humanos?
Afixado por: Nuno em maio 25, 2004 12:21 PMNuno
Os meus filhos também são capazes de preferir uma boa sova a um castigo que os prive de fazerem alguma coisa que gostem. Mas não iria ser por apanharem que deixariam de fazer o mesmo.
O objectivo essencial das penas de prisão, para além de retirar criminosos do meio social, é a emenda e a recuperação social dos detidos.
Substituir detenções por chicotadas e humilhações, parece-me que, para além de não adiantar nada para a recuperação social, iria contra os principíos mais fundamentais dos DIREITOS HUMANOS:
Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes - Artigo 5.º da Declaração Universal dos Direitos do Homem
"O objectivo essencial das penas de prisão, para além de retirar criminosos do meio social, é a emenda e a recuperação social dos detidos." (Luísa Costa)
Sem dúvida, mas está demonstrado que as penas de prisão, por si sós, são muito ineficazes em emendar e recuperar os detidos. Pelo contrário, as prisões servem frequentemente como escolas do crime. Isto é tanto mais verdade quando se trate de países pobres, como o Iraque, nos quais as prisões não primam pela qualidade dos serviços prestados aos detidos.
"Substituir detenções por chicotadas e humilhações, parece-me que, para além de não adiantar nada para a recuperação social, iria contra os principíos mais fundamentais dos DIREITOS HUMANOS" (Luísa Costa)
Correndo o risco de me acusarem de um perigoso relativismo moral, eu diria que todos os direitos humanos têm limites, pois que também há direitos sociais e direitos culturais. Eu gosto muito dos direitos humanos, mas não tenho neles uma tal fé que esteja disposto a ir pregá-los para o Iraque ou para outros sítios que tais. Prefiro observar as coisas com um certo distanciamento, e preocupar-me mais com os problemas cá do meu país (Portugal) do que andar a dar lições a países e culturas que conheço mal. (Pregadores que levavam numa mão a cruz e na outra a espada, já Portugal enviou mais do que os que devia.)
Afixado por: Luís Lavoura em maio 25, 2004 02:40 PMNão posso concordar com o Luís Lavoura quanto aos direitos humanos serem limitados pelos direitos culturais e sociais.
Há muitas coisas tradicionais e que fazem parte da nossa cultura com as quais eu não concordo, tal como não posso concordar que uma mulher seja apredejada até à morte por ter cometido adultério (ou mesmo por ter sido violada)e isso acontece nos países onde vigora a "sharia".
Luis Lavoura,
Se você fosse Ministro da Educação reintroduzia, pelo menos as reguadas nas escolas.
É que assim, talvez conseguisse melhorar as notas a matemática !
Nuno dixit:
"se me dessem a escolher entre ser preso por tráfico de drogas por bastantes anos ou ser chicoteado e exibido, sinceramente, preferia a segunda."
Toda a gente têm o direito a ser masoquista, né ?