O Albarnabista
Suplemento alfarrabístico-jornalístico do BARNABÉ
Ano I – Número 1
Estreia-se O Albarnabista. É um suplemento do BARNABÉ que pretende trazer ao universo volátil dos blogues o universo volátil da imprensa de antanho. Todas as publicações aqui reproduzidas provêem de arquelogia praticada nos alafarrabistas do país, sótãos familiares e caves húmidas, com natural tendência sobre temáticas políticas e culturais. Falar-se-á apenas de periódicos anteriores ao século XXI. Aceitam-se sugestões através do habitual endereço.
Neste número: A Illustração, revista publicada em Paris entre 1884 e 1892.
Em destaque na imagem: uma “breve” sobre os ataques bombistas dos niilistas russos aos imperadores da Rússia. Na gravura, empregados dos caminhos-de-ferro russos procedem à desobstrução de uma linha onde viajavam os czares. A notícia termina: “Estas repetidas tentativas d’assassinato contra o Imperador teem de tal modo pôsto em sobresalto a Imperatriz de Rusia, que os medicos receiam immenso pela sua vida, e aconselham-na a que passe tres mezes em Veneza. É o que sua Magestade vae agora fazer. Pobre Imperatriz...!”.
De Eça a Zola
“Revista de Portugal e do Brazil”, lê-se logo abaixo do cabeçalho de A Illustração. Mas a verdade é que a publicação dirigida pelo jornalista Mariano Pina foi muito mais europeia do que qualquer outra coisa. Publicada em Paris entre 1884 e 1892, reuniu nas suas páginas a nata das letras portuguesas dos finais do século XIX: Cesário Verde, Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco e, também, Émile Zola. “A nossa revista só procura um absoluto ecletismo que se ponha ao abrigo das influência de partido”, escrevia Pina numa nota editorial do número 22 (20-11-1888). Esse ecletismo e um sentido progressista estão bem patentes nos cinco números encontrados em Lisboa pel’O Albarnabista.
Inteligentemente ilustrada – a capa é sempre uma “photo gravura” que reproduz um monumento nacional ou estrangeiro (o frontespício do número 22 de Novembro 1888 apresenta “O estado da Torre Eiffel no dia 31 de Outubro de 1888 (178 metros de altura), vendo-se os dois primeiros andares já construídos) –, A Illustração é um luxo em termos de imagem: cenas de actualidades internacionais, reproduções de obras de arte, retratos de intelectuais e artistas. A capa do número 22 de 20 de Novembro de 1889 abre-se a um acontecimento de última hora: a morte do rei D. Luís, mostrando a “Chegada do carro fúnebre à igreja de São Vicente de Fora”. Lá dentro, três aspectos do velório acompanhados da seguinte nota: “Foi Manuel Gustavo Bordallo Pinheiro o único artista a quem Sua Magestade a Srª D. Maria Pia permitiu que visitasse a câmara ardente de Cascais, e fizesse um croquis do cadáver d’El-Rei o sr. D. Luís I”. Neste mesmo número, um dos vários textos evocativos do monarca salienta a excelência das traduções por ele feitas de algumas peças teatrais de William Shakespeare.
De artigos de opinião a poesia, alguma prosa humorística ou reportagens, A Illustração revela querer estar sempre em cima dos acontecimentos, culturais ou políticos. Uma das prosas mais famosas (infelizmente não encontrada nestes números d’O Albarnabista) é a carta de Eça ao director celebrando o escritor francês Vítor Hugo (a sua mais recente reprodução está em Eça de Queiroz Jornalista, uma antologia de Maria Filomena Mónica publicada em 2003 pela editora Principia).
Mas há algumas preciosidades nos números aqui tratados. No número 8, por exemplo (20-5-1887), um extenso artigo de Luiz de Magalhães sublinha a importância de “Oliveira Martins e ‘A Província’”, periódico português da época. No número 20 de 20 de Outubro de 1887, Pina dedica página e meia de editorial ao cardeal patriarca de Lisboa, contra quem se insurge por este ter proibido os clérigos de participarem nas exéquias do maçon António Augusto de Aguiar. O espírito do progresso e os cuidados higienistas estão por todo lado. Uma “breve” deste mesmo exemplar alerta para o “Envenenamento pelo tabaco”. No número que traz a Torre Eiffel na capa faz-se uma longa reportagem sobre a Exposição Universal de Paris e diz-se que aquela é uma oportunidade única para Portugal mostrar o que vale. Páginas à frente, outra “breve” curiosa: “O Sol como força motriz” – referência à ideia revelada à Nature pelo cientista M. Ericsson, que propõe “um grande motor que recebesse todo o calor dos raios solares” como fonte de energia.
Mariano Pina
Mariano Pina (1860-1899), a par do seu irmão Augusto (1872-1938), foi personalidade importante no mundo das letras portuguesas. Estreou-se no Diário do Comércio em 1878 e foi correspondente da Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro em substituição de Guilherme de Azevedo. Para além de A Illustração, dirigiu ainda os periódicos O Espectro: castigo semanal da política (Paris, 1890) e O Nacional: jornal político, noticioso, absolutamente independente (Lisboa, 1890-91). Já Augusto de Pina, que frequentou a Academia Julien em Paris, foi director artístico do Teatro Nacional e colaborou na Ilustração Portuguesa. Uma colecção completa d’A Illustração, bem como autógrafos de vários colaboradores e referente correspondência, encontra-se guardada na Biblioteca Nacional – uma compra de Dezembro 1987 da Secretaria de Estado da Cultura com apoio da Fundação Calouste Gulbenkian num leilão da Silva’s Leiloeiros.
FICHA
A Illustração
Director e proprietário: Mariano Pina
Local e data de publicação: Paris, 1884-1892
Na colecção d'O Albarnabista:
Nº 8 – 4º ano – volume IV, 20 de Abril de 1887
Nº 20 – 4º ano – volume IV, 20 de Outubro de 1887
Nº 22 – 5º ano – volume V, 20 de Novembro de 1888
Nº 1 – 6º ano – volume VI , 5 de Janeiro de 1889
Nº 22 – 6º ano – volume VI , 20 de Novembro de 1889
Marreco, eu?
Da imprensa do séc. XIX respiguei este interessante trabalho.
ZÉ do TELHADO - José Teixeira da Silva n. 22-06-1818 em Salvador de Castelões, Recezinhos, concelho de Stª Cruz de Riba-Tâmega, com sede em Vila Meã ((Hoje Concelho de Penafiel) distrito de Vila Real
Atribui a si próprio o cognome de "O Repartidor Público"; No fim das Guerras Liberais foi agraciado com a comenda da Torre Espada por proposta de Sá da Bandeira. Pouco depois pagou os seus crimes com pena de prisão e deportação para Angola onde morreu em 1875.
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JOSÉ SÓCRATES Carvalho Pinto de Sousa nasceu em Vilar de Maçada, Concelho de Alijó, Distrito de Vila Real, há 46 anos, mais exactamente a 6 de Setembro de 1957.
O povo deu-lhe a maioria absoluta nas eleições de 2005.
2 meses depois de tomar posse deu-lhe o cognome de "O Cobrador de Impostos" por ter quebrado TODAS as promessas eleitorais nomeadamente a de "defensor dos pobres"
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Foi companheiro de prisão de Camilo Castelo Branco na Cadeia da Relação do Porto.
Que lhe dedicou algumas linhas em "Memórias do Cárcere" por gratidão da protecção recebida.
Recordemos António Nobre
Que desgraça ter nascido em Portugal!
E o carro ia aos solavancos.
Os passageiros, todos brancos,
Ressonavam nos seus gabões:
E eu ia alerta, olhando a estrada,
Que em certo sítio, na Trovoada,
Costumavam sair ladrões.
Ladrões! Ó sonho! Ó maravilha!
Fazer parte duma quadrilha,
Rondar. À Lua, entre pinhais!
Ser capitão! Trazer pistolas
Mas não roubando, - dando esmolas
Dependuradas dos punhais...
(António Nobre "IN SÒ" )
Ó Zé do Pipo. O amigo assim calmo, tem piada... sem dúvida, essa teve piada!
Afixado por: cantigueiro em maio 31, 2005 10:53 AMMuito gira mesmo é a entrevista feita a Zola pelo Eça e pelo Mariano Pina, em Paris. Se quiserem envio as coordenadas, para que a encontrem.
PS: E o director de um jornal contemporâneo deste, chamado A Actualidade, que se chamava Morais Sarmento?
Caro Zero À Esquerda,
Gostaria muito que mandasse essas coordenadas! Obrigado! E, se a memória não me falha, já desde essa época os Morais Sarmento jogavam à direita - correcto?
Prezado Zé do Pipo:
Em boa verdade fala, mas não há Zé do Telhado que chegue para João Brandão!
Afixado por: Joao Macdonald em junho 1, 2005 01:27 AMOlhe Macdonald
Ao Joâo Barandão ainda poderiamos acrescentar, entre outros, o Xuço de Trancoso e o Remexido algarvio.
Como vê, cá pelo condado, não faltam robins dos bosques
Honra ao João Brandão, meu ilustre antepassado.
O Robin dos Bosques à portuguesa. Mas sem os collants verdes. E Beirão !
Cumprimentos
O Dispensado
Zé do Pipo,
Confesso a ignorância: quem foi Xuço de Trancoso?
Dispensado,
A propósito de João Brandão: poderia entrar em contacto comigo através de mail (macdonald@netcabo.pt)? Precisava de lhe fazer uma pergunta. Obrigado.
Afixado por: Joao Macdonald em junho 1, 2005 05:32 PMJoão,
Não consigo perceber muito bem onde se situava esse Morais Sarmento (Anselmo) na política. Parecia liberal (mas não republicano) e parecia muito chato também, palavroso. O único rasgo (ou talves um dos poucos) que teve na sua vida foi o de contratar um jovem cônsul que estava em Newcastle para ser o correspondente em Inglaterra do seu jornal - esse jovem era um Eça de Queirós em início de carreira.
A entrevista ao Zola, feita pelo Mariano Pina e pelo Eça (redigida apenas pelo primeiro dos dois), pode ser encontrada nesse mesmo jornal, A Ilustração. Cá vai a referência completa:
"Zola e Eça de Queiroz", A ILUSTRAÇÃO, n.º 11, 5 de Junho de 1885, p. 163.
PS: Sobre o João Brandão: Eu tenho uma tia avó com cem anos e que sabe muita coisa. Ela costumava contar uma história em verso sobre o João Brandão, que terminava: "Foi preso o João Brandão / não foi por roubar dinheiro / Foi por prender uma criança / nos corutos de um pinheiro."
João,
Não consigo perceber muito bem onde se situava esse Morais Sarmento (Anselmo) na política. Parecia liberal (mas não republicano) e parecia muito chato também, palavroso. O único rasgo (ou talvez um dos poucos) que teve na sua vida foi o de contratar um jovem cônsul que estava em Newcastle para ser o correspondente em Inglaterra do seu jornal - esse jovem era um Eça de Queirós em início de carreira.
A entrevista ao Zola, feita pelo Mariano Pina e pelo Eça (redigida apenas pelo primeiro dos dois), pode ser encontrada nesse mesmo jornal, A Ilustração. Cá vai a referência completa:
"Zola e Eça de Queiroz", A ILUSTRAÇÃO, n.º 11, 5 de Junho de 1885, p. 163.
PS: Sobre o João Brandão: Eu tenho uma tia avó com cem anos e que sabe muita coisa. Ela costumava contar uma história em verso sobre o João Brandão, que terminava: "Foi preso o João Brandão / não foi por roubar dinheiro / Foi por prender uma criança / nos corutos de um pinheiro."
João,
Não consigo perceber muito bem onde se situava esse Morais Sarmento (Anselmo) na política. Parecia liberal (mas não republicano) e parecia muito chato também, palavroso. O único rasgo (ou talvez um dos poucos) que teve na sua vida foi o de contratar um jovem cônsul que estava em Newcastle para ser o correspondente em Inglaterra do seu jornal - esse jovem era um Eça de Queirós em início de carreira.
A entrevista ao Zola, feita pelo Mariano Pina e pelo Eça (redigida apenas pelo primeiro dos dois), pode ser encontrada nesse mesmo jornal, A Ilustração. Cá vai a referência completa:
"Zola e Eça de Queiroz", A ILUSTRAÇÃO, n.º 11, 5 de Junho de 1885, p. 163.
PS: Sobre o João Brandão: Eu tenho uma tia avó com cem anos e que sabe muita coisa. Ela costumava contar uma história em verso sobre o João Brandão, que terminava: "Foi preso o João Brandão / não foi por roubar dinheiro / Foi por prender uma criança / nos corutos de um pinheiro."
Desculpem. Eu não me entendo muito bem com isto. Apaguem dois dos meus comentários. Foi sem querer.
Afixado por: ZeroAesquerda em junho 2, 2005 02:36 AMCaro Zero:
Poderia entrar em contactop comigo através do mail?
Obrigado e um abraço.
Afixado por: Joao Macdonald em junho 2, 2005 04:49 PM