"Somos cidadãos do mesmo país, queremos viver em paz democrática e temos de ter presente que isso foi possível porque as ideias, a estratégia e o rumo político proposto por Álvaro Cunhal e que marcou o chamado Gonçalvismo não triunfou"
Ribeiro e Castro, comentando a morte de Álvaro Cunhal, no dia ddo funeral de Vasco Gonçalves
Porque não se lembrou. Ou porque não conhecia. Ou se calhar por ser um poeta de esquerda.
Afixado por: G.O.B. em junho 13, 2005 09:36 PMÉ caso para perguntar: onde estava Ribeiro no 25 de Abril?
Certamente que lutava contra o regime fascista...
Afixado por: Bart Simpson em junho 13, 2005 10:16 PMBart Simpson,
Ainda bem que perguntas. No 25 de Abril não sei, mas uns anos antes era o responsável pela Mocidade Portuguesa no liceu Padre António Vieira. Um lutador pela liberdade, portanto.
Afixado por: pedro sales em junho 14, 2005 01:11 AMMas como é esse tal ribeiro?De água límpida como na poesia de Eugénio?
Afixado por: abego em junho 14, 2005 01:28 AMhum..constou-me que esse ribeiro está longe de ser impoluto..que já transbordou as margens há uns anos,e que o seu nome foi aventado como estando implicado em 'certas e determinadas coisas'..e não era o seu pai que tinha uma alcunha feita como trocadilho da palavra 'viadutos'?..enfim,só boatos,é certo..mas suponho que são de conhecimento público,por isso não faz mal referi-los aqui..ou faz?
Afixado por: apolo em junho 14, 2005 09:36 AMO comentário de Ribeiro e Castro é apenas deselegante e desapropriado, assenta bem a um político do CDS-PP dos nossos dias.
Mais deplorável o comentário de Mário Soares porque para além de deselegante, foi desonesto.
Quando lhe perguntaram, na SIC, qual a marca que Cunhal deixa para este século, Soares respondeu:
«Nenhuma, Cunhal foi um homem do século XX e não deixou marca nenhuma para este século.»
O PCP, que eu saiba, ainda existe no XXI e, quer queiramos quer não, ainda mantém a mesma ortodoxia de raiz em Cunhal.
Cunhal deixou livros escritos, desenhos, ficção e ensaio, algo que julgo que Soares nunca fez (Soares coleccionou).
Cunhal deixou uma história de vida que com a passagem do tempo cresce de valor ao contrário da história de Soares que com o tempo se vai desgastando e perdendo a mística.
Cunhal recusou fazer uma auto-biografias porque, segundo o próprio, «sou um homem do presente, sempre virado para o futuro. No dia em que não tiver futuro e perder tempo a pensar no passado, se calhar já não tenho cabeça para isso (risos).»
Acho muito interessante que estejam todos armados em virgens no bordel, depois do que disseram sobre João Paulo II. De facto a memória é muito curta e selectiva. Eu tenho respeito pela figura de Álvaro Cunhal, que lutou e que sofreu como poucos as iniquidades da ditadura, mas também não me esqueço que se ele pudesse eu também não era livre. Fracamente acho que um bocadinho de reflexão crítica sobre o Homem não ficava mal...
Afixado por: João Gundersen em junho 14, 2005 10:53 AMMas qual é o vosso problema? Tanto Ribeiro e Castro como Mario Soares tem toda a razão.
Afixado por: goameal em junho 14, 2005 01:53 PMO de ribeiro e castro tem razão mas é desapropriado, julgo eu. É claro que todos podemos ter 90% de certeza que o Cunhal, a tomar posse, transformaria portugal numa ditadura comunista à melhor maneira de Staline.
No entanto, finda a vida, devemos recordar a pessoa pelo que ela foi e não pelo que poderia ter sido. E Cunhal, em vida, foi essencialmente um grande homem. Se pessoas como Eanes o reconhecem, então só mesmo uma geração actual que não compreende o contexto dos 40 e a falta que esse mesmo comunismo fazia para fazer frente ao fascismo na europa, é que pode hoje, à luz dos nossos dias, supor Cunhal como um monstro aberrante.
Até porque Cunhal admitiu recentemente que foi derrotado.
Mário Soares enganou-se, pela mera constatação que o PCP ainda recentemente não teve maus resultados eleitorais e que o PCP ainda é uma imagem de Cunhal. Nos outros países da Europa não existe Bloco de Esquerda. Podemos até dizer que a marca que cunhal deixa é margem para que surja uma esquerda "moderna" como o Bloco :)
Afixado por: O Bom Selvagem em junho 14, 2005 02:25 PMJulgo que foi nessa mesma intrevista q Ribeiro e Castro disse que Portugal so se tornou democrático com a constituição de 76.
Curioso,apenas o CDS votou contra.Os restantes partidos votaram a favor.
Afixado por: lmarinho em junho 14, 2005 07:21 PM
entrevista, nao intrevista
Afixado por: lmarinho em junho 14, 2005 07:23 PMentrevista, nao intrevista
Afixado por: lmarinho em junho 14, 2005 07:23 PM
Ribeiro e Castro fala verdade, mas foi muito inconveniente (que será feito das suas boas maneiras?). Mário Soares foi cruel, mas verdadeiro. Nem lhe ficaria bem ser hipócrita no momento em que desaparece o seu maior inimigo político. No fundo, acaba por ser a melhor última homenagem...
Cunhal merece todo o respeito pelo muito que fez antes do 25 de Abril, em que lutou e sofreu pelos outros sem ter necessidade disso. É um exemplo para sempre.
Afixado por: A. Castanho em junho 14, 2005 07:24 PM"sofreu pelos outros sem ter necessidade disso", como J.C., suponho. O apego à linguagem beata é fantástico. Só falta o grande pathos da paixão trágica. Mais um esforço camaradas...
(Espero pelo menos que nunca tenha tido a veleidade de sofrer por mim. Nunca mais me perdoava a mim próprio.)
Que vá em paz e não volte.
Quanto ao Ribeiro, é verdade que houve uma sequência de fait-divers com meninos já no final de uma das campanhas da antiquíssima AD. Sei que tinha o hotel Altis por cenário (sim, nessa época era o HQ da AD em noite eleitoral). Constou logo de seguida que o teriam casado à pressa. Atribulações de um tio da Lapa. Mas isso em nada retira valor ao facto de vir relembrar algumas coisas que a GRANDE MAIORIA dos portugueses não esquece. É que ainda me lembro da importância de ir votar contra ele, dos quadros vindos de dentro do PC com quem tinha de trabalhar, copycats ridículos daquela figura sinistra. Grrrrhhh!
Afixado por: Lisbondude em junho 15, 2005 03:34 AMA procura incessante da justiça e da liberdade ( quantas vezes por caminhos tortuosos, outras tantas por vias contraditórias ) é o maior legado que Cunhal nos deixou!
Quanto ao comentário " queremos viver em paz democrática... ", do Sr. Ribeiro e Castro, outrora chefe da Mocidade Portuguesa, hoje líder do CDS-PP, é de alguém situacionista que andará a sempre a reboque da História.
Afixado por: Marcuse em junho 15, 2005 11:59 AM
O pós-modernismo serôdio, na sua versão «sarcáustica», manifesta-se abertamente contra aquilo a que chama "linguagem beata" num estilo arrogante e estéril, hoje habitual em quem debita as maiores baboseiras sem qualquer noção do que diz.
Mas pode ficar descansad@, Lisbondude, que nenhum anti-fascista que se preze alguma vez lutou por este tipo de atitudes que, elas sim, não passam de modas efémeras, que não poderão nunca ultrapassar, como as figuras da estirpe de Cunhal, as barreiras do seu tempo.
Afixado por: A. Castanho em junho 15, 2005 06:36 PMQuanto às afirmações desse tal Ribeiro...nem sei ao certo de quem se trata. Lembro-me de um tal Ribeirinho...mas esse era actor e até tinha uma certa graça...Este nem isso tem.
Relativamente ao Mário Soares e suas afirmações a propósito de Cunhal e do seu registo na história do séc XX : na história portuguesa desse século ficarão registados certamente os dois. E justamente. Um pelo que fez antes da implantação do regime democrático em Portugal e outro pelo que terá feito depois. Mas na história mundial do século XX, não creio que fique algum deles. Mas isso é outra estória.
Cunhal não terá sido o "pai" da democracia e da liberdade, tal como hoje as vivenciamos, em Portugal. Mas está segura, e definitivamente, a elas fortemente ligado. Como um contrapoder, não só importante como decisivo. E o contrapoder é um factor importante na afirmação da democracia. Tal como hoje o serão esses pequenos (para já...) grupelhos de neo-fascistas que por todo o lado pululam. Tal como o será também (e oxalá que por aí se fique!) o neo-liberalismo globalizador. Por isso, Cunhal será sempre registado como um dos grandes vultos políticos do Portugal do século XX. Também por isso, e, se calhar, mesmo só por isso, muito obrigado Álvaro Cunhal.