PS, PSD e PP aprovaram, na mais rápida Comissão Eventual para a Revisão da Constituição de que há memória, uma norma transitória para que se pudesse referendar o Tratado Constitucional Europeu no nosso país. Contrariando todas as regras do bom senso, optaram por uma decisão que nega as mais elementares regras do Direito Constitucional, de acordo com as quais as normas constitucionais devem ser abstractas e gerais, fazendo uma revisão à pressa para responder a um ponto específico em vez de responder à questão de fundo: a impossibilidade de se referendarem tratados.
Uma revisão feita à pressa e com um horizonte curto de 4 meses. Isto até ontem, dia em que o referendo europeu foi para o caixote de lixo da história e que matou, por atacado, um processo de revisão constitucional marcado pela mais profunda irrelevância política.
Agora, fica por saber o que é que vão dizer estes partidos no dia 22, quando a ratificação da Revisão Constitucional for discutida no Parlamento. Uma coisa é certa. Esta gente não parec acertar em nenhuma Constituição.
P.S; Depois deste post ter sido escrito vi que o líder parlamentar do PS, Alberto Martins, reconhece que não se pode manter uma norma transitória que faz referência a um Tratado que já morreu - propondo que a referência encontrada tenha um carácter mais geral. É um bom sinal. Continua, no entanto, por saber porque andou o Parlamento a brincar às constituições há menos de duas semanas.
Mudanças quinzenais na Constituição não é, propriamente, o melhor dos sinais que se pode dar sobre o rigor com que se procede à sua alteração.
Uns desavergonhados e incompetentes é o que estes meninos deputados são!
E depois admiram-se de o Povo se alhear cada vez mais da Vida Política. Eles é que se deveriam alhear do Poder, definitivamente...
Mas a coisa está preta para esta gentinha.