Ontem um dirigente dos médicos dizia na TVI cheio de orgulho que eles eram os únicos que no campo da saúde não tinham qualquer interesse económico! Hoje um dirigente dos professores vinha dizer que a educação pela sua natureza não permitia serviços mínimos porque nunca era urgente, podia ser sempre adiada para um outro dia!
Este é realmente o país das maravilhas! Um país em que a educação pode ser sempre adiada, dizem-nos os próprios líderes sindicais dos professores que ao mesmo tempo reclamam que esta tem de ser uma área prioritária. Sempre muito preocupados com a pedagogia e os traumas dos alunos, por exemplo quando se fala da avaliação das escolas, mas que não mostram nenhum respeito pela natural ansiedade dos seus alunos em relação a um exame. É hoje, não, é amanhã, não, é outro dia qualquer, adia-se para quando for preciso! Uma maravilha pedagógica!
Este é realmente o país das maravilhas! Um país em que aparentemente os médicos trabalham de graça, e até nem vão a congressos subsidiados pelos laboratórios farmacêuticos desde que receitem um determinado volume dos seus medicamentos. Um país em que a saúde não tem custos, e cada médico, em nome da sua missão sagrada, pode gastar o que lhe apetecer porque alguém, evidentemente com interesses económicos, nalgum lado irá inventar o dinheiro!
Ninguém gosta de perder direitos adquiridos; mas e os direitos adquiridos dos desempregados aonde é que estão? Quantos não trocariam o sector privado pela segurança do sector público se pudessem? Direitos adquiridos? E os direitos adquiridos dos trabalhadores argentinos – públicos e privados – onde estavam quando a economia entrou em colapso? Portugal está a viver acima dos seus meios, e cabe a todos decidir se vamos enfrentar a realidade e ajudar a resolver o problema, ou se enfiamos a cabeça na areia e esperamos que o desastre só atinja os outros. Na Alemanha, que tem o peso económico que sabemos e está a crescer mais do que Portugal, grandes empresas e grandes sindicatos chegaram a acordo para congelar salários ou revogar direitos adquiridos; em Portugal a prioridade é manter os privilégios do sector público e subir os salários como se não houvesse amanhã!
O governo teve a coragem de tomar algumas das medidas que se impunham; claro que há sempre pontos discutíveis, mas alguma coisa tinha de ser feita. Teremos nós a coragem de acordar e do apoiar? Feito isto cabe depois o mais difícil, pensar o futuro da economia portuguesa. E aqui o governo precisava de empresários e sindicatos, fundações e universidades empenhadas em pensar o futuro, será que as vai encontrar? Duvido... Melhor é sonhar com o País das Maravilhas.
Publicado por bruno cardoso reis emÉ sempre reconfortante ouvir-se uma voz chamar as coisas pelo nome, como é o caso deste post. Sendo docente há 20 anos - em treze escolas onde pude observar toda a espécie de desvarios de toda a ordem, sempre com graves consequências financeiras para o Estado e pedagógicas para os alunos -, sinto como nunca que surgiu finalmente alguém que não se deixa ficar nas mãos de sindicalistas do mais tosco que há (uma visita aos sites dos sindicatos deixa qualquer um estarrecido com a má formação cultural desta espécie). Escusado será dizer que "a classe", como eles dizem, está em polvorosa e sente-se sitiada. A mim lembram-me o autismo da nobreza e do clero nas vésperas da Revolução Francesa perante a insolvência financeira do Estado. Argumentavam então que os seus privilégios e isenções eram inerentes à sua Ordem e necessárias à manutenção da sua condição. Esperemos que Sócrates não acabe como o Necker. Quando não...
Afixado por: Lisbondude em junho 17, 2005 07:54 PMSuponho que o modelo de resolução da crise através da redução drástica dos direitos dos trabalhadores, do desprezo pelas actividades produtivas que permita continuar a sustentar os lucros de quem nada dá ao país seja, no seu entender, uma inevitabilidade?
Pois perceba que, no entender dos trabalhadores a quem tentam extorquir, amedrontando-os com a derrocada económica, direitos pelos quais lutaram e se sacrificaram, não é.
E considera o caso argentino comparável ao português.É que não me parece que a derrocada da economia argentina tenha sido provocado pelo seu generoso sistema de segurança social.
Voltei atrás e olhei para a barra de url para ter a certeza que este era o Barnabé... Ai Barnabé, Barnabé, em que mãos andas!!!
Tenham cuidado, qualquer dia fazem concorrência ao Acidental!!!!
Não deixa te ter uma certa razão, mas, onde está o peso do aparelho estatal?
Não vai ser a cortar no vencimento dos funcionários de base que se vão encher os cofres do estado.
O governo é gordo e come muitos recursos. Ainda por cima, não sabe plantar nem colher...
:-(
Não deixa te ter uma certa razão, mas, onde está o peso do aparelho estatal?
Não vai ser a cortar no vencimento dos funcionários de base que se vão encher os cofres do estado.
O governo é gordo e come muitos recursos. Ainda por cima, não sabe plantar nem colher...
:-(
Acho que o Barnabé se descaracterizou. Os comentários deste senhor estariam, de facto, bem no Ocidental. Não se trata só da defesa do neoliberalismo, mas da forma arrogante e simplista como o faz. A liberdade é uma coisa maravilhosa: permite à equipa do Barnabé arranjar este escriba, para insultar a inteligência dos leitores deste blog; e permite aos leitores deste blog deixarem de o ler.
Eu cá não abandono, para já, a leitura, mas convinha o Rui Tavares e o Daniel beberem café e postarem mais do que uma vez por mês...
Acho que o Barnabé se descaracterizou. Os comentários deste senhor estariam, de facto, bem no Ocidental. Não se trata só da defesa do neoliberalismo, mas da forma arrogante e simplista como o faz. A liberdade é uma coisa maravilhosa: permite à equipa do Barnabé arranjar este escriba, para insultar a inteligência dos leitores deste blog; e permite aos leitores deste blog deixarem de o ler.
Eu cá não abandono, para já, a leitura, mas convinha o Rui Tavares e o Daniel beberem café e postarem mais do que uma vez por mês...
Acho que o Barnabé se descaracterizou. Os comentários deste senhor estariam, de facto, bem no Ocidental. Não se trata só da defesa do neoliberalismo, mas da forma arrogante e simplista como o faz. A liberdade é uma coisa maravilhosa: permite à equipa do Barnabé arranjar este escriba, para insultar a inteligência dos leitores deste blog; e permite aos leitores deste blog deixarem de o ler.
Eu cá não abandono, para já, a leitura, mas convinha o Rui Tavares e o Daniel beberem café e postarem mais do que uma vez por mês...
Economia? Economia não, contabilidade! São medidas para melhorar a contabilidade do país.
Economia é outra coisa.
Aliás, uma medida para poupar algum dinheiro era encerrar todas as faculdades publicas de economia. São completamente desnecessárias, a receita para resolver os problemas do páis está feita, e é sempre a mesma, não entendo qual a utilidade dos economistas deste país!
Só se for para não serem sempre os mesmos a acenar a cabeça, e fazer vénias, nas televisões e jornais!
O senhor (Doutor concerteza) Bruno Cardoso Reis é tão brilhante na sua análise, que de certeza que numa próxima revisão constitucional (penso que a ordinária será lá para 2009 mas a grandeza da medida concerteza justificará uma revisão extraordinaria) poderá ser convidado para estabelecer um calendário para as diferentes classes efectuarem greve.
Qualquer coisa do género:
Professores: Mês de Agosto
Carris/CP: Fins de Semana, entre as 0 horas e as 6h 30m
Médicos: Podem fazer greve em qualquer um dos seus dias de folga
Repartições: Fins de semana, feriadosdias úteis entre as 20h e 8horas da manhã
etc...
PS: Para os iluminados do dia, esclareçam-me esta dúvida: Quando é que os professores podem fazer greve sem prejudicar os alunos?
Afixado por: CORDEIRINHO em junho 17, 2005 11:43 PMAtenção barnabés. Tenham cuidado que ali o controleiro Almeida exige de vós nada menos que uma verdadeira sessão de auto-crítica revolucionária. Ao trabalho, camaradas!
Afixado por: Lisbondude em junho 17, 2005 11:53 PMAs leituras do senhor bruno são muito curiosas. As conclusões tiradas, então nem se fala.
Para o senhor bruno o nivelamento por baixo e pela mediocridade é que é a grande política, a política corajosa de um homem de coragem.
Quando BF legislou no sentido de tirar regalias e privilégios aos trabalhadores, "há aqui d'El-Rei" que o homem é um incompetente e fachista.
Fazes-me lembrar o génio a quem um homenzinho pediu para lhe dar o previlégio dos tomates chegarem ao chão.
O génio fez-lhe a vontade e trazzzzzzzzz cortou-lhe as pernas e os tomates rasaram o chão.
Bem te podias juntar ao Sócrates.
Ambos e dois faziam um belo par de jarras.
Leituras, cada um faz as que quer, mas pretender impingi-las aos outros é preciso desaforo.
O desaforo é uma ratazana neo-nazi querer discutir assuntos que são superiores ao seu entendimento.
A única coisa que entende é receber ordens e zurrar de alegria, como qualquer asno obediente
Afixado por: condor em junho 18, 2005 01:05 AMPela primeira vez vejo um esquerdalho a defender medidas que penalizam a classe trabalhadora.
Muitos dos que puseram esta gente no poleiro, têm o bom senso de se calar.
O senhor bruno abusa.
O desemprego aumenta, os salários baixam, os impostos sobem, o poder de compra deminui, a greve deixou de ser um direito dos trabalhadores.
Entretanto os governantes dizem e desdizem-se, passeiam-se e contradizem-se e o senhor bruno diz que o governo teve a coragem... !!! ???
Sempre pensei que nunca conheceria um calhau com 2 olhos. Afinal enganei-me.
Por que será que quando as pessoas não querem esgrimir argumentos partem sempre para o insulto. Não faço a mínima de quem seja o barnabé Bruno e já estou cheio de pena do rapaz. A levar assim com as cinzas do Álvaro. De facto a linguagem não anda muito longe do caso República. Digo eu, que já tenho idade para me lembrar dessas, e de muitas outras.
Afixado por: Lisbondude em junho 18, 2005 03:37 AMAfinal o Daniel já disse aquilo que eu vinha dizer. De qualquer modo uma frase ainda me choca: "feito isto ( as tais medidas gravosas para os trabalhadores ) cabe depois o mais difícil, pensar o futuro da economia portuguesa".
Oh, Bruno, devo ser muito parva, mas não seria o contrário? Pensar o futuro da economia e depois tomar as medidas necessárias?
Aliás quem comentou antes de mim já o disse - a culpa de haver desemprego não é de quem está empregado (ainda?) mas toda a política neo-liberal seguida. Ora pense lá.
Leio o post e os comentários e confesso que ao início me ri para depois proceder baixinho a alguns imprópérios à maior parte dos comentários a este post.
O que é bastante irritante na chamada esquerda amante dos valores sociais igualitários, de um estado empregador, e de elefantes côr-de-rosa, é a sua capacidade (repito: irritante) de sem dados factuais e sem argumentos lógicos professarem a "verdade" e o que deve ser, na sua opinião, a norma.
O engraçado é que proclamam a "verdade" e as injustiças de uma forma indignada e SEMPRE sem argumentos válidos (muitas vezes atiram para a "discussão" argumentos/estatísticas inventadas na altura)
Chegou a hora de termos um Governo com coragem e que acabe com os corporativismos dos: médicos, professores, farmacêuticos (este é verdadeiramente escandaloso), magistrados etc. etc. e que assuma simplesmente o que um Estado deve ser.
o Estado deve ser: pequeno (um estado que vale 50% do PIB é ridículo e albanês); deve, quase exclusivamente, proporciar bens públicos aos cidadãos; deve legislar e servir de árbitro imparcial nos vários mercados existentes; e deve repartir a riqueza gerada na economia. Uma das melhores formas de o Estado criar riqueza, é saír do caminho das pessoas e regular de longe a iniciativa privada (que palavras feias para o Barnabé, "iniciativa privada")
Antes de me despedir quero apenas dizer que também eu sou funcionário público (embora por pouco tempo mais) e que penso que a maior parte das visões auto-proclamadas de "esquerda" são feitas por pessoas que das três, uma: 1º Ou não têm fibra empreendedora e portanto têm raiva a todos aqueles que através de trabalho e de um salto em frente criaram (ou criam) empresas e riqueza para si próprios (que depois é repartida (palavra muito querida ao Barnabé) pela sociedade através de impostos) criando empresas que geram lucros - palavra maldita por estas bandas.
2º Simplesmente nunca pensaram que não existe NENHUM país com um modelo de planeamento central onde exista riqueza e/ou condições dignas para os seus habitantes (claro que nunca fui à Coreia do Norte portanto ainda há essa última eserança camaradas). Sem iniciativa privada e sem empresas continuaremos onde o PREC nos deixou.
3º São simplesmente pouco inteligentes.
Afixado por: Bernardo Cruz Morais em julho 4, 2005 03:48 AM