O mais grave de toda esta história, que acabou com a reimpressão de todos os jornais, não é a visão muito peculiar que Ascenso Simões tem da liberdade de imprensa. Ainda mais grave é que fica no ar a dúvida (a certeza?) de que um jornal não retira uma edição inteira das bancas por receio de um processo judicial, que teria muito poucas pernas para andar, mas antes porque sabe que é quase impossível a um pequeno título regional resistir contra a pressão do governo e dos pequenos poderes locais, como é o caso de Ascenso Simões - o todo poderoso presidente da federação socialista de Vila Real.
Publicado por pedro sales emUm cacique e uns transmontanos cagarolas.
Afixado por: abego em junho 19, 2005 03:03 AMEnganas-te, Pedro. Um pequeno jornal regional retira toda uma edição das bancas por medo de um processo judicial, sim senhor, tenha ou não ele pernas para andar.
É que os jornais regionais são empresas economicamente frágeis, por vezes empresas familiares ou pouco mais. E, ou têm um advogado amigo que os defenda na desportiva, ou simplesmente não são capazes de suportar os custos de um julgamento no insuportavelmente lento sistema judicial português. Muito antes de se chegar a um veredicto final já a maior parte dos jornais regionais abriu falência, e nesse ponto da história ganhar ou não o processo já de pouco vale.
Claro que o que dizes a seguir também é verdade. É que para além de ter de arcar com as despesas do julgamento, os pequenos jornais regionais tembém se vêm, em processos deste tipo, afectados por uma súbita e radical diminuição das receitas de publicidade, o que funciona como gasolina nas margens de um incêndio.
É por estas e por outras que temos a imprensa regional que temos: subserviente, vendida e muito pouco credível. E é por estas e por outras que alguns de nós já não trabalhamos na imprensa regional: é mais importante um angariador de publicidade com boas relações com os poderes locais do que um jornalista, em especial se for incómodo para certos senhores.
E não é que as coisas sejam assim tão diferentes na imprensa nacional...
O resto da história está no meu blog (e noutros sitios naturalmente).
Alguém com um nome daqueles não pode "bater" muito bem da mona...
Afixado por: Bart Simpson em junho 19, 2005 01:00 PMPor falar em Rui Gomes da Silva e já agora em Pedro Santana Lopes , será que já foram chamados á Judiciária, é que a noticia do Expresso sobre a manobra contra Socrates durante as eleições tem muito que se lhe diga.
Já agora a investigação não deveria ficar por aqui e deveria tentar deslindar a TRAMÓIA que implicou Ferro Rodrigues no caso Casa Pia.
Um réu já temos Adelino Salvado ex-director da Judiciária, mas de certeza que há outros, vamos a ver se actual direcção do PS só quer investigações sobre a fuga de informação do caso Freeport, porque elas atingem Socrates, e deixa cair uma vez mais Ferro Rodrigues.
Afixado por: condor em junho 19, 2005 11:45 PMTalvez fosse acertado que os autores das referências aos membro do Governo tivessem conhecido a história toda. Em Portugal a palavra ainda é importante? Se o jornal não queria de o membro do Governo fizesse a alterações que entedesse por bem antes da publicação talvez tivesse sido bom que o tivesse dito antes, no momento da entrevista. Agora, aceitar as condições e não cumprir a palavra... E V. Exas. são lestos a criticar o político e nem uma referência ao jornalistas... Estamos conversados... Na imprensa regional não se pode acreditar e dos boguistas deste "sitio" há a retirar a conclusão de que os políticos são sempre os culpados de tudo.
Fernando Silva