junho 27, 2005

Adeus Barnabé

O Bruno não me conhece, nem sequer de vista, e é por isso normal que sobre mim imagine mais do que sabe. Não saberá que não sou leninista, que não sou comunista, que nem sou sequer marxista. Provavelmente, deixei de o ser ainda o Bruno era uma criança.

Por isso, a 80 por cento do seu último texto não tenho rigorosamente nada a dizer. Apenas uma coisa: não é a primeira vez que o Bruno desconversa e responde a alhos com bugalhos. Não tenho nada contra. Cada um usa o quer e eu até gosto de provocações. Mas, aqui no Barnabé, tínhamos como hábito alguma cordialidade entre os que cá escreviam. E nunca fizemos da picardia interna a forma de nos evidenciarmos. Para isso, contribuía sermos todos amigos de longa data, apesar de termos opiniões muito diferentes. Aceito que, um pouco farto, usei a mesma técnica, sobretudo depois de um post seu sobre o que seria um governo perfeito da esquerda verdadeira.

Já me peguei aqui várias vezes com outros barnabitas, sobretudo com o Pedro e com o Celso. Nunca os tratei como compagnons de route e desde o princípio me orgulhei de fazer um blogue com eles. Com o Pedro, com quem tive e tenho mais divergências, por vezes a discussão foi acalorada. Mas há, para além da já velha e profunda amizade que nos acompanha, uma diferença em relação ao Bruno: sempre tive a perfeita consciência da mais-valia que o Pedro trazia ao Barnabé. Informado, sobretudo sobre questões internacionais, o Pedro quase sempre fez subir a qualidade do debate. Para além do mais, escreve muitíssimo bem. Por isso, quando a coisa aquecia demais, calava-me. O Barnabé não o podia perder. Mais: o Pedro assumiu as discordâncias internas sempre que assim o entendeu, mas nunca fez delas a razão de ser da sua presença aqui. Por vezes zangamo-nos. Geralmente resolvemos o que tínhamos a resolver fora do Barnabé. Vantagens da amizade. Mas, sobretudo, sempre soube que ao Pedro não movia nenhuma má-vontade em relação a seja quem fosse que aqui escrevesse nem nenhuma necessidade um pouco infantil de se demarcar a cada segundo de alguém. E que, por exemplo, sabendo que não sou comunista, nunca lhe passaria pela cabeça fingir que não o sabia e debater comigo como se o fosse.

A provocação que fiz com o paralelismo entre o Bruno e Bagão Félix, Padre Milícias e Fátima Bonifácio tinha um conteúdo: eu achar que sobre os supostos privilégios da Função Pública, sobre o papel da Igreja na sociedade e sobre a culpabilização da “nova pedagogia” por todos os males do estado da nossa Educação o discurso do Bruno era muito semelhante ao destas três figuras. Duas delas, aliás, tal como Bruno, dizem-se de esquerda. Já o Bruno limitou-se a colar-me a regimes que detesto e que já aqui várias vezes desanquei, tendo aliás recebido muitas criticas à esquerda por isso. O Bruno explica-me que a Suécia é melhor que Cuba e que a Dinamarca melhor que a Coreia do Norte. Se o Bruno alguma vez tivesse lido o Barnabé antes de cá escrever saberia que eu já tinha dado por isso. Que sou profundamente anti-castrista – fui provavelmente quem aqui mais vezes escreveu sobre o assunto –, já para nem me dar ao trabalho de discutir o modelo coreano, que apenas serve para um insulto sem sentido. Chama-se a isso má-fé.

Esclarecido isto, devo dizer ao Bruno que nunca me considerei júri de ninguém para decidir quem é de esquerda ou não, se ela é a pura, a verdadeira, a da Bayer. Limito-me a assinalar as similitudes entre os lugares comuns que o Bruno reproduz e o discurso que a direita alimentou durante três e anos e que foi, aliás, uma das razões de ser do nascimento do Barnabé. Não me interessa especialmente se o Bruno ainda acredita (não me conhecendo não faço ideia quando terá começado a acreditar) se eu sou liberal. Não sei, e durmo bem sem o saber, se ele é social-democrata ou não. Limito-me a ver com alguma perplexidade um social-democrata a fazer da sua bandeira o aumento da idade da reforma, o aumento do imposto socialmente mais cego (o IVA) e a não dizer uma palavra sobre a escandalosa fuga ao fisco que se assiste nas empresas, sobre os benefícios fiscais à banca ou, para elogiar o PS, sobre a importância de um renascimento do Rendimento Mínimo Garantido.

Mas para mim, na verdade, a questão é outra. Concordei com o alargamento do Barnabé. Parecia-me uma boa ideia. Uma maneira de aliviar um pouco os que já cá escreviam e dar sangue novo ao blogue. Não esperava, na verdade, um abandono quase geral por parte dos seus fundadores. Quem foi aguentando este barco foi o Rui. E as posições do Bruno, mais do que legitimas, ganharam um tal peso que começaram a marcar o blogue. As suas posições e o seu estilo de argumentação e de escrita. É o dele. Eu limito-me a não apreciar. Devia ter pensado nisso quando concordei com este alargamento. Não pensei e a culpa é apenas minha.

A verdade é que, lendo o Barnabé, não o reconheço. Quando pensei neste blogue, quando o fiz com quatro grandes amigos, tinha alguns objectivos. Eram os meus, não eram obrigatoriamente os dos restantes fundadores. Ao contrário do que pensaram e disseram muitos, não se tratava de fazer a propaganda do Bloco de Esquerda. Claro que, sendo eu do Bloco, há uma agenda comum. Não sou esquizofrénico. Mas isso seria pouco e pobre. Seria mesmo uma desconsideração por amigos meus. Era um pouco mais ambicioso do que isso. Era propaganda, sim. Não tenho nada contra ela. Era contra-propaganda. Contra a propaganda que, na imprensa e nos blogues, ganhava espaço. Contra o elogio da violência como resolução de todos os conflitos, que chegou mesmo a exercícios de estetização da guerra. Contra a inevitabilidade de um Império benevolente e protector. Contra a retracção do Estado Social para, supostamente, salvar o Estado Social. Contra a ideia instalada de que a perda de direitos sociais é uma inevitabilidade histórica e não uma opção política. Nenhuma hecatombe natural se abateu sobre o Ocidente que nos obrigue a deitar fora um século de conquistas. A desregulação da economia global é uma estratégia, não é um movimento natural. Se há uma esquerda que desistiu destes combates tenho todo o direito a dizer que ela está a trair a esquerda e a social-democracia com a qual, fica o Bruno a saber, me identifico.

Se quando ajudei a criar o Barnabé eram estes os meus objectivos, é normal que, quando o Barnabé passa a servir para repetir a cartilha da inevitabilidade histórica do recuo do modelo social que defendo, me sinta mal aqui. Não é falta de tolerância. Sou é pragmático. Sempre fui. Quando não escrevo para mim ou para aqueles de que gosto, e desde que deixei de ser jornalista, escrevo para fazer um combate político, que não é, grande parte das vezes, partidário (comecei a fazer política muitos anos antes do Bloco nascer). O Barnabé era para mim um espaço de opinião alternativo, que debatia com outros e se batia pela hegemonia da linguagem política e cultural. Um espaço plural, mas um espaço. Dirão: plural, mas com limites? Exactamente! Plural o suficiente para contrariar as tendência monolíticas de toda esquerda, com os limites suficientes para ser mais do que uma tertúlia. Podia ser apenas um espaço de debate. Mas não é nesse filme que me apetece estar. Se é só para repetir aqui o que se lê até à náusea em todos os jornais, de José Manuel Fernandes a Miguel Coutinho, de Pacheco Pereira a Fernando Madrinha, não imagino que interesse possa eu ter em alimenta-lo. Isso é o que faço no “Expresso”, com gosto, mas num registo diferente do que tenho aqui e até resultado do que aqui faço. Se é para mais do mesmo, que alimente o Barnabé quem acha útil faze-lo. Acho mesmo que quem discorda do Barnabé não gosta especialmente de ver este espaço transformado numa outra coisa. Chamem-me conservador.

Nunca calei ninguém. Não debato com fascistas, nem lhes dou espaço, mas nunca calei ninguém, muito menos gente politicamente civilizada e democrata, como é, obviamente, o Bruno. Mas costuma-se dizer: quem está mal muda-se. E sou eu que estou mal. Não estou incomodado, zangado ou irritado por alguém ter uma opinião oposta à minha. Estou bastante habituado a viver, nas minhas relações de amizade e até políticas, com essa realidade. Até gosto. E hão de convir que tenho, em geral, uma carapaça bastante resistente. Apenas não me apetece esforçar-me para dar tempo de antena aos que já têm tempo de antena de sobra em toda a comunicação social. Outros que o façam que o meu esforço ainda vale alguma coisa.

Assim, despeço-me do Barnabé. Adorei fazer isto. Foi mesmo das coisas mais surpreendentemente úteis que fiz nos últimos anos, se me toleram a imodéstia. Com o Rui, um dos melhores bloggers portugueses, com o Pedro, um dos “reaccionários” mais espirituosos que conheço, com o Celso, sempre leal, e com o meu enorme amigo André, de quem tenho saudades no blogue e na vida e que foi igual ao que sempre foi. Ultrapassou, ultrapassaram, ultrapassamos todas as minhas melhores expectativas. Mas ver o Barnabé definhar custa-me. Por isso, vou andando. É provável que volte à blogosfera. Se me der para aí, claro.

Publicado por danieloliveira em
Comentários

É com tristeza que leio este Post. O Daniel Olveira é parte inalienável do Barnabé, e sem ele, o blogue fica coxo. Não que os outros não postem e por vezes bem. Mas porque muitas vezes Barnabé e Daniel Oliveira eram quase sinónimos. É lamentável que vocês (Daniel e Bruno) não tivessem sabido resolver a diatribe de outra maneira. Mesmo assim, percebo porque é que o Daniel sai. Na minha opinião, o Barnabé chegou ao que que chegou por culpa em primeiro lugar dos fundadores e em grande medida do Daniel. Os cinco Barnabés começaram a desligar-se do Blogue por razões válidas certamente, mas são os primeiros responsáveis. Em especial o Daniel que depois de um ano e meio (antes das eleições) de posts sucessivos, polémicas avulsas e energia imparável, de repente eclispou-se. O Alargamento do BARNABÉ foi um erro. Não porque o Bruno e outros não sejam bons bloggers (até concordo em parte com ele), mas porque o Barnabé começou como um grupo de amigos de longa data. Faz-me lembrar aquelas bandas punk rock de 5 putos que começam na garagem do Tó Quim, num ambiente fumarento e que passados uns anos decide incluir trompetistas, organistas, umas meninas para o coro e mais uns tipos para os jambés. Passado uns tempos, já nem é punk nem rock nem o raio que o parta. E depois o letrista e compositor chateia-se e baza. Se diziam que o Daniel Oliveira tinha sido a Yoko Ono da Coluna Infame, agora deempenha o papel de quem? Do Vítor Rua? E o Bruno Cardoso que ser quem? O rUI rEININHO? Ao menos que fique o Alexandre Soares (Rui Tavares que já agora é o meu Barnabé preferido).
Chamem a polícia que isto já deixou de ser o Grupo Novo Rock de esquerda.
Por falar em esquerda, é com pesar que observo que quem lidera a blogosfera do ponto de vista é a direita liberal. E há tanto para discutir à esquerda...

P.S. Obrigado Daniel pela verbe, pela pena aguçada e pela acutilância. És um dos heróis da blogosfera (sem ironia). Espero ver-te a bloggar em breve.Quanto aos outros se tiverem forças continuem. Serei comos empre um leitor assíduo e atento.

Afixado por: Santos em junho 27, 2005 10:54 AM

Amigos, vão beber umas bejecas geladinhas na esplanada da FCSH e depois tentem resolver o conflito numa matraquilhada a dinheiro; se ainda continuarem às turras, encontrem-se num descampado, apadrinhados pelos respectivos amigos e resolvam a coisa ao tabefe. Mas não comecem a debandar.
Isto faz-me lembrar uma outra história, onde a resposta de um certo Pereira Coutinho ao Daniel (que volta e meia escrevia no BdE) ditou o fim da Coluna Infame. Não cometam o mesmo erro, e sobretudo, não se levem demasiado a sério, que a vida são dois dias. Um abraço, com desejos que contem muitos e muitos anos (ou pelo menos, mais um)

Afixado por: Paulo Pereira em junho 27, 2005 12:01 PM

Pelos vistos, repete-se a história da Coluna Infame. E, com esta birra parva, o Daniel Oliveira mostra uma vez mais que é uma versão de esquerda do João Pereira Coutinho, igualzinho a ele na estreiteza de espírito e na intransigência. Apesar de ser o mais prolífico e o mais bombástico dos Barnabés, foi sempre o menos interessante do grupo. O Bruno Reis merecia uma medalha pelo post do Lenine, que o definia na perfeição.
De qualquer maneira, acho, de facto, que o Barnabé já não faz grande sentido como está. Quando apareceu, juntava esquerdistas moderados e radicais, unidos na altura pela oposição ao governo PSD-CDS e à guerra do Iraque. Agora, com Sócrates a primeiro-ministro e o tema do Iraque estafado, os dois grupos já não têm muito em comum e o blogue parece mais um albergue espanhol do que outra coisa.

Afixado por: Andre Murteira em junho 27, 2005 01:05 PM

É uma pena, é um bocado rídiculo, era de esperar. Duvido que haja muita gente que viesse aqui para ler o BCR. Só espero que o Daniel e o Rui Tavares juntem os trapinhos noutro blogue que a direita deteste.

Afixado por: GoncaloP em junho 27, 2005 01:08 PM

Com a admissão (incondicionada por estatuto editorial ou algo parecido) do Bruno, este, uma vez aceite no grupo de redactores do Barnabé, passou naturalmente a ter todo o direito de dizer livremente o que pensa podendo até chamar nomes politicamente feios ao Daniel sem que com isso estivesse a infringir quaisquer regras ou normas internas (que como sabemos não havia nem há).

O abandalhamento e a descaracterização do Barnabé constitui, pela enésima vez, uma lição para os democratas ingénuos que acham que o exercício da liberdade não carece de enquadramento por um conjunto de regras, mínimas que sejam, podendo (ou devendo) antes pautar-se apenas pelo livre arbítrio.

Vou sentir a falta do André, do Daniel, do Pedro e do Rui aqui na blogosfera. Espero lê-los brevemente noutro espaço.

Afixado por: Salmoura em junho 27, 2005 01:09 PM

O Daniel acaba como começou, defendendo as piores ideias e os piores conceitos democráticos, mas foi também isso que me fez considerá-lo um dos meus três bloguers favoritos (os outros dois gostam tanto dele como eu, mas não querem que se saiba ;) ).
Gostei do Daniel logo desde os primeiros escritos (foi mesmo amor à primeira vista :) e acho que vou continuar a gostar ainda mais, especialmente, quando ele se inscrever no PS, talvez com António Costa. Acho que tem muito talento e tem boa figura, o problema são as ideias, mas isso, como ele melhor que ninguém sabe, conta cada vez menos. vai andando por aí, pá.

Afixado por: Real em junho 27, 2005 01:25 PM

Tenho pena,pá, tenho pena.
Daniel, t'ás oficialemente convidado a blogar no "Propriedade Privada". Diz quando queres comecar...

Afixado por: Bart Simpson em junho 27, 2005 01:52 PM

E este, ou muito me engano, ou eh o ultimo post do Barnabe. A morte de uma esquerda anunciada.

Afixado por: Luís em junho 27, 2005 01:52 PM

DANIEL ÉS UM COBARDE.

Se eu convidar alguem para minha casa e esse alguem se tentar apoderar do que é meu, eu não fujo deixando-lhe os meus pretences, luto por eles , e expulso o intruso.

O Barnabé é teu , é por ti que nós cá vimos, se a imagem do Barnabé se achincalhou com o Bruno, só há uma maneira , convidar o Bruno a procurar outras paragens, sei lá o Acidental, ou o Blasfèmias que ele gosta de citar.

O teu abandono é um sinal de fraqueza , que digo-te não esperava de ti.

Estamos sempre a aprender.

Afixado por: condor em junho 27, 2005 01:57 PM

Os portugueses em geral confundem a diferença de opiniões com incompatibilidade. Mais uma pesada herança do fascismo, provavelmente. Assim só aprendem a argumentar quando falam para dentro das respectivas capelinhas. Quando surge alguém a pensar de modo diferente partem logo para o insulto, para a arruaça e preferem bater com a porta. What a pity!

Afixado por: Lisbondude em junho 27, 2005 02:30 PM

Porque sera que a extrema esquerda tem extrema no nome?
Porque se sente desconfortavel com a pluralidade, porque se sente traida por toda a esquerda que pensa para fora e nao para dentro, e tambem porque a "coerencia" de Cunhal e uma "qualidade" muito apreciada por essas bandas.

Afixado por: FV em junho 27, 2005 02:44 PM

Confesso que tenho muita pena, o camarada Daniel é o maior comediante da blogosfera portuguesa. O Barnabé já estava moribundo agora está morto e enterrado.

Afixado por: fidel em junho 27, 2005 02:51 PM

É pena o abandono e é pena o desfalecer do blog, estarei atento a uma eventual nova moradia virtual do Daniel.

Afixado por: João Dias em junho 27, 2005 02:54 PM

Tenho pena, Daniel.
Não conheço nenhum dos dois, e falo portanto apenas com base no que escreveram aqui no Barnabé.

O discurso do Bruno pautou-se, em todos os posts que me dei ao trabalho de ler, por uma grande indelicadeza para com todos os que discordavam dele. Mostrou quase sempre ignorância nos assuntos de que fala. Assim não há debate possível.

E é pena que entre os dois seja quem deu lugar ao bom debate a sair. Para mim, que estou fora do país, o posts do Daniel eram um dos meios que me permitem obter as informações que os meios de comunicação não divulgam, ou deformadam.

Afixado por: Helena Romao em junho 27, 2005 03:11 PM

É com tristeza que leio sobre a saída do Daniel e espero sinceramente que ele reconsidere, até porque, caso contrário, é a morte anunciada do barnabé. O Daniel é sem dúvida um dos melhores humoristas nacionais. Muito me ri à sua conta neste blog. Alguém que advoga a tolerância mas que não tolera nada nem ninguém, e para quem todos os outros são fascistas. É claro que ninguém o levava a sério, mas para nos fazer rir há poucos como ele. Volta Daniel, o Barnabé precisa de ti. Expulsa antes o Bruno, ele é um
fascista do PS, aliado dos liberais e do patronato na luta de opressão contra os trabalhadores.

Afixado por: The Studio em junho 27, 2005 03:26 PM

A esquerda unida jamais será vencida !!!!
Pois é. O mal deste país é que há demasiadas esquerdas.
Esquerdas maoístas, m-l, renovados, reconstruídos. Parece que agora arruinados. Abaixo o fascismo, abaixo o social-fascismo.
Pois é, não tardam estejam abraçados ao camarada Durão.
Vivam os renovadores, desaparecidos, apagados, afogados no temporal, no turbilhão, das dúvidas e das traições.
VIVA O PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS.

De qualquer modo vocês fazem falta. Vão ficar muito tremidos na fotografia. Ou então já têm destino traçado: um lugarzito no parlamento junto do PSD.


Afixado por: jose ferreira em junho 27, 2005 03:58 PM

Já ouviram falar da liberdade de associação? As pessoas juntam-se em torno de objectivos comuns. Quem está mal, muda-se, Amigo não empata amigo. Hão-de me dizer o que é que sobra hoje do blog que nasceu para fazer oposição ao Durão e Santana...

O Barnabé não morreu agora. O Daniel só nos deu a notícia.

O Barnabé morreu quando foi utilizado para a campanha do PS para as legislativas e quando uma parte dos seus comentadores passou a achar inevitável a mesma política que andou anos a criticar. Lembram-se da canção?

Eu e tu o que é que temos de fazer?
Talvez Poder. Talvez Poder.

De qualquer forma vai ser bem triste ver o Barnabé - que já foi uma casa plural de ilustres escribas - apodrecer ao som das piadas de caserna e sermões mainstream do Bruno Cardoso Reis. Vai ser triste para quem se sujeitar, bem entendido. Eu cá até preciso de arranjar espaço nos meus "favourites".

De qualquer forma, foi um prazer. Fico com o vosso livrinho, as minhas gargalhadas e as nossas lutas.

Afixado por: critic em junho 27, 2005 04:19 PM

Previsivel... paz á vossa alma!

Afixado por: Paulo em junho 27, 2005 05:00 PM

Temos que começar a esforçarnos por:
1-Por discordar não é preciso gritar.Não se é suspeito de covardia se for em voz baixa.
2-Para concordar não é preciso ser em surdina.Não se é suspeito de pucha-saco se for em voz alta.
3-Da discussão serena sai a civilização.Embora concorde que de vez em quando são necessárias uma marretadas para calar os alucinados.
4-Vale o que vale a minha opinião: não gosto particularmente nem de um nem de outro.
5-Convinha entenderem-se, pois a blogosfera, agora mesmo, está a encher-se daqueles democratas que acham que isto é a prova da impossibilidade da convivência democrática.

Afixado por: C.Indico em junho 27, 2005 05:08 PM

Era fixe voltar a ver a dupla Rui/Daniel noutro sitio qualquer. Vocês 2 fazem falta e são fantásticos juntos.

Afixado por: Jean-Luc em junho 27, 2005 05:28 PM

Nos tempos que correm continua a ser absolutamente indispensável a existência de um Barnabé. Meus senhores (Daniel e Rui), façam favor de cumprir o vosso dever de cidadania. Este país está a ficar muito mal frequentado é, pois, preciso que haja alguém que faça a sua denúncia e discuta o que é importante ser discutido.
Fico à espera que o Daniel e o Rui se juntem e que em breve tenhamos novidades.

PS - posso saber o que pensam fazer aos arquivos?

Afixado por: Cecilia em junho 27, 2005 06:16 PM

É uma pena...que estas pessoas são as que depois aparecem nos canais de televisão e nos jornais. O bloco de esquerda aparece com a sua embalagem renovada mas, no fundo, é igual ao PCP. Os "barnabitas" já deviam ter criado uma regra que permitisse expulsar os renovadores. Assim, nada disto acontecia.

Afixado por: GM em junho 27, 2005 06:20 PM

É uma pena...que estas pessoas são as que depois aparecem nos canais de televisão e nos jornais. O bloco de esquerda aparece com a sua embalagem renovada mas, no fundo, é igual ao PCP. Os "barnabitas" já deviam ter criado uma regra que permitisse expulsar os renovadores. Assim, nada disto acontecia.

Afixado por: GM em junho 27, 2005 06:20 PM

Olha, Daniel, felicidades. Apesar da diferença de opiniões, não há nada melhor que uma boa discussão. Poderás tentar outras paragens, como o Bicho Carpinteiro...

Afixado por: Pedro Oliveira em junho 27, 2005 06:35 PM

Estou de acordo com o Daniel.
Quantos visitantes teria um Blog feito desde o seu início por blogers como o BCR e companhia?
Emprestaram-lhes a chave e fizeram-se donos de um projecto que nunca seriam capazes de construir. Afinal, este pessoal defende na prática aquilo que é a sua ideologia – a legitimidade da apropriação da mais-valia produzida por outros.
O Barnabé era um projecto com preocupações sociais e foi tomado por gente cuja única preocupação é o seu umbigo, o seu ego, a sua carreizinha. Gente que se dá muito bem lá para os lados do PS. Partido do governo com distribuição de tachos volta não volta, ou seja céu na terra, para malta que quer subir na vida, à custa do pulso dos outros.
O Daniel recorreu à única alternativa possível nesta situação, GREVE.
Vamos ver de que é que esta malta é capaz

O Barnabé morreu, Viva o Barnabé.

Afixado por: JAGabriel em junho 27, 2005 07:27 PM

Estou de acordo com o Daniel.
Quantos visitantes teria um Blog feito desde o seu início por blogers como o BCR e companhia?
Emprestaram-lhes a chave e fizeram-se donos de um projecto que nunca seriam capazes de construir. Afinal, este pessoal defende na prática aquilo que é a sua ideologia – a legitimidade da apropriação da mais-valia produzida por outros.
O Barnabé era um projecto com preocupações sociais e foi tomado por gente cuja única preocupação é o seu umbigo, o seu ego, a sua carreizinha. Gente que se dá muito bem lá para os lados do PS. Partido do governo com distribuição de tachos volta não volta, ou seja céu na terra, para malta que quer subir na vida, à custa do pulso dos outros.
O Daniel recorreu à única alternativa possível nesta situação, GREVE.
Vamos ver de que é que esta malta é capaz

O Barnabé morreu, Viva o Barnabé.

Afixado por: JAGabriel em junho 27, 2005 07:27 PM

Santa paciência... só falta o Rui Tavares sair!

Se é para aturar birrinhas por parte do Daniel e textos primários e desprovidos de argumentos inteligentes por parte do Bruno Reis, então vou deixar de vir ao Barnabé.

Se é verdade que o Barnabé já não é o que era - muito por culpa da mediocridade do Bruno Reis, diga-se -, o Daniel escusava de deixar o blog de forma tão melodramática como se estivesse a pedir: "POR FAVOR! EXPULSEM O BRUNO!".

Enfim, fiquei ainda mais desapontado - se é que isso é possível - com o Barnabé que foi, em tempos, o melhor Blog português.

Afixado por: André Militão em junho 27, 2005 07:44 PM

Francamente, estou de acordo com o Daniel numa coisa, este Blog está muito mau e muito por culpa da mediocridade do Bruno Reis. No entanto, acho indecente a forma melodramática como o Daniel se despede. Quase parece dizer: "POR FAVOR! EXPULSEM O BRUNO!"

Afixado por: André Militão em junho 27, 2005 07:49 PM

O Barnabé já foi, para mim, o melhor blog português. E graças, na minha opinião ao Daniel e ao Rui.
Mas já há muito que tinha vindo a perder o fulgor que não reconquistou com o alargamento aos novos bloggers.
Fico um pouco decepcionado, mas não muito, não mais do que quando deixei de ler o Daniel em itálico no Blogue de Esquerda.

Até amanhã, camarada.

Afixado por: Pedro Farinha em junho 27, 2005 08:13 PM

fico à espera de o reencontrar.
abraço

Afixado por: xc em junho 27, 2005 10:00 PM

Bruno, amigo, que tal uma coluna no expresso?

Afixado por: Alfredo Vieira em junho 27, 2005 10:42 PM

Provávelmente foi o melhor blogue que conheci. Graças á irreverência do Daniel,e não só, um dos motivos para a minha visita ao blogue.
Como já alguem disse, o espaço para os favoritos estava a precisar de ser limpo.
Fiquem bem , blogues como este está a ficar há por aí muitos.
Vou para outras paragens que me dêm mais gozo.

Afixado por: ze.nabo em junho 28, 2005 05:00 AM

Os amantes do sensacionalismo e das tiradas bombásticas que me perdoem, mas a seriedade intelectual do Bruno Cardoso Reis ergue-se muito acima do espalhafato oco e prepotente do Daniel Oliveira.
Daniel Oliveira não tem ideias - tem "bocas foleiras". Afirma-se de esquerda e crê por isso ter a superioridade intrínseca que outrora os fidalgos atribuiam a si mesmos. Julga que detém o monopólio do bom-coração e do porreirismo. Um autêntico cátaro.
Daniel, deixe de ser bonzinho no abstracto. Vá trabalhar como voluntário para os bairros degradadados ou para o terceiro mundo. Ofereça parte substancial dos seus rendimentos a instituições filantrópicas. Por uma vez na vida, demonstre na prática, e não por meia-dúzia de farroncas verbais, que é uma pessoa tão solidária quanto insinua ser.
Sérgio de Atrozela.

Afixado por: Sérgio de Atrozela em junho 28, 2005 10:08 AM

- Faz mal Daniel!... Todo este tempo de luta e dedicação literária ao Barnabé, para se transformar no "Adeus" dum conformista desolado.

- Daniel!!! Acorde!!! Voçê é um BARNABÉ!!!... E com orgulho!!!

Afixado por: s-o-v-i-e-t em junho 30, 2005 12:34 AM

Daniel não abandone o barnabé por favor...O barnabe sem si nao vai ser a mesma coisa.
deixe-se de coisas e volte já para o barnabé.
IMEDIATAMENTE.

Afixado por: analopes em junho 30, 2005 03:43 PM