Como sabes, escrevo de longe e daqui não vejo bem a campanha. Mas sinceramente não percebo por que raio é que a ausência de conteúdo e o nacionalismo bafiento dos outros há-de absolver o Bloco de críticas políticas com conteúdo.
Publicado por andrebelo em | TrackBackNão absolve, se a critica não for enviesada. Quando o "lhes", que obviamente se dirige ao governo e à direita é transformado num "lhes" que seriam todos os políticos, deixamos de estar numa discussão séria, ela mesma demagógica. Podemos discutir o gosto do cartaz, mas trorcar-lhe as voltas é outra coisa. E trocar-lhe as voltas conscientemente já é só má-fé. E agora vou para fora de Lisboa outra vez.
Afixado por: Daniel Oliveira em junho 8, 2004 11:05 AM"E agora vou para fora de Lisboa outra vez".
Que maçada, não é daniel ? ;)
Entre o "cantinho à beira mar plantado", o "novos mundo ao mundo" e a frase de José Luís Arnaut na inauguração do estádio municipal de Leiria, "sinto-me sempre bem quando venho à província", é esta última que te apaixona, não é ?
O «lhes» é indeterminado e permite por isso interpretações diversas. A meu ver, a interpretação mais comum será a de que «eles» são essa entidade indeterminada e vaga dos «gajos», «os políticos». Essa impressão é reforçada pela imagem literalmente trauliteira do cartaz, uma vez que o discurso trauliteiro é predominantemente anti-políticos em geral. Faz, de resto, algum sentido que assim seja, porque quem está contra os políticos em geral tem um discurso exclusivamente negativo - «bater» - ao passo que quem está contra o governo tem em mente alguma alternativa.
Realmente, o cartaz é infeliz. Penso que extrapolar das minhas observações críticas alguma «má-fé» não é boa ideia. Não é novidade para ti, Daniel, que gosto de pensar pela minha cabeça, independentemente do que tu possas considerar mais «oportuno». A discussão é leal, e por isso não tem sentido atribuir-me má-fé.
Ivan,
Rápido porque estou de partida. Claro que sei que gostas de pensar pela tua cabeça, assim como eu gosto de pensar pela minha. E sei que pensas bem. E desulpa, mas neste caso não acredito (a culpa pode ser minha) que não tenhas entendido o destinatário do bater (o conteúdo da campanha). Até porque o cartaz está envolvido numa campanha geral que tem o governo como alvo. Desculpa, mas não acredito.
Afixado por: Daniel Oliveira em junho 8, 2004 05:04 PMDaniel,
Olha, e eu não acredito que quem fez o cartaz não tivesse reparado que a imprecisão do «lhes» era susceptível de reforçar a retórica anti-políticos - e com essa boleia eventualmente ganhar uns votos. O cartaz tem muito mais visibilidade que a caravana em que tu andas e eu não acredito que não tenham pensado nisso.
Prontos é assim: em vez de estarmos a discutir as interpretações possíveis do cartaz e as suas consequências, ficamos a discutir as nossas convicções íntimas sobre as intenções do parceiro. Boa viagem.
Ivan, podes bem acreditar que quem fez o cartaz não vislumbrou essa leitura arrevesada. E não consigo entender como poderia um partido com assento no parlamento e posição mais que interior ao sistema querer ganhar uns votos "à boleia" de um ataque generalizado aos políticos.
Estava a ser irónico. O que queria dizer é que aquilo que eu acredito ou que vocês acreditam sobre as intenções de cada um é arbitrário e por isso irrelevante.
Afixado por: Ivan Nunes em junho 9, 2004 10:59 PM