junho 29, 2004

As escolhas de Sampaio

1ª - O Presidente da República aceita já a imposição de Santana Lopes. Trata-se de um governo de ruptura e que nem faz o pleno da maioria. Santana será quem mais instabilidade política causará, durante mais tempo. A oposição e parte do PSD nunca aceitarão a legitimidade de Santana como primeiro-ministro. Esta solução terá de ser sufragada por um congresso do PSD, com o risco evidente de ser chumbada, criando uma crise política sem solução.

2ª - O Presidente da República escolhe Manuela Ferreira Leite (a mais impopular ministra deste governo) ou outro primeiro-ministro de continuidade. Será um governo fraco a dirigir uma política impopular. Dificilmente durará até ao fim da legislatura, até porque são de prever relações difíceis com o CDS/PP. Sendo esta solução mais legitima do que a anterior, ela será difícil de levar até ao fim. Esta solução também terá de ser sufragada por um congresso do PSD, com o mesmo risco. Esta é a mais improvável das situações. Neste momento, na verdade, tudo se joga entre Santana e eleições antecipadas.

3ª - O Presidente da República espera por um novo Congresso do PSD, até que ele escolha um novo líder. Além da inaceitável situação de pôr o país inteiro a aguardar um congresso partidário, esta é a solução que deixa o poder entregue a lutas intestinas de um partido e que mais custos terá para a economia portuguesa. É a pior de todas as soluções.

4ª - O Presidente da República marca eleições antecipadas. Mantém um governo de gestão durante quatro meses. Daqui a quatro meses há eleições e temos um novo governo, com legitimidade democrática. É a solução mais rápida e politicamente mais clarificadora. É aquela que garante maior estabilidade política.

5ª - A mais provável: o Presidente da República ganha tempo. É a sua especialidade: chutar para canto. Põe Manuela Ferreira Leite à frente de um governo transitório, enquanto ouve toda a gente e sofre de angústias existenciais. Objectivo: não passar a ideia de que não tem autonomia face às exigências de Durão. Se optar por este solução, Sampaio paralisa o país. O governo pouco poderá fazer. As lutas internas no PSD tomarão conta da maioria. Neste caso, teremos razões para acreditar que está posta de lado a possibilidade de eleições antecipadas. Esta solução não põe de lado a escolha de Santana Lopes.

Escrevo este post antes de ouvir Durão Barroso.

Publicado por danieloliveira em | TrackBack
Comentários

Eu ainda tenho esperanças que Sampaio mude de opinião e obrigue a realização das eleições antecipadas. Mas para isso é preciso a mobilização de quem está descontente.
Hoje Às 19h no local do costume lá estaremos.

Afixado por: cachucho em junho 29, 2004 01:15 PM

Caro Daniel, não entendi o que pretende dizer com "Trata-se de um governo de ruptura e que nem faz o pleno da maioria" caso seja o nome de Santana Lopes o indigitado para suceder a Durão Barroso no cargo de 1ºministro.
Quando refere que uma parte do PSD nunca aceitará a legitimidade de Santana, bem, convém saber que parte é essa do PSD e se será assim tão significativa. Não vamos pelo peso dos nomes, que cada nome corresponde apenas a uma pessoa.
A esmagadora maioria das bases do PSD estão com Santana Lopes. Como aliás têm estado. Não ignoremos esse facto. As bases não têm o nome nem a projecção de um Pacheco Pereira, de um Marcelo Rebelo de Sousa, de um Miguel Cadilhe, é certo, mas são eles também o PSD e a esmagadora maioria, repito, estará com Santana Lopes. Claro, há uma parte do PSD que não estará de acordo com a solução, mas se for essa a apresentada, até pelo bem do país, irão acatá-la. Caso contrário, e caso Sampaio justificasse a escolha de eleições antecipadas motivada por desentendimentos dentro do PSD, considero que os causadores dessa instabilidade (os que não aceitam a sugestão de Durão Barroso) dificilmente serão desculpados pelas bases do partido.
Não sou um entusiasta de Santana Lopes, mas dou-lhe o benefício da dúvida. Não sou um entusiasta de eleições antecipadas, porque considero que, neste momento, o país não pode ficar durante 4 meses a gestão corrente, sem decisões e sem preparação de um orçamento que deverá ser apresentado em Outubro e as soluções devem ser encontradas no seio da maioria parlamentar eleita em 2002.
Defendo que uma legislatura é para ser levada até ao fim. O bem estar futuro do país deve estar acima dos interesses partidários.

Afixado por: Direitinho em junho 29, 2004 01:27 PM

Direitinho, então explique-me lá como é que ele nunca conseguiu ganhar um congresso.

Afixado por: Daniel Oliveira em junho 29, 2004 01:28 PM

Direitinho, o País está à 2 anos e meio em gestão de corrente, sem decisões relevantes para o BOM funcionamento do País, não sei qual o problema de estar assim mais 4 meses.

Afixado por: cachucho em junho 29, 2004 01:38 PM

Apoiado, Cachucho.

Afixado por: a costa em junho 29, 2004 01:52 PM

Caro Daniel...deve saber tão bem quanto eu que os Congressos partidários não expressam os sentimentos das bases, frequentemente. Pelo menos, os do PSD e os do PS. Os delegados ao congresso são os representantes das bases, na teoria...e na prática, acha que sim?
Caro Cachucho, o seu comentário não tem fundamentação possível e digo-lhe porquê:
foram efectuadas reformas por este governo que o governo anterior não teve coragem de tomar e que eram mais que necessárias.
Cachucho, acha que se algumas das dolorosas medidas que este Governo se viu na obrigação de tomar, não tivessem sido tomadas, o país estaria melhor? Se tivessemos sido penalizados pela UE por não cumprirmos o PEC estariamos melhor? Já viu a conjuntura internacional que acompanhou os governos de Guterres e a que acompanhou a do governo de Durão? Sabe que somos uma economia aberta e muito dependente dessa conjuntura para que haja crescimento económico, certamente.
Acredita que os socialistas teriam tido maior capacidade para lidar com os problemas que se colocaram ao país nestes 2 anos?
Sim?
Se a sua resposta for positiva, explique-me porque razão Guterres fugiu às suas responsabilidades e o PS não quis apresentar nova solução governativa em resposta ao convite do Presidente da República.

Afixado por: Direitinho em junho 29, 2004 02:05 PM

Estou farto, farto, farto dessas tretas das 'dolorosas medidas'. É a maior mentira que pode ser dita, e querem ver se dita muitas vezes se torna verdade.

Essas medidas só são dolorosas sempre para os mesmos (classe média / trabalhadores por conta de outrém). Vão ao Conselho de Administração de uma qualquer PT ou EDP ou de um banco qualquer falar de 'medidas dolorosas'... Aí é mais 'medidas saborosas'. Pudera : mão de obra a preço de saldo, lucros cada vez maiores e IRC mais baixo.

De uma vez por todas, esta política da tanga mais não é que uma forma de redistribuição de riqueza decalcada de há 40 anos atrás, levada a cabo com competência por um Robin Hood invertido, que rouba aos pobres para dar aos ricos. Chama-se 'política de concentração de poder e riqueza'.

Afixado por: RP em junho 29, 2004 02:13 PM

muito gostava eu de saber se terias a mesma visão do problema com umas sondagens a darem maioria ao eixo psd/pp...

Afixado por: armando em junho 29, 2004 02:17 PM

Direitinho, nada lhe permite afirmar que as bases do PSD estão com Santana Lopes. Quem está com Santana Lopes são os manda-chuva locais, estilo Alberto João Jardim e Luís Filipe Menezes, os quais basicamente só querem uma coisa: que o governo abra os cordões à bolsa e os deixe fazer betão. Para que possam continuar em alegre convívio-corrupção com os construtores civis. Esses, sabem que Santana Lopes é o homem deles. Mas estes manda-chuva locais não representam, forçosamente, as bases do PSD. Nem os votantes no PSD.

Santana Lopes, dizem os noticiários, tem "o aparelho do partido" com ele. Pois tem. Mas, o aparelho do partido não é o partido. Sobretudo num partido, como o PSD e o PS, cujo cerne é o negócio.

Afixado por: Luís Lavoura em junho 29, 2004 02:17 PM

Pessoal, este momento é histórico: o Direitinho acabou de admitir aqui, clara e inequivocamente, que o PSD não tem democracia interna! :)

Afixado por: Jorge em junho 29, 2004 02:53 PM

O PSD é intrinsecamente democrático, e isso ninguém pode negar: em que outro partido os debates são tão abertos e frontais?
O problema é que o PSD não é um partido, mas sim -na prática- uma federação de grupos ideologicamente contínuos, mas em que no qual, da ponta esquerda à ponta direita, vai uma graaaande distância...
E se a ala esquerda do PSD se quer livrar já do PP (mesmo que o preço seja só voltar para o Governo daqui a 4 anos), a ala direita quer manter a coligação e liberalizar o (que resta) do país.

Afixado por: Nuno SS em junho 29, 2004 03:12 PM

A hipótese nº 4 é obviamente a mais sensata e desejável, até porque nela [temos um novo governo com legitimidade democrática] o Daniel já prevê uma maioria absoluta do PS.
Portanto, caros direitinhas não se apressem a vir com o fantasma da frente de esquerda bloqueadora de uma governação reformista à esquerda, porque o Daniel já afastou esse cenário.
Mas acho que o Sampaio vai tomar a 1ª hipótese, inspirado na 5ª. E demonstrar o que sempre foi politicamente - um fraco.

Afixado por: Real em junho 29, 2004 03:20 PM

EU TENHO MEDO DO SAMPAIO E DAS SUAS INDECISÕES. PONHAM UMA VELINHA A UMA SANTA QUALQUER. PODE SER SANTA MARIA DE BELÉM !!!!!!!!!!

Afixado por: josé antónio fonseca em junho 29, 2004 03:32 PM

Caro Luís Lavoura, tudo me permite dizer k a esmagadora maioria das bases do PSD apoiam a opção Santana Lopes. Creia que Pacheco Pereira, Manuela Ferreira Leite, Marques Mendes ou Marcelo Rebelo de Sousa não representam as bases. Lá que goste mais do que eles possam estar a argumentar neste momento, não julgue que as bases estão a concordar. Sabe, é que as bases não entram neste jogo de invejas e de rivalidades e inimizades. As bases são alheias a estas tácticas palacianas.

Afixado por: Direitinho em junho 29, 2004 04:00 PM

Caro Jorge, para mim o momento histórico é você ainda não ter percebido que nos partidos políticos a democracia interna é muito relativa. Mas quem quiser ir acreditando no Pai Natal...

Afixado por: Direitinho em junho 29, 2004 04:04 PM

Direitinho, o que eu percebi ou deixei de perceber, você não tem qualquer hipótese de saber pelo que eu escrevi. O que eu sei é que constantemente se afirma que "o PSD é um partido intrinsecamente democrático". Veja-se o Nuno SS para um exemplo prático.

Quanto à democracia interna dos partidos, isso é conversa longa e que não pode tomar todos os partidos como se fossem o mesmo. Não cabe numa caixinha de comentários.

Afixado por: Jorge em junho 29, 2004 04:19 PM

Ainda falta a solução genuinamente sampaiana: aceita santana e antecipa as eleições para 05!!!! O genuíno nim deste Presidente que à força de querer ser o de todos os portugueses acaba por trair quem o elegeu!!! Lamentavel pensar que Freitas do Amaral respeita mais a consulta popular que Sampaio.

Afixado por: ml em junho 29, 2004 11:20 PM
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