Vista de longe, a crise política provocada pela ida de Durão Barroso para a Comissão Europeia parece ter tido um — um só — mérito: pôs a opinião pública portuguesa a discutir a Constituição e o sistema político que temos. A longa duração da tomada de decisão de Sampaio, tão mal gerida, permitiu o mesmo. É de sublinhar a clareza com que esse debate decorreu (falo do debate, não de outras coisas que marcaram a luta político-mediática). Duas leituras diferentes do mesmo texto constitucional emergiram consensualmente como as únicas possíveis — facto que o presidente reconheceu no discurso em que anunciou aos portugueses a sua decisão — e foi em torno delas que a discussão, inteiramente política, se estruturou. Com isto, lembrámo-nos todos de que a Constituição existe, que tem um conteúdo que tem consequências políticas práticas sobre as escolhas em democracia, que a sua leitura não é consensual, que o presidente da República e o Tribunal Constitucional não têm o monopólio da sua interpretação. É a diversidade de leituras de que ela é alvo, em conjunto com a prática política, que lhe dá sentido. Daí a importância de os dignificar, texto e práticas. Como disse Nanni Moretti: «Somos moderados. Gostamos da Constituição».
Publicado por andrebelo em | TrackBackci piace? sei pazzo?
Afixado por: haja pachorra em julho 12, 2004 11:59 PMPois é. a "diversidade de leituras" é que é o diabo!
Também na América já se fala em emenda da Constituição para poder adiar ("sine die"?) as eleições de Novembro,caso haja um atentado terrorista.
E pode mesmo haver um atentado! Caso a Constituição tenha sido emendada a tempo, por que não?
outro dia ouvi dizer que predominantemente os mais pobres votam no ps.
então eu pensei , burro e pobre como sou, para o ps e o pc quantos mais pobres mais votos !
se houver mesmo muitos pobres o ps ganha a maioria.
viva a pobreza bamos comelos
Deus Vitorino expilica pra mim ?
Afixado por: Afonso Henriques em julho 13, 2004 02:18 PM