O "tour" deste ano teve ontem a sua etapa mais espectacular desde o início. Nunca liguei muito ao ciclismo, mas agora gosto de ver. Para quem gosta de uma boa competição, não há dúvida de que se trata de uma corrida espectacular, sobretudo as etapas de montanha. Todos os anos lá vem Lance Armstrong ganhar nas barbas dos franceses. Que se resignam, porque ele é de facto o melhor. Ajudado por um português humilde, esforçado, discreto e fantástico: José Azevedo. Este corre na equipa de Armstrong, a US Postal, onde há um jogo colectivo implacável (como aliás em todas as equipas) que obriga todos os outros, por melhores que sejam, ao culto do líder. Pobre Azevedo que carrega Armstrong ao lombo quase até lá acima e depois de tanto trabalho, fatigado, regressa ao anonimato. Não se arranja uma comenda para este grandíssimo corredor de montanha? Mas Armstrong é excelente e caminha possivelmente para um record absoluto, a sexta vitória consecutiva, nas barbas dos franceses. Ontem impôs-se na segunda etapa dos Pirinéus, deixando mais uma vez todos os rivais para trás na subida final, excepto um jovem italiano, Ivan Basso. Restou uma consolação aos comentadores da televisão francesa: o lourinho alsaciano com cara de menino, Thomas Voeckler, ainda conseguiu aguentar mais uns dias a camisola amarela. Toda a gente sabe que ele a vai perder mais dia menos dia ( se não for antes, nos Alpes acaba-se a brincadeira), mas bate-se, dá tudo o que tem e no fim surpreende e consegue aguentar-se mais um dia.
Se o "doping" quase acabou com ele, o "tour" consegue hoje aguentar-se como espectáculo e não é nada sem a televisão. Câmaras por tudo quanto é lado dão o geral e o pormenor, acompanham as fugas em directo, mostram o esforço sobrehumano dos heróis, a cara em primeiro plano do cansaço extremo, o drama da queda e do abandono, a glória da chegada e da vitória. E fazem a volta rústica do país de Astérix e Obélix, mostrando e contando aos franceses as suas belezas fora da cidade, a nostalgia do mundo dos campos, a antiguidade dos monumentos, o bom queijo e o bom vinho, as anedotas históricas. Encenam com "a grande boucle" uma utópica unidade da França, sem poluição, problemas ou conflitos.
Publicado por andrebelo em | TrackBackFoi de facto - pelo que ouvi também, porque não tenho acompanhado o Tour - um final de etapa espectacular. Muitas ilações se poderiam tirar quando vemos o indíviduo a sacrificar-se pela equipa ou, no caso em apreço, o contrário. uma equipa que trabalha para o indíviduo. Não deixa de ser um trabalho em grupo em face dos objectivos pretendidos.
Afixado por: Anjo élico em julho 18, 2004 12:26 PMeu gosto mais do asterix!
Afixado por: Atento em julho 18, 2004 12:42 PMÉ caso para dizer que atrás de um americano, está sempre um português. Estou-me a lembrar a propósito do êxito que Bush teve na invasão ao Iraque, não fora a apoio incondicional dado pelo seu amigo José Barroso, neste caso até uma feliz coincidência de nomes, um José ciclista e um José
belicista.
Lance Armstrong é sem dúvida um grande atleta e um grande homem! consegui vencer o cancro e hoje é sem dúvida uns dos melhores ciclistas do Mundo!
Afixado por: kamarrad em julho 18, 2004 01:58 PMAlgém poderia ter a gentileza de traduzir a fala de Asterix?
Afixado por: Eu em julho 18, 2004 03:57 PMNos últimos tempos, quando penso em ciclismo lembro-me é do «Belleville Rendez-vous». O teu «português humilde, esforçado, discreto, fantástico» podia ser uma boa descrição do neto de Madame Sousa.
Afixado por: João Miguel Almeida em julho 18, 2004 06:35 PMjoão, o mal de muita gente é confundir delicadeza com humildade.
Afixado por: cândida em julho 18, 2004 06:49 PMGRANDE MANIFESTAÇÃO DE APOIO AOS CAMARADAS DO BLOGUE DE ESQUERDA
No Sábado vem ao Parque Central do Seixal apoiar os nossos camaradas perseguidos por Fascistas, Nazis e Vendedores de Caracóis.
Traz a Família, os Amigos do Alheio e os cães, para parecermos muitos e falarmos em nome do povo!
Com a Presença da Renate (célebre por ter ido ao Programa do Badaró fazer de homem de esquerda)
Contra a reacção
Por um Portugal sem o Guélas, o Mocho, O João da Quinta, o Carinha da Avó, o Bajoulo, o Bigornas, a Tita dos Pés Sujos e muitos, muitos outros FASCISTAS da RIAPA, principalmente o Carlos Ponta.
Há PIPIS, Tremoços e Caracóis (só para antifascistas - na Tenda do Zé Gosma ). Com a presença das seguintes coisas:
- Odete Santos (a Sopeira do Povo)
- Ana Gomes (a Peixeira do povo)
- Valéria Fadista (a Travesti do Povo)
- Jamila Madeira (o Pinóquio do Povo)
- Maria de Belém (1 dos sete anões do Povo)
- Ilda Figueiredo (a mulher-a-dias do Povo)
- Francisco Louçã (a mulher-a-dias da esquerda)
Há Caviar, Bifes e Mariscos (só para Fascistas -no Hotel do Tiago Vasconcelos ).Com a presença das exmas senhoras:
Lili Caneças, Paula Bobone, Bibá Pitta, Maya, Cinha Jardim, Catarina Flores, Carlos Castro,
Por um Blogue de Esquerda Livre de injúrias,
25 de Abril nem sempre!
Afixado por: RIAPA em julho 18, 2004 07:00 PMSerá que SAmpaio vai chorar ao dar uma condecoração a Azevedo?
Afixado por: cachucho em julho 18, 2004 07:38 PMA etapa foi de facto espectacular... E Azevedo extraordinário, mesmo sem comendas. E adivinha porquê André? Ontem num jantar divertiamo-nos com o súbito interesse feminino pelo futebol (uma coisa boa do Euro!), mas quando eu e outro amigo começámos a falar com entusiasmo do Tour, de repente parecíamos alienígenas... O país esquece-se que foi o ciclismo que fez os nossos pais vibrar pelo Benfica e Sporting - e que a hegemonia destes clubes nasceu dos ciclistas que os "vendiam" nas estradas de Portugal em 40/50, quando a TV era algo para inglês ver...
Afixado por: Marujo em julho 18, 2004 09:34 PMArmstrong é sem dúvida o melhor. Um atleta ímpar, imagem de determinação e vitória. Mas preferia que ele não ganhasse o Tour, para que o mítico record das cinco vitórias consecutivas se mantivesse inalterável.
Afixado por: João Pedro em julho 19, 2004 08:30 PMCaro André, dizer que o José Azevedo é um "corredor de montanha" é o mesmo que dizer que Zahovic é um mouro de trabalho no meio campo defensivo do Benfica. O facto dele não ser precisamente um "corredor montanha" ainda mais valoriza o seu fantástico trabalho em prol da sua equipa e do Armstrong. O Tour tem sido só mais uma confirmação deste grande ciclista. Mas o Tour é o Tour e só por isso digo-te já: grande post.
Afixado por: MCG em julho 19, 2004 11:45 PMO ciclismo é um desporto fantástico e o Tour é um espectáculo lindíssimo (como a França), que vai muito além de uma extraordinária competição desportiva!
Textos como este fazem-me lembrar, por exemplo, um futebol que não conheci (tenho 26 anos) a não ser nas palavras de Nelson Rodrigues, Lobo Antunes, em músicas, etc, etc...
Apesar de gostar do futebol actual, a verdade é que a impressão de alguns desses textos foi tão forte que a minha ideia de glória desportiva passou a ser... ser o Zico numa final do campeonato carioca no Maracanã cheio!
Será que daqui a alguns anos algum escritor descrever as habilidades do Figo (o poema do Manuel Alegre não conta...), do Rui Costa, do Cristiano Ronaldo ou do Ronaldinho (o bom, o do Barça!)? Será que anda há espaço para a literarura no (de) desporto, ou tudo já se esgotou nos anúncios publicitários, na TV, na máquina em que tudo isto, afinal, se transformou?
Este texto do Daniel Oliveira faz-me acreditar que sim!
(já agora, visitem www.letour.fr; podem ver, por ex, o palmarés do Joaquim Agostinho no Tour)
Afixado por: Bruno Rocha em julho 20, 2004 04:37 PMooooops ... o post é de André Belo, e não de Daniel Oliveira. sorry!
Afixado por: Bruno Rocha em julho 20, 2004 05:11 PM