agosto 28, 2004

Um post à Rui Tavares

No Blasfémia, João Miranda provoca as almas cândidas (como a minha) com a ideia de que o facto de Portugal ter poucas medalhas nestes Jogos Olímpicos é bom sinal: "é sinal que as preferências das pessoas são minimamente respeitadas e o estado não está a desviar demasiados recursos para uma actividade que as pessoas só valorizam de 4 em 4 anos e que não estão dispostas a subsidiar voluntariamente.". Não quero discutir muito isto nem a aplicação ao desporto de critérios como a "preferências das pessoas". Noto apenas que se a "preferência das pessoas" é o futebol e o resto que se dane, lá se corta revolucionariamente com a mais nobre tradição olímpica portuguesa, que é a do atletismo (para além da antiga tradição da vela, dos meus homónimos manos Belo). E a tradição portuguesa é uma coisa que merece respeitinho. Viu-se, por outro lado, o que o futebol português "da preferência" produziu em Atenas, algo um tanto chunga.

Na verdade, o que me traz aqui é o desejo de emulação do meu mestre Rui Tavares na polémica com blogues tão respeitáveis como a Blasfémia. Caro João Miranda, o seu post dá uma explicação estatizante (o estado não investe nos desportos menos conhecidos) a uma questão importante: Portugal é uma lástima em todos os desportos que exigem apuramento técnico e especialização. Obikwelu é um caso especial e, mesmo assim, ao que leio, teve de ir melhorar a técnica de corrida para Espanha. Não existimos em disciplinas técnicas, pura e simplesmente. Não temos nadadores de alto nível, os atletas das disciplinas especializadas são muito raros, não temos ginastas de alto nível, etc. E o mais impressionante nem é termos poucas medalhas: é que não vamos a nenhumas finais. É um deserto. Os franceses, os italianos, os espanhóis, além de medalhas, passam as eliminatórias, vão às finais. E nos desportos colectivos não temos uma só selecção (à parte o futebol) de alto nível europeu. A única que temos é o hóquei em patins, que não é modalidade olímpica. A falta de apoio do Estado é evidente. Mas não podemos estar sempre a dizer que a responsabilidade é do Estado. Eu acho que isto é um bocado à imagem da nossa economia: somos pouco competitivos. Falta know-how, falta qualificação, falta diversificação da produção desportiva, isto para não dependermos só do futebol. A sociedade civil é fraquinha e os clubes só ligam à bola — e todos vivem à pála do Estado de que se queixam e de que vivem. Em suma, os recursos do Estado são importantes, mas falta mercado, um verdadeiro mercado, não o mercado protegido do futebol. É também por isso que ganhamos poucas medalhas. E, chego ao meu ponto, se isto assim é, isto é muito mau sinal para nós. Depois, vamos à Grécia e damos uma pálida imagem do nosso país — e não podemos ignorar a importância que as questões de imagem têm hoje em dia.

Mesmo assim, o Obikwelu só por si deu imenso tempo de antena a Portugal e a colheita em medalhas não pode ser considerada má. Duas medalhas de prata, uma de bronze. Melhor que Sidney (dois bronzes, se não me engano). Terminadas as grandes gerações de atletas de fundo (uma tradição barata, terceiro-mundista), era de esperar um vazio maior. Desenrascaram-nos um ciclista matreito, um atleta de cepa à antiga portuguesa e os benefícios da imigração.

Publicado por andrebelo em | TrackBack
Comentários

Todos à Figueira! Recebi uma mensagem para uma manif junto à torre do relógio na Figueira da Foz no próximo domingo pelas 14h e 30 m

Afixado por: Ondas Portuguesas em agosto 28, 2004 02:16 AM

Barco do Aborto: Governo dá orientação ao navio para que não entre em águas portuguesas (ACTUALIZADA)


Lisboa, 28 Ago (Lusa) - O Governo deu sexta-feira uma orientação ao chamado "Barco do Aborto" para que este não entre em águas territoriais portuguesas, alegando motivos de "respeito pelas leis nacionais" e questões de "saúde pública".

O secretário de Estado para os Assuntos do Mar, Nuno Fernandes Thomaz, disse à agência Lusa que "as autoridades portuárias e de tráfego comunicaram hoje (sexta-feira) em tempo útil ao barco, através do seu capitão, ao armador e ao cônsul da Holanda que este não deverá passar em mar territorial português".

O navio holandês, com clínica ginecológica a bordo, fornece a pílula abortiva em alto mar (águas internacionais) e deverá chegar a Portugal domingo, a convite de quatro associações portuguesas.

A mesma fonte disse que a orientação do Governo visa fazer respeitar o quadro jurídico português, já que, para Nuno Fernandes Thomaz, sendo Portugal um país soberano, "nenhum grupo, seja em que circunstâncias for, pode desafiar a ordem jurídica portuguesa ou incitar a actos contra a lei" portuguesa.

"É uma questão de legalidade e não de moralidade. Aceitar que terceiros viessem violar a nossa lei tornaria para nós mais difícil exercer a autoridade com os portugueses", sublinhou.

O segundo motivo apresentado pelo secretário de Estado para os Assuntos do Mar prende-se com uma questão "de saúde pública", uma vez que no navio pretende-se utilizar medicamentos proibidos pelas autoridades portuguesas.

"Sendo a pílula (abortiva) proibida em Portugal, se tencionam administrá-la significa que a trazem (a bordo)", justificou Nuno Fernandes Thomaz, acrescentando: "Por esse motivo (o barco) deverá ficar em águas internacionais".

Por outro lado, para o Governo, o barco é uma unidade de saúde móvel não certificada pelas autoridades de Saúde portuguesas.

Por esse motivo, acrescentou o secretário de Estado, o barco pode pôr em risco a vida das mulheres que a ele recorram, apesar de ter sido verificado pelas autoridades de Saúde holandesas.

"O barco vem exercer actividades de saúde que têm de ser devidamente regulamentadas (pelas autoridades portuguesas), senão poríamos em risco a saúde pública. Consideramos que a passagem do navio não é inofensiva", reforçou o secretário de estado dos Assuntos do Mar.

A iniciativa de trazer o barco é da organização holandesa "Women on Waves", que disse quarta-feira ter autorização para atracar em vários portos nacionais, apesar de não revelar quais.

O Governo desmentiu.

"Isso é falso. A única coisa que é verdade é que hoje (sexta- feira) a associação requereu autorização para atracar no porto da Figueira da Foz", disse.

O Instituto Portuário de Transportes Marítimos (IPTM) tutela vários portos nacionais, na dependência directa do Ministério da Defesa e do Mar, sendo responsável pela emissão de licenças de acostagem.

A delegação Norte do IPTM tutela portos entre Viana do castelo e Vila do Conde, o Centro engloba a Figueira da Foz, Nazaré e Peniche e a delegação Sul os portos de Portimão e Faro.

Os restantes - Leixões, Aveiro, Lisboa, Setúbal e Sines - dispõem de administrações próprias, vinculadas ao Ministério das Obras Públicas.

Segundo o secretário de estado, noutros países (Irlanda e Polónia, onde o aborto é proibido) este "golpe publicitário" originou situações de conflito "muito complicadas".

"Portugal hoje faz prevalecer a sua lei em mar territorial português, enquanto este barco vai ficar em águas internacionais", reforçou.

"Com isto o Estado dá como encerrado este episódio", concluiu.

A organização Women on Waves recordou sexta-feira que a entrada do navio nunca foi negada em nenhum dos portos para onde se deslocou, nomeadamente quando navegou até à Irlanda e à Polónia.

"O navio obedece a todas as regulamentações internacionais e tem a sua documentação em ordem", defenderam sexta-feira os responsáveis pela organização.


Afixado por: noiseformind em agosto 28, 2004 02:39 AM

Barnabés, 'tá a acordar pessoal! O (des)governo (não eleito) isola-nos da Europa! Há que reagir!

Afixado por: Boss em agosto 28, 2004 02:48 AM

Perdoem-me a transcrição, confrades barnabitas, mas n resisti a tantas pérolas DE porcos. Vejam bem estas 2

"É uma questão de legalidade e não de moralidade. Aceitar que terceiros viessem violar a nossa lei tornaria para nós mais difícil exercer a autoridade com os portugueses", sublinhou.

O segundo motivo apresentado pelo secretário de Estado para os Assuntos do Mar prende-se com uma questão "de saúde pública", uma vez que no navio pretende-se utilizar medicamentos proibidos pelas autoridades portuguesas"

Ora bem... se traz medicamentos proibidos pq é que n se faz uma inspecção ao barco mal ele atraque e se remove os taus medicamentos ilícitos ( À venda online por preços módicos vindas de França, Espanha, Neverland...). ORA NO QUE É QUE ISTO VAI DAR... SITES QUE VENDAM A RU-486 já n vão poder ser visionados na net ( meu caro secretário do Mar, n sei se é comunicação lenta entre você o sub secretário de estado da WWW pela longa cadeia de acessores mas ainda agora consultei 5 e continuavam activos". Além disso, o barco iria deslocar-se PRA ÁGUAS INTERNACIONAIS.

Mas o melhor disto tudo, e o mais estafado cavalo desta batalha ( que n me canso de batalhar ADQUIRINDO A PILULA RU-486 e FACULTANDO-A A VÁRIAS PESSOAS. OUVIRAM NEO-PIDES??????????, EU FACULTO A RU-486, EU N DEVIA TAR EM LIBERDADE) é sempre... A SAÚDE DAS MULHERES!!!!

Ora como nós sabemos as cricas ( usando um opuco do dicioinário Pipiano) Holandesas diferem em grande medida do Grelado Nacional em virtude de um conjunto de entumescências n detectáveis a olho nú e um odor característico a muco mais oleoso, resultado da nossa dieta mediterrânea. ORA ISTO É MUITO IMPORTANTE QUANDO SE PENSA NUM ABORTO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Enfim... isto com o Santanóide vai de mal a pior... por isso já tomei a minha grande decisão anual ( pois... eu sou assim, n espero pelo Ano Novo, pode ser tarde demais). COmo portuga licenciado e com qualificações pra exercer no estrangeiro é mesmo pra lá que vou em Outubro. CANADA suas invejosas!!! ESTOU FARTO!!! É CADA CROMO!!!

Afixado por: noiseformind em agosto 28, 2004 02:49 AM

E ainda digo mais!!!!!!!!!!!!!!!
Neste momento, entre as 50 normas do MST publicadas Sexta-Feira no PÚBLICO e este Governo, mesmo com atropelos À Constituição e tudo EU SALTAVA DE OLHOS FECHADOS PRÁS 50 NORMAS DO MST!!!!!!!!!!

Afixado por: noiseformind em agosto 28, 2004 02:52 AM

Portugal um pais soberano?? Mas francamente estes ainda nâo sairam do terramoto de 1755,no dia de todos as santos.1 de Novenbro,estava la um barco Suéco que mesmo com o raz-de- maré ficou para ajudar os feridos!Mas entâo a soberania de Portugal? 1890 ultimato dos Anglos onde estava a soberania de Portugal? Etc,etc,olha os Irlandêses,estâo a dar nos tugas a malta ai so fala,como de costume,os taxistas estâo agarrados ao tacho mas méte isto na tua maquina a pensar.Muitos anos que Portugal nâo é soberano?duvidas? Viste a rapidês com que foram ajudar o Bush!Acorda a igreja e os judeus é que mandam? Duvidas?So agora é que o FBI descobrio que havia um judeu espiâo ALTO PLAÇADO e que éra ele é que dava ordens,olha a soberania de portugal so existe nas cabêsas pôdres

Afixado por: Sherlock Holmes em agosto 28, 2004 05:48 AM

Nem espéres mais.. vaim-te embora ,faz um pouco frio mas vais-te consolar,quatro estaçôes por ano,e trabalhas com meios humanos,nâo espéres deixa éssa gang de atrazados..nâo vês o govêrno que tem.Acredita-me, 40 ANOS SEI O QUE DIGO

Afixado por: Sherlock Holmes em agosto 28, 2004 05:58 AM

Senhores comentadores,
Os comentários devem ter a ver com os posts. O Barnabé não é uma caixa de reclamações e temos direito a falar dos assuntos que nos apetece e ao ritmo que nos apetece.

Afixado por: André Belo em agosto 28, 2004 10:30 AM

Nunca questionaram os modelos de prática desportiva? Porquê? Opiniões pouco fundamentadas de nada servem!

Afixado por: Miguel Pinto em agosto 28, 2004 11:11 AM

Coitado do André Belo.

Afixado por: thirdbacus em agosto 28, 2004 03:52 PM

Excelente post e um dos melhores que tenho lido no Barnabé. Infelizment o pessoal está mais preocupado com o "barco que passa" do que com o "desporto que temos".

Afixado por: Carlos em agosto 29, 2004 12:47 PM
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